O Que Eles Veem Em Você? 2

19 O que uma derrota pode fazer.


Notas iniciais
Olá gente. Perceberam que estou tentando melhorar os nomes dos meus capítulos por aqui? Percebi que estavam ficando uma bosta . Demorei dez dias porque o meu notebook deu merda e foi levado para São Paulo pra consertar então imaginem o meu desespero né? Perdi tudo. Boa leitura.

–E então? Pensou bem sobre o que eu te falei?

Percy estava com o coração batendo pela boca, a qualquer momento ele sentia que poderia cair no chão e morrer de nervosismo. Atrás dele, todo o seu time esperava por seus comandos. Mas definitivamente ele não sabia o que falar, ele não sabia o que falaria para pessoas tão boas e jogadores tão bons.

Não era justo ter tantos olheiros na final, não era justo que as melhores bolsas de faculdade da Califórnia estivessem todas aqui, no mesmo dia. Percy não sabia o que fazer, tudo que ele queria era continuar jogando basquete com seus amigos de infância. Não queria se separar deles. Respirou fundo e disse tudo que sentia, do fundo do coração.

–Sim, eu pensei. Você estava certo, eu tenho que tirar tudo isto do meu corpo. Tudo que tem em mim antes da morte do meu pai, quando ele estava vivo e... Eu preciso reviver e respirar novos ares.

Depois de todo o seu depoimento, Percy sentiu que tinha feito a coisa certa. O treinador bateu em seu ombro e sorriu, apenas confirmando tudo. Ele e todos os outros foram correndo até a quadra, rasgando o papel com a insígnia do time e batendo na mão do mascote.

Aquele jogo era diferente de tudo que Percy já havia feito, ele não conseguia se ouvir de tanto barulho e cântico e batidas da torcida. Seu pai estava ali, e sua mãe, e sua madrasta. E todo mundo. Menos Annabeth, ele percebeu que ela não estava ali.

–As pessoas boas se sentem culpadas, as pessoas de bom coração se sentem tristes e culpadas pela morte de alguém querido. O que você sentia pelo seu pai, o amor incondicional... Ele ficou com você quando você estava com a sua mãe do outro lado do país. E você cuidou dele o máximo que pode. A última coisa que você precisa sentir é culpa, mas não é um sentimento ruim. Demonstra o quão bom o seu coração é.

Percy entendia que a última coisa que Annabeth tinha o interesse era em esportes, depois de sofrer aquela lesão e sair da final do próximo dia. Ele entendia porque ela não queria mais nem ver uma bola, de qualquer tipo.

Conformou-se e foi para o meio da quadra.

–Às vezes, quando eu era criança e via os meus pais discutindo escondidos e parecendo tão perfeitos na minha frente eu ficava imaginando se todos seriam tão falsos comigo. E porque todos eram tão falsos comigo. Em Los Angeles as pessoas sabiam quem eu era, sabiam de onde eu vinha. Em Nova York a mesma coisa aconteceu. Eu queria apenas me sentir um pouco comum. O máximo que consegui disto foi o ódio descomunal de Percy Jackson, então acho que sou um pouco grata a ele.

Percy queria se matar por estar pensando em tantas coisas no meio do jogo, estava confuso sobre tudo. Sua mente era nebulosa e ele se perguntava se queria mesmo jogar basquete e se queria mesmo cursar biologia marinha ou se estava fazendo tudo aquilo porque era exatamente o que esperavam dele há tantos anos.

Olhou para o lado, Nico fez um passe horrível para Luke que também não fez as maiores das recepções. O pivô do outro time pegou a bola num tapa e fez uma cesta de três. O time da casa perdia.

Percy percebeu que eles estavam perdendo, seis pontos atrás. Então começou a olhar envolta da quadra. Nico e Luke estavam perdidos, pareciam tão confusos quanto Percy.

–Eu não acredito que está seguindo o meu conselho, isto é um passo tão grande e tão importante. Você superou todas as minhas expectativas, Annabeth.

O treinador pediu tempo, ouvir xingamentos e gritos deixou Percy ainda mais nebuloso e confuso sobre tudo, oito pontos de diferença. Não era possível, ele não ia fazer nada daquilo que queria fazer. Ele não ia para a Califórnia. Ele, o capitão do ano por dois anos, precisava apenas de nove pontos em dois minutos e não conseguia achar uma solução.

Voltou para a quadra um pouco mais centrado, passou a bola com mais categoria para Luke, que por sua vez fez uma cesta de três fora dos padrões. 50 a 45, um minuto e meio e seis pontos. Duas cestas de três.

Passou por dois marcadores ao mesmo tempo, quicando a bola até Nico no meio da quadra que fez uma cesta de dois. 50 a 47. De repente tudo era silêncio, toda aquela torcida do colégio. Todas aquelas pessoas... Ninguém falava mais nada.

O apito do árbitro soou, o tempo havia acabado. Eles haviam perdido, e não só isto. Haviam jogado muito mal, na frente de todos os olheiros do país.

–Eu me sinto simplesmente plena, tudo está mais claro do que sempre esteve. Eu tenho foco e determinação, e tenho certeza do que quero fazer.

Os semblantes não eram bons, os olheiros falavam apenas com os jogadores do outro time. Luke e Nico e Percy foram direto para o vestiário. Ninguém falou nada, ao contrário dos outros jogadores, eles não pararam para dar entrevista ou falar com um olheiro qualquer.

Eles tomaram banho, trocaram de roupa. Tudo isto silenciosamente. Em oito anos jogando basquete com aqueles caras, Percy nunca havia ficado tão silencioso no vestiário. De repente, ele se encontrou na cena mais melancólica da sua vida.

Megan e Thalia simplesmente invadiram o vestiário. Elas estavam ofegantes e pareciam especialmente surpresas.

–Eu não acreditei no que vi – foi o que Megan disse, tão calma e tão séria que nem parecia ela mesma. Thalia pôs a mão na boca.

–Vocês não vão para a Califórnia?

Luke, que estava com os olhos mortos e o semblante sério, olhou pelo canto de olho para Thalia.

–Era tudo que você queria, não é? Eu não consegui, fala. Eu não consegui. Eu vou ficar aqui embaixo dos seus braços para sempre! – Percy quase não ouvia os gritos de Luke, não conseguia assimilar tudo que estava acontecendo – Parabéns! Você conseguiu tudo o que queria! Você me viu perdendo a bolsa e me viu ficando aqui para a merda do resto da minha vida! Seja feliz, Thalia!

O tapa estalado no rosto de Luke ele conseguiu ouvir. Tão bem que parecia que colocaram um microfone na palma da mão de Thalia.

–Você falou a última coisa que deveria ter falado. Você duvidou de tudo.

Ela foi embora tão rápido quanto chegou. Megan parecia chocada demais para falar alguma coisa. Nico olhava para ela pelo rabo do olho.

–Para quem dizia que eu não dou suporte para nada... – foi o que ele disse – Pelo que parece apenas uma pessoa vai conseguir o que quer por aqui.

Megan deu um sorriso de escárnio, como se não conseguisse assimilar tudo o que Nico dizia.

–Você está querendo dizer que a culpa disto tudo é minha?

Nico olhou para ela através do espelho.

–Talvez. Sim, talvez sim. Porque eu não conseguia parar de pensar no quão culpado eu estava, no quão horrível ia ser ir para o outro lado do país. Eu não conseguia parar de pensar no quão bosta ia ser te deixar aqui sozinha.

–E agora você está me culpando? É isto mesmo? Agora você está me culpando?!

–Minha irmã tinha razão, nunca namore no colegial – ele olhou rapidamente para ela – Agora eu estou me arrependendo profundamente por não ter a escutado.

Megan parecia ter levado um soco no estômago, ela não conseguia acreditar na pouca vergonha que ouvia. Não conseguia acreditar nas coisas ridículas que ouvia. Nico abriu a boca para falar mais alguma coisa, mas Percy o parou.

–Vocês dois tem que parar, agora – Megan olhou para Nico pesarosa, e depois para Luke. Depois negou com a cabeça.

–Agora eu entendo Annabeth – Percy levantou o olhar para Megan – Vocês são só uns playboys fúteis dos Hamptons.

Ela foi embora, os saltos dela ecoando no ouvido de Nico tão pesado quanto suas palavras. Luke se sentou no chão e pôs a mão no rosto.

–Elas não deveriam ter aparecido, caras – foi o que Percy disse – Vocês estavam nervosos e eu também, eu vi que vocês não estavam concentrados assim como eu. Foi apenas uma pena elas terem aparecido.

Nico olhou para ele e deu de ombros, bufando.

–Este dia foi uma pena, Percy.

(...)

–Está tudo bem, Percy. Sério, você não precisa se sentir tão culpado – Atena deu um meio sorriso. Sua mãe, Sally, o abraçou.

–Você quer que eu faça aqueles cupcakes azuis que você adora?

Percy não acreditou no que iria dizer, mas disse:

–Não mãe, eu não estou com apetite.

Poseidon abriu a porta da casa, Annabeth estava no sofá com o seu tornozelo enfaixado. Olhou para o semblante de Percy e depois para Poseidon. Ficou calada. Percy subiu diretamente para o seu quarto.

Poseidon, Atena e Sally começaram a engatilhar muito devagar e baixo uma conversa do quão péssimo o jogo foi. Annabeth teria comparecido, mas precisava muito conversar com Dylan naquela tarde. Era como uma necessidade.

Subiu as escadas com sua muleta, odiava quebrar alguma parte do corpo. Agora quebrar o tornozelo faltando um dia para a final do futebol foi especialmente odiável. Depois de subir toda aquela escadaria, bateu na porta de Percy com cuidado. Quase silenciosamente.

–Por favor, vão embora – ele disse. Annabeth viu o ar triste e melancólico no tom de voz dele e pela primeira vez desde muito tempo, ela se sentiu mal por outra pessoa.

–Sou eu – foi a única coisa que ela disse. Tão devagar e baixo que ela desconfiou se Percy a ouviu. Mas então a porta se abriu, ela viu um moreno apenas de blusa e cueca. Os olhos fundos e vermelhos – Oi.

–Tudo deu errado hoje – ele olhou para o chão, e depois para Annabeth mais uma vez – Eu não sei se você se importa com isto.

–Eu me importo – seu tom de voz era convicto. O que fez Percy arquear a sobrancelha. Ela o empurrou para trás e fechou a porta do quarto do moreno. Fez ele se sentar na beirada da cama e deixou a muleta no chão.

–Tudo tem a ver com as segundas opções, Percy – ela sorriu um pouco – Eu não sei se você vai conseguir enxergar isto agora, mas às vezes o destino nos proporciona coisas tão maravilhosas. Agora você pode fazer o que quer, o que realmente quer — ela puxou uma cadeira até a frente dele, sentando-se e olhando em seus olhos – Agora não existem mais trancas e sim apenas liberdade para o seu futuro.

Percy deu um mínimo sorriso e passou seus enormes cabelos pretos para trás.

–Você fala como uma filósofa – ela arqueou a sobrancelha.

–Dizem que filosofar não é nada mais que ser louco o suficiente para ver o óbvio – ela ficou séria mais uma vez – Eu sei que você não está bem, mas eu preciso muito conversar com você.

Percy ficou com aquele friozinho na barriga, sempre que uma pessoa falava aquelas palavras naquele tom coisas boas não viriam.

–Eu quero tirar as tatuagens – ela foi curta e grossa –Tanto a minha quanto a sua.

Percy sentiu que havia recebido um soco na cara, um soco tão forte que o fez ficar tonto.

–Eu sinto que tudo isto que me prende ao passado me faz mal, essa tatuagem é uma destas coisas- ela suspirou e depois deu um mínimo sorriso – Eu acho que daqui para frente é importante apenas nutrir coisas novas. Inclusive um novo amor por você.

O semblante chateado de Percy saiu tão rápido quanto chegou. Ele não pode deixar de dar um sorriso feliz.

–Você está superando, não é? E eu nem percebi.

–Aos poucos e vagarosamente – concordou ela – É uma pena isto ter acontecido faltando poucos dias para nos formarmos.

Percy não pode deixar de morder o lábio inferior e sorrir.

–Bem, temos todo o verão para frente. Esqueceu que somos da mesma família agora? — Annabeth se levantou e pôs as duas mãos envolta do rosto de Percy. Deu um belo e romântico beijo em seus lábios, daqueles que poderia ter uma terceira pessoa apenas para gravar.

–Obrigada por tudo Percy, mas este verão nós não vamos passar juntos.

Ela foi embora, quase tão repentinamente quanto chegou. Subiu mais alguns degraus para chegar ao escritório da mãe. Bateu na porta duas vezes e ouviu um sonoro “Entra”. A mais velha olhava para o computador seriamente.

Atena tirou os óculos e sorriu ao ver que era Annabeth.

–Posso ajudar em alguma coisa? — perguntou ela, a loira mais nova assentiu. Foi até a frente da mãe vagarosamente, seu tornozelo doendo mais do que deveria.

–Eu quero conversar sobre o verão – Atena arqueou as sobrancelhas surpresa e depois gesticulou para que a filha se sentasse.

–Alguma viagem com os amigos sendo planejada? — Annabeth negou com a cabeça.

–Apenas a parte “viagem” sendo planejada. Dy... O Dr.Foster me deu um conselho, ele disse que seria bom conhecer e respirar novos ares, conhecer diferentes culturas e adquirir sabedoria. Tipo a mulher do Comer, Rezar e Amar.

Atena riu e pôs a mão no queixo.

–O que você exatamente está me propondo, Srta. Chase?

–Bem... O meu aniversário é daqui a alguns dias e pensei se talvez eu não pudesse ganhar uma viagem de presente. Três meses, o verão inteiro. Sabe mãe, eu quero viajar pelo mundo.

Notas finais
Hey, people! Sim, tudo deu errado para os personagens de OQEVEV. Gostaram do capítulo? Quero dizer que o próximo será apenas dedicado à formatura, será o último capítulo deles no colégio. Choremos juntos. Outra coisa, eu vou tentar postar antes do dia 28, mas eu não tenho certeza se conseguirei. Quero dizer que a minha aula está voltando semana que vem e com isto vocês sabem que vem muita coisa para fazer. Então por favor não briguem comigo, eu não ganho nada escrevendo e é apenas um hobbie. Tenham paciência comigo assim como eu tenho com tantos leitores que nunca dão as caras por aqui. Deixem seus reviews! Beijos e até o próximo!!