O Que Eles Veem Em Você? 2
8 Quem é Você, Annabeth Chase?
Notas iniciais
Não sei se alguém já leu, mas fiz uma alusão a "Quem é Você, Alasca?" do John Green, porque eu amo este livro.
Enfim, eu não respondi os reviews. Desculpem-me por isto, mas eu tenho explicações nas notas finais.
Boa leitura!
POV Percy
Eu não pude deixar de me sentir impressionado ao ver que Annabeth tinha realmente a planta da escola. Seu rosto pintado de preto e suas unhas também pretas não me deixavam pensar de tão intimidantes, ela passou o dedo indicador de um lado da planta para o outro.
–Iremos dar a volta, num pequeno espaço entre os dois primeiros prédios tem um lugar sem rede elétrica, entraremos por aqui e vamos parar nas salas do segundo ano. Temos que tomar cuidado porque tem seguranças lá dentro em todo o lugar. Subiremos esta escada, depois vamos virar à direita e a esquerda, subir mais esta escada e vamos chegar à tesouraria. Entendeu?
Os olhos cinza-tempestuosos realçados pela tinta preta envolta me fizeram perder o rumo. Assenti levemente mesmo não tendo ideia de praticamente nada que ela disse. Peguei a planta na mão dela e percebi que ela havia grifado de vermelho o lugar que ia passar. E de azul aonde os seguranças costumavam estar. Ela era uma garota organizada, isto me fazia ter mais um nó enorme em minha cabeça em que eu me perguntava que garota era aquela na minha frente.
Sua blusa e calça preta disfarçavam bem os seus movimentos, de forma que quando ela saiu do carro eu mal percebi que ela havia realmente saído. Deixei meu celular ali e a segui, tentando inutilmente entender o que ela estava fazendo.
Ela saiu correndo até a beirada de um prédio, e ficou com o rosto de lado na parede. Fui atrás dela e parei ao seu lado.
–O segundo prédio é pela direita – sussurrei, ela semicerrou os olhos e assentiu – Porque raios você está fazendo isto?
–Eu já te disse. Não vou usar este uniforme RBD, e outra, é divertido, não? – ela sorriu de lado. De uma forma que eu raramente vi nestes últimos dias. Ela saiu correndo pela direita e eu a segui.
Era muito pouco falar que eu estava entrando no colégio. Eu estava entrando no colégio, às nove horas da noite, com uma garota vestida de ninja e cara pintada de preto, e simplesmente iriamos roubar um uniforme. Era demais para o meu cérebro processar.
A primeira parte foi bem tranquila. Bem mais do que Annabeth poderia ter imaginado, achamos rapidamente a parte sem cerca elétrica do muro, e então ela fez um gesto com a mão para eu ficar ao seu lado.
Num movimento realmente ninja, ela pulou o muro e caiu do outro lado, fiz a mesma coisa e percebi que ela já estava correndo para o outro lado, dentro dos corredores do colégio. A segui novamente e respirei fundo ao ver que ela já estava do outro lado. Ela era rápida. Nem parecia aquela garota que eu tive que dar aulas de Educação Física no ano passado.
Uau. Quando eu pensava nisto, percebia o quanto as coisas tinham mudado. O tanto que vivi neste último ano. Parecia ter séculos que eu vi uma garota bonita com uma saia no refeitório do colégio e esta mesma garota no mesmo dia me deu um sermão por estar no meio do corredor.
Vi Annabeth olhando para mim novamente. Os cabelos loiros que estavam quase na sua cintura e os olhos cinza me olhando intimidadores. Era outra pessoa.
–Agora é a parte mais difícil, daqui por diante estaremos a um corredor do segurança, e você não pode fazer barulho, seja discreto – ela foi andando ao meu lado e eu fiz a mesma coisa. Se não fosse pela luz da rua, eu não conseguiria ver nada dentro do colégio, e se não fosse por Annabeth, já havia me perdido totalmente.
Chegamos num lugar que dava para quatro corredores diferentes e uma escada, Annabeth fez um sinal e então deu uma cambalhota no chão para que ninguém a visse. Se não estivéssemos numa situação tão delicada eu teria rido, muito. Mas eu simplesmente fui andando mais devagar, forçando os olhos para vê-la.
Subimos dois lances de escada e então ela parou do nada, quase me fazendo bater em suas costas. Ela pegou uma lanterninha que estava no bolso de sua calça e o ascendeu, então colocou a luz na direção de todas as portas.
–É a última do corredor – sussurrei e ela se virou, assentindo. Fomos até lá e Annabeth me mandou lhe dar cobertura, eu assim fiz, mas mesmo assim não consegui parar de admirar o quão bem ela conseguiu arrombar aquela porta com o que parecia ser um alfinete.
Ela havia ido para a prisão neste último ano e eu não estava sabendo?
A porta abriu num baque surdo e ela entrou, eu fiquei ali esperando ela voltar, e depois de uns cinco minutos ela apareceu novamente com um pacote transparente e um sorriso malicioso no rosto. Arqueei a sobrancelha, eu tinha a lembrança daquele sorriso em algum cantinho do meu cérebro.
Saímos de volta e descemos o último lance da escada, voltamos pelo mesmo corredor que passamos antes e chegamos ao último corredor, rapidamente saímos de dentro da escola e paramos na parte de trás. Tudo havia corrido bem.
–Ei, vocês aí! – escutei uma voz de longe. Meu coração gelou, junto com meu corpo. Eu já tinha 18 anos, ia ser preso. Olhei para o lado e percebi que um homem vinha correndo a uns 100 metros de nós.
–Corre! – gritou Annabeth fazendo-me sair do meu choque instantâneo. Ela já estava longe balançando seu pacote transparente numa mão. Saí correndo o mais rápido que deu e ouvi mais um grito do segurança.
–Vocês serão presos por invasão de prédio privado! Voltem aqui! – Annabeth pulou o muro rápido e eu fui logo atrás dela, o homem já estava a uns 50 metros de nós. Respirei fundo enquanto pulava, só que algo deu totalmente errado e o meu pé de apoio escorregou.
Percebi na hora que eu cairia feio, mas quando minhas pernas falharam, Annabeth as segurou, fazendo-me ter uma queda um pouco menos suicida. Saímos correndo enquanto um segurança gordinho vinha igual louco atrás de nós.
Abri a porta do carro com toda minha força e girei a chave, o motor rangeu e eu dei uma ré que fez o pneu cantar. Annabeth mal tinha tido tempo de fechar a porta e eu já tinha acelerado para longe dali.
O segurança continuava gritando igual um louco e brandido o seu porrete. Annabeth riu enquanto eu quase tinha um enfarte. Ela abriu a janela do carro e mandou o dedo do meio para o segurança, aceleramos igual loucos pela avenida.
–Você enlouqueceu?- gritei quando estávamos longe o suficiente, minhas mãos tremiam de raiva e eu estava com medo de que o segurança tivesse me reconhecido. Annabeth gargalhou mais uma vez.
Era impressionante como tínhamos um péssimo histórico com seguranças. Primeiro, o segurança do Empire State naquela noite louca em que visitamos os sete lugares que eu mais gostava, depois os policiais em Los Angeles. Tinha uma ficha criminal nossa na delegacia e nem estávamos sabendo.
–Vamos, foi divertido. Totalmente divertido. – estacionei o carro numa rua já afastada do colégio. Olhei para meu dedo, ele tremia. Annabeth me sacudiu — Fala sério. Essa sua vidinha parada não dá para nada, o legal é a adrenalina. Não está sentindo?
Ah, eu estava sentindo, meu nível de adrenalina parecia tão alto que eu achei que iria morrer a qualquer momento.
–Você quase me fez ter um enfarto, é isso que eu digo – disse a ela já um pouco mais calmo. Ela pegou uns papeis toalha e tirou um pouco da tinta preta do rosto. Respirei fundo. E fiquei aterrorizado quando ela disse:
–Puxa, isto me deu fome. Vai naquele drive-thru ali perto. Estamos precisando de gordura e carboidrato – ela sorriu de lado enquanto eu ia vagarosamente até a rua da frente. Ela pegou o pacote transparente com seu nome escrito em caneta azul. O abriu e lá eu vi o típico uniforme do colégio, a gravata preta (o costume era vermelha, mas Atena provavelmente queria bajular a filha), a saia e a calça xadrez, as blusas de botões brancas, e o moletom vermelho e preto e as meias também pretas. Annabeth fez uma careta digna de gif – Isto que é mau gosto.
Peguei os pacotes de comida recheada de veneno e joguei em seu colo, ela bebeu o refrigerante do canudinho com vontade. Era a primeira vez que ela parecia realmente estar feliz.
–O que você vai fazer com isto? — perguntei enquanto bebia o meu refrigerante. Ela sorriu enquanto olhava para as roupas.
–Só tem um jeito de exterminar as provas, vire à direita – eu assim fiz e então vi uma enorme caçamba de lixo azul ali perto. Franzi as sobrancelhas e me virei para ela, mas Annabeth não estava mais lá. Olhei para frente e ela já havia jogado as roupas do lado da caçamba, depois ascendeu seu isqueiro na própria perna e jogou no uniforme, ele começou a pegar fogo rápido demais. Ela voltou correndo – Pode acelerar.
Assim fiz e percebi que estava muito perto de um lugar especial. Semicerrei os olhos pensando se era realmente correto tudo aquilo. Olhei para Annabeth com seu rosto pintado de preto e decidi apertar seu precioso botão do “foda-se”.
Estacionei perto do local e Annabeth parou de prestar atenção em seu hambúrguer para olhar para mim.
–Porque você estacionou?
–Sei lá. Eu só não quero voltar para casa – saí do carro enquanto rodava minhas chaves. Já era umas dez da noite então não planejava ficar ali a noite inteira. Annabeth me seguia com as mãos nos bolsos da calça preta.
Quando ela viu onde eu estava indo, recuou de uma forma que me fez pensar se ela não estava tonta. Ela parou por algum tempo, mas logo depois voltou ao normal, seguindo-me. Abri a portinha e nós dois subimos uma escadaria.
Quando chegamos ao topo, senti que mais uma vez ela parecia tonta. Mesmo assim apenas respirei fundo e andei um pouco mais para frente. Aquele lugar tinha história. Primeiro porque sempre foi o meu “alto da montanha”, o lugar onde eu penso melhor e reflito bem quando as coisas estão ruins. Segundo porque foi aqui que eu me apaixonei pela primeira vez por Annabeth... Que não é uma história que contarei aqui. E terceiro, ali foi o lugar que ela me ajudou no pior momento da minha vida, e vice versa.
Percebi que ela olhou para um canto onde tinha travesseiros e um cobertor. Seu olhar ficou vago e então ela engoliu em seco. Sentei-me na beirada do topo do WTC, o terraço do prédio mais significativo do mundo.
Olhei para frente, vários edifícios brilhavam interruptamente. Respirei fundo. Percebi que Annabeth se sentou ao meu lado, sem medo de cair.
–Olá, Annabeth – eu disse sorrindo de lado. Ela virou a cabeça para mim e quase sorriu também.
–Olá, Jackson.
Ela se virou novamente. E ficamos ali, olhando os prédios por muito tempo. Mordi o lábio inferior enquanto ouvia o som dos carros. Tudo parecia tão fútil naquele exato momento, toda aquela cidade, todo o meu esforço para ser alguém na vida. Se eu tombasse meu corpo para frente e me espatifasse no chão, morreria do mesmo jeito e acabaria do mesmo jeito que eu provavelmente vou acabar na velhice.
–Eu sei o que você acha de tudo isto – disse sem esperar sua resposta. Senti seu olhar sob mim, mas não me fez parar de falar: — Eu sei que você acha esta cidade inteira fútil, e aquela escola fútil, e eu e os meus amigos. Mas cada um tem o que acha especial na sua vida. Para você pode ser viver cada momento intensamente, com a adrenalina correndo nas veias, mas para mim, sentar no refeitório e rir com os meus amigos... – eu olhei para ela, fiquei surpreso em perceber que ela estava prestando atenção – Para mim, não tem preço. Eu não sei o que pode ter acontecido de errado com você este ano, para que bem, você esteja tão diferente. Mas não se esqueça de que tudo continua aqui, como foi o ano passado.
Sua feição endureceu-se novamente. De uma forma que eu quase mordi minha língua por ter falado alguma coisa.
–Eu não estou desta forma porque sou “orgulhosa”, porque não quero fazer parte do seu grupinho, se é o que acha – ela se virou para ir embora, porém eu segurei seu pulso e olhei para ela significativamente. Ela sabia o que aquele olhar significava. Então bufou. – Você não vai saber, não precisa saber. Pelo menos não por enquanto.
–Eu não tenho pressa. – ela olhou para frente mais uma vez. Virei minha cabeça em direção ao seu rosto e suspirei – E você... Será que poderia, por favor, não falar com mais ninguém sobre aqui?
–Você não trouxe Calypso aqui?- perguntou ela franzindo as sobrancelhas. Eu neguei com a cabeça.
–Não, só você. E mais uma garota, mas isto foi há muito tempo atrás – virei-me para ir embora, mas foi sua vez de segurar o meu pulso. Ela fitou o meu rosto como se fosse me dar um soco, mas então fez algo bem mais surpreendente:
–Eu não sou um coração de gelo, Jackson. Você deveria ser o primeiro a saber disto.
(...)
Olhei para a foto de Calypso no espelho e suspirei, tirando-a dali. Olhei para a morena dos olhos afetuosos e balancei a cabeça negativamente. Eu deveria esquecê-la, o mais rápido possível.
Respirei fundo pronto para mais uma segunda feira de manhã, desci a escadaria de casa e peguei minhas chaves na mesa da sala, jogando-a no bolso do meu moletom.
–Mas isto é uma irresponsabilidade, não é? – perguntou Atena indignada. Annabeth deu de ombros – Sumirem com o seu uniforme desta forma, eu paguei caro por ele!
–Ah, mas eles disseram que vão repor o uniforme sem prejuízo para você – respondeu a loira. Sorri de lado enquanto me sentava-se à mesa do café.
–O problema é que está fora de temporada. Vai demorar umas três semanas para o uniforme novo chegar – eu quase ri quando disse e Annabeth era uma ótima atriz, já que parecia séria e até decepcionada.
–Tudo bem- Atena bufou – Vão para o colégio. E não se atrasem, teremos um jantar em família na casa de Zeus hoje à noite.
–O que?- perguntou Annabeth com os olhos cinza arregalados. Eu sorri de lado enquanto apoiava – Jantar em família? Família Olympus, só pode, já que não tem nenhum laço familiar entre as pessoas por ali.
–Annabeth – repreendeu Atena – Não fale assim deles.
–Eu não estou xingando! – Annabeth abriu os braços – Só estou expondo a verdade.
–Você... Vai... E ponto final – e foi assim que mais uma discursão terminou entre Atena e Annabeth. A loira mais nova bufou e pegou sua mochila vermelha e preta, abrindo a porta da casa em seguida com força. Peguei uma maça e mandei um beijo para minha madrasta, fazendo-a sorrir de lado.
Annabeth já me esperava na porta do carro com os braços cruzados. Mordi o lábio inferior pensando no quanto àquela cena já havia se repetido com outras garotas. Abri a porta do meu carro e vi que Annabeth bufou umas três vezes antes de me ver acelerando. Depois de algum tempo, ela puxou conversa.
–Isto acontece sempre agora?
–O que? – perguntei ajeitando meus óculos de grau.
–Vocês ficarem se reunindo como se fossem uma família feliz sendo que ano passado nós nos odiávamos?– ri.
–As coisas mudam, Annabeth. O ódio pode virar amor, sabe? Você como ninguém deveria saber disto – olhei para seus olhos cinza e pela primeira vez percebi que ela estava fitando os meus olhos. Aquilo quase me fez perder a direção do carro.
–Eu não vou – decretou ela.
–O problema é seu... Aliás, o que tem você ir? São as mesmas pessoas de sempre... Aliás! Porque você não está falando com Thalia nem com Megan? Qual o seu problema? – ela não me respondeu imediatamente, tive que esperar alguns segundos para que se pronunciasse.
–Eu não tenho problema algum, Jackson. Na verdade tenho, e é você. Cale a boca e dirija – ri novamente enquanto chegávamos perto do colégio. Pela sua reação, aquele era seu ponto fraco. Ela nunca perdia a calma quando o assunto era eu. Se tentasse me matar, provavelmente seria calculado e militarmente planejado. Como o roubo do uniforme. Então além de sua mãe (que eu nunca faria piadas), ela também não gostava que se tocasse no assunto das garotas.
Chegamos ao estacionamento com a escola já cheia, várias pessoas estavam apoiadas nos carros dos outros e muitas outras estavam sentadas na grama em frente ao colégio.
–Você vacilou realmente feio para fazer suas melhores amigas ficarem com raiva de você a ponto de não quererem falar contigo – estacionei e olhei para ela. Suas bochechas estavam vermelhas de raiva.
–Elas não são minhas melhores amigas – vociferou ela – Muito menos minhas amigas.
Ela bateu a porta do carro fazendo minhas duas sobrancelhas se arquearem. Cocei os cabelos com raiva e tirei meus óculos (eu ainda não havia os aceitadotãobem assim). Foi eu abrir a porta do meu carro que Thalia e Luke já estavam na minha frente, à expressão deles não era das melhores.
–Você não sabe o que está acontecendo! – começou Luke.
–Realmente não. – respondi enquanto via meu horário e fechava a cara. Só professores ridículos.
–Um monte de coisas aconteceu na sexta feira e Megan e Nico parecem brigados de vez – Thalia continuou. Parei bruscamente, assustado.
–O que?
–Eles já estavam brigados, mas era aquela coisa meio remédio: passou, curou. – Luke respirou fundo para continuar – Então algum ser filho da puta mandou uma foto para Megan com Nico abraçando uma garota pela cintura.
–Ele a traiu?
–Era Bianca – respondeu logo de cara Luke, respirei fundo – Só que então ela já estava com raiva aí você sabe, o que fazemos quando queremos curar chifre?
–Bebemos.
–Isto, aí ela foi para a balada, só que como qualquer coisa envolvendo a gente, já havia saído fotos nada legais dela abraçando um carinha que nem ela sabe quem é. Só que você sabe, né? O Nico não quer nem saber. Ele tá P da vida, e com razão.
–Na realidade, não! Ele estava abraçando a irmã dele e ele nem havia falado para ninguém que Bianca havia voltado – Thalia tentou defender Megan – Como ela poderia saber? Ela fez o que toda garota iria fazer.
–Você iria fazer isto? – perguntou Luke com uma sobrancelha arqueada.
–Provavelmente, e até pior.
–Tudo bem, tudo bem. Eu não quero que vocês comecem uma conversa sobre vocês. E sim sobre Megan e Nico, Me-ni-co. E como eles estão agora? – viramos o corredor do colégio. Várias pessoas olhavam para gente e davam um típico “oi”, alguns eu dava um aceno de cabeça, outros eu nem respondia.
–Ah, eu não sei. Acho que eles nem falaram um com o outro ainda – admitiu Thalia enquanto punha seu celular no moletom da calça de uniforme. Viramos o meu corredor e ela fez uma careta ao ver Annabeth, com uma blusa cinza de frio que caía em seus ombros e uma calça jeans escura, osall starpareciam mais surrados que o normal — Ela não tem uniforme não?
–Você nem queira saber.
Não demorou muito e vimos Megan chegando a nossa frente, sua sobrancelha franzida deixava bem claro que ela não estava feliz. Sorri para ela só que só por alguns segundos, já que do outro lado, em perpendicular, Nico chegava com a expressão ainda pior.
Estávamos no meio de uma enrascada e sabíamos disto. Por isto os olhos azuis de Thalia se arregalaram e quando os outros dois chegaram e se entreolharam eu podia sentir a tensão no ar. Annabeth arqueou uma sobrancelha enquanto sorria de lado, pelo que parecia, ela estava se divertindo muito com toda aquela situação.
–Você – Nico disse enquanto olhava Megan de cima a baixo, com aquele olha gélido que fazia todo mundo querer se esconder por uma blusa de frio. Mas Megan não parecia nada intimidada, ela cruzou os braços.
–Eu ainda não entendi porque você ainda está falando comigo, Di Ângelo. – ela se virou, pronta para ir embora. Porém o sonoro “O que?” de Nico a fez ficar com mais raiva. Ela deu mais um giro de 180 graus, ficando na ponta dos pés para poder encarar os olhos de Nico melhor – Você deveria entender que não estamos nos anos 30, se um cara me trai, eu não vou ficar sentada e chorando como uma retardada. Eu não soutãodócil assim. E só para você saber, eu não te traí, a foto do cara que me abraçava era o barman e nós não trocamos nenhum beijo porque cinco minutos depois de eu ter entrado na boate eu já estava vomitando. Mas saiba que acabou tudo entre mim e você.
Sabe aquele discurso dela de que não chorava por garotos e coisa e tal? Então, esqueça. Eu já via seus olhos cheios d’água e Nico parecia que também, já que sua expressão amoleceu muito. Mas ninguém teve muito tempo de se explicar, até porque Megan saiu correndo para o outro lado deixando um Nico decepcionado de lado.
Mais a frente, Annabeth bateu com força a porta do seu armário. Fazendo todas as atenções irem para ela, a mesma saiu andando lentamente em nossa direção.
–O amor entre vocês é igual esta escola, só fachada – comentou ela sorrindo, esta que passou entre mim e Thalia com um ar de superioridade que eu percebi ser fingido, provavelmente só para irritar a punk. E ela irritou. Thalia pegou em seu braço com força e a virou novamente em nossa direção.
–Você deveria limpar a boca com detergente antes de falar conosco. Você não deveria nem ter falado, já que a perita em fachadas aqui é você, não? – Annabeth sorriu mais uma vez com ironia. O que pareceu ter deixado Thalia ainda mais irada.
–Eu sou a perita em fachadas? Tem certeza, Punk? – o rosto de Thalia ficou pálido. Annabeth parecia ter tocado em alguma ferida profunda. A loira se soltou, com raiva – Pelo menos eu falo o que quero sem me importar com a merda da opinião dos outros. E você?
Os olhos da punk congelaram. Annabeth foi embora a passos pesados. E Thalia foi para o lado oposto, praticamente correndo. Ao nosso lado, Nico bufou enquanto ajeitava a mochila nas costas.
–Eu não aguento mais esta merda de colégio – então foi embora também em passos pesados.
Eu e Luke nos entreolhamos, estávamos muito excluídos naquele ambiente de briga. Eu dei de ombros e ele também, então começamos a conversar sobre basquete. Mesmo assim, eu só conseguia pensar o quanto o jantar de família seria tenso... E dramático.
Notas finais
Beijos e até o próximo!
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