O Que Eles Veem Em Você? 2
31 The Pub - Luke's vision.
Notas iniciais
Luke
Não podia nem sequer acreditar no que estava ouvindo, minha mente estava nebulosa de ódio e minha cabeça já estava doendo por outros problemas que as queridinhas da Olympus estavam nos causando. Já estava pronto para o show, mas a vontade de desistir de ir estava quase afetando os meus planos.
–Então vocês dois estão “ficando” com elas? – bufei, sem acreditar – Parece até que tudo que conversamos foi totalmente jogado no lixo, ignorado. Caramba, nós não podemos, é contra as regras.
–Eu não sei o que deu em mim, isso é... – Nico suspirou – Eu sei, Luke. Você está certo.
É claro que eu estava certo. Estava certo e cansado de encobrir as merdas que os dois faziam. Já havia falado várias vezes que não deveríamos ser levados pelos extintos, que não deveríamos se influenciar por essas coisas. Era quase que meia noite e o show ia começar dali à uma hora.
Percy estava calado, e eu sabia que ele não concordava comigo. Eu não podia fazer nada, nós nos colocamos naquela situação. Tínhamos que pagar as consequências... No mínimo administra-las.
–Vamos? – perguntou Percy pra mim, a primeira coisa que me disse em toda essa longa conversa. Assenti.
–Só um segundo
Os dois saíram do meu quarto e eu peguei meu telefone, discando um número tão conhecido na agenda de Perseu Jackson.
–Buenos días, mi amor... – sorri ao ouvir uma risada do outro lado da linha.
–Bueno, Castellan.
Estava na hora de pôr as coisas nos eixos.
Desci as escadas o mais rápido que pude, sentindo que não era o dia certo para ir nesse tal show. Percebi que estavam todos me esperando.
–Desculpem-me, eu não vou mais. Não estou me sentindo muito bem – Percy semicerrou os olhos, mas eu ignorei sua reação a partir do momento que ouvi Thalia bufando o mais alto que conseguia.
Thalia Grace e seu namorado Leo Valdez olhavam para mim como se eu fosse o maior assassino de todos os tempos. Mal sabia Thalia que o malfeitor por ali era seu novo namoradinho.
Dei um meio sorriso, eu não precisava fazer nada para atrapalhar a vida de Thalia, ela já conseguia fazer isto por contra própria.
–Bom show – virei as costas e subi as escadas, dentro do meu quarto abri o notebook para adiantar algumas coisas da faculdade.
Minha cabeça doía realmente, e parecia que alguma divindade havia me castigado por ter mentido sobre uma doença. Eram mais de três horas da manhã quando decidi parar de usar meu notebook para fazer outra coisa melhor.
Abri no facebook algo que me deixou curioso, a vida de Maria Lopez era extremamente agitada e ela fazia questão de deixar isso claro para todos ao seu redor. Eu sabia que ela era a pessoa perfeita para tudo dar certo novamente.
Alguém naquela casa tinha que ter algum juízo.
Ouvi barulhos de chaves quase quatro horas da manhã. O barulho da minha porta rangendo e a sensação de alguém me observando me fez parar tudo àquilo que estava fazendo.
–O que foi dessa vez, Thalia?
–Você... Qual o seu problema? Era para estarmos juntos, todos juntos no show. Como nos velhos tempos. Porque você fez isto? – claramente bêbada. Eu não ia perder meu tempo discutindo com Thalia.
Olhei para ela e revirei os olhos.
–Não quero conversar, será que você pode me dar licença?
Seus olhos azuis elétricos me encaravam como se eu fosse à coisa mais repugnante da terra. Eu não poderia negar que olhava para ela da mesma forma.
–Eu não entendo... Porque você não me perdoa? Ou... O que será que eu fiz de errado? Eu jurava que quando terminamos foi aparentemente pacifico, mas pelo que parece você me odeia. E eu nem sei por que já que a ideia de terminarmos foi sua.
–Não dava mais certo, Thalia. Eu não quero falar sobre isso.
–Você nunca quer falar sobre isso! É uma droga, sabia? Horrível ver como você simplesmente não socializa, fica no seu mundo, fechado. Que merda, vai ser assim por quatro anos? Vai ser assim pra sempre? Eu achei que nós tínhamos um grupo de amizade que não ia se romper por nada, eu achei que você ia continuar tendo um pouco de carinho por mim, pelo menos. Pelo jeito você me odeia. Eu estou errada, como sempre.
Fechei o notebook, levantando-me e indo a sua direção. Eu não ia aguentar uma Thalia bêbada no meu quarto tentando dar uma de dona da razão.
–Eu não te odeio, Thalia – dei um sorriso delicado, ela parou por um segundo, seu cérebro lento de bêbada tentando processar tudo – Não sinto nenhum sentimento por você mais, nem mesmo ódio. Quando eu olho para você... É o mesmo sentimento de olhar para uma parede branca, só que você me dá mais tédio. Não se preocupe, você não tem meu ódio.
Ela deu um passo para trás, eu sei que tinha sido cruel, até demais. Mas alguém tinha que cortar o mal pela raiz.
–Quem é você...?
Quando ela saiu, assim que proferiu a frase fiquei pensando na sua pergunta, talvez eu não estivesse mais socializando com eles por que não era mais um deles. Respirei fundo e fui dormir pensando justamente nisso.
Quando acordei fui levado por pensamentos que me deixaram distraído, por isso nem percebi Megan me encarando do outro lado do balcão quando eu estava fazendo café.
–Oi Luk – olhei para ela e sorri.
–Ei Meg, como foi o show?
Sua expressão se fechou, e senti que tinha tocado num assunto delicado. Sentei do seu lado no balcão, ajudando-a a cortar o pão.
–Normal – sussurrou, e depois me encarou – Iria ser melhor se você estivesse lá.
–Me desculpa por isso, eu realmente não estava a fim de ir – Megan me encarou, concordando com a cabeça.
Megan era aquela pessoa que eu admirava desde sempre. Ela não se deixava levar pelo pensamento do grupo que ela andava, sempre estudou mais do que deveria, sempre sonhou mais do que os outros. Era responsável e sabia onde pôr o pé, só que era uma garota muito mimada, e fresca.
E então nesse novo semestre ela simplesmente se reinventou. Estava segura de si, e forte, como se fosse treinada para estar na faculdade. Eu sentia que aqui era seu habitat natural, e não a ilha de Manhattan. Ela não combinava com tanta futilidade, por mais que se vestisse como uma das garotas fúteis. A verdade é que Megan era sempre muito racional, e uma das únicas pessoas que continuou conversando comigo depois que saí de Nova York.
Estava impressionado com seu novo jeito de ser, desde que ela havia voltado.
–Eu te entendo, mesmo – ela jogou os cabelos curtos para trás e depois chegou um pouco mais perto de mim – Thalia está sendo estúpida por ficar com Leo, e começar um relacionamento tão sério assim tão cedo.
–Eu não aguento ver os dois juntos, me dá náusea.
–Eu sei que você está assim porque Leo está no grupo, e não é bem o que ninguém havia planejado. Queria que todos nós estivéssemos solteiros também... E mais uma vez, eu te entendo.
–Eu não sei se gosto mais de Thalia – olhei para seus olhos verdes e calmos – Ela não amadurece, simplesmente desistiu de crescer. E Leo... Não consigo ficar perto dele. Ontem ela veio falar comigo e eu fui bem cruel, seria legal você dá uma ajuda.
Megan tomou um gole de café.
–Acho que ninguém devia ficar junto mais, isso é passado e não deu certo antes. Não tem porque dar certo agora – ela suspirou – É uma merda dizer isso, mas a gente nunca vai conseguir ser exatamente como erámos antes.
Encarei novamente sua feição. Nico tinha feito alguma coisa. Sorri de lado.
–É bom saber que alguém aqui tem a cabeça no lugar, para variar – ela sorriu também, parecia cansada – É meu dia de fazer as compras...
–Eu vou com você.
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