O Que Eles Veem Em Você? 2
33 We're back to NY, bitches!
Notas iniciais
Os arranha-céus, os táxis amarelos, as milhares de pessoas na Times Square. Percy Jackson sentia mais falta da sua cidade natal do que poderia imaginar. Foi ali que nasceu, viveu e cresceu. Ali estavam o museu do rock, sua casa, e a pista de skate. Seus lugares favoritos em Nova York, que junto com outros quatro lugares formavam os sete lugares favoritos de Percy Jackson em NY, lista já apresentada para Annabeth Chase anos atrás.
Foram surpreendentemente recebidos por seus pais no aeroporto, todos eles. O que era bem estranho porque todos eram extremamente atarefados, ou seja, ou estavam realmente com saudades (o que, por exemplo, Nico duvidava muito) ou estavam apenas se certificando que as garotas estavam totalmente seguras.
–Vamos, alugamos carros para irmos para o sítio de Zeus – Annabeth bufou para a mãe.
–Sério? Montauk? Agora? Eu estou cansada – Atena a abraçou, até porque não a via há meses.
–Eu esperava que você já estivesse acostumada, depois de uma viagem pelo mundo inteiro – a mãe sorriu, ficando feliz em perceber com Annabeth estava estonteante de novo.
–Meu pai não veio? – Megan perguntou, mordendo o lábio. May, que era um amor de pessoa e sempre gostou muito de Megan lhe deu um abraço confortador.
–Ele já está no sítio, cuidando das coisas – seu tom de voz doce fez Megan sorrir — Luke, vem cá. Seu pai quer falar com você.
O tom de voz mudou totalmente, foi duro e frio. Luke parou de conversar com Poseidon e foi até eles.
–Hera- Thalia cumprimentou indo embora com suas malas, a madrasta a seguiu, suspirando. Percy parou, sorrindo.
–Eu estava pensando em darmos uma volta pela cidade, antes de irmos. Só os amigos, como antigamente. Se não for muito inviável, Dona Atena.
Atena sorriu.
–Primeiro: apenas Atena. Segundo: claro que sim.
Foi assim que aconteceu a chegada dos populares de Manhattan ao lugar que os pertencia.
A primeira coisa que fizeram foi tomar sorvete no Joe’s, uma das lanchonetes mais populares da cidade. Andavam pela quinta avenida igual loucos assim como faziam antigamente. Annabeth olhava para Percy tomando seu sorvete, se lembrou das loucuras que os dois faziam ali e tinha mais saudades do passado do que um dia imaginou ter. É claro que a Duke era muito melhor que tudo e aquela vida de universitários os deixavam estranhamente agitados – de uma forma boa e ruim ao mesmo tempo. Mas aquela mesmice infantil era muito bem lembrada por Annabeth.
Luke fazia suas gracinhas na frente do grupo, dançando em frente as estátuas dos ex-presidentes. Annabeth ria e mal percebeu quando Percy colocou o braço nos seus ombros, só depois de alguns minutos eles perceberam o que estava acontecendo e se separaram. Percy tinha que se lembrar constantemente que não era mais o namorado de Annabeth.
Luke e Thalia sempre foram o casal mais louco, e eram eles que faziam eles quase serem presos por depredação ou desacato pelas doideras que faziam na rua. Mas daquela vez eles não estavam em frente ao grupo, os conduzindo para a loucura.
Luke estava na frente, e Thalia do lado totalmente oposto. Nico e Megan não estavam cochichando no ouvido um do outro e Annabeth e Percy não eram os líderes de nada mais. Depois que tomaram o sorvete e as estátuas acabaram, um olhou para o outro e depressivamente perceberam que não conseguiam ser aquele grupo idiota em Nova York mais, tinham crescido e se separado. E por mais que fossem amigos, a inocência havia passado assim como a fase que não tinham nada para se preocupar.
Quando chegaram ao sítio, tudo ficou muito mais fácil. O ambiente parecia os ter relaxado, porque Percy se sentia muito melhor do que antes. Todos se reuniram como uma grande família, e não amigos de negócios, na sala de Zeus.
–Temos que comemorar tantas coisas boas, não é mesmo? Estamos todos reunidos e a empresa será homenageada amanhã com prêmios, se assim o destino querer. Vai ser um grande dia, e uma grande cerimônia tenho certeza.
Luke, Nico e Percy foram chamados para subirem o andar, numa pequena reunião com seus pais. Hermes, Hades, e Poseidon não pareciam nada felizes com a presença dos filhos naquele dia.
Quando subiram ao quarto de reuniões de Zeus (que Luke não sabia por que raios havia um quarto de reuniões num sítio) Hades foi o primeiro a falar. O que não era surpresa para Nico.
–Vocês sabem por que estão aqui, não é? Disfarcem. Tentem fazer com que nada tenha acontecido nesse verão seus, que é o que nós todos realmente queremos.
–Claro, temos que fingir que ainda fazemos parte da família, não é mesmo? – Percy comentou. Sarcástico. Poseidon o parou com a mão, de uma forma séria que fez seu filho tirar seu sorriso irônico da boca.
–Não, vocês ainda fazem parte da família – disse Hermes.
–Não é o que alguns papeis dizem, papai – Luke ressaltou o papai. E Hermes suspirou.
–Vocês não poderiam esperar algo diferente depois de tudo que fizeram... Isso foi o mínimo. Não, menos que o mínimo. Agora, nesse exato momento, o justo seria que vocês estivessem numa situação bem pior que essa!
–Você sabe que isso não é verdade! – gritou Luke de volta para o seu pai.
Hades parou a discussão com um “shh” violentamente frio e duro. Percy balançou a cabeça, não concordando nem sequer de estar ali.
–Nós estamos cooperando, viemos, vamos fingir que somos parte dessa alta cúpula ainda, e vamos até ser fofos e educados com a imprensa. O que vocês querem? O fato que está tudo perfeito e que não tem nenhum problema em Durham e nenhum questionamento das meninas? O que mais vocês querem?
–Não arrumem confusão para elas, vocês estão juntos para cuidar uns dos outros, confiamos em vocês ainda, aquela casa é uma prova disso.
–Confiança? Elas estão nos vigiando para vocês sem nem ao menos souberem que estão sendo usadas – Nico parou por um segundo – Isto não é confiança, não me venha com esse papo que não vai colar, Poseidon. Me desculpa.
Hades olhou para o filho, surpreso que ele tivesse falado alguma coisa. Do jeito frio de sempre, respondeu:
–Você não está em condições de cobrar confiança — os olhos negros dele não demonstravam nem ao menos decepção com o filho. Era uma desgraça para Nico ficar em frente ao seu pai – Cuidem delas, que elas irão cuidar de vocês.
–Mas não se metam com elas, grande ideia – Luke ironizou novamente.
–Cuidem delas – reforçou Hermes – Como família. Mas não se relacionem dessa forma com elas, vocês estão proibidos. Se vocês as levarem para esse caminho, se as colocarem nessa história, Zeus nunca nos perdoará.
Luke saiu, sem falar nada. Foi seguido de Nico e Percy.
–Eu não entendo porque eles nos chamam para falar a mesma coisa – Luke sussurrou, revoltado.
–Talvez porque eles saibam que é exatamente isso que nós queremos – respondeu Percy, saindo em seguida para o quarto. Luke parou de andar. Olhando para um Perseu revoltado e furioso, virou-se para Nico.
–A palavra confiança não existe no vocabulário deles, pelo jeito – foi à vez de Nico responder:
–Não estamos em condições de clamar por confiança.
Luke bufou, não concordava com a falta de confiança do pai, tudo bem que as evidências eram totalmente contra eles. Mas era mentira, nunca fariam uma coisa daquelas! Nem bêbados ou drogados, nunca participariam de algo tão sujo.
Infelizmente eles acreditavam mais na palavra de um delegado qualquer do que na dos próprios filhos, e ele não podia acreditar que nada poderia fazer para mudar isso. Era revoltado com a injustiça, revoltado com o fato que poderia sim ser prejudicado por esse mal entendido. Revoltado porque Thalia naquele exato momento colocava sua mala num quarto em frente ao dele e ele nada podia fazer.
Era proibido.
Aquele sítio não lhe ajudava nem um pouco a superá-la, era o sítio de seu pai e ela conhecia todos os mínimos detalhes e brechas no lugar. Lembrava-se da única e última vez que vieram. Como se beijaram nos lugares escondidos e faziam os pais irem à loucura sempre que sumiam.
Foi divertido, de uma forma que ele não se lembrava de ter se divertido em Cancun. Era fofo e doce, é claro que poderiam transar aqui e ali, mas até aquilo era uma brincadeira de adolescente. E sentia falta de Thalia, apesar de tudo.
Bateu na porta dela, em Durham se desculpou por ter sido tão duro todo o tempo que estavam por lá, antes é claro de saber que teria que ir para Nova York. E ela o havia desculpado rapidamente, talvez porque estava muito cansada por causa de Leo para brigar com Luke. De qualquer forma, ele já se sentia mais leve. E por mais que não conversassem há um bom tempo, ele decidiu reviver quem sabe isto em Nova York.
–Olá – ele falou assim que entrou no quarto de Thalia. A mala estava jogada na cama, e o quarto dela era exatamente igual à de todos os outros: piso, parede e teto amadeirado. Assim como os móveis.
Thalia saiu do banheiro, usando shorts e apenas um sutiã.
–Olá – ela arregalou os olhos – Desculpa, eu achei que era uma das meninas.
Luke olhou para o chão, e depois para a janela. Thalia rapidamente vestiu uma blusa. Foi complicado começar uma conversa depois de vê-la seminua. Ao olhar novamente para ela via um sorriso afetado em seu rosto, tinha começado a desfazer as malas.
–Luke – ela chamou, rindo – Você quer continuar seja lá o que você queira falar comigo?
O loiro olhou para o rosto da morena, coberto por uma sombra negra nos seus olhos azuis elétricos, seu sorriso rebelde combinava com suas roupas e o corte repicado que ia até o seu queixo.
–Nada demais, eu só queria dizer que a piscina foi liberada, e... O pessoal já está descendo – ela parou por um segundo, concordando em seguida.
–Tudo bem, já vou descer.
Ele deu meia volta, e depois voltou para Thalia.
–Ok, eu sei que estou sendo frio, mas eu não estou conseguindo ser de outra forma ultimamente. E eu sinto muito pelo que aconteceu com Leo.
Thalia deu uma risadinha sarcástica.
–Mesmo?
–Não. Ele é um babaca, mas eu sinto muito por você estar de ressaca amorosa – Luke parou em seguida. Odiava o fato que Thalia poderia ter algum sentimento por Leo Valdez, era o cúmulo do ridículo ela, exatamente ela, dar alguma chance para aquele cara.
Thalia cruzou os braços olhando diretamente para Luke, seus olhos elétricos eram praticamente impossíveis de ficar se encarando. Intimidantes iguais aos do pai, mas Luke já estava acostumado, até porque namorou com ela por quase três anos.
–Fica aqui – ela concluiu em seguida, entrando no banheiro. Luke fez uma careta, cada dia que passava Thalia ficava mais e mais louca, tinha quase certeza. Cinco minutos depois ela abriu a porta do banheiro, e saiu de lá apenas de biquíni – Você pode me ajudar a abotoar o sutiã?
Luke parou por um segundo, olhando para suas mãos que faziam o trabalho de não deixar a parte de cima do biquíni cair. Thalia estava com o corpo bonito, sempre foi magra e tinha curvas que ele gostava mais do que qualquer outro cara.
Seus olhos pararam na tatuagem que ela havia feito no ano anterior, que saía da sua virilha e ia até quase seu joelho, cobrindo toda sua coxa esquerda. Era uma tatuagem morbidamente sexy, com apenas duas cores: vermelho e preto. Retratava uma musica punk que Thalia gostava muito e que ninguém além dela entendia o significado.
–Claro – ele falou praticamente um minuto depois, foi até a sua direção com as pernas pesadas como chumbo. E quando ela se virou de costas ele revirou os olhos para si mesmo: parecia um virgem novamente.
Sua mão pegou as cordas do biquíni preto, prendendo-o num laço forte.
–Ai – ela sussurrou, sorrindo em seguida. A respiração de Luke batia na sua nuca descoberta, A mão pesada dele massageou rapidamente seus ombros a fazendo revirar os olhos, rapidamente ele se separou dela. Os olhos azuis elétricos aderiram uma cor mais escura, como um azul marinho – Obrigada.
Luke estava a centímetros dela, sua altura a única coisa que não os fazia se beijar. Assim que Thalia viu seu coração disparando percebeu que não podia brincar com aquilo, era como brincar com fogo.
Separou-se rapidamente.
–Vamos?
Luke piscou por um momento.
–Vamos pra onde?
Ela sorriu, mordendo a bochecha por dentro para não rir.
–Pra piscina, é claro.
Anônimo
Manhattan era a ilha pertencente à Nova York, a maior cidade do mundo. Entretanto, o lugar era menor do que todos podem imaginar. Os seus habitantes, seres espécimes totalmente diferentes dos seres humanos de qualquer outro lugar do mundo eram contagiados pelo modo de vida elitista da maior parte da população e invejavam aqueles que tinham a maior popularidade na cidade.
Popularidade na minúscula ilha de Manhattan não é um conceito diferente de todos os outros lugares do mundo: Os mais interessantes são os mais falados. Então, como num jogo de seleção natural tão bem relatado por Darwin, excluía todos aqueles que não eram obviamente interessantes, e exaltavam aqueles que eram obviamente diferentes dos outros.
Percy Jackson, Annabeth Chase, Nico Di Ângelo, Megan O’Connel, Thalia Grace e Luke Castellan eram os mais óbvios dos óbvios diferentes. Um dos grupos mais populares da ilha, que haviam subitamente deixado o lugar as moscas de fofocas interessantes no momento que saíram para uma independência que não existiria aqui colados aos seus pais.
Gosto de dizer que sou uma pessoa bem informada, mas creio que é bem mais que isso. Este ninho de cobras chamada de alta elite nova-iorquina eu conhecia como a palma da minha mão. E conhece-la na palma da minha mão me fazia uma pessoa poderosa do lugar.
Ultimamente, meus poderes estavam desfocados de Nova York, acompanhando os passos do popular grupo que saíra às escondidas sem nem ao menos darem uma festa de despedida. Mas agora estavam voltando, estavam voltando para uma importante festa, e isto era mais que o necessário para que fossem um dos tópicos mais falados entre as pessoas da mesma idade que a nossa.
Neste sentido, tive que tomar providências drásticas. Minhas informações tinham que virar fatos e eu tinha que usá-los no momento em que certas pessoas cruzassem meu caminho.
Fiz uma ligação importante, mordi o lábio inferior esperando por respostas esclarecedoras.
–Conseguiu alguma coisa?
A pessoa do outro lado riu, e foi surpreendente que havíamos virado aliados.
–Foi difícil, tive que usar muita da minha astúcia para isso. Mas sim, procurei no lugar que chegaram, estado da Califórnia. Todos tem ficha criminal, e consegui o relatório do delegado que os deixou passar. Digamos que tem um dedo de Zeus Olympus nessa história. Só assim conseguiriam passar por acusações de tráfico de drogas e tráfico de mulheres.
Dei um sorriso fofo, que não combinava nem um pouco com as minhas pretensões.
–Uso de poder? Melhor ainda... Me manda tudo isso. Eu preciso o mais rápido possível.
A ligação ficou muda por um tempo.
–Ei, eu só estou fazendo isso porque não gosto deles, mas não faça nada que os prejudique fatalmente, é apenas uma brincadeirinha mais que merecida.
–É só uma brincadeira – ri, pensando na expressão que ele faria assim que o confrontasse. Era um plano sem erros – Pelo menos para mim.
Desliguei telefone assim que vi a mais nova informação chegando à minha timeline, o belo grupo de Percy Jackson havia voltado para valer. Estavam andando pela quinta avenida felizes e sorridentes, tomando sorvete, talvez a forma que queriam transparecer pela cidade. Que nada havia mudado.
Mas eu sabia que sim, até porque, os mais novos pertencentes da máfia não poderiam de forma alguma se relacionar com as mais novas herdeiras da Olympus.
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