O Que For Pra Ser, Será...
13 Capítulo 13
Notas iniciais
POV Quinn
Quatro anos. Dá pra imaginar? Esse foi o tempo em que estive longe de Rachel e agora cá estamos, assistindo filme e rindo juntas. Durante praticamente toda a nossa vida escolar eu a humilhei física e psicologicamente, lhe dei apelidos dos mais diversos, tentava diminui-la sempre que possível, mas ela estava sempre lá, relevando, me perdoando, tentando se tornar minha amiga. Eu não entendia porque ela fazia aquilo, me dava raiva ver que ela em nenhum momento era atingida por tudo que eu fazia. No final, Rachel sempre era a pessoa a sair por cima da situação.
Após toda a história com Beth, ela foi uma das poucas a sempre me apoiar, sempre estar lá, mesmo que eu não quisesse. No dia que Shelby levou Beth para despedir-se de mim definitivamente, eu desabei e quem estava lá para me segurar? Sim, Rachel. Naquele dia eu resolvi que deveria dá-la uma chance. Já era perto do fim do nosso último ano. Eu e Rachel ficamos mais próximas nos meses que nos restavam, passávamos horas juntas. No dia que ela embarcou para New York e eu para New Haven, prometemos manter contato. Uma promessa que nunca fora cumprida.
A vida na faculdade era totalmente diferente. Rapidamente fiz novos amigos, já que tanto Rachel quanto Santana estavam em NY e Britt tinha ficado em Lima, ou seja, estava sozinha. Dividia o quarto com Lauren, que rapidamente tornou-se a minha melhor amiga. Foi assim durante os quatro anos de duração do meu curso de advocacia. Curso esse que eu ainda pensei em mudar para fotografia, mas acabei desistindo. Deixei a fotografia apenas como um hobby.
De inicio eu recusava todos os convites de Lauren para sair, até que eu percebi que isso não iria me impedir de tirar notas boas. Só bastava me dedicar e eu conseguiria. Então comecei a sair com ela e alguns amigos. Conheci gente nova, por exemplo, Ian com quem tenho contato até hoje. E foi com eles que eu “abracei a minha verdadeira natureza”, ou seja, me assumi gay. Eu sei que quando Santana falou sobre o pezinho no arco íris eu disse que não, mas é que ainda não estou pronta para as piadas daquela latina idiota. Na verdade, poucas pessoas sabem. Apenas meus amigos de New Haven, Britt e Hanna.
Falando nelas, acho que depois que elas apareceram minha vida melhorou ainda mais. Claro que fiquei surpresa quando Britt apareceu na minha porta do nada, quando já estava morando no meu próprio apartamento. Mas eu nunca poderia ter ficado mais feliz. Britt sempre foi uma das minhas melhores amigas e a sua inocência disfarçada me cativa até hoje. Muitos a acham burra, mas nunca conheci alguém tão inteligente e esperta como ela. Começamos a morar juntas, ela se dedicando a dança e eu a advocacia, mas eram nos finais de semana que éramos felizes. Saíamos quase toda sexta e sábado, íamos para boates, barzinhos. Depois de Santana, Britt ficou muito mal. Ela sofreu como nunca tinha visto-a sofrer antes, mas continuava sempre repetindo a si mesma que foi o melhor. Então as farras eram a válvula de escape. Até que em uma festa da faculdade, conhecemos Hanna e sua amiga Aria. Passamos a noite inteira juntas. Britt e Hanna tiveram uma química imediata, elas se deram tão bem. Já eu e Aria... Bem, não passou de um caso e uma boa amizade.
Durante esses quatro anos em New Haven, posso dizer que fiquei com um numero considerável de meninas. Muitas por apenas uma noite, outras por mais que isso, mas nunca nada sério. Nunca encontrei ninguém que eu gostasse o suficiente para namorar. Alguém que arrebatasse meu coração, que fizesse meu corpo tremer, que me fizesse entrar em uma órbita completamente nova e diferente. Algumas grudaram no meu pé e só largaram depois de insistentes foras. Acho que foi por isso que fiquei com fama de pegadora, galinha e outros adjetivos nada agradáveis. Mas nunca me importei. A vida era minha e se eu não queria, não queria.
Até que a faculdade foi chegando ao fim e eu precisava decidir onde montar meu escritório. Após conversar com Britt e Hanna, optamos por NY. Queria poder reencontrar Santana, Rachel e como Britt e Hanna estavam firmes, achamos que tudo poderia funcionar. Viemos pra cá uma semana, olhamos apartamentos e possíveis locais onde o escritório poderia ser. Decidimos pelo apartamento, mas o outro seria surpresa (e foi).
Como disse, queria reencontrar Santana e Rachel, mas não esperava que isso fosse acontecer no final de semana em que eu estava aqui só de passagem. A ideia de ir para a La Roja foi de Britt, ela tinha ouvido falar sobre a boate e queria dançar, Hanna como boa namorada aceitou de imediato. Eu não queria, já que íamos viajar no dia seguinte não queria me cansar, mas Britt fez a sua carinha de cachorro abandonado e eu não resisti. Encontrar meus amigos do tempo de colégio foi a maior surpresa da noite. Encontrar Rachel depois de tanto tempo...
Tudo que vem acontecendo daquela noite pra cá ainda está fora da minha compreensão. O modo como eu e Rachel nos reconectamos foi e é fora do comum. Quando estou perto dela, eu não sei o que acontece. Eu apenas quero fazer as coisas certas, quero que seja bom e ela fique feliz (essa sensação me persegue desde o ensino médio, por mais que eu a negue com todas as minhas forças). Ver o seu sorriso megawatt quando apareci na formatura, ou quando a levei para almoçar e passear. Ainda não acredito como ela conseguiu me acalmar no dia da inauguração, como ela passou a noite inteira comigo, como ela não se importou com os comentários dos sites de fofoca. Rachel é uma pessoa única e singular, disso não há duvidas.
Como eu disse, agora cá estamos nós, assistindo filme e rindo juntas. Sua risada é tão gostosa, é como música. Okay Quinn, pare com isso, agora. Rachel está deitada e eu entendo porquê, ficar sentada nessa posição por muito tempo não é agradável, então resolvo me ajeitar um pouco. Coloco a mão da panturrilha de Rachel para usar como apoio e é então que acontece. O calor, o arrepio, a corrente elétrica que parece passar entre nós duas. Eu reconheço essa sensação. É tão boa, é maravilhosa e Rachel também parece ter sentido. Vejo-a ficar tensa e os seus pelos eriçarem. Retiro minha mão e mesmo com a sensação de vazio, sei que não posso continuar com isso. Rachel é minha amiga, talvez minha melhor amiga no momento. Eu não posso me arriscar. Eu lutei contra isso praticamente por toda a minha vida. Eu não posso. Eu simplesmente não posso deixar transparecer o que eu sinto. Não posso permitir que meu coração sobreponha a minha razão e me faça perde-la. Eu não aguentaria viver sem ela novamente.
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