O Que Está Além de um Olhar...
10 Capítulo 10
Notas iniciais
— Oi dona Sueli, como vai, vim ver a Lu, ela tá aí. – Nanda responde a mulher com um enorme sorriso ao vê-lo abrir a porta.
— Oh Nanda entra, a Lu tá lá na cozinha. – Sueli afirmou voltando a sentar em seu sofá para continuar vendo televisão.
— Oie gatona. – Nada diz em um tom animado ao se dirigir a cozinha e encontrar Luciana de frente para a bancada da pia.
— E aí matou aula foi, que novidade é essa. – Luciana estranhou a menina em sua casa aquela aula.
— Ah é que, eu tava com muita saudade sabe. – Nanda justificou a abraçando.
— Eu também tava. – disse Luciana.
— Mais e aí brigadeiro a essa hora, qual o motivo hein. – Nanda questionou tratando de roubar um dos brigadeiros que já estavam prontos no prato perto de Luciana.
— Consciência pesada serve como argumento. – Luciana rebate com a face um pouco pensativa.
— Porque você tá falando isso. – Nanda com uma cara meio confusa, já desconfiando de imediato. – Não tem nada a ver lá com a história lá do coquetel não né, ai Luciana não vai me dizer que você já sabe como você está de saúde depois lá daquela... – Nanda desandou a falar extremamente preocupada com a amiga.
— Não, eu tenho que tomar todos os remédios ainda antes. – Luciana explicou fazendo a outra garota respirar mais aliviada. – Mais é que... – Bom... – ela depositou a panela suja de chocolate dentro da pia mal sabendo como contar o que queria a Nanda. – Eu passei mal hoje no colégio ih... – O Rodrigo...
— Vocês se pegaram. – Nanda cortou Luciana já dizendo alto, se pondo a gesticular inquieta.
— Fernanda. – Luciana ficou com cara de quem lhe daria um sermão pra já. – Fala mais baixo, se fosse pra minha mãe saber eu já tinha ido direto a sala te contar quando você chegou. – a morena cerrou entre os dentes se desapontando com Nanda.
— Não tudo bem, foi mal, me empolguei ué, você sabe como eu sou. – Nanda fingiu constrangimento pela gafe cometida. – Mais também né até parece que ela não sabe, que eu não sei, que o universo todo já não sabe. – se pôs ela a explicar-se. – Desde que você me contou o que rolou a mais lá na noite da confusão com aqueles caras que eu tive certeza que ia continua rolando né Luciana, só você pra achar que não. – afirmou ela segura de si que só dizia verdades.
— É sei lá. – Lu ainda meio que titubeou em concordar com a amiga. – Eu gostou, gosto mesmo, mais eu realmente às vezes não entendo o que acontece entre mim e o Rodrigo, que quanto mais eu tento remendar, parece que pior fica. – Luciana admite ser a principal responsável pelo seu envolvimento confuso com o irmão de Lívia.
— Ah mais isso aí eu também sei. – garantiu Nanda se movendo e estalando os dedos em frente ao rosto de Luciana para que ela lhe escutasse com extrema atenção. – Você já ouviu falar numa coisa chamada atração , coisa de paixão, amor que vem e que, aquele negócio que vem e pega a gente de jeito. – afirmava Nanda em tom de empolgação.
— Nanda como você é exagerada, não cansa não. – Luciana só consegue dar gargalhadas das alegações de Nanda.
— Sou não, o que você chama de exagero eu dou o nome de realismo meu bem. – ela responde à amiga mal ligando. – E fora que só sendo muito cego pra não perceber, você e o Rodrigo, né vamos combinar que tem uma faísca ali que queima mais que brasa, incendeia tudo, você só olham e já foi, pronto falei. – concluiu Nanda receosa ao ver Luciana lhe lançando um olhar fulminante.
— Muito obrigada, estou bem mais aliviada agora, inclusive seu continuar ficando com o Rodrigo mesmo sem querer, eu nem vou achar mais que isso traição com o Pedro. – Luciana diz em total ironia apanhando o prato com brigadeiros comendo sem parar.
— Lu o jeito é você terminar com o Pedro, ih vê no que vai dar essa tua relação aí com o Rodrigo, não dá mais né minha amiga, o Pedro é legal, mais confessa, até você já se convenceu não é ele que você ama. – Nanda pondera não vendo outra saída para Luciana, à situação já tinha sido prolongada além da conta, e dali em diante só poderia ficar pior e mais enrolada.
— É tá complicado. – Luciana não tira a razão dos argumentos da amiga. – E fora que, o Pedro nem anda falando direito comigo, ele tá super estranho comigo. – ainda acrescenta à morena. – Quem mais brigadeiro. – Lu perguntou estendendo o prato a ela com cara de quem choramingava.
— Eu não, sai pra lá com esse troço, vou acabar é gorda mesmo. – Nanda falou com a voz fingindo total ofensa. – Você é que pode mesmo né, come, come, e continua aí do mesmo jeito, é magra de ruim mesmo, nunca vi. – a garota deduz fitando Luciana.
— Ai Nanda não fala assim que magoa, to carente. – Luciana discursou tentando fazer uma cara triste.
— Daqui que eu abraço. – Nanda deu risada indo abraçar Luciana. – Mais também acho que é bom fácil você resolver isso aí, só ligar pra uma certa pessoa que ia adorar te fazer esse favor. – a menina diz, fazendo Luciana rir, ao se referir de Rodrigo.
— Não Nanda, porque chega, já encerrei o assunto Rodrigo por hoje. – Luciana respondeu a soltando. – Chega de cogitar, pensar, por hoje deu. – ela argumentou.
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— Oh Lu. — chama Nanda no quarto com Luciana.
— Que foi. — Luciana indagou concentrada em folhear um livro.
— Então é assim. — Nanda continua, enquanto remexe nas roupas de Luciana no guarda roupas. — Agora que enfim você e o Rodrigo tão aí, você vai terminar com o Pedro pra vocês ficarem juntos. — ela perguntou sem resistir com a voz de curiosidade.
— Nanda jura. — Lu olha para ela com um de seus vestidos em mãos nada afim de responder questionamento.
— Ué eu sou curiosa, o que eu posso fazer. — Nanda procurou se explicar desconversando antes que tomasse uma dura.
— Eu não sei. — Luciana fala séria. — Eu acho que... — concluía ela ao ser interrompida pelo som de seu celular sob o bidê, se surpreendendo quando fitou a tela e viu de quem se tratava o remetente da mensagem.
Rodrigo...
Prometi não insistir mais, acho que te desejar uma boa noite ainda tá valendo... Boa noite, ih acho que pedir pra você sonhar comigo pode ser um pouco demais, mais não custa... Beijosss
Lu continuou a olhar para o celular sendo vigiada atentamente por Nanda, que parecia perceber que havia algo a mais por trás daquela mensagem.
Talvez mesmo você tenha razão, mas bom quem sabe você não tá com sorte!! Bjs Uma boa noite pra você também... Luciana respondeu soltando o celular enquanto Nanda já se contorcia de curiosidade para saber quem era.
— Oohuuu! – Pode parar de me ignorar e dizer quem era, porque pra te deixar assim né, tem que ser alguém muito especial. — Nanda solicitou taxativa a atenção da amiga para si, que apenas a olhou sorrindo sem perceber.
— Ninguém em especifico . – Lu negou que seu completo estado de contentamento teria a ver com o remetente da mensagem.
— Ah não, então vou ver. – Nanda saltou na cama de Luciana pegando o celular da morena.
— Nanda para. – a moça quis protestar descontente.
— Nem vou ler mesmo. – Nanda jogou o objeto na mão de Luciana de novo. – Tá na cara que era o Rodrigo, meu sexto sentido não falha, tenho olho clinico pra isso. – a garota garantiu exibida.
— Sei, sei, tem olho clinico pra confusões também que eu sei. – Lu ironizou deixando seu telefone sob o bidê pertinho de sua cama. – Era ele pronto. – confessou ela, e Nanda simplesmente pôs a pular pelo quarto com um sorriso convencido e face vitoriosa.
— Tá apaixonada, tá apaixonada, é ré ré... – A Luciana tá apaixonada... – a menina gritava deixando Lu a esfregar os cabelos descontente.
— Para Nanda, que boba. – Luciana se estressou com tanto deboche da amiga e jogou uma almofada em si enquanto dava risada, mas nem mesmo assim Nanda se aquietou.
— Não adianta Luciana, eu sei o que eu to dizendo, pronto é isso, você e o Rodrigo são assim um pro outro como que... – Nanda reforçava quando Sueli abriu a porta do quarto da filha chamando por ela.
— Oi mãe. – Lu parou de rir das palhaçadas de Nanda para responder a amiga.
— Então filha, o Pedro está aí te procurando. – Sueli revelou.
— Ah meu santo é hoje. – Nanda disse em tom de mistério.
— Eu, vou falar com ele. – Luciana afirmou respirando fundo antes de levantar-se, Sueli a Nanda olharam-se atentas.
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— Oi. – Luciana disse logo ao avistar o rapaz em frente ao portão de sua casa. – Você não quer entres. – moça convidou, mesmo que talvez tivesse que conversar a sós com o rapaz.
— Não é, quero falar só com você mesmo. – Pedro respondeu tentando ser paciente.
— Fala então. – Lu pediu, mesmo que nem imaginasse o que poderia ser, Pedro se quer havia a procurado nesses últimos dias e a morena não poderia de sentir decepção por isso, por já desconfiar o motivo do afastamento dele.
— Lu Uh... – O Arthur me disse que te viu chegando com o Rodrigo em casa, é verdade é isso, o que esse moleque tava fazendo sozinho com você hein. – Pedro não aguentou-se de curiosidade.
— Eu... – É só isso que te importa, você sumiu, e aí quando me encontra a primeira coisa que me diz é isso mesmo. – Luciana não conteve-se e o fitou nada paciente.
— E você acha isso certo Luciana, você namora comigo. – Pedro cobrou. – Aí você fica sozinha na tua casa com esse moleque metido, insuportável. – o rapaz achincalhou.
— O Rodrigo é sim uma pessoa bacana Pedro, ele pode até ter defeitos sim, como eu, como todo mundo... – Mais. – Luciana só soube ficar irritada. – Mas também ele é honesto, bom caráter, solicito com as pessoas. – ela afirmou sendo cortada imediatamente pelo rapaz.
— Ah e ele te ajudou no que. – Pedro disse insatisfeito com as falações da amada.
— Não tinha como você saber mesmo né, eu passei mal no colégio, ele só veio me trazer em casa porque ficou preocupado em me deixar sair na rua sozinha. – Luciana ficou a o olhar com ira. – Eu to me sentindo muito mal por conta dos remédios, mas não tinha mesmo como você saber disso afinal você nem falou comigo desde que eu te contei o que houve, não é. – dessa vez foi a vez da garota lhe cobrar.
— Lu eu, me desculpa, mais é que eu fiquei sem saber como agir, eu. – Pedro não soube como justificar sua atitude.
— Ah não né, claro que você não ira lidar com isso, não sei porque que eu achei que iria ser diferente. – Luciana irritou-se com a covardia dele.
— Ah e você nem esperou muito, e nem aquele idiota né pra ficar correndo atrás de você. – Pedro também não deixou barato.
— O Rodrigo foi meu amigo, tá ele me ajudou coisa que muitas pessoas que eu esperava não têm feito. – Luciana rebateu aos bufos.
— Sei amigo sei, fala Luciana, o que você teve com esse cara afinal, vocês dormiram juntos na época que você namorou ele foi, porque pra mim o jeito que ele te trata, provocando, debochando, cheio de intimidade só pode ser por isso, você deu confiança. – Pedro perguntou com certa ira.
— Não é dá tua conta, e mesmo que tivesse alguma coisa a ver, você não tem direito de me cobrar uma coisa que aconteceu muito antes de você, isso é ridículo Pedro, é machista, idiota, e não é só porque a gente tava namorando que você tem algum poder sobre mim, isso é muito imbecil. – Luciana agiu irada e indignada. – Pedro você sempre foi meu amigo, eu nunca pensei em te namorar, e hoje eu só vejo que eu tava certa, esse namoro foi um erro e um erro que eu não deveria ter deixado acontecer, mais agora chega... – Eu não quero mais, melhor a gente parar por aqui, acabou pra mim, a minha vida tá um caos, eu não aguento mais e se eu tiver que ficar admitindo esse tipo de idiotice eu vou enlouquecer pra mim deu, já chega. – soltou ela decidida.
— Lu mais, olha eu. – Pedro ainda tentou a fazer voltar atrás.
— Eu não vou mudar de ideia Pedro. – Luciana rebateu taxativa.
— É por causa dele não é, o imbecil daquele moleque, eu não acredito que você goste dele, não dá pra... – Pedro afirmou desolado jogando toda responsabilidade sob Rodrigo.
— Eu nunca menti pra você, talvez pra mim quando pensei que um dia eu iria esquecer o Rodrigo. – disse a garota sem negar nada, Pedro simplesmente virou as costas lhe dando um último olhar enfurecido como despedida apenas.
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— Oi... – Lu chegou animada a lanchonete no dia seguinte.
— Bom dia. – Jéssica ficou feliz de ver o sorriso no rosto da amiga, enquanto havia parado seu trabalho para falar com Vera e Lívia que também esperavam Luciana.
— E aí Lu, qual a boa pro sábado. – Lívia indagou toda alegre.
— Olha gente ultimamente eu não tenho nada de bom pra contar não. – Luciana puxou a cadeira sentando.
— Em parte talvez eu concorde, mas eu desconfiei quando o Digo chegou todo feliz ontem em casa. – Lívia brincou com a alegria que havia visto no irmão.
— Ah mais também né Lívia, se a Luciana não quiser ser o motivo da alegria, qualquer uma, até eu me disponibilizaria a acabar com a carência da delicia do teu irmão. – Jéssica alfineta simplesmente querendo ver a reação da amiga.
— Meu deus né Jéssica, não cansa não. – Luciana só consegue rir.
— Eu nada tá Luciana, você que vive desdenhando do menino, mais não desgruda nunca dele, e eu sempre falei que tu ia pega desde o primeiro momento, tava certa ponto. – Jéssica nem se estressa.
— Então gente mudando de assunto, ganhei ali na rua um panfleto de um chão do Jorge Matheus hoje, vamos nós. – Lívia convida empolgada.
— Nossa Lívia mais é no fim do mundo isso aqui. – Luciana rebate apanhando o papal dela.
— Do outro lado da cidade ela quis dizer, exagerada. – Jéssica rouba o folheto dela curiosa.
— Sim, mais e o dinheiro pro táxi, ou pior né pegar cem ônibus até lá. – diz Luciana.
— Ué nossa amiga gata, podia pegar o carro do pai né pra gente ir juntinhas. – Jéssica sugere olhando pra Luciana.
— Ih gente sei não, o negocio lá em casa tá meio bravo viu, ainda mais agora com mais os meus problemas. – Luciana ficou pensativa.
— Seu Jorge vendeu o carro Lu, eu vi dizer. – Vera se solidarizou.
— Ué mais ele não tinha acabado de financiar. – Jéssica ficou confusa.
— Não, na verdade foi um pouco pior Jéssica, meu pai vendeu o outro carro, como dizia ele quase o primeiro filho dele e da minha mãe. – a moça contou. – Minha mãe não deixou ele vender o carro do financiamento alegando que eles perderiam todo o dinheiro já pago, óbvio que deu uma maior confusão... – afirmou ela pensativa. – Mais a situação lá em casa tá critica, meu pai ainda não arrumou trabalho, e não teve jeito, ele teve que se desfazer do carro antigo. – Lu contou se preocupando com o pai. – Tá tudo péssimo mesmo gente... – ele admitiu aos suspiros.
— Ah mais um motivo pra você espairecer, Lívia pode ajeitar os ingressos a gente vai, rachamos a gasolina pronto. – Jéssica quis animar à amiga.
— Combinadíssimo então. – Lívia ficou feliz. – Vamos chamar a Nanda também, ai a gente pode dormir lá em casa depois que tal. – sugeriu.
— Não sei se ela vai não, tava super enrolada aí com um trabalho, mais a gente fala com ela. – contou Jéssica.
— Bom e eu já sou voto vencido né. – Lu nem quis argumentar.
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