O Que Eles Veem Em Você?
51 Destino.
Notas iniciais
Começar falando que eu iria postar ontem, mas eu perdi o meu capítulo tipo assim na sexta à noite. E quem lê Change My Life sabe que eu perdi o último capítulo dela também. Meu computador enlouqueceu! Se eu parar de postar no nyah é porque eu o quebrei ao meio, ok?
Boa leitura para vocês!
–Que porra é essa, Percy? – ela mordeu o lábio inferior – Porque a minha carta está no fundo da sua caixa?
O coração de Percy gelou, seus olhos se arregalaram e ele sentia que todas as vias da sua garganta haviam entupido. Ele olhou para Annabeth algumas vezes piscando, sem saber exatamente o que dizer.
–Eu... Eh... Bem...
–Você achou esta carta junto com aquelas outras não foi? – a própria Annabeth respondeu, levantando-se em um pulo. Suas bochechas ficaram vermelhas de raiva. Percy não sabia o que responder, era praticamente impossível ela achar aquela carta, pelo menos era o que ele achava – Eu não acredito Percy! Não acredito que você fez isto! Viu que eu tinha me inscrito neste colégio e simplesmente escondeu a carta, sem falar nada comigo, Meu Deus, como você é ridículo!
Percy sentiu suas bochechas corarem, mas não de vergonha e sim de raiva. Olhou para Annabeth com o maxilar travado.
–E porque você não me falou nada sobre essa inscrição? Porque você escondeu isto de mim? O que tinha de difícil em me contar que você tinha feito ela. E a propósito, porque você fez esta merda de inscrição mesmo?! Porque você quer ir para uma escola do outro lado do país? Mas precisamente em Los Angeles?! – Annabeth engasgou com o ar, embasbacada com tantas perguntas.
–Eu fui obrigada a fazer, ok? Meu pai me pediu pra fazer e eu não disse não. Satisfeito?
–E porque você não me contou? – Percy cruzou os braços.
–Ora, porque bem... E-eu, eu sabia que você iria agir deste jeito que está agindo agora! Me condenando, como se eu estivesse louca para ir para Los Angeles!
–Eu não disse nada – Percy arqueou a sobrancelha – Nunca disse nada sobre você querer ir para Los Angeles. Você que pensou nisto como desculpa. E você não está nem aí! Você esconde estas coisas e esta pouco se fudendo sobre o que eu iria achar! Eu fiquei sem chão quando vi aquela carta! Mas você não parece estar ligando pra isto. É sempre você, você, você.
–Olha quem fala. O garoto mais egocêntrico que eu já conheci!
–Eu posso ser metido às vezes, um pouco guloso por popularidade, mas eu pelo menos tento não magoar as pessoas que eu amo – ele chegou extremamente perto de Annabeth – Mas você não pensa desta forma, nunca pensou.
Annabeth sentiu seus olhos marejarem. Talvez porque soubesse o que viria a seguir, seu coração pesou como pedra. E pesou ainda mais quando viu a expressão de Percy, os olhos tristes, os músculos usados para sorrir caídos, os lábios pressionados um contra o outro: ele parecia decepcionado.
–Nunca vai existir namoro sem confiança, foda-se se a gente se ama, não importa se você não me conta nada. Eu não confio em você, você não confia em mim – Percy coçou os cabelos negros – A gente tem que terminar, e sem voltar algumas semanas depois, a gente tem que terminar de vez. Nós dois juntos? Isso nunca, nunca vai dar certo.
Annabeth olhou para os lados, não estava acreditando no que ouvia. Terminar, terminar, terminar: Ela repetiu em sua cabeça várias vezes.
–Você quebrou meu coração ao meio – ela disse enquanto ia de um lado para o outro. Pegando suas roupas e todas as suas coisas, Percy se virou, tentando parecer durão. Annabeth saiu em passos pesados dali. Depois voltou, com raiva – Não olha mais na minha cara! Não fala mais comigo. Eu não aguento mais sofrer por você. Entendeu?
Percy parecia tão triste que iria se jogar do apartamento, porém com convicção respondeu:
–Entendi.
Ela voltou em passos pesados e abriu a porta do apartamento. Depois encostou a cabeça na parede, chorando. Por algum motivo sabia que aquilo não era só um drama adolescente. Sua intuição dizia que agora a briga era séria, e ela não poderia estar mais correta.
(...)
Latinhas de refrigente, roupas, roupas, roupas, sacos de chips, chocolates, roupas, roupas, roupas. Uma cama desarrumada, e um Percy seminu encolhido nela.
Poseidon e Atena entraram ali da forma mais calma que conseguiam, não conseguindo mais suportar ver tanta sujeira e bagunça num só lugar. Poseidon se sentou na beirada da cama, batendo nas costas do filho.
–E aí, amigão? Hoje é o grande dia da final, como se sente? – Percy afundou sua cabeça no travesseiro, ficando sem respirar (e era o que queria: Morrer).
Fazia quatro dias, quatro dias que Percy Jackson não saía de seu quarto. Não ia mais a escola, não ia mais nem a esquina comprar pão. Sentia-se um lixo, um grande lixo entulhado num quarto. Era deste jeito que ele sofria, sem falar nada, sem chorar, sem reclamar, apenas ficando ali, parado, em estado vegetativo. Infelizmente, duas frases não paravam de ecoar em sua cabeça.
Você quebrou meu coração ao meio.
Eu não aguento mais sofrer por você.
Você quebrou meu coração ao meio.
Eu não aguento mais sofrer por você.
Você quebrou meu coração ao meio.
Eu não aguento mais sofrer por você.
Ele estava ficando praticamente louco, sentindo-se não só mal, mas muito depressivo. Atena havia notado aquilo, Percy estava praticamente entrando num estado de depressão.
–Vamos Percy, você está aí já tem muito tempo. Hora de voltar a viver, amigão – Poseidon suspirou, olhando para Atena, talvez numa súplica. Era naquelas horas que ele precisava da mãe.
–Percy, querido – chamou Atena, ele se virou, olhando para ela. Então a expressão de “estou aqui pra ajudar” de Atena caiu. Percy estava mal, muito mal, mal pra caralho. Ela nunca o havia visto daquele jeito. Era de doer o coração saber que a culpa daquilo tudo era sua filha.
Sua pequena filha.
Que parecia ótima naquela semana, aliás.
–Meu querido, hoje é um dia especial. Não é hora de você deixar algo tão pequeno te influenciar por algo tão importante. Um namoro não é nada por enquanto, pode ter certeza que você terá vários outros na sua vida. – ela passou a mão na sua testa. Pelo menos ele não parecia com febre – Você não quer se levantar e se preparar para ir pra escola?
–Não, eu quero morrer – ele disse fungando o nariz. Definitivamente, era isto que resumia seu estado de espirito agora: eu quero morrer.
Poseidon e Atena se entreolharam e suspiraram, saindo do quarto e tentando achar alguma solução plausível para aquilo tudo. Annabeth nunca iria pisar naquele apartamento novamente, e além dela, não tinha outras causas para Percy estar tão triste.
Até que Poseidon teve uma ótima ideia, uma das melhores que já teve. Situações desesperadoras pediam soluções drásticas. Ele pegou seu celular, digitando freneticamente.
–O que você está... – Poseidon parou Atena com a mão, continuando a digitar.
–Estou chamando um reforço pesado.
(...)
Atena estava com um extremo mal humor. Depois de ver Percy daquele jeito, não estava com o ânimo as alturas, na realidade, sentia-se extremamente mal, como se a culpa daquilo tudo fosse dela, e não da sua filha.
Annabeth estava sentada de pernas cruzadas no sofá, tinha acabado de chegar da escola e tomava uma coca, com a outra mão zapeava os canais de TV sem muita pretensão. Atena a estudou. Parecia pensativa, realmente, mas nenhum pouco triste. Ou depressiva.
–E aí, mãe? – disse Annabeth com um sorriso olhando para trás. Atena colocou sua maleta na cadeira da cozinha. Sua raiva estava cada vez mais crescente, mesmo sem saber exatamente por que.
Quem ela queria enganar? Claro que sabia o porquê. Odiava o fato de que sua filha havia feito uma inscrição para um colégio interno famoso de Los Angeles e não havia falado nada, odiava que ela fazia tudo que seu pai “a pedisse”, sendo que não fazia praticamente nada do que sua mãe “a pedisse”. Odiava o fato de que conhecia sua filha bem demais, e que por mais que ela falasse que não, era óbvio que ela preferiria estar em Los Angeles, no mar, sem regras, sem a mãe para impô-las.
–Eu não estou nenhum pouco bem – respondeu Atena enquanto saía do salto e pegava um copo de suco – Na realidade estou bem mal, acabei de sair do apartamento de Poseidon.
A expressão de Annabeth gelou.
–E...?
–Percy não está legal – disse ela enquanto bebia um pouco do suco. Annabeth deu de ombros – E por sua culpa, ele está em estado vegetativo no quarto a quatro dias e você dá de ombros.
–O que você quer que eu faça? – perguntou Annabeth com raiva enquanto se levantava – Quer que eu corte os meus pulsos para mostrar o quanto estou mal?
–Eu não quero que você faça nada. Eu só acho ridículo, não, eu me sinto ridícula em ter uma filha que faz isto com um garoto porque talvez, quem sabe, ela volte para L.A se tudo der errado. Não é? Eu sei por que você fez aquela inscrição. Não me venha com esta que é por causa do seu pai que eu não acredito! Você fez isto porque a partir do momento que qualquer coisa por aqui desmoronasse você teria a oportunidade de ir pros braços do seu pai, ser mimada por ele, não é mesmo?
Annabeth andou em passos pesados até o corredor.
–Você não sabe de porra nenhuma – estava pronta para ir do corredor para o seu quarto, mas sua mãe a segurou pelo braço.
–Não aceito esta falta de respeito comigo! Olha só garotinha, eu te conheço muito bem e não é de hoje, eu sei o que você tentou fazer e não conseguiu. Você tentou ter uma vaga escondido em Los Angeles e eu sei disto. Não fique revoltada como se eu estivesse falando uma coisa impossível porque não é!
Annabeth engoliu a língua. Odiava sua mãe, odiava o fato de que ela entrava no fundo da sua mente e tirava tudo dali.
–Você é ridícula, mãe! É ridículo o fato de que você está defendendo um garoto que você conhece não tem nem um ano do que sua própria filha. Olha o que você faz, o jeito que você me julga, julga o meu pai... Quer saber? Agora eu até entendo ele! Eu me recordo de você o julgando de forma precipitada várias vezes. Me lembro muito bem quando ele ficava em casa o dia inteiro fazendo um jantar romântico para você, mas você tinha que trabalhar. Eu teria te traído no lugar dele! E outra, talvez seja por isto que eu tenha usado tanta droga no ano passado, por você ser...
Annabeth não terminou sua frase, Atena desferiu um tapa estalado e sofrido em sua bochecha. Fazendo lágrimas caírem automaticamente.
–Não use a desculpa de que você usou drogas por minha causa! Eu posso não ter sido tão presente, mas eu te dei educação para você saber o que é certo e o que é errado! – Atena apontou o dedo indicador para a filha, enraivecida – Depois de um ano daquilo tudo não é possível que não tenha um pouco de ferida e você tenha a cara de pau de dizer que a culpa foi minha! A culpa foi sua! Totalmente sua! Você tinha educação, você tinha tudo, sabia que o que estava fazendo era errado, mas você fez. Você entregou sua virgindade para um criminoso porque você não tinha vergonha na cara. Você usou droga porque você não tinha vergonha na cara! E você sabia muito bem que era errado! – Annabeth continuou a chorar, seu maxilar travado por tentar não soluçar — Não seja tão mesquinha a ponto de me dizer algo como isto! E se você quer ir para Los Angeles, vá! Volte a usar droga, a ficar sem estudar, fica o dia inteiro na praia. Seu pai vai deixar.
Atena se virou, tentando enxugar suas lágrimas. Annabeth saiu correndo para o seu quarto e bateu a porta com força. Mais uma vez sentia seu coração partido ao meio. Era um a injustiça tudo que falavam com ela naqueles últimos dias.
Sentia-se tão mal quanto Percy por tudo aquilo, só que havia aprendido a esconder seus sentimentos o máximo possível. Pelo menos por causa da sua última briga com Percy, todos haviam a ignorado, deixado de serem seus amigos. Ela parecia um trapo e Percy parecia perfeito, como se nada realmente acontecesse. Havia aprendido a se congelar um pouco mais desde a última experiência,
E infelizmente, agora, naquela hora, estava sendo julgada por causa disto. Chorou por meia hora, brigar com a mãe era um pouco daquilo tudo que você pode caracterizar como a pior tristeza do mundo.
Olhou para frente, em cima da sua escrivaninha tinha uma foto: Seu pai e ela, em frente à praia, os dois sorriam e aquilo não tinha sido muito tempo que havia sido tirada. Mordeu o lábio inferior, dali a algumas horas iria escolher com quem ficaria.
(...)
–Acorda seu puto veado mole retardado mental do caralho! – uma buzina soou no ouvido de Percy junto com aquele grito, o que o fez se enrolar nos lençóis da cama e cair de cara no chão.
Coçou os olhos e olhou para frente, tinha uma expressão do tipo “mas que porra vocês acham que estão fazendo?” e queria matar Luke e Nico como nunca. Luke deu um tapa em seu rosto, acordando-o de vez.
–Acorda! Seu filho da puta, acorda agora e levanta que aqui não é moleza não – Percy revirou os olhos, levantando-se, mesmo assim seu corpo ainda estava encolhido, não só pelo frio (era começo de fevereiro e ele estava apenas de cueca) mas também porque ele havia ficado várias horas sem se levantar.
–Eu não estou com clima pra isto não, cara. Me deixa em paz – ele recebeu outro tapa na cara, mesmo assim não parecia revoltado, e sim um morto-vivo. Luke andava de um lado para o outro, parecia ter tomado uma garrafinha de energético. Nico, ao fundo, segurava uma buzina com uma mão e com a outra havia colocado a mão no bolso, seu olhar para Percy era fulminante.
–Quem você acha que é? Hein? Ficar que nem uma marica deitado nesta cama, a princesinha que terminou o namoro. Avá, Percy, avá. – ele balançou a cabeça – O que você está pensando, cara? É só um namoro, como todos os outros. A Annabeth é legal, ok, mas cara, vida que segue. Hoje é o campeonato de basquete, a final, vai ter olheiro até da casa do caralho aqui e você esta horrível!
–Valeu.
–Estou falando sério! Eu te dou meia hora para se arrumar e ir pro colégio com a gente, a final é daqui a quatro horas!
–Eu não vou pra final... – ele recebeu outro tapa na cara. Mas ele continuou sem fazer nada, então recebeu mais um, e mais outro, recebeu um soco forte no braço que o fez cair no chão.
–Faz alguma coisa, seu idiota! Me bate, eu estou te dando uma surra, seu marica! – Luke continuou a bater em seus braços, deu outro soco só que agora em sua barriga. Percy ficou com raiva e o empurrou para o chão, dando um soco no rosto de Luke.
–Cara, que porra você tá fazendo? – gritou Percy com raiva. Luke, porém, sorriu de lado.
–Eu só queria saber se você ainda lutava por alguma coisa além da Annabeth – respondeu ele enfim, sorrindo ainda mais largamente. Uma fina corrente de sangue caía no canto de sua boca – Bom soco de esquerda.
Percy, que estava ofegante, bateu em seu braço camaradamente, e os dois se sentaram no chão, encostando as costas na cama. Nico sentou-se na frente dos dois, então falou pela primeira vez desde que havia chegado:
–Você não pode ser besta desta forma. Annabeth não é nada para você comparado ao que você tem que ser pra si mesmo. Nenhuma ressaca, nem que seja de amor, deve ser mais importante do que o seu futuro. Você tem 17 anos, é a hora de crescer e priorizar o que realmente importa, ok? Você já pensou numa faculdade?
–Não – Nico abriu os braços.
–É isso que eu estou te falando. Eu não quero dar uma de chato, mas se separar da Annabeth? Talvez tenha sido a melhor coisa pra você – Percy franziu a sobrancelha, sem entender o que ele estava dizendo – Annabeth atrapalha seu foco, seus pensamentos. Com ela fora do seu caminho por um tempo você vai poder pôr as coisas no lugar, em maio o ano acaba e aí... Formandos! – Nico pôs a mão em seu ombro – Não importa o quanto esteja mal. Deixe isso de lado pelo menos por hoje e jogue por você mesmo.
Percy assentiu, levantando-se. Os outros dois amigos se levantaram também. Luke foi ao seu armário e pegou seu uniforme, Nico pegou uma gilete.
–Você parece um mendigo – disse ele para Percy. Luke riu e estendeu o uniforme.
–Hora de jogar, capitão.
(...)
Annabeth bateu a porta do carro rapidamente. Faltavam quarenta minutos para começar a reunião do divórcio, mas mesmo assim não podia perder a final de basquete. Não só por algum sentimento que poderia ter por Percy, mas por todos os seus amigos.
Chegou ao ginásio atrasadíssima, o jogo estava praticamente acabado. E ela já estava pronta para a reunião: Usava um jeans claro, sapatos de saltos e um blazer preto. Foi abrindo passagem até onde as garotas estavam. Thalia estava comendo as unhas e Megan tinha se sentado.
–O que aconteceu com você? – perguntou a loira para Megan. Thalia respondeu:
–Ela tá passando mal... Annie, tá 64 a 58 – a punk parecia que ia morrer a qualquer momento – Faltam 5 minutos e a gente tá perdendo feio. E agora?
Annabeth sorriu enquanto olhava para Percy cair na quadra de basquete. Ele parecia animado para o jogo, cobrou uma falta e entregou para Nico que fez uma cesta de três (ele era bom naquilo), então ela respondeu, sem dúvidas:
–Nós temos os melhores garotos do mundo – Thalia a abraçou de um lado e Megan do outro, enquanto mordia o lábio inferior.
–E se o Luke perder esta merda e não fizer alguma coisa de importante eu juro que o quebro ao meio... VAI LUKE SEU VEADO!
Não foi fácil acalmar Thalia, ela parecia preocupadíssima com o fato de que seu namorado não estava em seu melhor jogo. Faltavam três minutos e estava 64 a 61. Annabeth respirou fundo, eles já fizeram milagres mais impossíveis.
Nico cortou a bola e saiu quicando com velocidade até o fundo da quadra, deu um passe quicado para Luke que fez mais uma cesta de três. 64 a 64, dois minutos. E a torcida comemorou como loucos.
Drew, a líder das líderes de torcida, começou a dar cambalhotas ao lado da quadra, Thalia riu.
–Esta menina parece uma gazela.
Annabeth riu também enquanto olhava para Percy que estava agora na marcação. Decidiu fechar os olhos e pensar com prioridade: Ele não era mais nada dela. Ele havia acabado com ela e estava corretíssimo, Annabeth depois de muito pensar sabia que não deveria ter escondido nada de ninguém, e sabia que tinha escolhido não falar porque pensou naquela inscrição como uma válvula de escape.
A porra do time adversário estava muito bem, eles seguravam a bola e ficavam no lado de ataque da quadra, faltavam 40 segundos para o jogo acabar e o empate dentro de casa lhes dava o título do ano.
Annabeth mordeu o lábio inferior mais forte, tanto que quase sangrou. Quinze segundos, seu coração batia muito rápido, o quique da bola parecia cada vez mais divagar e Thalia estava pulando ao seu lado e coçando o braço (como sempre fazia quando estava nervosa).
10 segundos, Annabeth ia morrer. Mais um quique na bola da porra do melhor jogador do time adversário... Porém no quique ela viu que Nico pegou a bola do jogador adversário, ele mais uma vez saiu como louco para a quadra do outro time. Era a cesta do jogo. Ele jogou a bola, 9, 8, 7...
Todos olharam a trajetória da esfera laranja, bateu na tabela, não havia sido cesta, 5, 4, 3... Percy saiu do meio da quadra e pegou o rebote, enterrando a bola.
O sinal de que havia acabado o jogo soou, e o time da casa era campeão. Annabeth expirou fundo, todos na arquibancada saíram correndo como loucos. Ela, diferentemente, sentou-se, esperando apenas os torcedores do time vencedor continuar. Depois de uns 5 minutos, isto aconteceu.
Ela saiu para o meio da quadra e não pode deixar de sorrir ao ver todo o grupo reunido num abraço apertado: Luke, Nico, Megan, Thalia e Percy estavam num maravilhoso abraço coletivo.
E foi aí, bem ali, que Annabeth percebeu que eles se viravam muito bem sem ela. E percebeu que a partir do momento que ela desse um passo mais próximo daquela cena ela iria se desfazer e Percy iria se sentir mal.
Ela fechou os olhos com vontade de chorar, tateou o celular no bolso do jeans e o pegou. Tirando uma foto daquele momento solene. Não percebeu, talvez pelos olhos totalmente marejados, que eles já haviam parado de se abraçarem e olhavam para ela. Inclusive Percy, bem para os seus olhos.
–Annie... – Thalia começou sem saber exatamente o que dizer. Annabeth a parou com a mão.
–Eu... Eh, eu tenho que ir. Foi um ótimo jogo. Vocês foram ótimos, todos vocês são... São ótimos. – ela saiu do ginásio, praticamente correndo. Foi até o estacionamento e tateou o bolso do blazer, atrás das suas chaves incessantemente.
–Annabeth! – gritou Percy, ela olhou para trás e percebeu que todos os outros estavam com ele.
–O que você vai fazer? – perguntou Nico. E ele não precisava se referir ao que exatamente estava perguntando. Todos sabiam. O sol batia de forma chata nos olhos de todos eles, o estacionamento estava vazio. Ela expirou fundo.
–O que eu acho que é certo – ela mordeu o lábio inferior, quase chorando – Eu vejo vocês por aí, quem sabe... A gente pode conversar por telefone, internet...
–Oh Meu Deus você vai embora! – Megan não conseguiu disfarçar o choro – Não acredito nisso! Você tá indo embora!
Annabeth percebeu que as lágrimas caíam em seu rosto sem querer. Ela abriu a porta do carro, não sabia exatamente o que dizer. Thalia havia virado o corpo ao contrário dela, Annabeth sabia que ela ficaria revoltadíssima com aquilo. Os garotos ainda não pareciam ter caído à ficha, principalmente Percy.
–Eu adoro todos vocês, ok? — ela rodou as chaves no carro — Não deixem de ser amigos, vocês são um ótimo grupo.
–Você é do nosso grupo! — gritou Megan chorando ainda mais. Annabeth colocou a chave no carro, olhando para todos eles sem saber o quanto tudo aquilo iria ser doloroso. – Não ia ter grupo se não fosse por você!
–Eu mando a foto que eu tirei de vocês, ficou linda. Tchau – Megan ia gritar com ela quando viu que Annabeth acelerou o carro e foi embora.
Nico estava com a boca aberta enquanto Percy piscava repetidas vezes, ainda não tinha caído à ficha que tudo aquilo que estava acontecendo, todas aquelas brigas com Annabeth... Não caiu a ficha que ele provavelmente não a veria nunca mais! Pelo menos se dependesse do pai dela.
Thalia se sentou no chão com as duas mãos afundadas na cabeça, os garotos e Megan fizeram um meio círculo na frente dela. Então ela olhou para Megan como se num acordo silencioso, elas, assim como Atena, sabiam o que aquilo significava.
–Annabeth Chase está de volta para Los Angeles – disse ela por fim – Que ela não morra de overdose.
"A pior coisa para os jovens são as escolhas. E pior da pior coisa é que o que mais o jovem faz são escolhas. Algumas certas, outras erradas. Todas loucas. "
Notas finais
Enfim, outra coisa, o próximo é o penúltimo capitulo! Tipo, puta que o pariu! E ele é pequenino... Mas acho que vocês vão gostar de uma coisa que acontece nele (e não, não é nada de percabeth).
Deixem seus reviews, leitores fantasmas, apareçam por favor! Agora é a hora de vocês aparecerem. Agora ou nunca.
Pela quase penúltima vez:
Beijinhos e até o próximo! =)
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