— Bom tá entregue. – Rodrigo afirma no momento que estaciona o carro na frente do portão da casa de Luciana. A moça fica em silêncio por segundos apenas olhando para o rapaz, parecendo minunciosamente querer captar cada reação contida em seu rosto.

— Você tá chateado comigo porque eu quis vir embora. – Lu questionou desfazendo o silêncio do rapaz em um sorriso. – Olha você sabe que se dependesse de mim, a gente tinha ficado por lá, mais a questão é que o amanhã iria ficar muito complicado por isso. – declarou ela com um ar sorridente, desabotoando o cinto de segurança se aproximando rapidamente dele e lhe dando um beijo estalado no rosto.

— Oh se ia! – Rodrigo riu da constatação dela. — Meus pais e os teus iriam chamar a policia no mínimo pra comunicar que gente desapareceu. – ela prevê com bom humor. – Eu não to chateado não... – garante ele a encarando firme e deslizando as mãos por seus cabelos. – Na verdade to sim, mais é com o tempo, ele é muito injusto quando a gente tá junto. – Rodrigo diz. – Posso te confessar uma coisa idiota. – ele pergunta deixando Luciana a rir.

— Que. – ela indaga curiosa.

— Cadê vez menos eu sei o que fazer quando não to perto de você, por mim a gente não se desgrudava nunca mais, só de pensar que eu vou ter que ir pra casa, esperar mais de sete horas pra acordar, e assim poder te ver de novo, parece que eu to andando em círculos desde já, só por não poder te ter perto de mim, poder conversar, te abraçar e te beijar. – confidenciou Rodrigo, finalizando o desabafo com um beijo apaixonado.

— Então, ainda bem que eu ainda não peguei essa tua doença aí. – Lu brincou se perdendo em fitar atentamente os olhares de Rodrigo sob ela. – Pior é que é mentira, eu já peguei ela há muito tempo, e deve ser por isso que eu sinto uma saudade danada quando percebo que você não tá perto de mim. – confessa ela sendo totalmente envolvida pela situação e pelo enorme sentimento que a unia a Rodrigo.

— Eu nunca pensei que desse pra amar tanto alguém. – disse Rodrigo perdidamente encantando em fitar a namorada.

Luciana apenas sorri desconcertada antes de conseguir expressar a dimensão do sentimento que lhe dominava naquele segundo. – Nem eu Rodrigo. – balbuciou ela, plenamente mergulhada nos sentidos que seu coração batendo tão rapidamente proporcionavam a seu corpo, ao notar a respiração de Rodrigo tão próxima de si.

— Eu te amo, te amo, te amo. — Rodrigo desandou a dizer entre sorrisos contentes enquanto beijava o pescoço dela. – Te amo pro resto da minha vida. – prometeu ele a encarando nos olhos o que apenas deixou menção pra um beijo envolvente e com todo amor que ambos sabiam que nutriam um pelo outro, os minutos continuariam sendo segundos apenas.

— Tá agora eu tenho que ir, já tá beirando meia noite, ih amanhã... – Luciana ia se recordando de tudo a sua volta mais uma vez, depois que os dois sessaram o beijo e ela ficou apavorada ao notar o horário na tela do celular quando o apanhou de cima do banco para guardar consigo.

— É hoje, já é hoje o amanhã. – Rodrigo sorriu com a lembrança, por ele o resto poderia esperar, mesmo que seu lado racional soubesse que não.

— Eita então melhor eu ir. – Luciana riu junto com ele. – Tchau, boa noite e me liga quando chegar, ou manda uma mensagem é melhor. – sugeriu ela ao perceber que corria o risco dos dois passarem o resto da noite pendurados ao celular.

— Pode deixar, boa noite. – ele concordou beijando seu rosto.

— Tá então tchau. – despediu-se a morena, ameaçando abrir a porta do carro para adentrar em casa. – Rodrigo espera. – pediu Luciana voltando a encara-lo.

— Que foi. – o garoto questionou calmo.

— Duas coisas, a primeira. – argumentou Lu respirando pesado. – Obrigado por hoje, tá eu impliquei com você lá na praia mais, eu adorei tudo que você fez mesmo, acho que mais que isso, eu tenho que te agradecer por muita coisa ultimamente... – Eu achei que ia entrar numa fase de paz depois de tudo, mas mais uma vez eu vi que não ia ser assim né, e talvez se não fosse você tava muito pior, então muito obrigada de verdade... – ela disse não evitando um sorriso um pouco emotivo.

— Não, não precisa, eu sei de algum jeito que você faria o mesmo por mim, eu nunca vou conseguir te ver triste. – o rapaz garantiu fazendo um carinho no rosto dela. – E o que era a segunda coisa que você tinha pra me dizer. – ele perguntou com ar curioso.

— Não era nada, só isso aqui. – Luciana afirmou um tanto risonha, o abraçando e o puxando para um beijo sem pressa.

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— Bom dia gente. — Luciana acenou aos pais de um jeito animado ao vê-los reunidos na cozinha.

— Bom dia né. — Jorge disse meio irônico, e querendo muito saber porque a filha estava tão alegre numa manhã.

— Ué pensei que você disse que não haveria aula hoje Luciana. – Sueli cobrou da menina colocando uma cesta com pães a mesa.

— E não tem mesmo, é que hoje vai rolar a última luta do intercolegial, aí eu resolvi assistir. – explicou ela despretensiosa enchendo um copo com suco.

— E o que tem de tão importante nisso. – Jorge se quer entendeu tanta empolgação.

— Nada de mais mesmo pai, é que eu prometi pro Rodrigo que eu iria só isso, ela vai lutar a final pelo colégio ih. – a moça quis esclarecer porém Jorge foi logo lhe cortando ao ouvir o nome de Rodrigo.

— Rodrigo, esse menino e seu nome ultimamente circulam muito nessa casa, porque será. – Jorge cutucou meio irônico. – Eu nem vi você chegar ontem hein dona Luciana. – Jorge cobrou da filha.

— Ah, mas eu te vi dormindo no sofá pai, roncava tanto que parecia um javali, olha com todo respeito ao senhor e ao porco. – Lu não resistiu em zombar da cena que se deparou quando entrou sorrateiramente em casa na noite anterior.

— Eu nem ronco que injuria, pois eu não gostei nada disso Luciana. – Jorge sentiu-se ofendido principalmente quando a filha e Sueli iniciaram risadas que não acabavam mais.

— Eu que o diga né Jorge. – Sueli ironizou as gargalhadas.

— Eu acho que essa frase da mamãe foi tipo, não se case com alguém assim minha filha. – Lu provocou o pai que ficava cada vez mais sério.

— Exatamente. – Sueli não resistiu em entrar na onda da filha.

— Vai incentivando Sueli, e você dona Luciana como pretende saber disso hein. – Jorge não gosta nada da cara sapeca da garota. – Quero ver se lá frente você descobre que o príncipe Rodrigo, na verdade é um sapo que ronca, ai não reclame minha filha, fica babando pelo garoto. – Jorge quis debochar.

— Ué sei lá. – Lu fingiu mistério. – Mais eu sei que o Rodrigo não ronca. – Lu brincou.

— Como assim? – Jorge olhou para a menina assustado, deixando a esposa a rir. – Minha filha, você por acaso não, não, claro que não né. – atrapalhou-se ele aterrorizado.

— Ué pai, ele não tem cara de que ronca só isso, como que você achou que eu descobri hein. – Luciana tenta ficar séria.

— Eu vou procurar emprego que eu ganho é dinheiro isso sim, você dona Luciana depois me conte aos detalhes de onde estava, não pense que eu esqueci. – o homem preferiu realmente acreditar naquilo.

— Tchau pai, boa sorte, te amo. – Lu continuou seu café ainda rindo de Jorge que saia até a sala.

— Olha aqui Luciana teu pai cochilou no sofá e nem te viu chegar mesmo. – Sueli sentou na cadeira com ar curioso e repressor. – Mais aconteceu que eu vi muito bem, já era tarde, muito tarde, e a senhora e o seu Rodrigo ficaram uns quarenta minutos no mínimo com o carro parado aí em frente conversando. – Sueli revelou tudo que notou pela janela de seu quarto.

— E quem disse que a gente só tava conversando mãe. – Lu não resistiu e zombou alegremente.

— Você não está se precipitando não minha filha, e você e esse menino é o que isso, namoro ou não. – a mulher quis saber sem rodeios.

— Não, não to, e você acredite ou não, a gente não fez nada de mais, eu juro. – garantiu Lu. – Eu gosto dele mãe, e eu sei que ele também gosta de mim, e sim a gente tá namorando de novo. – a garota revelou. – E pra ser ainda mais sincera, eu to tão feliz, que eu até esqueci um pouco das tonturas, dos enjoos, de toda irritação por conta dos remédios, até esqueci que eu posso contrair uma doença incurável. – admitiu ela sorrindo sem parar.

— Ai minha filha. – Sueli sorriu preocupada também com a lembrança. – Só vá com calma não é Luciana, afinal vocês são jovens, não precisam dessa pressa toda. – aconselhou Sueli, mesmo gostando de ver o sorriso sereno que notou no rosto da filha.

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— Oi Lu, você veio. – Vera abordou a amiga que andava distraída pelo pátio.

— É vim. – Luciana sorriu despretensiosa apenas.

— Ai Lu, eu sei que hoje não é dia de pensar nisso, mas eu não sei eu nem comecei o trabalho do Ruben que é pra amanhã, é muito complicado aquilo tudo. – a menina disse um tanto apavorada.

— Nem eu Vera, a gente pode fazer juntas se você quiser, depois a gente combina, agora eu vou resolver uma coisa tá, te vejo lá no ginásio. – Luciana já nem lembrava mais quais foram suas palavras iniciais, quando se perdeu em apenas observar Rodrigo surgindo no pátio, distraído com o celular.

— Tá né. – Vera riu e nem entendeu nada, somente passou a surgir um entendimento quando notou a amiga correndo em direção a Rodrigo.

— É aí dormir bem, acho que e sonhei com você sabia. – contou Luciana tirando atenção do rapaz que a essa altura só conseguia nota-la a sua frente.

— É até que sim, mais o mais complicado foi mesmo pegar no sono. – Rodrigo confessou sorridente. – E quanto a sonhar ou não com você, acho que eu faço isso acordado mesmo. – ele afirmou, a fazendo rir, Rodrigo foi envolvendo a mão a sua cintura e lhe beijando com saudade.

— Vera você viu a Lu. – Lívia chegou com um pacote de pipoca em mãos procurando pela melhor amiga.

— Bom serve aquela ali pendurada no pescoço do teu irmão. – Vera disse meio que rindo.

— Ah gente bem que eu desconfiei, o Digo sumiu ontem e nem sei que horas voltou pra casa. – Lívia sorriu ao ver que os dois estavam juntos novamente.

— Pois é, daqui a pouco o Idel vem e dá aquela chamada neles por ficar assim no pátio, só que a Luciana nem sempre cumpre regras né. – Vera realmente não entendia o que tanto Luciana havia visto em Rodrigo, os dois pareciam de mundos tão incompatíveis, pelo visto a amiga diferente dela nunca estranhou estar no Leal Brasil mesmo, muito ao contrário.

— Ai Vera deixa os dois é só um beijo, tá e que beijo... – Lívia se corrigiu e riu de si mesma ao fitar os dois um pouco mais. – Ainda bem que o Rodrigo é meu irmão, se não acho que eu ficaria com inveja. – a menina disse sorrindo.

— Nervoso. – Luciana questionava Rodrigo.

— É mais ou menos, acho que se você não tivesse aqui, eu estaria mais. – Rodrigo afirma.

— Tá e isso é bom ou ruim, porque se você perder vou achar que sou eu que te desconcentrei. – Lu perguntou brincalhona.

— Então na verdade mesmo tendo a certeza que eu vou dar o meu melhor, não importa tanto assim, o que eu queria ganhar já consegui. – falou Rodrigo voltando a beija-la empolgado.

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— Meio atrasado pra um finalista né Rodrigo. – Flávia implicou de imediato ao ver Rodrigo adentrando o ginásio.

— É que eu dormi pouco ontem, foi isso Flávia. – Rodrigo respondeu secamente não deixando de lado o sorriso esperto que lançou a Luciana, Flávia suspirou contido ao observar que o rapaz estava de mãos dadas com a morena.

— Oi Flávia. – definitivamente Luciana não admitiria ser ignorada, e conteve-se para não rir ao perceber aquilo que Rodrigo jamais notou, a ira do loira com sua presença ali.

— Oi. – ela respondeu meu indiferente.

— Bom dia, bom dia. – Ruben cortou o clima entre as duas chegando animado até os três. – Bora aquecer né Rodrigo, porque agora não tem replay, é jogo mesmo pra valer. – afirmou ele bem humorado.

— Fazer o que né. – Rodrigo fez piada apenas. – Você fica com minha mochila. – pediu ele a Luciana parando em sua frente.

— Claro. – Luciana assentiu com um sorriso, observando discretamente o semblante de Flávia. – E boa sorte. – ela desejou com todo carinho lhe dando um beijo rápido.

— Obrigado, mais eu já te falei que meu prêmio eu já ganhei. – Rodrigo respondeu com ar de mistério e um sorriso bobo a amada, lhe beijando novamente em seguida, enquanto a menina apanhava sua mochila e soltava sua mão para ir embora.

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Enquanto ainda da arquibancada Luciana e Lívia vibravam com a conquista de Rodrigo, a menina observou algo tão logo que o rapaz descia do pódio que não lhe agradou em nada, ao contrário lhe deixou foi possessa.

— Eu não gosto dessa garota Lívia. – Luciana disse incomodada com a forma que Flávia sorria entre caras e bocas a Rodrigo.

— Lu calma, eu também não mais. – Lívia apenas observou a cena boquiaberta, tendo pena do irmão caso ele não se livrasse logo de Flávia e Luciana resolvesse agir.

— Ela tá se pendurando nele a troco de que. – Luciana ficou ainda mais irritada ao vê-la abraçando Rodrigo. – E teu irmão que morrer Lívia, olha que vai ser o namoro mais curto que a gente já teve hein. – Luciana disse desistindo de seguir a sugestão passada de Lívia de ir parabenizar Rodrigo.

— Vem vamos lá. – Lívia achou melhor convidar.

— Não vou. – Lu negou fazendo uma careta cheia de pirraça.

— Ah vai, não tá vendo que é isso que ela quer, ele já se livrou dela. – Lívia tentou ajudar Rodrigo.

— Ah é, só que ela ainda continua sorrindo igual uma gaivota pra ele. – Luciana disse cruzando os braços empacada, sem apreciar a cena. – Não vou e ponto...

continua