O Que Eles Veem Em Você? 2

23 Vocês estão preparados?


Notas iniciais
Heeey people!! Três semanas, ainda demorei muito já estou sabendo, ok? PORÉM, personagem novo na história! E eu sinto que vocês irão gostar dele. U-U Boa leitura!

A luz extremamente branca não escondia a vergonha de Thalia ao ficar ao lado de Luke, ainda mais fazendo compras num supermercado.

Se há dois dias atrás, melhor… Há 10 horas atrás houvessem falado para Thalia “daqui a pouco você e Luke irão comprar carne no açougue e absorvente na higiene”. Bem, Thalia riria da cara daquela pessoa e depois sairia de fininho porque estaria falando com um esquizofrênico.

Fazendo uma análise fria daquela situação era justamente isto que acontecia. Agora, colocando um pouco de sentimento e bagunça e a vida de Thalia encima disto tudo, estaríamos vendo o que realmente se passava na cabeça da punk. Nada e tudo ao mesmo tempo.

Ela conseguia pensar em como Luke estava diferente, com os cabelos num corte jovial e moderno e o corpo menos estereotipado e mais magro, a barba loira agora completa e a touca cinza em seus cabelos deixando claro que ele havia mudado não só o físico, mas também toda sua mentalidade.

Não só ele, como também Nico e Percy. Thalia não era idiota, e muito menos inocente. Muito pelo contrário, era a menos inocente do grupo. Logo, tinha a total certeza que coisas inocentes foram a última coisa que acontecera na viagem dos garotos.

Eles voltaram maliciosos, misteriosos, maléficos e maduros. Estes quatro “m’s” só poderiam significar que coisas estranhas aconteceram naquela viagem.

Coisa que tirou tanto mas tanto Hades, Poseidon e Hermes do sério que eles concordaram ou talvez (ajudaram) a comprar uma coisa junto com as outras três ex-namoradas pelo simples fato que as três garotas poderiam vigiar seus “filhos desvirtuados”.

Mas como já foi dito anteriormente, só tinha um problema nesta história: Thalia era ainda mais desvirtuada. Se eles fizeram coisas ruins nas férias, ela havia feito em dobro.

Ela passou por drogas, sexo, bebida e mais sexo de uma forma tão ávida que conseguiu cansar seu corpo e sua mente e por alguns dias ela só queria ser idiota mais uma vez.

O principal problema neste “suposto” plano dos pais dos três filhos desvirtuados era que Thalia estava pouco se lixando para Luke (pelo menos era disto que tentava se convencer) e se ele quisesse ter uma overdose naquela mesma noite, nada faria Thalia para impedir.

–Você pode pegar dois pacotes de macarrão para mim? — Luke perguntou com sua voz grossa, tirando Thalia de seus devaneios pessoais.

Ela olhou para os olhos azul claro de Luke, tentando ler alguma coisa no semblante do garoto que namorou por quase dois anos. Ela não o reconheceu.

–Claro — respondeu saindo dali mais que rápido, não queria que Luke visse sua expressão abatida.

Todo discurso ideológico morre um segundo depois de pô-lo em prática. É muito fácil dizer ser moralista, ser uma pessoa que não liga para nada, para os sentimentos dos outros. Tentar agir desta forma é muito mais complicado, psicopata talvez.

Thalia respirou fundo e fechou os olhos, pegando os três pacotes de macarrão e coçando seus cabelos ainda mais curtos que antes, deu meia volta e apenas sentiu um choque tão forte que sua cabeça doeu.

Por poucos instantes percebeu que iria cair de boca no chão mas duas mãos fortes a pegaram, colocando-a de volta no plano gravitacional normal.

Poucos segundos Thalia conseguiu captar três coisas fundamentais: sorriso lindo. Corpo lindo. Expressão maliciosa.

–Desculpa cara, eu não te machuquei, certo? — obviamente Thalia estava sendo falsamente ingênua. Ela nunca machucaria um cara daqueles, magro mas certamente forte.

–Claro que não, gata. E eu não te machuquei, certo?

–Eu posso dizer que você foi meu herói.

O garoto riu, algo tão simples que Thalia desconfiou que ele fizesse isto sempre.

–É bom ser o Superman das garotas de vez em quando — a punk fez uma careta

–Eu prefiro Batman.

O menino arregalou os olhos.

–Eu também! Não… high five.

Thalia deu um “high five” em meio a uma risada. Aquele garoto estava a fazendo ser idiota mais uma vez. Ela pegou um dos seu pacotes de macarrão e olhou para o cara. Ele não tinha nada demais: cabelos castanhos e olhos da mesma cor. Um sorriso extremamente cativante e covinhas tão fundas que era até fofo.

Thalia percebeu que ele tinha um carrinho de compras um pouco estranho… Muitas bebidas e mais bebidas.

–Universitário?

–Segundo ano de engenharia mecânica — Thalia deu um mínimo sorriso, num rápido pensamento “Meganês” ela cantarolou em sua cabeça “engenharia” — Aposto que adivinhou pela bebida, certo? Considere-se convidada. Eu moro na Beta.

–Festa de república? Você não parece este tipo — o moreno arqueou uma sobrancelha.

–Você muito menos, por isto que falei “considere-se”, pois se eu pudesse te chamar para sair eu provavelmente… — ele deu uma rápida olhada para ela — Te convidaria pra um show do Iron Maiden.

Thalia arregalou os olhos.

–Você tem ingressos?

O garoto riu.

–Não, mas pelo visto eu acertei. Olha, eu já estou indo porque daqui a pouco a festa começa e não existe festa universitária sem bebida. Eu te vejo pelo campus, eu espero — ele deu aquele seu sorriso de covinha que fez Thalia ter um estranho acesso de fofura.

Ela deu um tchau com a mão para ele enquanto andava para trás. O garoto deu mais uma risada.

–Ei, eu não sei seu nome!

–Thalia, Thalia Grace… E o seu?

Ele já havia começado a passar suas bebidas pelo balcão, só naquele momento Thalia percebeu que ele usava um boné para trás e tinha roupas tão largadas que nem conseguiam entrar na sua percepção.

–Prazer Thalia, Thalia Grace. Eu sou o Leo… Leo Valdez.

(...)

Luke, ao contrário do que Thalia pensava, não estava nervoso, impaciente ou com a cara amarrada por causa da sua demora. Na realidade ele continuava com a compra impassível, até mesmo feliz. Era como se tivesse sido uma boa coisa não ter uma pessoa a mais para ajudar.

Sendo esta pessoa obviamente Thalia.

–Desculpa pela demora, eu… — ela parou alguns segundos para pensar. Leo Valdez, engenharia mecânica, Beta, Batman — Eu esbarrei com alguém.

–Tudo certo — respondeu ele olhando algo em seu celular, provavelmente uma lista de compras virtual. Thalia pôs os três pacotes de macarrão no carrinho e seguiu Luke pelas voltas que ele dava.

Acabaram no último corredor, e o mais triste para fazer uma compra compartilhada: higiene pessoal.

Thalia pegou coisas básicas: sabonetes e pasta de dente.

Resolveu deixar o absorvente extra-grande para a próxima.

Os dois passaram pela coluna cheia de camisinhas, Thalia não percebeu que havia caído num passado de memórias, lembrou-se de um dia que fez quase a mesma coisa com Luke, só que eles estavam num mercado 24 horas e era mais ou menos umas duas da manhã.

Os dois olhavam para as camisinhas e Luke não conseguia parar de rir porque estava bêbado.

–Pega uma coisa diferente! — ele havia quase gritado, e então pegou uma camisinha rosa, “sabor morango”. Os dois riram e riram e foram para casa.

Havia sido uma ótima noite.

Thalia percebeu que seu olhar estava fixado naquela camisinha rosa que continuava ali, evidente numa memória.

Luke olhava para as compras e seu olhar acabou caindo no de Thalia, para onde ela olhava e depois ele olhou nos olhos tempestuosos da punk.

Os dois trocaram rapidamente olhares, Luke estava muito diferente daquele risonho bêbado das memórias de Thalia mas ainda sim era o Luke. Os olhos azuis dele não mentiam: Ele se lembrava da história.

–Acho que acabou — ele falou pigarreando, olhando novamente para o celular. Thalia consentiu, empurrando o seu carrinho até o caixa e já se sentindo mal de estar ali do lado de Luke.

Não era tão forte assim. Só tinha a casca forte.

(...)

Thalia sempre soube dos dotes culinários de Luke para comida italiana. E todo mundo sabia que ela era sua ajudante oficial desde sempre.

O que Thalia não soube era que ela continuava sendo sua ajudante oficial, já que quando chegaram com as compras todos se dispuseram a ajudar a desfazê-las porém ninguém se dispôs a ajudar Luke na cozinha, deixando-a novamente e obrigatoriamente, junto dele.

Era óbvio que a punk estava sendo extremamente idiota, já que ela agora morava com Luke, nem se ela quisesse ficaria longe dele.

Luke estava frio e distante, guardava rancores de Thalia, ou pior, era extremamente indiferente em relação à ela. Por um segundo, ela queria que ele não fosse assim tão sério, que ele fizesse igual Nico e demonstrasse explicitamente o quanto a odiava, o quanto a odiava por quebrá-lo ao meio e deixá-lo vazio nas férias, queria que ele a xingasse e a batesse. Tudo era melhor do que a sua indiferença.

–Pomarola? — ela perguntou, sorrindo.

–Duas latas — respondeu ele. Ela jogou na panela, e ele rodou a colher de madeira no molho. Um celular apitou.

Thalia olhou para Luke, esperando que ele falasse que era o dele. Porém ele estava muito distraído com a comida, então ela mesma pegou o celular e o desbloqueou achando que fosse o dela.

Porém não era, não mesmo.

Nenhuma mulher perguntava para Thalia “Que dia você volta? Está louco aqui”. A morena olhou para trás, e pensou três mil vezes em dois segundos se fazia ou não aquilo.

Ela já sabia que ele provavelmente conversava com várias garotas, e que elas davam encima dele e mimimi. Não era isto que a interessava, ela queria coisas comprometedoras que dessem realmente uma base do que diabos eles fizeram naquele México.

Um grupo, Luke, Nico e Percy apenas.

Era isto.

Foi nele.

“Acabou. Agora é voltar ao normal” — alguém disse, ela estava muito nervosa para saber quem. Muitas horas depois alguém escreveu:

“Estamos morando com as garotas. É isto mesmo?”

“LOL. Os papais estão realmente desesperados”.

Ela saiu do whatsapp e bloqueou o telefone. Nem havia percebido que tinha colocado a senha de Luke automaticamente: a data do aniversário da mãe dele.

Era basicamente disto que ela precisava, eles haviam feito merda mesmo, os pais ficaram muito, muito nervosos. E eles estavam ali agora. Provavelmente enfiaram na cabeça deles que as garotas são tão “boazinhas” e “as herdeiras da empresa” que eles estavam bem revoltados, ou no mínimo cansados com toda esta história.

Agora tudo estava mais ou menos esclarecido, era óbvio que eles não iam ter paciência com as garotas perfeitinhas que não vão fazer nada de errado na universidade. Elas estavam queimando o plano deles de serem livres na faculdade.

Thalia cruzou os braços, com raiva. Não gostava de ser a boazinha em contexto algum.

Tão rápido quanto ficou revoltada ela já tinha uma ideia. Não iria cooperar com o plano de ninguém.

–Annabeth! Megan! — ela gritou tão alto que até se assustou, Luke olhou para trás com uma sobrancelha arqueada. Ela nem queria saber o que ele pensava dela. — Annabeeeeth! Megaaan!!

Acabou que não só as duas como Nico e Percy desceram perante tanta gritaria. Luke havia colocado a penela de macarronada na mesa e os garotos espalhavam os pratos.

–Ei, não. Eu, Megan e Annabeth não vamos jantar aqui — Megan já estava com um garfo na mão, sua expressão decepcionada foi sublime.

–Como não?

Annabeth também não parecia muito esclarecida de nada, na realidade ela queria entender porque os olhos de Thalia estavam tão elétricos e ela em si parecia tão elétrica.

–Nós temos uma festa para ir numa república, a Beta.

O semblante de todos foi definitivamente igual “Festa. República. Coisas. Erradas”.

Annabeth saiu da mesa tão rápido que foi até tão engraçado, suas pernas subiram a escadaria de dois em dois degraus e Megan deixou o garfo no prato, claramente confusa. Ela e Thalia subiram também as escadas, deixando os garotos para trás.

No corredor, Annabeth prensou Thalia contra a porta.

–Que merda você está fazendo? Eu achei que a gente não ia participar destas coisas.

Megan assentiu, olhando revezadamente para as suas unhas e para as garotas. Havia percebido que não estava com unhas de festa. E seu cabelo precisava de dar uma escovada.

–Entrem no quarto — ela abriu a porta atrás de si, sabendo já que era o quarto que havia pego para si. Megan sentou-se na beirada da cama e Annabeth no chão, com as pernas cruzadas como num mantra — Os meninos entraram em encrenca nas férias.

–Já sei — responderam Megan e Annabeth em únissono. O que foi de espanto para as três.

–Olha só, nós estamos aqui de vigias e pelo que eu vi de uma conversa deles pelo jeito também estamos de “peso” na vida deles por aqui.

–É, disso eu já estou meio que sabendo também — Annabeth deu uma mínima revirada de olhos. Lembrando-se da conversa besta que teve com Percy sobre não existir “rancores” entre eles.

Annabeth estava tirando um humor bom do fim de seu ser e do seu ponto médio para não estrangular o pescoço de Perseu.

–Por isto, o meu plano é fazer eles verem que não, não estamos aqui para vigiar eles, e não, não ligamos para o que eles fazem. E sim, nós também pegamos geral por aqui.

–Epa, vocês pegam geral — Megan retrucou — O meu nível é outro.

Thalia revirou os olhos.

–Tanto faz. Agora rápido, se arrumem porque nós temos uma festa para ir.

(...)

–Isso não está no meu nível — comentou Megan repassando seu gloss extremamente caro da Victoria’s Secret enquanto andava pelas ruas escuras da cidade que mal conhecia. Megan reclamava do fato que tinha que andar umas duas ruas de onde realmente estava a festa por falta de lugar para estacionar.

Ela só havia concordado em vir para presenciar a expressão impagável dos garotos festeiros comendo macarronada enquanto elas saíam para se divertir.

E realmente, foi impagável.

De uma conversa baixa e serena enquanto comiam molho de pomarola, os três pararam por um segundo enquanto as meninas desciam tão rápido e afobadas as escadas que nem ao menos deram “tchau” para eles.

Annabeth pegou uma chave encima da mesa e foi embora, a saia extremamente curta e o batom vermelho deixando bem claro suas intenções na festa.

As novas universitárias então andavam com seus saltos altos pelas calçadas das casas perfeitas de Durham, que assim como todas as outras cidades da Carolina do Norte são caraterizadas pela arquitetura perfeita gótica e as casas ao lado da outra perfeitamente alinhadas e projetadas.

O salto delas iam de encontro da pedra fazendo um som ritmado, a cada passo mais alto e quanto mais perto da festa mais no habitat natural elas estavam. Quando elas chegaram na rua da república, tinha tanta gente que elas nem conseguiam ouvir suas próprias vozes, muito menos os passos.

Uma música tecno batia tão alto que Annabeth sentia seu corpo entrar em vibração. Thalia pegou seu frasco de tequila e quando as três chegaram finalmente na casa, a placa da república não pode deixar de fazer Thalia dar um sorriso de lado:

“Beta Fraternity. Are you ready?”

Notas finais
Alguém gostou do gostoso pra dedéu entrando na história? Quer dizer, quem não ama Leo Valdez? Festas como sempre trazem confusões. Preparem-se para o próximo capítulo que estará ligado a festa totalmente. Deixem seus reviews! Foi muito legal a participação de vocês no último capítulo! Beijos e até o próximo!