O Que Eles Veem Em Você? 2

20 A formatura dos problemáticos formandos.


Notas iniciais
Oi pessoal! Como avisei, demorei. Sei que já tem um tanto de leitor já querendo meu corpo no ritual satânico porém eu estou estudando de 7 ás 17 e tá complicado escrever, tudo bem? Tenho UM TANTO de gente para agradecer pelas maravilhosas recomendações, Juuh Lerman, The Killer Queen, lollygiovana, o Bernard Okumura (que aliás fez o desenho mais maravilhoso de todos da minha história), e por último a Beca Chase. Todos vocês que deixaram recomendações, eu só tenho o que agradecer. Porque vocês premiaram um capítulo muito importante da história. Obrigada. Boa leitura!

Megan O’Conell abaixou a cabeça para chorar enquanto descia aquelas imensas e inacabáveis escadas. Queria ter um lugar onde afundar a cabeça e todo o seu corpo, ou quem sabe algum lugar no estilo segunda guerra mundial onde se cometesse um genocídio das várias partes do corpo de Megan.

De repente, aquele lugar clássico parecia mais um cenário para filme de terror. Na realidade, ela esperava ansiosamente que acordasse do nada e visse que às coisas que aconteceram nos últimos dias foram nada mais que meros sonhos horríveis.

De preferência, queria acordar com Nico do seu lado, e não do jeito que acordou no último dia, chorosa e sem a esperança de ter uma mensagem ou poder mandar uma mensagem para seu namorado… Ou ex-namorado.

Naquele momento, a única coisa que conseguia pensar era na raiva que sentia daquele idiota. No vexame que havia acabado de passar por causa dele e o quão triste estava em todos os sentidos.

Quando viu Thalia ali, sentada e com os fones de ouvido esperando sua amiga, não pode deixar de ir até ela como uma bebê.

–O que aconteceu? — perguntou a morena se levantando. A única coisa que recebeu como resposta foi um abraço apertado, seguido de um choro quase sem som que molhou todo seu ombro direito — Meg, você não foi bem?

Megan olhou para os lados, vendo que tinha algumas pessoas andando para lá e para cá, provavelmente a olhando torto.

–Eu quero sair daqui.

Thalia não respondeu nada, apenas assentiu e pegou suas coisas. As duas foram rapidamente para longe dali, e depois de entrarem no carro de Thalia continuaram em silêncio.

Só depois de quase meia hora Megan foi reparar para aonde havia sido levada, o central park entrou em sua visão como um arco íris.

Thalia estacionou com dificuldade e saiu dali, sendo seguida por sua amiga. As duas se sentaram na grama e ficaram mais algum tempo ali, em silêncio. Era possivelmente o máximo de tempo que as duas haviam ficado sem se falar juntas na história.

–Você sabe que eu vou te seguir para onde você quiser ir, certo? — foi a única coisa que a punk disse, depois deu um sorriso de lado. Megan pôs as duas mãos na cabeça e começou a negar de tanta raiva que sentia de si mesmo.

–Deu tudo errado, Thalia. Minha entrevista foi um vexame, o cara perguntava sobre medicina, e a vacina da penicilina e a única coisa que eu conseguia pensar era “Eu e Nico não estamos mais juntos, nós vamos embora daqui há alguns dias” e eu me desconcentrei totalmente e agora agh… Eu nem sei que dizer.

Thalia coçou os cabelos, e depois deu um sorriso de lado.

–Você terá outras entrevistas, sabe? Aqui em Nova York tem tanta coisa boa… Columbia, Princenton, Cornell… Megan, por você você está chorando?

Ela limpou suas lágrimas, mas acabou chorando ainda mais. Entre soluços, acabou dizendo a tristeza total do seu corpo:

–Eu estava tão certa de conseguir esta vaga na Yale que… — ela chorou, soluçando mais alto. Thalia não fazia ideia do que fazer para ajudar sua amiga — Que eu não me inscrevi em outras universidades.

Ela afundou a cabeça entre as pernas, os olhos de Thalia se arregalaram e sua boca fez um “O”, quase que desfigurado.

–Você… Você só se inscreveu na Yale?! — o grito de Thalia foi quase que surdo — Megan, você enlouqueceu? Quem é que faz isto? Você não tentou Columbia ou… Eu não acredito que você fez isto!

Thalia se levantou, andando de um lado para o outro igual louca. De todos os doidos futuros que poderiam acontecer com ela e Megan, a última coisa que pensava era em uma delas não entrar em universidade alguma.

–Caramba, caramba! — ela começou a andar em círculos envolta de Megan, obviamente algumas pessoas olhavam para as duas como se fossem duas loucas — Você é inteligente mas como…

Thalia respirou fundo, se sentando. Finalmente conseguiu pensar e raciocinar mais uma vez.

–Para de chorar, Megan. Me desculpa, ok? — Thalia deu um pequeno sorriso, seus cabelos negros caíam por sua testa de uma forma muito chata, mas ela não ligava mais. Não depois do tremendo susto que passou.

–Tudo bem, você está certa — Megan tinha a voz nasalada de tanto chorar, seu nariz vermelho igual ao de um palhaço e seus olhos verdes marejados de tristeza — Mas eu estava tão certa que eu nem pensei…

Thalia já estava com o seu celular na mão, digitava nele igual uma louca.

–Caramba Thalia, não acredito que você está no whatsapp enquanto eu falo o drama da minha vida!

Megan parecia agora chateada, quase que aborrecida. Seu bico deixava isto bem claro. Thalia a parou com a mão por um segundo, e depois seus olhos voltaram a se alinhar com os da sua amiga.

–Pensou sim, Megs.

–O que?

–Você estava dizendo que nem havia pensado em outra universidade, mas pensou sim. Uma em que todos nós deveríamos se inscrever. Nós ganhamos a aposta, lembra? — Thalia quase esfregou a tela do seu celular no rosto de Megan. Mas foi bem claro o que ela leu “Megan O’Conell — APROVADA”.

–Duke — foi a única coisa que Megan sussurrou, pegando o celular da mão de sua amiga. Mas logo depois olhou para a punk — Mas você não passou na Cornell, Thals?

–Bem, a Duke é de acordo com a Forbes melhor que Cornell, e é claro que eu ficaria muito feliz em sair da casa do meu pai e morar sozinha por um tempo… Na realidade, eu acho que não seria nada mal.

Megan sorriu, quase que chorando.

–Obrigada por me lembrar disto.

–Por nada — foi a única coisa que Thalia disse — Mais feliz agora?

Megan assentiu, sorrindo. Depois olhou para sua amiga amargamente.

–E os garotos?

–O que tem eles?

As duas se entreolharam, Megan querendo saber do óbvio e Thalia negando.

–Eu estou pouco me ferrando para o Luke, se é o que você quer saber. Na realidade, nós agora somos praticamente garotas de universidade. Acho que… Não, eu tenho a certeza absoluta que nós deveríamos comemorar isto.

Thalia puxou sua amiga com uma mão, Megan parecia meio confusa.

–Onde estamos indo?

–Num lugar em que vamos esquecer estes tais garotos.

(...)

Percy Jackson olhava no espelho mais uma vez, ainda um pouco surpreso com as mudanças físicas. Mas agora, ainda mais surpreso com as mudanças psicológicas. Ele tinha o seu capelo na mão, junto com a sua roupa de formatura vermelha.

Ele não fazia ideia do que faria em seguida daquilo, estava formando. Finalmente, formando. Era tudo que ele sempre havia sonhado na sua vida, mas quando havia chegado o momento, o momento mágico… A única coisa que conseguia sentir era um vazio fora do normal.

Sentia-se sozinho ao pensar que dali para frente era tudo por sua conta. Que não teria seus pais ao seu lado caso fizesse alguma burrada.

Estava se sentindo pesaroso e ansioso ao mesmo tempo.

Infelizmente, sua ansiedade era um pouco mal explicada, já que nem ao menos tinha certeza da faculdade que iria ir. Faltavam apenas uma hora para ele escolher para onde iria, até porque dali a uma hora ele teria que escrever no seu histórico escolar “aprovado na universidade…”.

Respirou fundo e se virou, saindo do seu quarto.

Seu capelo e sua roupa de formatura estavam na sua mão, ele estava com calça e blusa social apropriados para o evento. O cabelo, o máximo de penteado que conseguia fazer.

Desceu as escadas, os amigos dos seus pais estavam no andar de baixo, junto com os seus próprios amigos.

Quando estava no meio das escadas, ele parou congelante. Sua boca fez um pequeno “O” e seus olhos forçaram a visão para perceber se aquilo era verdade ou não.

Annabeth, a própria Annabeth. Sua Annabeth falava com Megan e Thalia, ela sorria e as outras também. As três gesticulavam numa conversa animada.

Percy olhou para Luke, que olhou para Nico, que olhou para Atena, que sorria.

A sua madrasta o chamou com a mão, e ele a seguiu confuso.

–O que está acontecendo ali? — perguntou o moreno, olhando para o outro lado da sala em que as três continuavam conversando. Atena deu um mínimo sorriso ao olhar para o mesmo lugar que ele.

–Não foi fácil convencer Annabeth que reatar com suas amigas era importante, precisei de chamar o Dr.Foster e tudo o mais. No último minuto caiu a ficha dela que se ela não fizesse isso agora nunca mais conseguiria suas amigas de volta…

Atena deu de ombros.

–Ela ficou cerca de duas horas dentro do escritório conversando com as garotas, e agora elas estão daquele jeito. Não me pergunte o que aconteceu, porque nem eu mesma sei.

Percy deu uma pequena risada que ninguém ouviu graças à música ambiente do local. Depois, ele foi em direção aos seus amigos para saber o que eles estavam pensando. Os dois conversavam pouco e muito baixo, o que fez Percy ficar um pouco curioso.

–E aí, formandos? — cumprimentou ele. Luke deu um pequeníssimo sorriso. Nico nem se deu ao trabalho de sorrir — Vocês falaram com as garotas?

Agora a expressão dos dois estavam fechadas. Nico começou a dizer:

–Impossível, já que as duas estavam muito ocupadas numa festa do senior year — o emo deu de ombros — Eu andei pensando… Eu e Luke andamos pensando. Daqui a poucos meses nós estaremos na faculdade, temos todo o verão pela frente e somos adolescentes de 18 anos. Cara, eu não preciso e não vou ficar preso a Megan. Até porque ela já superou bem rápido.

Nico pegou outro copo de suco na bandeja do garçom. Percy olhou para trás e depois para os garotos, pensou em todos do grupo solteiros.

Não pode deixar de sorrir.

–Então vocês estão de volta para competir comigo? Sério, vocês realmente acham que tem chance?

Luke suspirou e empurrou ele com um soco.

–Quando a gente acha que você pode amadurecer…

Percy perdeu o sorriso ao lembrar novamente daquilo que era seu propósito ao descer as escadas.

–Vocês já escolheram a faculdade de vocês? — Nico riu.

–Você se lembra que eu tinha uma aposta, certo? Caso não houvessem mais opções…

–Duke — foi o que Percy e Luke falaram em únissono.

–Eu gostei do programa de administração deles, então… — Nico parou a frase no ar.

–E Megan está em Yale — Percy continuou. O emo deu de ombros.

–Disso eu não sei, a entrevista dela foi ontem e eu não sei o que aconteceu.

Percy não deixou que aquilo os abatesse. Ficou na frente de seus dois amigos e mandou aquele sorriso grande que todos sabiam que ele fazia quando planejava algo.

–Estou pensando em ir para Vegas e Los Angeles nesse verão, nada como umas californianas… — o moreno logo continuou sua fala ao se lembrar que as ex-namoradas dos seus amigos eram californianas — E nós já somos maiores de idade, estou pensando em passar um tempo em Cancun.

Na mesma hora a expressão fechada de seus amigos desapareceram. Percy sabia que seu plano era perfeito.

–Cancun… — Luke ponderou — México. Top Less…

–Muitas festas — completou Percy — E se vocês chegarem lá com o discurso de “acabei de levar um pé na bunda, estou tão sensível”.

–Muitas garotas — cortou Nico, dando um sorriso de lado — Isso é realmente perfeito… É por isto que às vezes nós te ouvimos, Percy. Porque às vezes, só às vezes você tem uma ideia genial.

–Obrigada pelo reconhecimento.

–Por nada.

Os três riram, depois foram parados por uma colher irritantemente alta que era batida na taça de cristal. Zeus parecia pela primeira vez feliz com alguma coisa. A música ambiente parou, os garçons saíram da sala de estar e todos se calaram.

–Eu estou tão feliz em ver vocês finalmente se formando…

–E ver que a minha filha separou finalmente daquele idiota — sussurrou Luke enraivecido. Percy deu uma cotovelada na sua costela.

–... É com grande prazer que vemos o futuro da nossa empresa sendo maravilhosos e brilhantes em suas respectivas áreas. Eu em nome de todos os pais estou demonstrando todo o meu orgulho para com todos vocês. E que daqui a alguns anos isto possa se repetir, agora cada um abrilhantando suas universidades.

Acabou que todos bateram palmas, mesmo que nem todos quisessem realmente bater. Aquilo significava que faltavam poucos minutos para a formatura. O coração de Percy bateu mais forte e mais rápido. Ele sentia suas pernas ficarem um pouco bambas, diferentemente do que acontecia nos seus jogos, agora ele estava ansioso.

A ida de carro foi o cúmulo da ansiedade, Poseidon e Sally iam na frente, seu irmão mais novo Tyson estava do seu lado. Ele parecia que ia enfartar a qualquer momento.

No outro carro ele sabia que Annabeth estava com sua mãe Atena, que os seus dois irmãos também estavam lá. Ele sabia que ela queria muito naquele momento que o seu pai estivesse lá.

Percy queria, mais que nunca, dar suporte a Annabeth. E mais uma vez, ele não estava conseguindo.

Chegou ao colégio com seu sorriso petulante e metido, porque aquele era o último dia e ele tinha mais que nunca deixar sua marca ali. Sua roupa de formatura ficou junto com as dos outros no gramado de futebol americano na mesa que tinha encima daquele imenso tablado que colocaram lá.

As cadeiras de metal iam sendo enchidas por pais e parentes. Os formandos deveriam ficar dentro do colégio.

Luke e o resto do time de basquete faziam seu rotineiro trote com os novos capitães e jogadores da equipe. E claro, deixando bem claro o quão difícil seria superá-los.

Annabeth permanecia quieta e calada, por mais que uma vez ou outra Megan e Thalia fossem até ela e conversassem sobre diferentes assuntos. Algumas jogadoras do futebol também foram até Annabeth, deixando-a ainda mais a vontade no corredor.

Percy, porém, não foi até Annabeth. Em suas passadas ele chegou até o finzinho do corredor. Rachel mandou suas amigas darem uma volta, e não pode deixar de sorrir ao olhar para Percy.

–Como está o meu capitão favorito?- perguntou ela, uma das suas mãos fazia um carinho gostoso na nuca de Percy. Ele deu um beijo em sua testa.

–Muito bem. E a minha ex-líder de torcida favorita?

Ela assentiu, rindo.

–Muito bem também… — os dois ficaram olhando um para o outro por alguns minutos. Ele não se atreveu a beija-la, e ela não se atreveu a beija-lo. Os dois ficaram apenas ali, verde no verde.

–Me diz que você vai ficar aqui no verão — ele comentou, rindo um pouco. Ela sorriu de lado também.

–Sim e não.

As mãos do moreno foram para sua cintura.

–O que você quer dizer com isto? — ele franziu as sobrancelhas. Rachel sumiu com seu sorriso de lado.

–Depois da formatura nós precisamos conversar, ok? Eu tenho… — ela rapidamente levantou as sobrancelhas — Tenho uma proposta a te fazer, tudo bem?

Ele assentiu, acabou voltando a ficar ao lado dos seus amigos.

Percy mal acreditava no que acontecia, ele finalmente estava formando. Depois de tantos anos, ele definitivamente havia crescido. A diretora começou a formatura chamando Annabeth Chase.

(...)

Annabeth Chase estava cada vez mais feliz consigo mesmo. Depois de meses de terapia expressa ela poderia dizer para qualquer pessoa que quisesse contestar que psiquiatra ajuda mesmo.

Seu vestido vermelho combinava com sua roupa de formatura. Seu pequeno salto era apropriado para a ocasião.

Sua maquiagem era feita para o que ela tinha que fazer: Ser incisiva.

Depois daquela cerimônia, Annabeth iria pegar sua mala no carro da sua mãe e iria para o primeiro vôo para a Inglaterra. Ela iria embora, finalmente embora. Sozinha.

Desceu as escadas já ouvindo às vozes que queria ouvir, não estava nervosa ou ansiosa. Ainda era aquela garota meio robótica de meses atrás.

Sua mãe havia lhe dado o presente de uma viagem pelo mundo principalmente por causa do seu bom comportamento na última semana. Ela tinha 18 anos e uma semana mais alguns minutos, e até aquele momento não havia feito nada de errado.

Sete dias atrás, ela acordou normalmente da sua cama, escovou os dentes e desceu as escadas para tomar um café. Quando chegou na cozinha, deparou-se com três pares de olhos esperando seu próximo movimento, a única pessoa a dizer alguma coisa foi Percy “Feliz 18 anos, eu acho…”.

Ela riu com o próprio pensamento, um ano a mais não era nada para ela. Se quisesse fazer algo extremamente errado já havia feito com seus 17 anos, e não quando havia ficado maior de idade.

Megan e Thalia conversavam com Zeus rapidamente, Thalia com sua normal antipatia do pai e madrasta, Megan com sua normal doçura e sociabilidade. As duas com tanta dor de cabeça que mal conseguiam se ouvir.

Annabeth foi na direção das duas, quase que como um radar todos olharam em sua direção.

–Oi Zeus, eu vou roubar sua filha e Megan por um tempo, pode ser?

Zeus tinha uma sobrancelha arqueada, olhou rapidamente para Atena que apenas assentiu, e então ele concordou com o pedido de Annabeth.

A loira foi para o escritório da sua mãe no primeiro andar, sendo seguida por Thalia e Megan.

As duas morenas se entreolharam sem saber o que fazer, mas mesmo assim continuaram apenas esperando pelo que Annabeth iria dizer.

A loira se sentou no sofá e indicou para as duas sentarem aonde bem quisessem. Thalia se sentou no tapete e Megan no sofá, ao lado de Annabeth.

–Sabe, garotas, o ano passado foi tão conturbado, vocês não fazem nem ideia do que aconteceu comigo — ela coçou os cabelos, respirando fundo — Um dia eu ia ligar para vocês para saber como está tudo aqui em Nova York e depois o meu pai tinha sido esmagado por um ônibus e tido um sério traumatismo craniano.

Ela olhou para Thalia.

–Naquele mesmo dia você me ligou pedindo satisfações sobre minha falta de contato com você, e eu acabei descontando tudo no seu mau humor somado com o meu mau humor — Annabeth mordeu o lábio inferior e depois um pedaço da unha.

–Eu fui para o colégio militar da Califórnia, o melhor do país. Você sabe disto, Meg. Atrasada por causa do acidente do meu pai eu fiquei muito desenturmada. E quando eu imaginei poder entrar num grupo de amizades, saiu pelo colégio aquelas minhas fotos drogada e tudo o mais… Como colégio militar todos faziam mal jus de mim, como se eu fosse uma bandida ou alguém que estivesse manchado o nome da escola.

Annabeth parou por um segundo.

–Eu acostumei com essa coisa de ninguém falar comigo e ficarem rindo da cara da maconheira, mas eu lembro que um dia chegou uma informação lá da diretoria que havia acontecido alguma coisa séria com o meu pai, chegaram na sala para me darem a informação e eu juntei minhas coisas para sair de lá correndo. Eu lembro direitinho, a única coisa que a turma disse foi “será que um traficante apagou ele?” e aí todo mundo começou a rir.

Annabeth parou por mais um tempo. Thalia e Megan se entreolharam, mas nenhuma das duas pediram a continuação da história.

–E aí, poucos minutos depois, eu descobri que meu pai estava morto.

Ela não parecia querer chorar em momento algum, mas sua expressão deixava bem claro que ela não estava bem.

–E então eu fiquei isolada por um tempão, sabe? Eu já estava muito revoltada com o fato que o meu pai estava doente mas aquilo, aquele garoto ter falado do “será que um traficante apagou ele?”, me fez pensar que a culpa podia ter sido minha. Ele não estaria no carro se não fosse me buscar, ele não havia se separado da minha mãe se não fossemos para Nova York, nós não iríamos para Nova York se eu não fosse uma drogada.

–Eu não queria ser amiga de ninguém e ainda não vejo muita necessidade disto. Mas aí um cara chamado Dylan Foster apareceu na minha vida, ele meio que abriu meus olhos e eu só tenho o que agradece-lo por causa disto. Ele disse que… Nós não podemos deixar os verdadeiros amigos passarem. Porque são nos momentos como aquele que eu passei que eu preciso deles. E é óbvio que eu preciso de vocês, garotas. Eu não sou uma robô, eu preciso de suporte como todo mundo.

Megan simplesmente começou a chorar.

–Eu senti tanta a sua falta — falou ela fungando — Eu fiquei quase dois anos sem falar com você, Annie. Isto é péssimo porque você sempre me entendeu e… Eu não acredito que você passou por isto sozinha, eu devia ter me prontificado a ir para Los Angeles com você, sabe? Desculpa. Eu fui uma péssima amiga..

Annabeth franziu as sobrancelhas.

–Está tudo bem, Megan.

–E quando tudo está muito ruim eu não queria a Thalia para me consolar! Ela é péssima nisto!

Thalia e Annabeth não puderam deixar de rir. Megan não conseguia conter o choro, por isto foi para o banheiro assoar o nariz. A coisa entre Thalia e Annabeth era diferente, totalmente diferente. Foi para Thalia que Annabeth disse coisas horríveis, e vice e versa.

A punk se sentou ao lado da loira, seus olhos foram para o chão e depois para os cinzentos olhos de sua melhor amiga.

–Eu e Luke estamos separados. É uma merda me sentir tão vazia — comentou Thalia — Mas aí, eu pensei: Sabe, será que eu preciso mesmo disto? De todo este drama… São as minhas férias, o meu verão antes da universidade. Eu posso fazer dele o que eu bem entender. Entende? Eu quero opções.

Annabeth assentiu, ela era boa naquilo de não falar muito e ouvir mais.

–É óbvio que você sempre esteve nos meus planos para o verão antes da universidade, não só para isto mas também para o resto da minha vida. Eu te conheço desde que nasci e não acho que uma briga por telefone vai acabar com a minha amizade. Nunca.

Annabeth concordou mais uma vez.

–Eu sei que você precisava de um tempo para processar, e também para superar. Eu sei que você provavelmente não vai ser a Annabeth bagunceira que eu me lembro de dançar conga comigo na praia em L.A, mas… — ela riu um pouco, seus olhos pintados de preto ficando borrados — Eu ainda te amo, Annabeth. Porque você é a minha melhor amiga, desculpa eu estou de ressaca.

Foi tão automático que nenhuma das duas nem percebeu, mas poucos segundos depois elas haviam se abraçado, tão forte e tão reconfortante que nenhuma das duas queria sair dali, nunca.

Megan acabou chegando e participando do abraço também. As três se separaram, e acabaram rindo no final.

–Parece que a gente brigou há um dia e não há um ano — Annabeth deu um meio sorriso, e as três saíram dali para a recepção. A loira se sentia tão leve e bem consigo mesmo que quase havia se esquecido das outras coisas que iria fazer naquele dia. Quase tão importantes quanto aquela meta que havia acabado de cumprir.

Annabeth olhava para frente, determinada, como sempre foi. Seu cabelo caía em ondas por seus ombros, cabelos estes que eram tampadas pelo seu capelo. Deu um sorriso grande porque estava formando, e estava feliz porque estava formando. Ouviu seu nome ser chamado mais uma vez e foi, andando confiante até o meio do tablado e pegando seu diploma. O diploma.

Ouviu as palmas altas e fortes, olhou para o corredor. Lá dentro, Percy batia palmas para ela. E era isto que ela estava mais curiosa em saber, se ele estava lá por ela também, feliz por ela também.

Ela viu Clarisse, Nico, Megan, Thalia e por fim Percy pegarem seu diplomas. Todos felizes e muito bem aplaudidos.

Ouviu Clarisse fazer um perfeito discurso sobre amizade no colégio e o quanto aquilo iria durar para sempre. Annabeth não sabia se aquilo iria durar para sempre, se seu espirito escolar ficaria para sempre em seu coração. Mas sabia que certas ocasiões do seu período escolar ficariam com ela para sempre.

Lembraria-se do primeiro dia no segundo ano, em que todos a olharam como se fosse uma doida. Lembraria-se do dia em que conheceu Nova York com Percy e também o dia em que os dois ficaram naquele telhado, deitados e juntos quando tudo estava tão obscuro. Lembraria-se da tatuagem para sempre e não tinha como não se lembrar, já que mesmo depois dos dois tirarem a tatuagem com laser, ficarem com a mesma cicatriz no mesmo lugar. Lembraria-se, infelizmente, daquele triste dia em que seu pai morreu e também o dia que voltou para Nova York.

É óbvio que tudo aquilo foi marcante na vida dela, mas naquele momento, naquele segundo, ela não concordava com Clarisse. Ela não ligava muito para seu período escolar, mas sim para o seu futuro. Para aquilo que a esperava na faculdade, para tudo aquilo que a esperava na vida. E estava feliz e orgulhosa por enfim poder estar entusiasmada com tudo aquilo que estava reservada para ela, depois de tanto tempo dela ter esquecido que havia sim uma vaga para ela no futuro dos brilhantes.

Depois de jogarem as capelos para o alto os alunos acabaram se cumprimentando, como sempre fazem e sempre vão fazer. Percy fez algo que não se lembrou de ter feito em momento algum desde que Annabeth havia voltado, ele a abraçou, tão forte que parecia que a costela de Annabeth iria furar seu coração. Mas ela retribuiu, quase tão forte quanto.

–Parabéns pela formatura, você merece — Percy comentou em seu ouvido, os dois não se atreviam a separar. Tinham medo daquele ser o último abraço.

–Obrigada, você também — respondeu ela, fechou os olhos rapidamente ao pousar sua cabeça na de Percy. Os dois se entreolharam e se separaram por fim.

Percy teve que ir embora ao ser puxado por Rachel, saindo da visão de Annabeth melancolicamente.

Thalia e Megan a abraçaram logo depois, tão felizes mas tão tristes ao mesmo tempo que era até depressivo.

–Agora sim somos universitárias — Thalia comentou, dando um meio sorriso — Perigosas e sérias.

As duas outras riram, era óbvio que aquilo era um exagero.

–Então Annabeth, você não vai dirigir no nosso primeiro dia de aula, né? — perguntou Megan — A Duke pode ser bem grandinha de vez em quando.

Annabeth deu de ombros, sorrindo um pouco.

–Faz parte do nosso show chegarmos atrasadas, como alguém prestaria atenção em nós se não fosse por aquilo?

Annabeth foi interrompida por Luke e Nico, que chegaram junto de Percy quase que obrigatoriamente. Era bem óbvio que Percy havia forçado os dois a ir lá, despedirem de todos e tudo o mais.

–Eu vou sentir falta de vocês todos aqui, neste colégio — Megan disse. Percy não pode deixar de emitir um “awwn” sarcástico e depois forçar um abraço coletivo, que foi tão bem aceito que durou mais do que deveria.

Annabeth, que estava no meio do abraço coletivo, levantou uma mão.

–Isto foi ótimo mas eu ainda preciso falar com a minha família! — ela riu um pouco — Até porque eu também estou atrasada.

Megan olhou para ela e depois para Thalia.

–Atrasada pra quê?

Ela sorriu um pouco.

–Eu vou viajar, Megs. Meus planos para estas férias foram bem grandes. Mas eu vejo vocês duas em Agosto, e vocês por aí, garotos — ela sorriu de lado para Percy, e depois deu um abraço em Nico e Luke.

Os outros cinco acabaram se juntando numa linha, vendo Annabeth ir embora tão rápido quando havia chegado.

O futuro deles era tão entrelaçado que não havia parado por ali, Annabeth foi o começo de uma separação naquele ensolarado dia de maio. Mas a nova junção estava sendo preparada pelo destino mais uma vez, tão repentino quanto a separação.

Notas finais
Como foi deixado bem claro neste capítulo, uma fase foi deixada para trás da história e uma nova fase vai ser explorada agora. Espero que tenham gostado, e estão ansiosos para a "parte 3" da história? Espero que sim. Eu vou tentar postar o próximo capítulo rápido, mas conto com a colaboração de vocês. Deixem seus reviews, fantasminhas não deixem o último capítulo chegar para falarem que gostaram da história, tudo bem? Beijos e até o próximo!