O Que Eles Veem Em Você? 2

26 Puros desesperos dos amores não mais puros


Notas iniciais
OLÁAAAAA!! EU NÃO MORRI! Apenas temporariamente. :) Eitcha, que saudades de postar. Bem, no meio tempo em que fiquei fora duzentas trilhões de coisas aconteceram na minha vida, e sinto dizer que a maioria eventos nada legais. Enfim, mas como tique de escritora, quando mais você sofre no amor mais parece que você tem inspiração para escrever. Acredito eu que este é um bom capítulo para reconciliar com vocês guyss!! E aliás, tenho uma surpresinha pela demora. Boa leitura!

POV Megan

Eu sempre viajei um pouco nesta coisa de universitária.

Desde que eu me entendo por adolescente o meu maior sonho não era passar de ano (como os adolescentes medíocres) nem ser cheia de glamour e fortuna (como os adolescentes com as cabeças nas nuvens), mas entrar num campus universitário, participar dele, etc.

Eu achava tudo isto extremamente demais.

Mas é claro, sempre tem algumas coisas para impedir este nosso querido sonho de ficar perfeito.

–Porque vocês não podem ser um pouco mais maduras pelo menos uma vez na vida? – quase que gritou o meu “querido” Nico Di Ângelo. Revirei meus olhos, ninguém merecia aquele garoto arrogante se achando pela casa.

–O carro é meu e eu faço o que eu quero.

–Eu só acho que se a gente divide todas as contas por aqui você deveria ser mais responsável.

–Eu pago a porcaria da gasolina.

Nico revirou os olhos. Era a minha terceira briga no dia com ele. E não eram nem oito horas da manhã. Todos tomavam seu café silenciosamente, acontecia que ultimamente nenhum deles brigavam tanto e tão alto quanto a gente.

Mas não tinha como aguentar aquele mala, a personalidade dele me irritava, sua falta de humildade me irritava. E principalmente seu novo jeito galinha me irritava.

Não era como se eu não gostasse dele, eu só não ligava dele comprar uma passagem para Tóquio e nunca mais voltar.

Annabeth, que estava estranhamente calada nos últimos dias, se manifestou:

–Megan você e Thalia vão no meu carro. Não precisa disto. Os meninos também pegam um carro só.

Grasnei. No meu sonho de primeiro dia de universitária eu entrava no campus com o meu carro, sozinha. E saía magistral até a sala dos calouros.

Menos um ponto para o meu dia perfeito.

–Eu sei que não é nada daquilo que você estava montando, mas Nico tem razão. E sinceramente... Toda esta utopia sobre o primeiro dia deixa todo mundo aqui assustado.

Meu queixo caiu no chão, até Annabeth contra mim?

–Uau. Até você contra mim? Mas qual foi a lavagem cerebral que ele fez com todo mundo por aqui?

Bati meu salto com força no chão. Eu era boa em fazer pirraça quando queria. Nico deu um daqueles seus sorrisos maléficos. Criança babaca. Ninguém ligava de eu ir sozinha para o campus até aquela escória humana vir reivindicar.

–Qual o seu problema comigo? – grasnei. Chegando perigosamente perto dele. Seu sorriso maléfico aumentou e meu corpo ferveu de dentro pra fora de raiva, todos os pelos do meu corpo ficaram arrepiados.

–Todos – ele sussurrou de volta, seu hálito de menta batendo no meu rosto como um tapa.

Nós ficamos nos encarando por um tempo indeterminado, aquelas voltas às aulas estavam fazendo somente minha vontade louca de apertar o pescoço dele e mata-lo cada vez mais forte. Annabeth pigarreou.

–Não sei se vocês sabem, mas falta vinte minutos para começar as aulas no campus, eu já estou indo e o pessoal também. Já que vocês estão muito ocupados brigando e nem ao menos se arrumaram acho que não vão ligar de ir sozinhos...

Percy sorriu para Annabeth, entendendo a ideia que eu também já havia entendido.

–Vamos pessoal? – ele perguntou, segurando para não rir.

Minhas bochechas começaram a ficar vermelhas escarlates. Eu não estava acreditando que eu teria que ir num carro sozinha com ele.

Todo mundo já havia entendido a deixa, pegando as coisas mais que rápido e se levantando.

–A gente se vê lá – Thalia falou, rindo em seguida. Nico estranhamente estava calado, com os braços cruzados e uma expressão nada amigável.

Revirei os olhos. Já tinha desistido a algum tempo da minha visão do primeiro dia de aula. Tudo que eu queria agora era não aguentar ele mais. Todos foram embora, batendo a porta com força em seguida.

Eu conseguia ouvir as risadas lá de fora. E estava com raiva. Muita raiva.

Nico não me encarava, ele sabia o quão era importante para mim a universidade. Caramba, ele havia namorado comigo por quase dois anos e me ouvia falar disto praticamente todos os dias.

–Feliz agora? Você conseguiu me atrapalhar. Agora eu não vou do jeito que eu queria, e nem com as minhas amigas – cruzei os braços. Eu não conseguia entender também qual era a de Nico, porque ele havia voltado daquele jeito e porque eu não conseguia parar de me decepcionar com ele.

Não conseguia entender o que havia acontecido com o meu doce Nico, que sempre me tratou da forma mais educada possível e nem quando brigávamos me dava motivos para ficar com raiva. Agora, a única coisa que ele fazia era me dar dor de cabeça.

–Deixa de ser mimadinha – foi a única coisa que ele respondeu, revirando os olhos em seguida. Como eu estava realmente triste, eu não consegui engolir a gota d’ água.

–Qual o seu problema comigo?! – gritei enquanto ele se virava para ir embora – Caramba! Eu não consigo fazer nada nesta casa sem ouvir você me criticando, eu já entendi que você me acha a garota mais fútil do mundo e realmente, eu não ligo mais. Nico, você traz garotas pra cá toda a noite e eu não falo nada. Você me trata mal toda hora e eu não falo nada... Mas aquilo era realmente importante para mim.

Ele estava com os braços cruzados, continuava me olhando impassível.

Que merda, ele tinha virado um robô!

–Nós nos separamos e talvez você tenha raiva disto, eu não sei... Mas eu não me lembro de ter feito nada pra te deixar com tanto ódio de mim – suspirei — O que me deixa mais com raiva é que por mais que você faça tudo isto, me irrite até o osso, eu ainda não consigo sentir tantas coisas ruins por você, não tanto quanto você sente por mim.

Ele não demonstrava nenhum sentimento, mas não conseguia tirar os olhos de mim. Olhei de volta para ele pela primeira vez, e eu acho que nos seus olhos havia sido a primeira vez também desde que começamos a morar juntos.

Tentei ler alguma coisa, mas era nebuloso. Ele não era mais meu namorado e sim um garoto desconhecido.

–Eu vou ser sincera, eu realmente te amava. De uma forma assim, muito forte. E é difícil não continuar com esse sentimento depois, você acha que é fácil te ver com outras garotas? Que eu me sinto o.k? – revirei os olhos com raiva de ter começado, ele não merecia que eu falasse aquilo tudo – Deixa.

Passei a mão pelos meus cabelos, virando-me para subir pro meu quarto. Ele pegou no meu braço, tão forte que eu havia me assustado.

–Termina – foi a única coisa que ele respondeu, apertando ainda mais meu braço.

Respirei fundo, seus olhos negros agora me fitavam de volta. Eu não aguentava aquilo de novo.

–Não importa o que eu estou sentindo, porque do jeito que você é e do jeito que você me trata falta pouco pra eu superar.

Soltei sua mão do meu braço, triste e com raiva principalmente de mim mesmo.

–Se falta pouco pra você superar é porque você está sentindo algo – ele me fitou novamente, aqueles olhos negros tão sérios quanto à noite. Misteriosos e chamativos.

–Não me faz repetir, Nico.

Sua mão saiu do meu braço, indo até os meus cabelos. Meu coração bateu tão rápido que me assustou, perdendo uma passada logo em seguida. A chance de eu estar tendo um ataque cardíaco era maior do que eu estar aceitando que eu continuava o amando. Mesmo ele sendo um cafajeste maldito.

Não era nada daquilo que eu estava acostumada. Não tinha carinho, não tinha delicadeza. Ele puxou meu cabelo com força, colando meu corpo com o seu. Seus olhos negros nunca ficaram tão perto dos meus.

O beijo foi repentino e espontâneo, não pensei em nada naquele momento. Eu apenas o beijava de volta.

Não era nada doce e pegajoso do nosso namoro, mas eu sentia seu coração bater forte contra o meu corpo, e nem nos nossos momentos mais românticos eu havia sentido alguém tão apaixonado por mim.

Ele nos separou, eu estava sem ar e descabelada. Mas seus olhos negros agora faziam um pouco mais de sentido.

–Eu espero você no carro – respondeu ele entre dentes. Deu meia volta para ir embora, eu o olhava sem reação. Dei um pulo de susto quando o vi socar a parede, meus olhos arregalados. Ele foi embora depois daquilo.

Eu continuava lá, sem reação. Sem saber o que dizer e como agir, minhas pernas agora pesavam quilos de chumbo. Mas agora eu o entendia.

Porque ele me odiava tanto, porque ele não conseguia parar de me encher o saco. Ele não tinha raiva de mim, mas sim... Dele mesmo.

POV Percy

Não estava com tanta vontade assim de ir para Universidade. Na minha cabeça coisas ruins aconteceriam lá dentro, tipo eu voltar para uma sala de aula. De qualquer forma, eu estava animado com o fato de não ir com Luke e Nico. E sim todos nós juntos num carro.

Eu e Annabeth estávamos um pouco mais próximos do que o normal permitia, mas era algo como uma camaradagem de manos. Um pouco de garantia de que nem eu nem ela estávamos falando sobre aquela noite com ninguém.

Que eu ainda não conseguia me lembrar.

Não conseguia entender porque isto acontecia justamente comigo, eu nunca havia me esquecido de uma transa com Annabeth. Algumas vezes elas até voltavam para adocicar e assombrar meus sonhos.

Mas daquela vez era impressionante, a bebida havia me dado o que eu costumo chamar de “amnésia total”. Aquilo era algo fora do comum, eu nem sabia se havia ido bem.

A universidade era algo bem legal, tipo assim, medieval e ao mesmo tempo moderno.

Era difícil de explicar, eu não era tão bom em falar de arquitetura quanto Annabeth. Mas era definitivamente impressionante.

Tinha um estilo gótico, da era medieval, com aquelas árvores verdes e o campus perfeito. O edifício que parecia ir até o céu. Era tudo impressionante.

Além do mais com a quantidade de carros e pessoas entrando e saindo daquele lugar. Era até comparável com Nova York diante de tanto movimento. E eu já conseguia visualizar tantas garotas bonitas que não consegui me controlar.

Saímos do carro, Annabeth usava um vestido florido muito bonito e seus cabelos loiros que iam até a cintura estavam ondulados e claros como o sol.

Um momento de raiva bateu em mim quando eu percebi que a garota mais bonita dali estava justamente do meu lado. Olhei para o lado, revoltado.

–Vamos logo?

Annabeth deu um riso, provavelmente não entendendo meu mau humor.

–Animadão para aula, percebe-se – ela riu de novo. Levantei as duas sobrancelhas, não falando mais nada.

Luke e Thalia não ajudavam no clima estranho, os dois estavam numa coisa que era muito pior que Nico e Megan. Eles nem olhavam na cara um do outro, quer dizer... Era como se para um o outro não existisse.

De verdade, Luke era o pior de todos. Ele foi o pior de todos nós nesses meses, e agora voltar e fazer aquilo. Sinceramente, era aceitável.

Ele não tinha nem ao menos superado, para...

Congelei, assim como todos os outros. Assim que entramos no enorme prédio da universidade e nos corredores nos deparamos com a parte mais encantadora do campus.

Entre vários e vários corredores, que subiam e desciam como que inacabáveis, entre todas as salas e todos os cursos. Que pareciam infinitos, lá estava no meio do campus, a praça mais linda de todas.

Eu falava aquilo com base que de que sempre vivi e amo o Central Park.

Mas aquilo... era extremamente lindo. Alguns veteranos já passavam por ali como que se fosse normal, mas para mim, para todos nós... Era a prova de que estávamos no lugar perfeito.

Dali do nosso corredor, que era como uma mera varanda para aquele lindo parque no centro, conseguia-se observar os outros trilhões de corredores, do outro lado do prédio, a metros de distância. E no meio, como que uma arena, um gramado, estava à praça.

O único lugar não coberto do prédio, onde o que pareciam milhares de estudantes estavam sentados. Uma linda e grande fonte gorgolejava no meio da praça, árvores de pequeno porte se viam em todos os lugares, além dos outros trezentos estilos de flores.

Estudantes se sentavam e ficavam ali, ouvindo música ou quem sabe apenas conversando. Conseguia observar pessoas de todos os tipos, alguns lendo, e acredite, outros dando cambalhotas (acredito eu do curso de dança).

Ri, maravilhado, sendo seguido por Annabeth, que estava do meu lado. Nos entreolhamos, acabando por ficar na ponta do corredor, observando de longe aquela maravilha.

De repente, todo o ódio havia acabado, tudo aquilo que estávamos pensando de ruim um do outro. Nós quatro ficamos ali parados, observando a imensidão do campus e principalmente da praça ao meio.

E de repente, foi como estivéssemos novamente em Nova York, dois anos atrás, quando ficávamos horas e horas vendo a imensidão da cidade. Erámos apenas amigos, e o amor que tínhamos um pelo outro era tão puro quanto nós.

Minha expressão feliz deveria ter se fechado, porque meus pensamentos se encheram de pesar. Aquilo que tínhamos um pelo o outro, como amigos, parecia que nunca mais voltaria. Depois de tudo que aconteceu nestas férias, eu nunca mais ia amar alguém tão puramente quanto antes.

Muito menos Luke, e muito, muito menos Nico.

Estávamos quase que calejados deste sentimento, e muito mais da amizade com as garotas. Era algo que não me orgulhava, talvez no fundo da minha mente a coisa que eu mais queira é voltar a ter aquilo que tinha com Annabeth.

Mas era impossível amar do jeito que eu amava antes, eu me sentia incapaz de ter todos aqueles sentimentos novamente.

Annabeth me olhou, como que se estivesse lendo minha mente. E de repente sua expressão já não estava mais tão boa.

–Eu vou para a parte de arquitetura – ela deu uma pequena olhadela para todos nós – Depois nos encontramos.

Seus passos rápidos se confundiram com a multidão de alunos, e logo não conseguia mais a observar. Parei de ter todos aqueles pensamentos loucos e abstratos. Não era hora de ser alucinado.

Thalia pigarreou e coçou os cabelos curtos.

–Eu estava pensando aqui e realmente também tenho que ir pra minha aula inaugural – ela estava adiantada, nós sabíamos disto. Até porque ela estava na mesma sala que Nico (sim, os dois optaram por Administração) ((não me pergunte por que, eu também não sei aonde se encaixa no perfil deles)).

Luke revirou os olhos, parecia cansado até de ter ódio.

Ela se foi também, e de repente estávamos eu e Luke, como há muito não estávamos. Era interessante porque, ao mesmo tempo em que era só eu e ele, também tinha uma multidão envolta de nós.

Ele suspirou, sorrindo. Olhou para o lado, e uma rajada de vento bateu no seu cabelo louro.

–Você lê meus pensamentos não é?

Ri.

–Eu te conheço há vinte anos para saber que tem algo errado – ele concordou com a cabeça. Depois seu olhar foi até a praça, onde deu um meio sorriso.

–Vamos lá?

Notas finais
Eu volteeei, agora é pra ficaaaar! Porque aquiiii, aqui é meu lugaaar!! E aí pessoal? Gostaram? Espero que não me xinguem muito nos reviews, eu amo vocês. XOXO. E a minha surpresinha é a seguinte, já que eu fiquei a eternidade sem postar decidi fazer uma pequena maratona e assim, vou postar o próximo agora. Espero que tenham gostado da surprise, surprise. Beijos!