O Que Eles Veem Em Você? 2
12 A ruiva.
Notas iniciais
Percy saiu andando em passos rápidos, daqueles que você quer correr mas não tem coragem de fazer no meio de todo mundo. Seus olhos estavam esbugalhados e seu peito descia e subia tão freneticamente que ele não entendia como tal coisa poderia acontecer com ele.
Justamente quando as coisas pareciam começar a se ajeitar com Annabeth, simplesmente chega esta bomba cheia de sardas e cabelo ruivo para deixa-lo ainda mais confuso.
Ele abriu a porta para uma sala qualquer, e quando ligou a luz quase bateu a cabeça contra a parede, era a mesma sala que um dia ele havia transado com Annabeth, no escuro mesmo. E no meio da aula mesmo.
Tudo isto para confundi-lo ainda mais.
Talvez ele fosse covarde, talvez ele não fosse homem de verdade para bater de frente com seus problemas. Mas ao ver Rachel naquele refeitório, depois de tantos anos, ele simplesmente baqueou. De uma forma extraordinariamente sob humana ele se sentiu fraco.
Arrastou suas costas pela porta, fechando os olhos e pensando: “Cara, meu azar não tem preço”. E ficou ali por algum tempo, ele nem sabia qual. Pensando em várias coisas ao mesmo tempo.
Decidiu parar de pensar e começar a agir. Pensou o quão feminino parecia ali sentado, pensando na ex-namorada com os olhos vidrados no chão. Respirou fundo e deu dois tapas fracos no próprio rosto, para acordar.
Abriu a porta da salinha cheio de confiança quando percebeu que não havia ninguém por ali. Franziu as sobrancelhas, como não havia ninguém num corredor do colégio?
Ele decidiu não ligar, foi andando pelos corredores, ficando ainda mais curioso ao ver que todas as salas estavam vazias. Olhou no relógio do seu celular, ainda estavam no quarto horário.
Aquele estava sendo, definitivamente, um dia muito louco para a pouca sanidade mental que restava de Percy.
Foi até o estacionamento, todos os carros dos alunos continuavam ali, intactos. O moreno semicerrou os olhos enquanto ia até o seu próprio carro. Tudo parecia um vau, um vazio. Tudo estava muito estranho.
Ele acelerou seu Maserati até sua casa, sem medo de correr já que o colégio havia o deixado apavorado o suficiente por um dia. Chegou em sua casa e saiu quase correndo até a porta, abriu a chave afobado e expirou aliviado quando viu que ela continuava normal. Sem nada fora do lugar.
Ele não estava ficando louco, afinal.
Sentou no sofá da sala e pôs as mãos no rosto enquanto pensava. Rachel havia voltado. Sua Rachel, a Rachel de seus 14 anos, que parecia ter vivido com ele há séculos atrás e não apenas quatro anos.
Estava tudo tão louco. Annabeth de volta, Rachel de volta. Era como se ele estivesse revivendo seus amores mais ocultos de uma vez só, da maneira mais horrenda possível. Porque eram as duas juntas.
Deu uma olhada no relógio. Eles estavam no último horário, seja lá onde estavam. Percy sorriu sacana do seu próprio azar, subindo as escadas lentamente até a sua cama. Era tudo uma grande palhaçada, só podia.
(...)
–Sai daqui seu mongol! Eu quero sentar, idiota mental – Clarisse empurrou uma ou duas pessoas que estavam na sua frente e se sentou na arquibancada, um pouco afobada. Olhou lá longe, para a esquerda. Rachel parecia muito feliz com toda aquela atenção dos veteranos que só faltavam ajoelhar a sua frente.
Todos estavam no ginásio, o colégio inteiro. Depois de serem chamados pela diretora, eles ficaram aliviados de não terem o péssimo último horário de uma segunda feira. Ela rodou o local, tentando encontrar Percy, que parecia ter tomado chá de sumiço desde o almoço. Ou como Clarisse estava intitulando “o horrível momento que a praga ruiva decidiu aparecer”.
Era óbvio que ela e Perseu já desconfiavam daquilo desde aqueles e-mails esquisitos para Clarisse e até para Annabeth um ano antes. Rachel já estava dando pistas de sua chegada. Mas chegar de verdade? Com tudo? Uau, aquilo era outra coisa.
Olhou para cima. Luke parecia assustado enquanto olhava para Rachel, os olhos azuis dele estavam arregalados desde a hora do almoço. Ao seu lado, Nico estava com os olhos semicerrados e desconfiados, como se esperasse um próximo passo.
O mais esquisito para Clarisse era definitivamente Annabeth, ela continuava indiferente. Sem expressar nada, sem falar nada. Não era mais aquela garota que conheceu um ano antes, aquela que brigava e brigava e não deixava nenhum assunto pendente. Aquela que não tinha falsidades.
Esta Annabeth era totalmente diferente. Ela ficava calada, e preferia o silêncio a briga. Parecia mais perigosa, mais malvada e mais inteligente do que a “outra” Annabeth. Era óbvio que Annabeth já sabia disto há muito tempo, desde aqueles e-mails esquisitos. Rachel estaria de volta uma hora ou outra. Eles querendo ou não.
Todos estavam sentados enfim, a diretora nova e fascista bateu no microfone, com aquela cara séria que faziam todos os alunos se intimidarem. Chris veio correndo e empurrou um garoto para ficar ao lado de Clarisse.
–Que merda está acontecendo com este colégio hoje? – perguntou Chris abafado.
–Eu juro que não sei.
Clarisse olhou com nojo para aquela diretora horrorosa, que só faltava ter uma roupa da infantaria para completar sua personalidade hitleriana. A saia branca que ia até o meio dos joelhos e a blusa de gola alta eram o look do dia, e também de todos os outros dias da vida daquela mulher. O batom mal passado estava borrado em seus dentes.
–Olá, meus queridos alunos – era uma palhaçada. “Queridos” estava mais para “soldados” – Estou aqui convocando-os para dar um anuncio sobre os jogos esportivos e campeonatos do ano que começarão daqui a algumas semanas.
Todos continuavam calados, nada de murmurinhos como acontecia no ano anterior e em todos os colégios do mundo. Aquilo era um quartel general, praticamente.
–Primeiramente queríamos fazer alguns reconhecimentos de atletas que se destacaram neste ano — a diretora começou a ler um papel – Começaremos pelo Lacross e o Futebol Americano. Os senhores Diego Wells e Augusto Lyon podem vir receber o prêmio de destaque no ano nas modalidades.
Todos bateram palmas. Clarisse encostou as costas na arquibancada, aquilo seria uma merda e uma chatice. Sem dúvidas. A diretora continuou seu “lindo” discurso de como o esporte é importante para o colégio e bla bla bla. Clarisse queria saber que dia ela iria fazer algo do tipo para a imprensa, que faz o favor de pôr o colégio dela como o melhor de Nova York.
–Continuaremos então com o destaque do colégio, que óbvio é de um aluno do sênior year – a diretora olhou para todos, fazendo um suspense ou sei lá o quê – Perseu Jackson.
Um silêncio. A partir daquele momento Clarisse começou a escrever a matéria.
–Perseu? – a diretora chamou ao ver que não havia ninguém.
“E nesta segunda feira, nosso colégio foi presenteado com maravilhosas surpresas. Como, por exemplo, a lindíssima e ridícula Rachel Dare que decidiu dar a honra de sua presença com sua língua pérfida e seu corpo magro que parece um graveto. Rachel “Elizabeth- Graveto-Dare” está de volta, com tudo. E os últimos quatro meses escolares definitivamente serão infernais, sobre a premiação? Percy ganhou, como todos já esperavam. Fim”.
Era óbvio que Clarisse não iria colocar nada daquilo no jornal, por mais que quisesse. Ela estava ali apenas para que os professores percebessem que ela estava fazendo seu papel de imprensa.
Rachel, que já estava envolta de líderes de torcida e jogadores de futebol americano veteranos, se levantou e foi até a frente.
–Eu recebo o prêmio para ele e o entrego – anunciou ela alto, depois deu um sorrisinho de lado – Somos muito íntimos.
Clarisse quis pegar seu caderno de anotação e jogar encima da cabeça dela, Chris colocou uma mão em seu braço, e só então ela percebeu que estava quase se levantando, suas mãos fechadas em punho.
Luke e Nico se entreolharam, decidindo qual pegaria o prêmio. Por fim, a última pessoa que todos imaginavam se levantar, levantou.
–Eu sou a irmã dele – anunciou Annabeth, descendo a arquibancada – Duvido que qualquer outra pessoa aqui seja tão próxima dele quanto eu.
Ela deu uma olhadela para Rachel, que estava com os olhos semicerrados e a boca torta. Clarisse não pode deixar de dar um sorriso, ela não sabia se Annabeth havia feito de propósito, mas ao falar “duvido que qualquer outra pessoa aqui seja tão próxima dele quanto eu” ela deu uma indireta de talvez ser muito mais importante para Percy do que Rachel era.
Ela pegou o prêmio das mãos da diretora, que parecia um pouco confusa. Todos bateram pequenas palmas pois não sabiam se deveriam.
Depois de toda aquela enrolação e tudo o mais, a diretora começou a anunciar os novos atletas nas modalidades. Que na realidade não eram lá novos atletas porque quase não havia novos alunos no colégio.
–Queremos prestigiar nossa equipe de futebol por duas alunas. Isto mesmo, duas alunas novatas na modalidade – a diretora sorriu, seu dente sujo de batom dando muito nojo nas garotinhas metidas lá encima – Annabeth Chase e Rachel Elizabeth Dare.
As duas garotas se entreolharam, sem entender exatamente por que o nome de uma estava junto com da outra. O interessante é que elas ainda nem se conhecia. Algo esquisito mesmo era como Rachel já parecia sustentar um ódio por Annabeth. Algo nunca visto antes.
Megan parecia assustada. Desde quando Annabeth jogava futebol? Futebol de campo? A loira e a ruiva foram até o começo da quadra. Todos bateram palmas e elas receberam o uniforme do time.
As duas se entreolharam meio discretamente, sustentando um ódio no olhar.
Clarisse pôs a mão no queixo e pela primeira vez sorriu, ela poderia estar assustada com a volta de Rachel (mesmo já tendo a desconfiança que ela estava por perto). Mas Percy? Com toda certeza ele estava bem pior.
Quando toda aquela inutilidade acabou, Clarisse foi uma das últimas a sair. A merda de ser da imprensa escolar é que os “astros” na maioria das vezes são um bando de babacas. As entrevistas são ridículas e muito sem graças. Mesmo assim Clarisse ficou ali, fazendo seu trabalho.
E quando estava saindo com Chris, sentiu uma mão gelada em seu ombro. Destas que te fazem estremecer.
–Clarisse querida! – Rachel gritou dando um sorriso. Depois um abraço apertado – Você está ótima! Quanto tempo...
A morena arqueou a sobrancelha, desconfiada.
–Feliz, hã? – Clarisse trocou seu caderno de mão – Conseguiu voltar para seu quintal pessoal.
Foi a vez de Rachel arquear a sobrancelha, deu uma olhada para Chris que acenou de volta, fazendo Clarisse cotovelar sua barriga.
–Por favor Clarisse. Você ainda sustenta ódio daquela baboseira toda? Eu vou te contar a verdade, esta coisa de fazer mal as pessoas e pisar nelas, isto é coisa de garotinhas de 13, 14 anos. Que era o que eu era quando fiz tudo aquilo. Eu rodei o mundo todo e aprendi que a vida é muito mais do que ser popular. Por mais que eu não abra mão disto por nada neste mundo.
Clarisse olhou para ela desconfiada, e depois deu um sorriso.
–Ahã, e porque você estava mandando aqueles e-mails para mim? Falando sobre o Percy e tudo o mais. Isto me parece atitude de uma garotinha de 14 anos, por mais que você já tenha 18 não é?
Rachel olhou para todos os lados, seu olhar parou no fim do ginásio, onde Annabeth saía sozinha. Ela pôs seus cabelos grandes e ruivos alisados para trás. Um sorriso malévolo surgiu em seu rosto. Bingo! Foi o que Clarisse pensou. A ruiva chegou extremamente perto da morena, seus lábios a poucos centímetros de distância.
–O Percy é um assunto diferente – disse ela baixinho – Foi por isto que eu voltei, por ele. E se você acha isto malvado eu não posso fazer nada. Aquela garotinha, Annabeth... Eu fiquei um pouco de olho nela no ano passado, quando estava com o meu namorado, para mim ela é uma bobinha que pode ser tirada do caminho bem rápido. Por mais que ela já tenha si tirado do caminho, não é mesmo?
Clarisse sorriu. A outra Annabeth podia ser um pouco boba, mas esta? Todos tremiam com seu olhar. Mesmo assim, a morena decidiu não falar nada. Sorriu para Rachel e pôs a mão em seu ombro, agora se sentindo muito melhor.
–Se a única coisa que você quer por aqui é o Percy, então fico feliz pela sua volta. Até porque eu acho meio difícil você voltar com ele – ela deu meia volta para ir embora, mas então voltou – Ele não é o babaquinha de antes, Rachel. E não vai gostar nenhum pouco de ouvir você o chamando de namorado por aí.
–Mas é o que somos. Não terminamos na última vez que nos encontramos.
Clarisse arqueou as duas sobrancelhas. Mas foi embora, um pouco aliviada. Rachel era problema exclusivo de Percy.
(...)
Annabeth acabou de calçar suas chuteiras, pondo seu cabelo num rabo de cavalo alto, ela estava no vestiário quando viu esvoaçantes cabelos ruivos entrarem pela porta como num raio. Cheia de garotas atrás dela.
–Você não vai voltar para a torcida mesmo? – Drew cruzou os braços – Vai ficar cheia de grama e lama naquele campo de futebol? Sério mesmo?
Rachel suspirou e voltou a olhar para ela.
–Drew querida, eu já te disse trilhões de vezes que não voltarei para a torcida. Esta coisa de ficar se rebaixando para os jogadores de basquete é ridículo. Agora, se você parar de se preocupar com o tanto de grama que eu vou ter e refazer a sua californiana que está com a raiz ridícula, eu ficaria feliz.
Annabeth sorriu, Drew olhou para as outras garotas com as bochechas vermelhas e fez um sinal para elas irem embora, a morena (com mechas louras) olhou para Rachel por um momento, calada.
–Você está esquisita, Rachel – ela disse apenas. Indo embora em seguida com sua saia de líder de torcida mostrando parte de sua bunda. A ruiva bufou e se virou, pelo espelho ela e Annabeth se entreolharam.
Rachel pegou sua bolsa com os seus pertences e chegou perto de Annabeth no espelho, sorrindo tão falsamente que quase doeu a cabeça da loira ao ver.
–Então agora você é irmãzinha do Percy? – perguntou a ruiva.
–Como você conseguiu minhas fotos do meu tempo de drogada? – perguntou Annabeth, ignorando a pergunta de Rachel. Ela deu de ombros.
–Eu tenho meus contatos em qualquer lugar, principalmente por aqui nos Estados Unidos – Rachel deu um sorrisinho – Acho que você sabe que eu e Percy já fomos namorados, não é?
–Um lindo casal, sem dúvidas – o cinismo de Annabeth era apalpável.
–Eu e ele realmente temos uma química — a ruiva chegou mais perto da loira – Você não tem ciúmes do seu irmão, não é? A ponto dele namorar alguma garota ou coisa do tipo.
–Com certeza não, tenho certeza que ele sabe quem deve namorar – Annabeth deu um sorriso cínico.
–Você sabe não é? O passado, você e dele... Ele só tem 18 anos, se esquece rápido destas coisas insignificantes. Espero que você tenha feito o mesmo.
–Com toda a certeza ele se esquece rápido de coisas do passado, imagina só coisas que aconteceram a quatro anos atrás? – Annabeth deu um grande sorriso e a expressão de Rachel se fechou – Não se esqueça que o tempo urge, Rachel... E agora que você está no time de futebol, não se esqueça de passar um protetor fator 70. Eu não consigo ver sua pele com tantas sardas, e nem todas as sardas são sexys.
Annabeth deu uma piscadela e foi embora, deixando uma Rachel ainda mais enraivecida para trás.
(...)
Percy ouviu a porta de casa sendo batida e sabia que Annabeth havia chegado. Ele já havia tirado o uniforme, colocando uma blusa branca e suas calças de moletom e acabava suas tarefas de casa.
–Eu já fiz um lanche mas está frio, vai ter que pôr no micro-ondas – comentou ele, ainda concentrado nas suas atividades de casa. Annabeth jogou sua mochila no sofá.
–Onde você se meteu? Sabia que teve uma premiação lá no ginásio? O colégio todo estava lá e você ganhou como destaque – Percy pela primeira vez deu uma olhada em Annabeth e entortou a cara. Ela estava suada e com grama por todo o corpo. Ele entortou a boca.
–Onde você se meteu? Está toda suja – ele apontou a lapiseira para o corpo dela. Annabeth revirou os olhos.
–Não importa, parabéns, continue assim, bla bla bla – ela entregou o troféu para ele. Percy olhou para o troféu e murmurou um “obrigado”. Ele sempre gostava de ganhar troféus e premiações e tudo o mais.
Quase se arrependeu de ter ido embora do colégio.
Annabeth, algum tempo depois, estava com uma montanha de comida no prato, comendo praticamente igual a um animal. Percy parou de estudar e deu uma olhada nela. O cabelo cheio de frizz e o cheiro de suor, um pouco de lama no seu corpo e também a fome descomunal. Percy conhecia aquilo como ninguém, pois ficava exatamente daquele jeito depois dos seus treinos. Ele arqueou a sobrancelha.
–Você andou praticando algum esporte, Annabeth? – perguntou ele. A loira limpou a boca com a mão e olhou para ele.
–Não, porque você acha isto? – a boca dela estava cheia de comida. Percy fez uma careta.
–Nada, só curiosidade.
No fim, Annabeth foi embora e Percy continuou estudando. Ele subiu a escadaria da mansão ainda com alguns cadernos na mão, distraído com sua matéria de física. Foi quando ele se esbarrou com tanta força que acabou caindo no chão.
Depois de um pouco de tontura ele viu o corredor com vários pingos de água no chão. Seu olhar se levantou e saiu das pernas douradas até o rosto severo de Annabeth, seu corpo enrolado numa toalha branca.
–Você devia olhar para onde anda – avisou ela severa, puxando a toalha um pouco para cima – Da próxima vez deveria cair da escada de uma vez.
Percy se levantou de uma só vez, cruzando os braços e dando um sorriso de lado.
–Você que estava andando e eu estava estudando, então você que deveria prestar atenção por onde anda.
–Mas eu estava distraída com... – ela gesticulou para trás mas parou na mesma hora – Quer saber? Foda-se. Eu não ligo para nada disto.
Ela deu meia volta, Percy a segurou pelo pulso.
–Será que você poderia não brigar comigo? Eu ficaria feliz – as sobrancelhas dele arquearam, Annabeth suspirou e desvencilhou-se dele – Às vezes você é meio esquisita, sabia?
Os olhos cinza da loira ficaram escuros, sua boca parecia um pouco torta de raiva. Percy ficou com raiva de si mesmo por ter falado aquilo na hora.
–Eu também me acho meio esquisita. Mas você poderia ficar com uma garota totalmente normal – Annabeth pôs a mão no queixo, falando sarcasticamente – Quem sabe aquela Rachel? Ela parece normal o suficiente para você?
Percy arqueou a sobrancelha e sorriu de lado, agora malicioso. Ela estava com ciúmes. Annabeth tinha dado meia volta para ir embora mas Perseu a puxou contra seu corpo, os corpos se batendo com força.
Ele conseguia sentir os seios dela pressionando-se contra o seu peitoral, a mão sem querer voou para a bunda da loira. Ela não usava calcinha. Os dois se entreolharam assustados.
Foi quando a campainha tocou. Fazendo uma Annabeth assustada desvencilhar-se do moreno e um Percy tão assustado quanto descer as escadas. Ele recolocou seus óculos, seu sangue ainda fervendo de excitação e frustração.
Abriu a porta e seus olhos se arregalaram ao ver quem estava ali.
–Rachel?
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