O Que Eles Veem Em Você? 2
22 Novas tatuagens e antigas cicatrizes.
Notas iniciais
Aquilo surpreendentemente não superava as expectativas de ninguém.
Depois de horas apenas para poderem escolher seus quartos os seis jovens conseguiram finalmente se reunir na sala cheia de caixas de papelão.
Percy sempre olhava pelo menos pelo rabo do olho para Annabeth. Ela parecia muito diferente mais uma vez, e na realidade Perseu não tinha mais paciência para as mudanças constantes de personalidade de Annabeth.
Ela estava no canto, afastada, fazendo algum tipo de meditação que ninguém entendia. Todos olhavam para ela, que recitava um “auhnnnn” enquanto fazia a meditação para acalmar os ânimos e os ânimos da casa.
Todos estavam muito ocupados brigando para ouvir sua explicação para quê servia aquela tal loucura.
Luke, depois de alguns minutos observando a garota em transe, balançou a cabeça e gesticulou para as garotas num óbvio “o que porra esta menina está fazendo?”.
Megan coçou o antebraço.
–Desde que ela foi pra Índia conhecer os monges lá, bem… Ela sentiu uma forte ligação com a meditação e a cultura da Índia e agora é uma pessoa muito mais calma e relaxada e bem consigo mesmo.
–Pelo menos é o que ela diz — Thalia completou, ainda olhando para a amiga em transe.
Nico estava num canto oposto, encostado na parede.
–Seria interessante se ela aderisse a toda a cultura da índia — ele deu uma pequena risada maliciosa — Inclusive o Kama Sutra.
Os outros garotos deram uma risadinha, numa explícita piada interna. Annabeth fez um gesto com as duas mãos e depois abriu os olhos, que para a estranheza de Percy, estavam límpidos quase que como num azul.
–Vejo que agora vocês estão quietos — ela disse num tom calmo e relaxado. Quase fez Luke gargalhar — Agora podemos discutir o que está acontecendo.
Ela se levantou e pegou seu pequeno tatame ou algo do gênero. Percy não estava muito interessado em saber.
Annabeth prendeu seus longos cabelos que iam até a sua cintura num grande coque alto.
–Daqui a alguns dias vai começar o calendário universitário, então é óbvio que vamos ter que morar juntos por um tempo, é impossível arranjar uma moradia nova aqui tão rápido. E eu também acredito que ninguém quer sair dessa casa maravilhosa.
Os garotos estavam calados e prestavam a total atenção em Annabeth, nada de piadinhas, socos ou brincadeiras, Thalia reparou.
O por do sol começava na cidade, o tom alaranjado entrando na casa e batendo nos olhos de todos. Seria uma bela sensação se os seis não estivessem num clima tão ruim.
–Então, eu sugiro que criemos boas regras de convivência. São a melhor forma de vocês sabem… Convivermos.
–Boas palavras, Annabeth — Megan comentou, irônica. Os garotos deram uma meia risada. Annabeth revirou os olhos.
–Então fala você.
–Pra quê? Você está indo tão bem…
–Shiu — Thalia riu, mexendo no seu telefone — Então, democracia. Ideias?
Todos ficaram num desconfortável silêncio. Annabeth aproveitou para dar uma olhada melhor na casa. Quando você chegava pela porta da frente tinha logo a visão majestosa da sala, pintada num tom bege e com o sofá vermelho, assim como a televisão e a mesinha de centro que eram igualmente vermelhas.
Isso sem contar com os vários quadros que davam um toque especial a casa.
O piso era amadeirado na casa inteira, e perto da parede tinha as escadas de madeira em caracóis que iam para os outros dois andares.
Um grande balcão de madeira era o que separava a cozinha da sala, o balcão tinha vários bancos igualmente vermelhos. E lá dentro do que parecia um grande quadrado (também conhecido como cozinha), tinha uma geladeira vermelha e os armários pretos. O fogão cooktop deixava tudo muito mais moderno. Annabeth não sabia como, mas até o microondas era vermelho.
–Sujou, limpou. Isto é o mais essencial — começou Megan — Todos nós temos que ajudar na faxina e cuidar da casa. Outra coisa, eu já percebi que todo mundo aqui tem um carro, e que a garagem cabe todos os seis carros. Então, para não pagar uma fortuna na conta da água e para sermos amigos da natureza em algum momento da nossa vida, sugiro que todos nós lavemos o carro no mesmo dia. Eu não quero minha mãe enchendo o saco porque eu pedi mais dinheiro.
Todos concordaram. Annabeth parou por um momento.
–Espera, vocês estão sendo sustentados pelos pais? — ela comentou com um meio sorriso. Todos olharam para ela sérios, como se ela estivesse falando algo muito óbvio — Só eu que não estou ganhando nada desde que saí de casa?
Luke pegou seu telefone, agora já muito entediado com aquela conversa.
–Annabeth, você devia pedir para sua mãe te dar logo um cartão de débito. Daqui a pouco vai começar o ano.
Annabeth parou por um momento.
–Não! Eu não vou pedir dinheiro pra minha mãe, cara… Vocês não vão tentar sei lá, um emprego por aqui? — ela olhou para todos, esperando um “Claro, meus pais me bancarem é totalmente temporário” mas nada saiu.
–Vocês são muito mimados — decretou ela. Percy cruzou os braços, dando um meio sorriso.
–Ok, Srta.Independente, quem pagou sua viagem mundial para todos os lugares super cults que você foi?
Annabeth deu um sorriso amarelo.
–Foi um presente.
–Isso aqui é como se fosse um “presente” também, tudo bem?
Todos pararam por um momento, sem saber aonde toda aquela conversa iria ser levada.
–Você está falando que eu estou errada?
–Eu estou falando que você não pode nos julgar, já que você faz isto nos últimos quatro anos da sua adolescência.
Annabeth parou por um segundo, parecia refletir.
–Você está certo — foi a única coisa que ela respondeu — Mais alguma regra?
Percy arqueou uma sobrancelha. Sem discussão até o fim? Sem a falta de aceitação de seu erro? Sem gritar e ficar com raiva? Fácil, daquele jeito? Quem era aquela garota doida da Índia e o que ela tinha feito com a Annabeth original?
–Vamos dividir as compras em grupos, vai ser muito mais prático e fácil para administrar as coisas. Além do mais, seis pessoas para fazerem uma compra é muita coisa e uma pessoa para fazer a compra de seis é pouca.
–Boa sugestão, Nico — Annabeth respondeu, sorrindo um pouco para ele. Surpreendentemente, ele sorriu de volta.
–Cada um limpa seu próprio quarto, eu não vou ficar catando cueca de marmanjo nenhum — Thalia comentou, levantando-se. Todos riram.
Ela foi o começo de toda aquela dispersão. Por fim, nada havia sido realmente dito, apenas esclarecido.
Annabeth tinha acabado de arrumar seu quarto algumas horas depois, estava à noite e as estrelas daquela cidade realmente apareciam. Ao contrário de Nova York, por exemplo.
Ela abriu sua última caixa de papelão, intitulada de “lembranças da minha viagem” e nela continha as lembranças da viagem mais esclarecedora da sua vida.
Alguém havia batido na porta, e falou “toc, toc”. Annabeth deu um meio sorriso, já sabendo quem era.
–Pode entrar, Percy.
Ela levantou um pouco o olhar para ele, o moreno continuava com o seu típico boné preto virado para trás. Os seus jeans eram os mesmos rasgados e a blusa cinza continuava mostrando os músculos maravilhosos de seus braços.
Ele se sentou ao seu lado no chão amadeirado.
–Oi — ele falou, dando um meio sorriso — Eu vim aqui saber da sua viagem, eu sei que essas coisas podem mudar uma vida.
–E me mudou — Annabeth disse, abriu a caixa de papelão com uma pequena faca — Totalmente.
Ele sorriu, assentindo. Ela estava novamente aberta e sorridente, assim como era antes daquela bagunça toda com a morte do seu pai. Só que aquela Annabeth… Ele não sabia. Parecia ser ainda mais apaixonante, com aquele mistério e rebeldia que sobraram da sua Annabeth louca do último ano, e com aquele sorriso e participação em grupo da Annabeth que ele havia conhecido primeiro. E tudo isto com uma calmaria e tranquilidade desta nova Annabeth que ele não sabia mais o que pensar.
Ela era uma garota em constante mudança, mas quem não está em constante mudança? Ele não era mais nada daquilo que havia se apresentado no último ano. Na realidade, tinha um pouco de vergonha do que foi no último ano.
Todo tímido e sem confiança, certinho e filhinho do papai. Ridículo.
–Eu tenho algumas coisas aqui, você quer ver? — ela perguntou, sorrindo serenamente. Ele assentiu, olhando de volta para ela.
Primeiramente ela pegou um cachecol verde musgo.
–Comprei em Londres, estava muito frio e eu pensei que ia morrer. Esse cachecol foi a minha salvação.
Percy deu um meio sorriso, observando ela mexendo em todas aquelas coisas com um brilho diferente nos olhos.
–Esta aqui foi uma estátua que eu comprei perto das pirâmides do Egito. Representa o Deus Anúbis, ele é o guiador das almas após a morte. Enfim, eu gostei da história.
Ela pegou as tantas fotos que tinha da sua viagem, e uma em especial chamou a atenção de Percy.
Ele a pegou quase no mesmo momento. Era o que parecia ser a foto de um quadro, e no quadro tinha uma mulher nua.
O seu corpo foi pintado do pescoço para baixo. Mas Percy o reconhecia muito bem, os seios avantajados, os mamilos rosados, a mancha amarronzada no âbdomen, muito perto da vagina, as coxas avantajadas e os pés que sempre ficavam meio contorcidos quando ela estava nervosa.
Além disto, o pequeno risco vermelho encima do seu seio esquerdo, que representava a cirurgia a laser por ter que tirar uma tatuagem um pouco… reveladora demais.
Percy deu um sorriso meio escondido e arqueou uma sobrancelha.
–Quem te pintou nua, Annabeth? — ele perguntou com o tom brincalhão. Annabeth olhou para a foto e suas bochechas se enrubesceram um pouco.
–Como você sabe que sou eu?
–Você realmente acha que eu não conheço o seu corpo? — ele mordeu o lábio inferior, daquele jeito que deixava toda garota numa perdição. Annabeth olhava em seus olhos, do jeito que sempre gostou de olhar.
–Eu não sabia que você guardou o meu corpo na sua mente deste jeito.
–Cada detalhe.
De repente os dois estavam sérios, Annabeth e ele. Percy pigarreou um pouco e pôs a foto no meio de todas aquelas outras.
–Bem, eu vim aqui com um propósito — a loira riu.
–Eu estava esperando você chegar nele.
–É, bem… Eu queria dizer que eu quero mesmo que as coisas sejam diferentes do que foi nos meses anteriores. Eu e você, nós podemos ser amigos, certo? Sem extremos, ódio ou amor. Simplesmente amigos.
Annabeth fechou a expressão, mas poucos segundos depois se recompôs.
–Claro, sim… Eu concordo com você.
Ele olhou para outra foto, ela e um moreno que mais parecia um modelo, os dois em frente a Torre Eiffel. Isso o lembrou de outra coisa.
–E sabe, sem esta pressão toda de ex namorados. Somos livres para ficarmos com quem queremos e enfim, nos divertimos. Até porque estamos agora na faculdade.
Annabeth agora tinha a expressão muito séria e não voltou a sorrir. Ela já havia entendido tudo, Percy estava com medo que ela atrapalhasse seu desejo de “pegar geral”, a ex namorada que não entende o espírito livre do homem.
–Percy, você pode fuder com quem você quiser. Eu realmente não me importo.
Ela se levantou, Percy tinha uma expressão atônita.
–Acho que você não…
–Sim, eu sim. Estamos bem Percy, eu só tenho que arrumar as minhas coisas aqui — ela deu um sorriso falso. Perseu se levantou olhando-a nos olhos. Era óbvio que ele sabia que eles não estavam bem.
–Ok — ele a beijou na bochecha, indo embora. Annabeth fechou a porta, revoltada.
Megan tirou o cabelo do rosto, entrando no quarto de Nico sorrateiramente e dando uma olhada no lugar. Ela já sabia, Annabeth já havia falado algumas vezes, Thalia falou mil vezes. “Nico não é mais nada seu”.
Ela já estava conformada, mais que conformada, ela estava superada. Mesmo que de acordo com as trilhares de revistas de fofoca que comprou assim que se separou de Nico, iria demorar a metade do tempo que ela ficou com ele para esquece-lo.
Pelas suas contas, namorou com ele por dois anos. Então o esqueceria em um ano, dali a… Nove meses.
Suspirou, nove meses morando numa casa com o seu ex-namorado e ainda sentindo coisas por ele era algo fora de cogitação, fora do normal.
Por isto ela decidiu não ser normal. Até porque Nico não estava sendo nada normal com ela. Ele estava sendo rude, mal educado, e pelo que parecia para ele Megan era uma piada.
Deu uma espiada no quarto, havia malas e algumas caixas de papelão.
Nada demais, certo?
Até que ela viu lá, encima da cama… Aquela coisinha mágica que poderia contar toda uma vida.
Ele deixou o celular encima da cama.
–Ele deixou o celular encima da cama — ela sussurrou, com seus olhos verdes brilhando de satisfação. Mais que rapidamente pegou o celular. Ela já sabia a senha de Nico, ele era óbvio: data de nascimento.
Bingo.
Seus dedos começaram a tremer, ela podia saber de tudo que aconteceu na vida dele nos últimos meses. Tudo, tudo, tudo.
Primeira coisa: whatsapp.
Suas sobrancelhas se franziram assim que ela viu os nomes. Várias garotas, algumas com nomes bem esquisitos…
“Mexicanas” pensou Megan. Era algo bem óbvio já que eles passaram as férias em Cancun.
Viu a conversa de uma destas tais mexicanas, ele falava muito pouco e elas falavam em espanhol então era impossível entender o que eles estavam conversando.
Mas ao passar pela conversa sua boca deu um O ao ver as imagens que aquela garota mandava. Ela, nua, ou seminua, fazendo coisas… Nada descentes.
Megan arregalou os olhos, indo direto para as imagens de Nico.
Tinha umas cinco ou seis garotas fazendo a mesma coisa, mandando imagens e falando coisas indecentes .
Aquelas mexicanas de Cancun eram ridículas, na opinião de Megan.
Mas ela até deu um sorrisinho, nenhuma delas era algo esplendorosamente bonitas, sim eram as “gostosas”. Mas nada muito acima de Megan.
Ela passou mais rápido pelas fotos, olhando algumas coisas normais. Eles na praia, com várias garotas, várias pessoas diferentes, e principalmente: várias garrafas de bebida.
Megan ignorou o fato que em algumas raras fotos os garotos apareciam com os olhos vermelhos: obviamente drogados.
Ela parou ao ver uma foto de uma tatuagem, e um abdômen definido. Nico obviamente havia malhado bem nestes últimos meses, seu corpo estava outra coisa. Mas será que era ele? Todos aqueles gominhos e uma tatuagem?
Megan não era o tipo de garota que namorava este tipo de garoto.
Na maioria das vezes ela namorava garotos com no mínimo cinco dígitos no banco e pelo menos uma roupa de marca no corpo.
Tatuagem não era nada seu estilo.
Ouviu passos pertíssimo do quarto.
–Já estou voltando — ouviu a voz de Nico, seus olhos se arregalaram. Ela bloqueou e jogou o celular na cama.
Viu a maçaneta virar, girou seu corpo em 180 graus, e depois em outros 180 graus e fez o que sabia fazer de melhor: se escondeu.
Dentro do guarda-roupa.
Igual uma abestada.
Queria se bater, xingar e fazer tudo de ruim que poderia ser feito consigo mesmo. Pela fresta da porta ela conseguia ver Nico andando até a cama e pegando no seu telefone.
Ele digitou alguma coisa e o jogou novamente na cama, Megan ouviu os bipes do telefone.
Nico tirou a camisa, revelando o outro corpo que a morena não estava nada acostumada a ver.
Depois tirou a calça jeans, ficando apenas de box pelo quarto.
–Hola? — ouviu uma voz feminina perguntar, Nico pegou o telefone e começou a falar algumas coisas em espanhol.
Megan percebeu que ele realmente havia feito uma tatuagem no fim do âbdomen, tatuagem esta que era meio tampada pela cueca box.
Mordeu o lábio inferior e depois se repreendeu. Não, Megan havia mudado muito nestas férias.
Havia decidido namorar sério apenas aqueles homens que ela sabia que iriam lhe fazer bem: Filhos de donos de empresas. Quem sabe, futuros donos de empresas?
Ela tinha que zelar o nome da Olympus já que nenhum dos outros cinco parecia querer zelar.
Era uma garota fina e chique, e merecia um garoto à altura.
Viu Nico saindo do quarto poucos minutos depois de acabar de trocar de roupa, Megan saiu do armário respirando fundo.
Nove meses o caramba, ela não precisava nem de uma semana para esquecer o “garoto tatuagem” que fez seu passado virar negro.
Desceu as escadas em caracol e viu que todos estavam reunidos na cozinha, discutiam algo que nem ela nem ninguém conseguiria entender.
Ela chegou mais perto, cruzando os braços e arqueando uma sobrancelha. Viu Nico olhar rapidamente para ela e depois desviar o olhar, ela não queria saber dele mais.
Talvez por causa das garotas no seu telefone, ou as drogas, ou a tatuagem. Ela não sabia o que sentia, só se sentia mal perto de Nico. Se sentia… excluída de algo.
Agora sabia a sensação horrível que Annabeth passou no último ano.
–Nós podemos por favor termos uma conversa civilizada igual fizemos hoje à tarde? — perguntou Annabeth, todos se calaram — Obrigada.
Luke pegou uma penela num dos armários.
–Macarrão é a solução para tudo, vocês sabem meus dotes culinários para a clássica macarronada. Eu já vi um supermercado aqui perto, alguém quer ir comigo comprar os ingredientes?
–Thalia está com o carro aí — Megan falou quase que automaticamente, depois se repreendeu muito ao ver todos a olhando torto. Thalia e Luke, grande ideia.
–Claro, porque não? — respondeu a punk quase que ironicamente. Luke deu um meio sorriso tão falso quanto a última frase proferida por Thalia.
Ela pegou suas chaves do Cadillac e foi andando em passos pesados até a porta da casa, deu um último olhar maldoso em direção a Megan e foi embora, com Luke atrás.
Assim que o loiro bateu a porta atrás de si Annabeth deu um peteleco na testa de Megan.
–Ai — ela falou, fechando os olhos. Percy riu.
–Não seja malvada com ela, Annabeth — comentou ele. Annabeth o ignorou, o que foi algo bem estranho ao ver de Megan.
–Acho que todos estes encontros com filhinhos de papai estão te fazendo mal. Fique quietinha quando o assunto é Thalia, ok?
Megan jogou seu cabelo para trás e depois deu um meio sorriso.
–Vocês são tão imaturos às vezes. É bom eles sentarem e conversarem, sabe? Ninguém merece um clima ruim na casa.
Agora era a vez dela de ser sarcástica, já que a única coisa que tinha naquela casa no momento era um clima ruim. Nico pegou seu celular, obviamente entediado.
Megan já sabia o que ele deveria estar fazendo lá, e aquilo a enraiveceu.
–Não é mesmo, Di Ângelo? — perguntou ela, cruzando os braços — Não é ruim quando algumas pessoas não querem cooperar?
Percy ficou estranhamente sério, como se Megan houvesse tocado num assunto que não deveria tocar. E pelo jeito o assunto era simplesmente Nico.
–Péssimo, Megan — respondeu ainda olhando para o telefone o moreno — Pior ainda quando temos que cooperar com uma menininha tão chata que nem você.
Annabeth olhou para Percy que olhou de volta para ela e os dois sabiam o que viria: briga.
Megan ajeitou sua blusa branca de quase quinhentos dólares, arrumou seu corte de cabelo tão caro quanto e respirou fundo.
–Sabe Nico, eu espero que essa sua rancorosidade não tenha acontecido por causa da nossa separação. Está sendo muito chato pra mim pensar que você ficou tão mal por causa de um fora que eu te dei. O meu conselho é: mude sua atitude, senão você nunca vai arranjar uma garota digna.
Nico olhou para ela, e estranhamente deu um sorrisinho. Parecia feliz em ver Megan finalmente mostrando as garrinhas.
–Quem disse que eu quero uma garota digna? Às vezes este tipo de garota pode ser bem sem graça sabe… Acho que você sabe bem, já que é uma delas.
Annabeth arregalou os olhos, enquanto Percy sussurrou um “ai” e deu um meio sorriso. A loira olhou para ele indignada, qual era o problema daqueles garotos?
Para estranheza de todos, Megan não ficou com os olhos ardendo para chorar ou começou a gaguejar. Ela passou a língua sobre os lábios e deu um sorriso malicioso.
–Você anda usando camisinha?
Nico parou por um segundo, sendo pego de surpresa.
–O que?
–Sabe como é, sabe uma outra coisa que putas tem e garotas dignas não? — ela parou por um momento, dando um sorrisinho — Doenças, geralmente sexualmente transmissíveis. Se eu fosse você ficava atento, até porque você pode estar com uma gonorréia agora mesmo.
Annabeth segurou o riso, assim como Percy.
–Eu até ia te dar um beijo confortador agora, mas sabe ne? Eu como garota digna não posso arriscar com estes toques — ela deu um beijo para ele no ar, indo embora com seu salto igualmente de marca para longe dali.
Annabeth cruzou os braços, ela foi embora assim como lhe foi ensinado: sem palavrões, sem ignorância, sem ser baixa e com muita elegância.
Mas o que mais impressionou Annabeth foi a reação de Nico, além das bochechas vermelhas de vergonha, ele estava com um sorriso bobo no rosto, como se Megan acabasse de ter lhe falado que o amava.
–Ela está diferente — comentou ele, indo embora logo em seguida. Annabeth decidiu não falar nada.
Olhou para Percy que tinha um sorriso malicioso enquanto digitava algo no telefone e resmungou, indo embora e querendo logo aquela maldita macarronada.
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