Notas iniciais
Oi gente.
Eu sei que demorei muito mesmo, mas eu tenho um motivo que alguns de vocês já devem saber. Eu fiquei internada desde quinta feira e tive que fazer uma cirurgia, e só fui liberada ontem e tudo mais.
Enfim, acho que já é um motivo perdoável né?
E este capitulo ficou enorme! Espero que gostem.
Boa leitura!

POV Annabeth

E lá ia eu atrás de Will, olhando para trás e vendo as expressões nada boas do meu grupo, principalmente de Percy. Depois de alguns metros longes o suficiente para que ninguém ouvisse, Will me lançou um sorriso.

-Olá – Ele disse — Eu fiquei sabendo que você tinha ido para a Califórnia... Foi no mesmo dia que eu saí de lá – Ele sorriu ainda mais, tentando ser sociável, coisa que comigo ele não precisava mais ser. Algo estranho parecia estar acontecendo.

-Sim, olha, será que tem como você falar rápido?- Olhei para trás, ansiosa que meus amigos não achassem tão ruim assim eu estar conversando com Will. Ele fez uma careta com a boca e depois olhou para trás, na mesma direção que eu olhava.

-Sabe o que está acontecendo, Annabeth?- Ele sussurrou perto do meu ouvido, fazendo minha atenção desfocar da de Percy com seus olhos verdes bem em minha direção e voltar para sua direção, Will não tinha a melhor das expressões.

-O que? -Perguntei engolindo em seco.

-Você está virando a bonequinha de argila daquele grupinho – Ele disse, então saiu de perto do meu ouvido – Eu te conheço e sei que você nunca foi do grupo em que todos invejavam e tudo mais, era popular, mas não desta forma. Eu não sei mais exatamente qual é a sua ligação com o Jackson, amor, ódio, amizade, os três juntos ou nenhum dos três, mas eu acho que de um jeito ou de outro ele está te usando para ficar mais popular, assim como todos aqueles outros. Inclusive Thalia e Megan, se me permite dizer.

-O que você está falando? – Perguntei franzindo a sobrancelha, não entendendo aquele discurso tenebroso de Will. Fiquei revoltada com a forma que ele falou de todo mundo.

-Annabeth, não se faça se boba porque você não é, todos nós sabemos que você chegou aqui e roubou todos os holofotes para você, até parece que o Percy gosta disto, como todo mundo ali, e inclusive suas amigas porque na Califórnia ela sempre teve você somente para elas.

-Tudo bem, agora deixa de falar besteira.

-Não é besteira, Annabeth, eu mudei e queria te dizer que aprendi muita coisa, inclusive em quem devemos confiar ou não. Mas olha, eu estou vendo que você ainda está muito cega, não tem como eu falar qualquer coisa com você. Vamos fazer assim, eu te procuro outro dia, sem Percy ou qualquer idiota nos encarando com mal olhado. E aí eu faço você abrir os olhos.

-Eu não acho que você tenha aprendido muita coisa nestes meses – Argumentei – Porque senão estaria falando menos besteira em meu ouvido – Dei meia volta, ainda com o sangue quente por causa do que Will falou.

Eu odiava quando me argumentavam este tipo de coisa, como se eu não tivesse qualidades o suficiente para ter amigos de verdade, jurava eu que era o oposto, eu subia nas costas de todos os meus amigos e pulava de cavalinho neles de tanto que eu os necessito para mim.

Will havia enlouquecido de vez, voltei para onde todos os meus amigos estavam, eles que conversavam animadamente sobrea algo que eu não queria ouvir, na realidade querendo ou não as palavras de Will ecoavam na minha cabeça.

Eu queria não pensar nisto, mas ainda sei que Percy faz de tudo um pouco pela popularidade que por algum motivo ele acha a coisa mais sagrada do mundo, mas não sabia a que ponto isto poderia chegar. Sempre brigamos na escola por diversão e até mesmo para não desconfiarem de nosso relacionamento, mas será que isto chegava a ser uma escada para Percy?

Às vezes ele é um garoto muito misterioso, de toda forma ainda lembro-me da pergunta que ele me deixou no vazio lá na Califórnia, porque ele havia ficado tão popular? E porque quando eu perguntava para qualquer pessoa o porquê eles me contavam a mesma história de sempre: “Percy é o capitão, o que você quer?”.

Não, tinha alguma coisa a mais e eu sabia disto, e sabia que só tinha uma pessoa que poderia me responder isto além de Percy e os garotos.

-Annabeth! – Gritou Megan no meu ouvido – Acorda!

-Que? -Perguntei olhando para os lados, ainda meio boba com o fato de que as palavras de Will me fizeram refletir mais do que eu queria.

-Eu não sei o que o Will te falou, mas deve ter sido algo importante para você ter ficado assim – Thalia disse enquanto me puxava para a parte mais a frente do estacionamento, onde tinha o meu carro, Percy me encarava ainda com certa dúvida, como se por algum motivo soubesse tudo que Will havia me falado e não tinha gostado nenhum pouco, agora parecia ele querer saber em que eu estava pensando, até quando as palavras de Will haviam sido refletidas em mim.

Deixei Thalia e Megan em suas casas, então acelerei para o centro comercial onde meu prédio continuava alto e imponente, estacionei meu carro e então subi o elevador com certa pressa, tinha um plano em mente que queria executar o mais rápido possível.

Quando abri o apartamento fiquei surpreendida em não ver minha mãe ali, era o que? Três da tarde? Ela me disse que trabalharia de manhã a partir de agora, mesmo assim ignorei esta minha duvida e saí correndo para o meu quarto.

Tomei um banho frio e gostoso, e quando meus dedos estavam cheios de nódulos de tanto ficar na agua eu saí, coloquei um jeans solto e rasgado, o meu all star mais surrado e uma camiseta cinza normal, prendi o meu cabelo e troquei de camiseta – de cinza para outra mais cinza- já que agora eu tinha uma tatuagem para esconder.

Peguei uma maça e então voltei para o carro, e para surpresa de todos, voltei também para a escola, estacionei em sua parte de trás, e andei rapidamente para o cômodo mais afastado do colégio.

Onde também se encontrava nossa querida editoria do jornal, um lugar legal e com uma luz amarelada bem estilo jornalístico, bati a porta antes de entrar e vi que ali só estava à editora chefa.

Também conhecida como Clarisse Le Rue. Ela que estava concentrada em algo no computador olhou para o lado e arqueou a sobrancelha, mas logo retirou seus óculos e veio em meu encontro.

-O que me deve a honra da Senhorita Chase? –Ela perguntou sorrindo, apertei sua mão e ela fez um gesto para eu me sentar, fiz que não e ela se sentou na poltrona azul em que eu iria sentar. – Agora é sério, o que posso fazer por você?

-Bem, eu preciso de uma informação – Respondi encostando-se à mesa de material polido que tinha ali a frente ,a luz amarelada me cobria.

-Sobre Percy, Luke ou Nico? – Ela perguntou com um sorriso de lado, mordi o lábio tentando entender como ela sabia destas coisas, mesmo assim não era para isto que eu estava ali.

-Sobre o Percy – Eu respondi, e vi um grande sorriso abrir em seu rosto.

-Ótimo. Sei de muita coisa sobre ele, e fico surpresa, mas talvez nem tanto, por você vir aqui me perguntar algo sobre ele, porque você sabe, ele é igual à imprensa, todos sabem que é importante, mas não sabem por que, e nem como foi sua origem.

-Não estou entendendo muito bem – Respondi franzindo o cenho, Clarisse abanou a mão.

-Eu sei, eu sei, eu não deveria comparar tudo com a imprensa, poucos entendem. Mas veja bem: Todos gostam muito do Percy, mesmo eu não sabendo por que, e acho que você pensa o mesmo que eu. E todos sabem que ele é popular e importante para o time, mas ninguém sabe realmente porque ele é popular, ou porque ele é o que é hoje, inclusive você, julgo eu.

-Sim – Eu disse ainda olhando para ela meio abismada, Clarisse era mais inteligente do que muitos por ali – E era exatamente isto que eu queria te perguntar, eu sempre tive esta dúvida sobre o Jackson, quer dizer, todos nós ficamos populares por algum motivo, mas o dele nunca foi muito bom, até porque existem capitães de colegial que não são nenhum pouco popular.

-Verdade – Ela disse –E sei eu também que você deve estar curiosa sobre “o grande verdadeiro feito” que ele fez por aqui, mas eu te digo uma coisa: Quase ninguém sabe. Além de mim, é claro. Porque tudo começou há muito tempo atrás, e poucos se lembram disto ou estavam neste colégio naquela época e estão até agora. Você sabe... Crise econômica, falta de dinheiro, então sem nada para pagar o colégio por muitos anos.

-Sei bem disto.

- Eu poderia fazer uma redação sobre isto e ganhar sei lá, honras em Yale, porém eu vou ser rápida porque tenho coisas para fazer.

-Ok. – Eu disse enquanto olhava para ela, ela clicou na caneta insanamente e veio em minha direção – Pode começar.

-Tudo começou quatro anos atrás, quando o Percy ainda era um mero calouro, junto com Luke e Nico. Naquela época, ele era um garoto simpático e normal, você sabe... Que trata todos bem e tudo mais. Ele era amigo do Luke e do Nico e apenas isto, não tinha nada de especial nele a não ser que uma garota o achou muito bonito, e esta garota era... Como se diz, muito popular mesmo, a garota mais popular do colégio.

-Estou começando a entender.

-Só que ela também era fútil, ridícula, só pensava nela e nela, igualzinho como o Percy é agora, então quando ele deu um pé na bunda dela todos ficaram realmente bobos e pasmos com ele, nunca, ninguém havia dado um fora nesta garota. Depois de algum tempo, o Percy ficou com pena da garota, e então acabou aceitando ficar com ela. E por algum motivo que eu não sei, ele acabou se apaixonando mesmo por ela, e começou a namora-la e ficar hiper popular também. Esta garota o moldou da forma que ela queria, deixando-o do jeitinho que ele é hoje, e então ele sabia a exata formula de como ficar popular no colégio. Acontece que depois de um tempo ele ficou muito mais popular que ela, isto a incomodou, óbvio, o que gerou várias brigas entre os dois e eles se separaram. O Percy continuou popular e ela também, só que depois disto ele acabou namorando uma garota do grêmio estudantil, o que fez todos falarem e fazerem vários boatos. Então a popular ficou com raivinha e fez um boato estupido sobre a garota, que agora eu não me recordo muito bem.

-Que filha da puta. – Eu disse, Clarisse deu uma risada pelo nariz.

-É, e então o Percy acabou se separando desta garota, porque aparentemente ele não queria ser namorado de uma garota com tantos boatos ruins a circulando. No final, o diretor pegou a garota e o grupinho estupido dela e as expulsaram, ou tentou expulsar, porque a garota é muito rica, sabe? O pai dela é dono de uma companhia muito famosa. Acabou que ela acabou saindo da escola de um jeito ou de outro, já que sua popularidade estava meio que no ralo. Ela não deixava de ser uma garota inteligente... enfim, o boato que sondava é que antes dela ir embora para a Inglaterra a mesma ficou com o Percy, e os dois tiraram a virgindade um com o outro. Mas nada disto foi comprovado.

Olhei para Clarisse um pouco sem graça, o Percy tinha sido um puta de um cafajeste neste tempo todo.

-E enfim, quando o Percy chegou no primeiro ano todo mundo conhecia ele, mesmo sem saberem o porque já que a Rachel tinha ido embora, e quem erámos nós na época daquilo tudo? E é esta a história que você tanto queria. – Clarisse disse, enquanto ainda clicava em sua caneta insanamente, olhei para fora, o sol estava se pondo. Era uma história horrorosa mesmo, mas pelo menos agora eu descobri que o Percy não era tão malvado como a história conta... pelo menos ele pode ter mudado um pouquinho de uns tempos para cá. Mesmo assim, minha curiosidade ainda era muita, e eu tive que perguntar:

-Quem é esta menina popular com que ele tirou a virgindade? Quer dizer... Ela é famosa ou algo do tipo? E quem é esta garota do grêmio estudantil que o Percy fez o que fez? Ela ainda estuda aqui?

-Bem, esta menina é um pouco famosa, digamos que não tanto quanto o pai, mas ela é famosa. Na realidade, ela é filha do dono da companhia Dare, seu nome é Rachel Elizabeth Dare.

-Eu conheço esta comphania, eles ganham sempre como melhor empresa de comunicação ou algo do tipo, eles nunca estão na premiação.

-É, eles são metidos demais para isto, ridículos –Ela disse enquanto fazia uma careta – E a garota do grêmio estudantil ainda estuda aqui sim, e você a conhece. – Olhei para o chão, sorrindo de lado.

-Sério? Quem é ela? – Eu perguntei enquanto me desencostava da mesa, curiosa.

-Eu estou boba de você não ter descoberto ainda – Clarisse disse com um meio sorriso – A garota sou eu, Annabeth. Eu era do grêmio estudantil.

Parei perplexa, enquanto olhava provavelmente com a boca aberta para Clarisse. Ela é uma ex namorada do Percy? Quer dizer... O QUE? Pisquei várias vezes tentando raciocinar, tudo fazia sentindo, aliás. A Clarisse sofreu um boato forte naquela época e saiu do grêmio estudantil, foi para o único lugar em que não ligavam para este tipo de coisa: O jornal. Virou a editora-chefe em que fala muito mal do Percy. Porque? Porque ele havia feito uma coisa horrorosa com ela, que era realmente imperdoável.

Por um pequeno tempo eu fiquei com muita raiva do Percy, mas que filho de uma égua! Isso não é coisa que namorado meu faz, logo depois disto me repreendi.Isto havia acontecido muito tempo atrás, e tinha um motivo para o Percy não ter me contado isto na California: Ele estava arrependido. Provavelmente é o tipo de historia que fica bem no fundo de um bau de lembranças e que é proibido qualquer pessoa mexer e remexer. Depois disto, eu quis me esbufetar por ser curiosa. Agora eu sabia uma coisa que eu não deveria saber, e por eu ser intrometida eu estava fazendo um julgamento errado do Percy do presente por algo que o Percy do passado fez.

Está muito confuso?

-Bem, isso é realmente... bem impressionante – Eu disse mordendo o lábio inferior – Sinto muito, Clarisse. Sinto muito mesmo, nem deveria ter vindo aqui para te perguntar algo como isto.

-Sem problemas, você não sabia de nada. E se quiser usar isto contra o Percy, ok. Eu só espero que você não coloque meu nome nesta, já tive problemas demais graças a este garoto. E agora estou bem o odiando pelo resto da minha vida – Clarisse deu um mínimo sorriso maléfico enquanto eu me sentia um lixo. Outra coisa ruim: Eu namorava o menino que ela odiava e estava aqui fazendo ela contar esta história penosa. Era definitivo, eu só faço merda na minha vida mesmo.

-Enfim, eu espero que você não se importe se eu voltar para o trabalho, a merda do campeonato de basquete vai começar e eu tenho que cobrir tudo a mando do Diretor. Uma bosta mesmo, estou cheia de coisa para fazer – Ela deu meia volta e arrastou sua cadeira até o outro cômodo do lugar. Eu sussurrei um “sem problemas” mas dúvido que ela tenha escutado, peguei meu celular e voltei para o carro.

Dirigi para casa com um pouco de raiva de mim mesmo, agora eu não de jeito maneira condenar Percy por algo que ele fez a muito tempo atrás. Cheguei em casa e fiquei um tempo sentada no sofá, pensando. Depois de muito tempo refletindo eu decidi que está história também deveria ficar guardada no meu baú de lembranças que não podem ser mexidas e remexidas. Mesmo assim meu pensamento não saía de Percy Jakcson.

Tentei parar de pensar nele enquanto ia até a porta e a trancava, eu havia me acostumado com aquele apartamento rápido demais, pois ele era aconchegante e do jeito que eu gostava.

Ele era basicamente constituído por uma sala que víamos assim que abríssemos a porta, no fundo desta sala tinha uma varanda que dava para ver a rua movimentada metros abaixo de nós, na esquerda havia um corredor que dava para uma cozinha grande, com várias janelas por todos os cantos, no corredor a direita da sala tinha o meu quarto, o da minha mãe e o banheiro na porta do fundo.

Naquele mesmo corredor havia mais um quarto em que tinha basicamente estantes embutidas em todas as paredes, com todos os livros meus e da minha mãe. São tantos os livros (já que amamos ler) que tem alguns que estão empilhados encima da mesa, esperando lugar nas estantes cheias.

Depois de fazer um lanche, tomei mais um banho e coloquei uma roupa confortável, apenas um short de lycra da adidas e uma camiseta também preta e larga, prendi meu cabelo num rabo alto e sentei em frente a TV pelo resto da tarde, sentindo uma solidão imensa já que antes de morar ali, eu morava com o meu pai e a minha mãe, e lá tinha empregada, meu pai sempre em casa – e a minha mãe não, mas não fazia tanta falta -.

Pensei então em Percy no apartamento da frente, mordi o lábio inferior pensando que ele provavelmente estaria sozinho lá também, quando eu retirei o pensamento da cabeça a campainha tocou.

Fui a passos lentos e arrastados para a porta, quando a abri era apenas o porteiro do prédio, com várias cartas na mão.

-Assine aqui, por favor – Ele disse entregando-me as cartas, assim fiz e então fechei a porta, sentando-me novamente no sofá enquanto o filme que eu antes prestava atenção ecoava em minha cabeça.

Franzi o cenho ao ver as cartas todas direcionando ao Senhor Fisher, o idiota do porteiro havia confundido as cartas, sorri de lado ao ver a oportunidade de bater na porta da frente, arrumei o meu rabo de cavalo e passei um gloss.

E então bati na campainha do apartamento da frente, revisando as cartas que estavam realmente todas direcionadas a casa dos Fisher, a porta foi aberta e eu olhei para Percy, seu rosto era sonolento e ele usava apenas uma bermuda preta.

-Annabeth? – Ele perguntou enquanto coçava os olhos, eu dei um sorriso meigo enquanto ele arqueava a sobrancelha.

-O porteiro idiota confundiu nossas cartas- Eu as abanei na mão enquanto ele arregalava os olhos.

-Sério? Eu nem percebi – Ele saiu correndo para dentro do apartamento – Entra aí! – Dei um passo a frente em bom gosto, enquanto olhava para seu apartamento totalmente diferente do meu, na realidade não exatamente, pois tinha a sala com um corredor dando a direita e outro a esquerda, só que seus móveis não eram rústicos e de madeira, como os da minha mãe, e a pintura não era de tom pastel que mostrava serenidade, eram todos móveis de alumínio e ferro, com quadros de arte moderna e eletrodomésticos de última geração, as paredes eram pintadas em vermelho, preto e cinza.

Percy soltou um “ah” enquanto olhava as cartas, todas direcionadas provavelmente a Senhora Chase- já que minha mãe era uma desquitada, ou seja, não tinha ainda se divorciado totalmente do meu pai.

-Bem, é isto – Percy disse entregando-me as cartas, e recebendo as cartas de minha mão, eu que tentava não olhar para abdômen lindo dele a mostra. Assenti com a cabeça, minha tentativa de não olhar para o seu abdômen totalmente em vão.

-Bem, eu vou – Apontei para trás – Embora agora.

-É?

-É – Disse enquanto tentava abrir a porta de Percy, só que ainda olhando para ele e com o corpo virado para o seu lado. Percy chegou perto demais de mim, prensando-me contra a porta e desvirando a maçaneta. Meu corpo inteiro se arrepiou enquanto seus olhos verdes brilhavam divertidos.

-Sabe o que é? É que eu ainda não me acostumei totalmente em ficar aqui sozinho – Percy disse. Sua voz rouca e falha e sexy.

-É mesmo? – Perguntei enquanto lambia os lábios, Percy coçou os cabelos com uma das mãos, charmoso.

-E eu pensei que talvez você possa estar se sentindo sozinha lá também, e todas as tardes o meu pai está fora, e sua mãe também. – Eu sabia que aquilo era tudo uma grande enrolação (mesmo sendo totalmente verdade) mesmo assim entrei no jogo.

-Pena que eles têm folga de manhã – Disse enquanto engolia em seco, Percy sorriu de lado vendo meus olhos cinza provavelmente faiscantes.

-Você sabe que eu quero te beijar agora, certo? – Ri de surpresa por ele ser tão direto, urrando por dentro por ter um namorado de atitude, muita atitude.

-Sei – Respondi sorrindo – E não sei por que você não fez isto ainda – Continuei, fazendo Percy sorrir de lado, prensando-me mais forte contra a porta e mordendo minha bochecha. Depois o meu lábio inferior e por último me beijando, eu nunca, nunca iria me cansar daqueles lábios gostosos e quentes, muito mais quentes que os meus.

Enrolei minhas pernas em sua cintura, juntando ainda mais nossos corpos, ele pegou em minha cintura enquanto ainda me beijava, andando para trás devagar até cair no sofá de couro comigo por cima, beijei seu pescoço, sentindo o cheiro de maresia que ele sempre tinha.

Ele inverteu as posições, mordendo meu lóbulo da orelha, senti sua língua rodear meu pescoço e meu corpo todo se estremeceu com o toque, de súbito eu acordei e o tirei de cima de mim.

-Que foi? – Percy perguntou. Sentei-me enquanto voltava com a respiração normal.

-Eu sei no que isto irá nos levar – Respondi, e era verdade, eu tinha certeza que iria nos levar a sexo – E seu pai e minha mãe podem chegar a qualquer momento, olha, já são quase seis horas.

-Droga – Percy sussurrou enquanto olhava para a parede que continha um relógio, ele mordeu o lábio inferior enquanto me olhava. – Mas isto é um castigo – Ele disse passando por cima de mim, sorri – Você morando na casa da frente e eu tendo que ficar aqui, sem te ver, sem te pegar, beijar, morder...

-Percy...

-Eu sei, eu sei, parei – Ele disse bem perto da minha boca, encarei seus olhos verdes que pareciam brilhar. Eu sei que eram de amor, de amor por mim, e eu ficava feliz em saber disto. Sorri de lado vendo seu sorriso também crescer, meu coração deu uma descompensada e começou a bater muito forte.

Ele chegou perto demais da minha boca, fazendo-me perder o ar e ficar com a boca ressecada, seus lábios quase se encontraram com o meu quando ele desviou o rosto, fazendo-me ir com a cabeça para frente e não ter nada em resposta.

-O que aquele ex-branquelo quis contigo? – Ele se sentou olhando para mim de forma acusadora, parecia que ele lia os meus pensamentos e sabia que Will tinha falado mal dele comigo.

-Nada – Respondi ajeitando o cabelo, Percy arqueou a sobrancelha, com toda a certeza não acreditava em nada que eu falava.

-Dúvido.

-Eu não quero falar sobre isto – Exclamei, cortando-o – Não é nada importante, se fosse eu te falaria sem problemas.

-Duvido de novo, se não fosse importante você não iria ter o cuidado de me esconder- Suspirei enquanto me virava, apoiando minha cabeça em seu colo e olhando para seus lábios que tinham um leve bico, eu poderia rir se seus olhos não estivessem tão frios.

-Vamos Percy, você fica falando que o Will não gosta de você, mas parece que é mais você que não gosta dele, porque você se importa tanto com o que o Will fala de você? Deixe-o falar mal para lá.

-Espera! –Percy disse num quase grito – Eu não falei que ele falou de mim, muito menos mal de mim... – Arregalei os olhos e pus a mão na boca, tinha falado demais – O que ele disse de mim com você, hein? Vamos, fala rápido para eu poder quebra-lo ao meio amanhã.

Saí do colo de Percy, sentando-se ao seu lado e o encarando desdém, tentando mostrar que ele estava fazendo tempestade em copo d’agua. Continuei assim por alguns segundos, e Percy continuou sustentando o olhar para mim, raivoso, suspirei de raiva e me sentei melhor no sofá.

-Tá, ele falou algumas coisas de você comigo, mas não é nada que eu tenha dado importância.

-Fala logo – Percy respondeu, cruzando os braços e me encarando. Mordi o lábio inferior querendo mata-lo por ser tão cabeça dura.

-Ele disse que você não me deixa ter amigos, quer dizer. Que me quer sempre perto de você porque tem medo que ãhn, que eu roube sua popularidade – Eu queria rir apesar de tudo, pois talvez pudesse mesmo ser verdade. Percy era o homem mais lindo do mundo e com o coração enorme, um garoto cheio de qualidades. Mas quando o assunto era sua popularidade ele ainda era aquela casca estupida que eu conheci no começo do ano. E o fato de eu ter descobrido a história dele de anos atrás fez com que eu acreditasse ainda mais nisso.

-É mesmo? – Percy perguntou respirando fundo enquanto arqueava a sobrancelha, agora não tinha bico fofo em seus lábios, eles estavam prensados um no outro, e a expressão de Percy era de dar medo – Eu já te disse que odeio esse branquelo?

-Calma, Percy. Ele também te odeia, por isto faz isto – Eu respondi ainda sorrindo, Percy deu um sorriso perverso enquanto olhava para mim.

-Mas para quantas pessoas ele já falou isto? E quantas pessoas acreditaram nele?

-Quem se importa?

-Eu, é claro – Ele respondeu enquanto travava a mandíbula – Mas não é isto que me deixa com raiva, não mesmo, isto é o de menos, o que me deixa com raiva é como ele olha para você, Annabeth.

-Que? – Perguntei rindo, enquanto fazia um gesto desdém – Você está louco, Percy, cego pela raiva.

-Não, você que está cega... Na realidade você é mulher, não percebe tão bem os olhares maliciosos que a maioria daqueles projetos de homem te lançam, principalmente este ex-branquelo, mas eu sim, Annabeth, eu percebo tudo, e vejo como ele te devora pelo olhar.

-Tudo bem – Eu disse enquanto sorria – E porque você se sente tão incomodado por isto, mesmo? Quando decidimos namorar escondido sabíamos que isto iria acontecer, quer dizer, e aquelas meninas te comendo com os olhos sempre que você passa? Olhando para sua bunda, se você não sabe.

Ele riu, uma risada linda que me fazia sorrir também, e perder toda a pose falsa de raiva que eu tinha. Mas o principal já tinha saído da conversa e eu tinha conseguido fazer com que o assunto Will saísse da sua cabeça.

-É mesmo? Eu já tinha uma mínima percepção que havia pelo menos uma garota que gostava da minha bunda – Ri e lembrei-me daquele dia em Los Angeles, mordi o lábio inferior lembrando a maravilhosa noite que tivemos, enfim uma noite inteira juntos. Quando menos percebi Percy me roubava beijos, distribuindo vários selinhos pelo meu corpo.

-Per... Percy, eu tenho que ir – Eu disse fechando os olhos, seus lábios se pressionavam levemente no meu colo.

-Sério? -Ele disse com um bico – E nos outros e outros dias. Eu não acredito que nós dois não vamos ter nada morando na frente um do outro.

-É isto mesmo, e o perigo, Percy? – Eu perguntei me levantando e ajeitando minha roupa – Você não tem medo, não?

-Não – Ele disse com um sorriso malicioso – E eu quero você aqui todos os dias.

-Se eu falar que não o que você vai fazer?

-Eu sei que você quer também — Ele disse me fazendo sorrir, eu me levantei do sofá olhando para o relógio, já era seis horas. O tempo passava rápido demais quando eu estava com ele.

-Eles estão demorando, hein? — Eu perguntei olhando para o relógio. Percy deu de ombros enquanto olhava para mim indo embora.

-Ei — Ele chamou, eu me virei e seu sorriso se abriu — Eu te amo. — Sorri largamente enquanto destrancava a porta.

-Eu também te amo, Percy. — Respondi e fui embora. Assim que me sentei no sofá da minha casa a minha mãe havia chegado, foi por pouco.

Notas finais
Olha só minha gente, eu sinto lhes informar, mas o próximo capitulo será um tanto... o começo de problemas sérios. =(
Mesmo assim é a parte que eu mais gostei de escrever então bleh, espero que vocês gostem mesmo assim.
E eu não respondi quase nenhum review no último capitulo, mas neste eu vou responder todos vocês porque estou de repouso aqui em casa.
Deixem seus reviews, reclamações, elogios, e o caralho a 4 lá embaixo.
Beijos e até o próximo!! =)