Notas iniciais
O que é uma nova temporada, não é?
Novos ares para os personagens, novas personalidades e novos cenários. E um novo ar para "O que eles veem em você?" eu estou muito feliz e espero que vocês também.
Boa leitura!

POV Percy

Ninguém nunca mais me veria daquele modo.

Era algo que definitivamente deveria entrar para história, eu, um terno, e o cabelo penteado. Nunca mais estas três coisas iriam se juntar novamente. Engoli em seco e cocei a bochecha, estava nervoso.

Lá fora o tempo estava bonito e ensolarado. Algo totalmente inusitado para o mês de Janeiro. Me olhei no espelho novamente. Só agora, num momento de paz, eu conseguia perceber o quanto havia mudado de alguns meses para cá. Os 17 para 18 anos sempre fora uma fase transitória para homens, mas comigo estava ficando assustador. Nem eu me reconhecia mais.

Além dos cabelos maiores do que eu precisava ter, meu queixo havia enquadrado e os meus ombros muito mais largos. Sorri de lado, eu estava muito bonito também.

Arrumei a flor no meu bolso. Pronto para entrar em cena no casamento. Mas enquanto me olhava mais uma vez no espelho ouvi a voz dócil de Megan gritar:

-Annaaabeeth!

Meu coração parou.

Por um segundo senti minhas pernas bambearam e as minhas mãos soarem, olhei para o chão. Não sabia mais o que esperar. Nunca pareci tão nervoso para encontrar alguém que eu nem sentia nada por ela mais.

Uma mão pousou em meu ombro, carinhosamente. Sorri de lado. Minha mãe estava esplendida. Atrás dela, seu namorado sorria de lado e acenava para mim, provavelmente muito feliz em saber que o ex de sua namorada estava se casando de novo.

Dona Sally pegou um lenço do além e enxugou os olhos.

-Você está tão bonito, querido... – minha mãe começou, fazendo-me revirar os olhos.

-Mãe, não sou eu que vou me casar...

-Mas está bonito como – retrucou ela. Colocou as duas mãos em meu ombro e deu um sorriso de mãe que sempre me deixava feliz – Você é o padrinho. O que está fazendo trancafiado nesta casa?

Gaguejei algumas vezes, sem saber exatamente o que dizer. Minha mãe sorriu um pouco mais maliciosa e deu um beijo na minha bochecha.

-Annabeth está muito diferente, sabia? Estes adolescentes mudam totalmente em um ano, impressionante...

-Diferente como? – franzi o cenho, curioso. Minha mãe deu de ombros.

-Não sei dizer. Apenas diferente – ela deu meia volta, mas logo voltou e sorriu pelo espelho para mim, agora muito mais evidentemente – E a família Overstreet está aí, sabia?

Sorri de volta para minha mãe. Olhando-me uma última vez e dando meia volta e saindo da casa.

A cerimônia estava esplendida, naquele lindo jardim havia cadeiras brancas e fundidas em formas de flores por todo o local. Uma grande tenda cobria a parte da cerimonia e do outro lado mesas e um palco faziam parte da festa que teria após.

Cumprimentei a maioria das pessoas que estavam esperando o casamento começar, até porque conhecia grande parte do pessoal. Varri meu olhar pelo local, até que achei uma morena de maquiagem pesada que sorriu e acenou para mim.

Acenei de volta para Thalia e andei em sua direção, quando ela se virou consegui ver quem estava conversando com ela (e com todos os outros que ali também estavam).

Minha mãe não poderia ser mais apropriada ao comentar que Annabeth estava “diferente”. Provavelmente eu não a qualificaria de outra forma.

Ela havia crescido alguns bons centímetros, e isto não era apenas por causa do salto. Pelo vestido colado eu já conseguia ver quadris mais largos e pernas mais delineadas. Mas o que mais me saltou aos olhos foi o seu rosto. Ele estava muito diferente.

A antiga bronzeada Annabeth Chase agora era uma pálida e branquíssima Annabeth Chase, uma maquiagem tão pesada quanto à de Thalia contrastava com seus olhos cinza e seus lábios carnudos estavam num batom escuro entre o preto e o marrom, era distinto e bonito. Seus antigos cachos loiros haviam sumido para o lugar de um escorrido e repicado cabelo, que ia até sua cintura. Seu queixo estava mais fino e seus braços também.

Numa mão ela segurava uma taça de champanhe e na outra um cigarro. Ela não parecia drogada, na realidade aparentava estar muito saudável.

-Bom dia, Senhoras e Senhores – entoei. Vi que os olhos cinza de Annabeth se arregalaram. Talvez pelo o meu tom de voz (que me vinha assustando pela rouquidão) ou simplesmente porque eu sou muito bonito mesmo.

-Percyito – gritou Megan animada, dando um beijo na minha bochecha. Atrás dela vi que Annabeth revirou os olhos. Franzi as sobrancelhas – Como você está bonito. Uau.

Sorri galanteador.

-Obrigada. Você também está linda – virei meu rosto para Annabeth num gesto indiferente. Peguei uma taça de champanhe que passava pelo garçom – Chase.

-Jackson — ela levantou sua taça, fazendo com que eu levantasse a minha também. Sua voz estava mais rouca que o normal, talvez causa dos hormônios, ou pelo cigarro. Eu não sabia dizer. O que importa é que foi perceptível sua ignorância e até ironia ao me cumprimentar.

Uma conversa fluiu entre nós e percebi que de cinco em cinco segundos Annabeth revirava os olhos, como se não aguentasse estar entre nós. Sua forma de agir estava começando a me irritar. Desde quando ela se achava tão superior?

Varri meus olhos novamente pelo local, atrás de uma tal Overstreet. E sorri de lado quando achei quem queria.

-Eu tenho que cumprimentar alguém – disse fazendo todos olharem para mim. Fui andando até o cantil e peguei uma rosa já quase caída no chão. Coloquei minha cabeça em seu ombro e sussurrei:

-Esta rosa é pra você.

Calypso se virou para mim, sorrindo. Estava mais bonita do que nunca, pegou a rosa com cuidado, mas suspirou, cansativamente.

-Percy...

-Não fala nada, só aceita – a cortei rapidamente. Ela mordeu o lábio inferior e olhou novamente para mim.

-Você sabe que...

-Sim. Eu sei. Você está indo para Londres e não me quer mais. Mas eu não consigo resistir – passei as mãos pelos cabelos – Desde as férias de verão eu não paro de pensar em você, nós não podemos quem sabe... Ficar juntos até você ir para lá?

Ela suspirou.

-Eu acho melhor não.

-Porque não? Eu sei que você gosta de passar um tempo comigo, e eu adoro ficar com você. Eu me sinto acomodado ao seu lado – ela sorriu de lado – Me sinto em casa.

-Você gosta de cair nas relações de cabeça e eu não posso te propor isto. Vai te fazer sofrer muito.

-Só por este tempo. Eu sei que daqui a duas semanas você está indo embora, mas eu vou ir para Londres para ficar com você.

-Não vai não.

-Talvez não, mas eu quero passar este tempo com você — vi um mínimo sorriso crescer em seus lábios. Ela beijou o canto da minha boca rapidamente.

-Eu te ligo — sorri também, pronto para responder. Mas ela logo fechou a expressão e me deu um tapa no braço – Eu soube que você vem ficando com todas as garotas do seu colégio. Al-ter-na-da-mente.

Suspirei. Porque fofocas correm tão rápido pela cidade?

-Não de todo o colégio, mas sim de todas as lideres de torcida... – ela me deu outro tapa, porém segurei seu pulso e puxei seu corpo contra o meu, sorrindo maliciosamente – E você não passa dos selinhos comigo desde Agosto. Está me dizendo que não ficou com ninguém neste meio tempo?

-Não, bem... Não exatamente – dei um selinho em seus lábios.

-Eu quero o RG dele – sussurrei em seu ouvido. Ela riu.

-Você não vai persegui-lo...

Ia beija-la novamente quando ouvi um pigarro atrás de mim. Virei e vi que Annabeth nos olhava com a pior das expressões.

Eu poderia tentar falar algo, mas era praticamente impossível. Não é bem uma sorte quando sua ex-namorada te vê beijando a “arqui-inimiga” dela que se mudou para Nova York.

-Desculpa interromper, mas a família fantástica te chama – ela disse enquanto olhava indiferente para nós dois. Assenti.

-Eu já estou indo.

-Eu não to nem aí – ela respondeu dando meia volta e indo embora. Olhei para Calypso que ainda encarava Annabeth com mal olhado.

-Ela está linda – sussurrou ela com desprezo. Revirei os olhos – Muito mais do que estava ano passado.

-Eu não ligo, eu te acho muito mais – olhei para seu aspecto magro e seu nariz de princesa, seus lábios finos e os cabelos castanhos ondulados. Eu queria beija-la naquele momento. Mesmo assim apenas mandei um beijo no ar e saí correndo atrás de Annabeth, que ia a passos fortes e marcados para a casa de madeira.

-Ei, você sabe o que eles querem? – perguntei ofegante. Ela deu uma mínima olhadela para mim e aumentou o passo. Segurei em seu pulso, sentindo choques saírem da minha mão e percorrem até o fim do meu braço.

-Não faço ideia – respondeu ela apenas, puxando o braço de volta. Bufei, eu já disse que ela estava começando a me irritar? Quando chegamos à soleira da casa vimos que estavam todos juntos com um sorriso, Annabeth pôs um pé lá dentro e deu meia volta na mesma hora.

-O que você está fazendo? – sussurrei para ela enquanto a via dar uma longa tragada fora da casa.

-Fumando?

-Não. Porque você vai embora? Eles te chamaram também – ela expirou toda a fumaça, dando um sorriso cínico para mim.

-Está é uma foto em família, e eu não sou desta família mais – arregalei os olhos, sem conseguir discernir o que ela havia acabado de dizer. E acredite, eu pensei nisto por muito, muito tempo.

(...)

O que falar sobre um casamento?

É a cerimonia em que duas pessoas decidem se matrimoniar perante Deus e perante a Justiça. Robótico, não? Pelo menos o casamento de Atena não me fez lembrar nenhum destes conceitos aprendidos socialmente.

Quando a marcha nupcial tocou e num longo vestido branco e num lindo penteado Atena começou a entrar, eu olhei diretamente para meu pai e vi que ele parecia não nervoso, e sim calmo e sereno. Como se aquilo fosse algo que já deveria ter acontecido há muito tempo, algo que estava escrito em sua vida desde a maternidade.

Eu não sei dizer o que falar sobre estas coisas românticas, pois raramente consigo descrever isto com dignidade. Mas vi uma cena em que duas pessoas apaixonadas estavam juntas, independentemente da idade, e que estavam felizes naquele casamento. Foi à única coisa que importou.

Olhei para as cadeiras, Thalia parecia segurando-se para não chorar e Megan já havia caído nos prantos, Calypso, junto com os outros Overstreet, estava com os olhos encharcados e isto me fez sorrir.

Quando olhei na direção de Annabeth quase levei um susto, ela parecia um robô, impassível e sem sentimento. Olhava para tudo aquilo como se fosse algo a se suportar e não sua mãe se casando novamente.

Eu quis pegar uma bazuca e atirar em sua cabeça até todos os miolos de seu cérebro escorrerem pelo chão.

Porém, a festa havia sido muito mais interessante.

Por algum motivo que eu não sei dizer qual, Atena achou que eu, Annabeth e todos os outros deveríamos ficar juntos numa mesa, sendo adolescentes e falando coisas de adolescentes.

Tudo estava muito bom, até que Megan falou algum comentário sobre sua participação no time de vôlei para Annabeth e ela expirou a fumaça do cigarro e deu de ombros, olhando para Megan com indiferença.

-Eu não estou nem aí – ela disse saturada. Vi a expressão chateada de Megan e Thalia olhando preocupadamente para a outra morena. Meg era a pessoa que mais havia sentido a falta de Annabeth, demorou dois bons meses para ela não falar mais na loira. E quando ela chega fala que “não está nem aí”.

Thalia me olhou e fez que não com a cabeça, minhas bochechas provavelmente estavam vermelhas como tomates.

-Ninguém pediu sua sinceridade – comecei olhando para ela com os olhos faiscando de raiva, ela arregalou os olhos – Você só foi chamada para o casamento porque é filha da noiva e tinha que prestigiar sua mãe. Eu não quero saber do quanto você não nos aguenta ou o quanto tá a fim de ir ali para o lado fumar, a única coisa que você tem que fazer é fingir interesse e fingir que gosta da gente porque estamos te aturando com esta pose de maioral tem duas horas. Então vê se pega esta sua superioridade e enfia no seu cu porque a única pessoa que tem obrigação de aturar sua malvadeza é você – vi que tinha me levantado e muitas pessoas olhavam para mim. Meus olhos faiscavam e meu rosto estava muito perto do de Annabeth. Porém eu quase quis esgana-la quando vi um sorriso aparecendo em seus lábios, irônico.

Empurrei minha cadeira e fui a passos pesados para fora, precisava de um ar.

(...)

Olhei para o espelho tentando entender como aquela gravata funcionava. Decidi continuar deixando-a daquele mesmo estilo solta e fui andando de dois em dois passos pela escada, parei bruscamente quando vi gritos da cozinha.

-Ah, mas aquela garotinha vai se ver comigo! Quem aquela merdinha acha que é? Hein? Ela acha que é uma adulta? Que pode cuidar do umbigo dela sozinha? Ela tem que crescer muito ainda! Muito! – arqueei uma sobrancelha e desci o próximo degrau pisando forte, deixando claro que estava ali.

Fui até a cozinha e me sentei à frente do meu pai, tentando trocar algum olhar com ele. Ele me olhou significativamente, como se falasse: “Fica quieto”. Entendi a deixa.

-Isto não vai ficar assim não! Poseidon, eu quero seu advogado emprestado, esta menina tem que estar nesta casa em menos de uma semana. Porque ela só faz 18 em Maio, e até lá ela é responsabilidade dos pais, ou da mãe – olhei para o meu pai sem entender nada vezes nada. Ele bebeu um gole de suco e coçou a testa.

-Você tem que entender o lado dela. Ontem você ficou em estado de choque por horas, imagina como ela está... – Atena fez que não com o dedo indicador. O que estava acontecendo?

-Cinco meses, Poseidon! Cinco meses e ninguém me conta nada! – ela parecia em ponto de desespero – As tias dela consentiram, todos consentiram! Eu não posso admitir algo como isto. Ela é inacreditável.

Atena se sentou colocando as mãos nos olhos, eu estava mais confuso que cego em tiroteio.

-Percy... – meu pai começou, depois pigarreou – Annabeth... Ela bem... O pai dela sofreu um acidente de carro cinco meses atrás. Algo sério. Ele estava em coma nestes últimos cinco meses e bem...

Ele não precisava continuar. Eu já sabia: Frederick havia morrido.

Eu quase me senti mal por ter gritado com Annabeth, mesmo assim tinha a consciência limpa que eu não sabia de nada e que ela estava extremamente chata. Olhei para os dois e finalmente entendi o que estava acontecendo. Ah não...

-Vocês não estão pensando em...

-O mais rápido possível – me cortou Atena – Ela vai ter que me aguentar nestes últimos quatro meses de menoridade. Vai voltar a ter uma mãe.

Engasguei meu leite e meu quiche de frango e tudo o que tinha na minha boca. Annabeth estava voltando, definitivamente? E para morar na minha casa?

Ah não...

Notas finais
Algo que pode ter ficado nas entrelinhas: Calypso é aquela mesma garota de Los Angeles que foi estuprada e fez as garotas serem expulsas. Pois é.
Espero que vocês continuem acompanhando a fic nesta segunda temporada, até porque eu adoro os leitores que tenho desde a primeira e fico na torcida para que continuem lendo até aqui.
Deixem seus reviews.
Beijos e até o próximo!