O Que Eles Veem Em Você? 2
2 A nova família.
Notas iniciais
Como vão vocês?
Bem, eu tenho que agradecer primeiramente aos comentários do último capítulo, fiquei super feliz por vocês continuarem a me acompanhar. E também quero agradecer as duas recomendações que eu já tive. A da Liper e a da Méèh Cristine. Muito obrigada mesmo pessoal!
Boa leitura!
POV Percy
-... E eu quero isto para semana que vem, sem falta – passei as duas mãos pelos cabelos, desarrumando-o ainda mais. Olhei para o lado, tinha uma lasca de lenha. Imaginei-me na aula de carpintaria, fazendo um bastão e batendo com ele naquela professora com a voz mais irritante que eu já ouvi na vida.
-Quanto tempo falta para eu me formar? – perguntei para Luke que estava ao meu lado, praticamente dormindo. Ele me olhou sonolento e bateu no meu braço camaradamente.
-Quatro meses e meio cara. Aguenta firme – suspirei enquanto encostava as costas na cadeira. Depois que você fica praticamente 15 anos na escola e chega tão perto da formatura certa frustração começa a se formar. Algo como: “Eu quero sair daqui logo”.
-E ainda tem esta coisa da Annabeth... – sussurrei a última parte. Muitas pessoas ali ainda conheciam e veneravam aquela loira. Luke riu.
-E qual é o problema, Jackson? É muito ruim ter uma loira gostosa morando no quarto ao seu lado? – perguntou ele rindo baixo. Revirei os olhos.
-Ela vai ser como uma irmã minha... – comecei. Porém ele arqueou as sobrancelhas deixando claro que não acreditava numa palavra que eu dizia. Porém eu tentava colocar esta ideia na minha cabeça desde o casamento de Atena e Poseidon, só quando a visse iria saber se tinha conseguido ou não digerir tudo isto.
Luke riu e ouvimos o sinal bater. Saí da sala o mais rápido possível e fui direto para a última porta do colégio, parei bruscamente quando cheguei ao estacionamento e vi o carro preto que conhecia muito bem e uma loira buzinando para eu entrar.
Grupos de estudos comprovam que a probabilidade estatística da sua madrasta chegar ao seu colégio com um sorriso sinistro e lhe dar uma boa noticia é praticamente uma em cada dez mil.
Foi com este pensamento na cabeça que andei em passos lentos e desconfiados até o carro de Atena, esta que me esperava com grande paciência. O que também não era um bom indício já que até hoje de manhã ela estava soltando fogo pela boca.
-Percyinho – ela chamou. Olhei para os lados, certificando-me que tinha testemunhas caso algo de muito ruim acontecesse comigo. Depois entrei no banco de passageiro olhando-a pelo canto dos olhos – Acho que seria legal eu e você darmos uma saída e conversar. Como uma família.
-Acho que isto não é muito necessário – disse sem pensar – Nós dois já nos tratamos como uma família.
-Mas acho que precisamos de uma conversa extra – retrucou Atena – Agora que eu e seu pai estamos casados, as coisas podem estar meio confusas para você.
Ela ia um pouco rápido demais pelas ruas em Nova York, eu estava começando a achar que não foi uma boa ideia entrar naquele carro.
-Na realidade eu estou aceitando tudo muito bem – respondi com um sorriso de lado. Ela olhou rapidamente para mim e depois para as ruas novamente.
-Então você finja que está com problemas para aceitar- murmurrou ela enquanto fazia uma curva fechada que quase me fez bater a cabeça na janela, em menos de vinte minutos (tempo recorde) estávamos em frente ao Central Park.
Ela saiu e continuava séria, andando em passos fortes até o parque. A segui, correndo para atravessar a avenida sem que algum carro arrancasse minha perna e parei ao seu lado. Cocei meus cabelos e os desarrumei para o lado, o que exatamente ela queria comigo?
Nós dois nos sentamos num banco de madeira.
-Não é por causa de uma conversa de família que eu te trouxe aqui – começou ela, fiz uma expressão cética e ri pelo nariz.
-Sério? Não havia percebido...
-É que eu sou uma ótima atriz – continuou ela sinceramente. Franzi o cenho, ela não percebeu o sarcasmo? – Mesmo assim eu tenho algo muito sério para conversar com você.
-Algo sobre Annabeth? – perguntei calmamente. Ela suspirou.
-Eu queria tanto que ela fosse um pouco mais parecida com você... – sussurrou ela. Eu quis rir, no momento em que eu e Annabeth nos parecêssemos em algo o mundo viraria um universo paralelo totalmente diferente do nosso real – Ela ficou cinco meses com o pai no hospital. Pediu encarecidamente para as tias não contarem nada para mim e elas assim fizeram!
Eu já conhecia esta história desde hoje de manhã. E estava pensando muito nela, até porque era a coisa mais esquisita do mundo pensar que Frederick está morto. E pensar em Annabeth todos estes meses trancafiada num hospital...
Agora eu sei por que ela estava tão pálida.
-Daqui a dois dias ela vai voltar a morar comigo – Atena anunciou. Quase me fazendo engasgar com o ar. Olhei para ela com os olhos arregalados. Dois dias? Eu achei que demoraria no máximo um ou dois meses – Eu fui rápida. Entrei na justiça, fiz meus contatos. E a quero comigo o mais rápido possível.
-Isto é muito legal da sua parte – sim. Eu não sabia o que dizer. Atena sorriu sinistra.
-Eu não sei se posso te pedir isto. Mas dê o máximo de atenção de um irmão mais velho para ela. Eu a vi fumando e bebendo e sinto que perdi o controle quanto o assunto é a minha filha. Ela não parece tão madura quanto você. – ela pôs as mãos nos olhos. Parecia querer chorar — Não sei mais se eu e ela voltaremos a ter aquela relação que tínhamos um dia. Me parece impossível.
Encolhi meus ombros. Eu me sentia mal por Atena, muito, muito mal. Aquela não era a Annabeth que nenhum de nós conhecia, era uma garota alienígena. Pus uma mão em seu ombro.
-Eu irei tentar ter uma boa relação com ela – prometi sinceramente. Atena me olhou encarecida e meu deu um abraço.
-Muito obrigado, Percy. Acho que seremos uma ótima família – sorri de lado enquanto a olhava pelo canto do olho. Eu, Atena, meu pai e Annabeth. Porque eu sentia que aquilo não iria dar tão certo assim?
(...)
-Bonitinhas! – chamei enquanto abria os braços. Luke e Nico reviraram os olhos enquanto eu dava um beijo na bochecha de Megan e outro na de Thalia. Sentia-me ótimo e nem me perguntem por quê.
Ao contrário do que se espera eu não estou nenhum pouco ansioso ou nervoso quanto à mudança de Annabeth que será amanhã. Na realidade, eu me sinto até despreocupado e surpreendentemente indiferente.
Mexi nas mechas rosa de Megan enquanto Nico batia na minha mão. Eu não o culpo, sou um cara muito gato que atrai qualquer garota. Até simples como eu estava agora, com os jeans rasgados e uma simples camisa cinza sem estampa, até assim eu era mais gato que qualquer um deles.
Meu bom humor estava no ápice. E não tinha nada, nada a ver com a mensagem que recebi de Calypso marcando um encontro para aquele mesmo dia. Divaguei tanto pensando em meu encontro que nem percebi o que Megan havia falado comigo, e que eles andavam em direção residencial lerdamente.
-Ei, o que vocês estão fazendo?- perguntei correndo e ficando ao lado deles. Thalia suspirou.
-Você ouviu o que acabamos de dizer? – olhei para ela com os olhos semicerrados. Ela suspirou de novo – Nós estamos a uma rua da casa de Luke, você não percebeu quando lhe demos o endereço?
Semicerrei ainda mais os olhos. Era realmente para eu saber tudo o que ela estava falando? Foi a vez de Megan suspirar.
-Tenho certeza que tudo isto é culpa da Calypso... – estava pronto para retrucar quando Thalia me parou com a mão.
-Você ainda não parou de sair com esta menina? Percy, ela é uma vaca.
-Não a chame de vaca... – murmurrei revoltado. Elas nem a conhecia direito. Thalia parou bruscamente quase me fazendo bater nela.
-Ei, eu estou sentindo uma áurea de apaixonado e não estou gostando nada. Aquela menina é uma magrela, você tem que parar de sair com ela.
-Está é a pressão familiar que me alertaram na escola? – perguntei sorridente. Thalia deu um tapa em meu braço enquanto Luke ria abafado. Nico tirou seu ray ban e parou na frente da casa que eu percebi boquiaberto que era a de Luke. Eu conhecia aquele endereço há 18 anos. Realmente, o que estava acontecendo comigo, hein?
Enquanto via Luke procurar a chave percebi o quanto alucinado eu estava. Animado até demais, Calypso iria ficar amedrontada e iria fugir. Suspirei fundo e me recompus. Mas logo minha pose saiu.
-Porque estamos na casa de Luke mesmo? – perguntei. Nico olhou para mim como se eu fosse um alienígena.
-Eu conversei com você no telefone há uma hora. Você ouviu o que? – coloquei as duas mãos na cintura.
-O necessário. Até porque eu estou aqui – respondi. Nico murmurrou um “surpreendente” e entramos na casa de Luke. Não cumprimentamos ninguém nem limpamos nossos sapatos no tapete. Megan chegou e sem pedir permissão já foi se sentando no tapete do sofá. Nico pegou um copo de refrigerante e Thalia (que já era a mais acostumada, principalmente com o quarto de Luke) até havia tirado os sapatos. Eu pulei e me deitei em seu sofá. E isto se chama “convivência avançada que nos faz não ter mais respeito nem educação com o que é do amigo”.
Algum tempo depois Luke chegou com seu notebook na mão. Ele o conectou na televisão e apareceu uma foto conhecida por mim, um prédio alto e enorme, um sol escaldante e árvores uma bela rua pavimentada a sua frente. Pigarreei.
-Bem, porque estou vendo a foto da Duke? – perguntei em alto e bom som. – Até onde eu sei nenhum de vocês está a fim de fazer universidade na Carolina do Norte.
-Sim, mas fizemos um acordo no começo do ano, bonitinho – Megan disse enquanto sorria. Todos sorriram também. Vasculhei nos departamentos da minha mente onde havia ficado este acordo, e por fim lembrei.
-Ah sim. Claro... De fazermos uma inscrição em comum? Vocês escolheram a Duke? – eu não ia admitir. Mas eu já havia escolhido a Duke. Eu havia gostado muito do programa de Biologia Marinha deles, realmente muito interessante.
Megan sorriu maquiavelicamente, como se estivesse me obrigando a fazer algo que eu definitivamente não queria. Eu sentia que ela tinha feito a mesma coisa com Nico. O que era ridículo porque se ele queria mesmo fazer administração, não tinha porque ficar com raiva de Meg por coloca-lo num dos melhores cursos do país.
Pigarreei novamente e me levantei. Pronto para sair.
-Então é isso? Está feito? Ótimo. Todos se inscrevendo na Duke University, Carolina do Norte, alguma coisa mais?
-Estados Unidos – falou Nico.
-Nos estados Unidos... – continuei.
-Planeta Terra – completou Luke. Todos riram e eu me virei para ir embora. Thalia me parou com um grito.
-Ei. Onde você pensa que vai? Nós vamos jogar imagem e ação e ver o Luke fazer aqueles desenhos ridículos dele. Eu deixo você ficar no meu time – olhei para Luke, e depois para Nico. Era perceptível que eles não haviam contado sobre Annabeth para as garotas, decidi não contrariar.
-Eu tenho meio que um encontro... – disse sorrindo de lado. Thalia bufou e bateu a palma da mão no sofá.
-Só não se decepcione depois quando souber que aquela menina é uma vaca – ela gritou e eu lhe mandei um beijo pelo ar. Saindo da casa e indo nervosamente para o encontro com Calypso.
(...)
Eu batucava minha mão ritmadamente na minha têmpora. Meu queixo estava apoiado na minha mão e meu cotovelo apoiado na mesa. Meus óculos já pesavam em meus olhos, havia exatas três horas que estava sentado ali, na cozinha, esperando.
-Eu não entendo... – Atena andava de um lado para o outro sem parar – Realmente não entendo...
Acho que tenho que explicar algumas coisas, não é? Bem, o problema é que hoje é sábado, ou seja, o dia em que Annabeth deveria chegar a casa. E realmente chegou... As suas malas. Na realidade todas as suas coisas estavam já organizadas em seu quarto tom pastel ao lado do meu. Quatro malas bem pesadinhas. Isto foi às três horas da tarde, agora já eram oito da noite e Annabeth não havia chegado.
Meu pai ao meu lado parecia calmo, passando a manteiga de amendoim no pão. Provavelmente já sabia que tudo correria daquela forma.
Atena agora estava praticamente se descabelando, isto se chama “desespero de mãe”. A partir do momento que Annabeth posse o pé dentro de casa todo o desespero sumiria e apenas o ódio ficaria, falo isto por experiência própria.
Deu oito e meia e até eu comecei a ficar um tanto preocupado, daqui à uma hora e meia as ruas de Nova York começariam a ficar realmente perigosas, era desnecessário dizer que Atena já havia subido e descido a escadaria umas trinta vezes.
A campainha tocou. Eu e meu pai nos entreolhamos na mesma hora. Eu me levantei para atender a porta, mas Atena correu e a atendeu primeiro. Fui com a cabeça para o lado a fim de ver quem estava na porta, e quando vi, tive vontade de mata-la.
Lá estava Annabeth. Com aquele mesmo sorriso irônico do casamento, ela tinha uma bolsa na mão e seus olhos brilhavam perversos.
-Oi, mamãe.
Notas finais
Deixem seus reviews! Nada de fantasminhas, ok?
Beijos e até o próximo! =)
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