O Que Deveira Ser Dito
3 Violão
"Bom, eu escolhi uma múscia já que você não fez questão." Emily falou e eu suspirei de leve. Haviam mais alguns estudantes na sala, mas a maiória já estava ensaiando em alguma das outras salas de música. Olhei para trás onde ficavam todos os teclados. "Cath?" Voltei para a realidade. "Você quer sabe o título da música?"
"Claro." Ela me passou uma partitura impressa. Olhei para o nome da banda e evitei revirar os olhos. Emily gostava de qualquer banda que involvesse rock e adolecentes ao mesmo tempo. "Ok. Eu vou treinar as notas e-"
"Okay, eu vou acabar a analise. A gente se fala depois?"
Concordei de leve. Ela sorriu e saiu da sala procurando pela professora.
"Você toca?" Um menino de olhos azuis calmo se aproximou de mim.
Tentei ajeitar o violão em meu braço e ele acabou caindo enquanto eu procurava voz para responder. "Um pouco. O que eu aprendi sozinha."
"Legal." Ele se sentou na mesa que ficava na minha frente e ajeitou o violão dele encostado na cadeira. "Que música pretende tocar?"
"Er..." Olhei para o papel. "Miles Away." Ele sorriu mostrando que não conhecia a música. Nós encaramos em silêncio por um tempo. "Você vai tocar o violão?"
"Eu estava pensando em não fazer isso."
O encarei confusa.
"Eu toco violão há muito tempo, a professora disse que eu deveria tentar algo novo." Concordei de leve e olhei para o lado onde a professora nos encarava séria.
"Praticando falar?" Ela falou e ele fez uma careta.
"Bom... prazer falar com você."
"Igualmente."
*******
"Bom dia, Catherine." Michael falou entrando na sala. Respondi o mesmo para ele e voltei a olhar para a tela do meu computador como se eu estivesse fazendo algo importante. Fechei os olhos repetindo a cena rotinal do meu ex-melhor amigo de entrar na sala rodeado de todas as 'amigas' dele, me cumprimentar as vezes e sentar com elas em outra fileira. Michael foi o menino que eu mais amei minha vida inteira. Pelo menos o que eu pensei. Viramos melhores amigos aos cinco e eu saí do país aos oito. Os seis anos que eu passei no exterior sem saber se eu voltaria foram provavelmente os mais românticos que já tivemos. Já que eu era pequena eu saí do país sem telefone, email, nada. Perdemos total contato e eu também não sabia o sobrenome dele. Com o passar dos anos eu pensava que o único menino que eu gostaria seria ele. O jeito feliz e simples de ele ser, mas quando eu voltei para a Austrália...
Michael puxou uma cadeira e se sentou do meu lado. Mordi o lábio com a surpresa.
"Tudo bem?" Ele perguntou e eu olhei para as meninas populares que cochichavam e olhavam para mim.
"Você quer a tarefa de matemática?" Perguntei abrindo meu caderno, mas ele pegou minha mão.
"Não... não hoje."
"O que foi?"
"Faz um tempão que não conversamos."
Soltei minha mão com raiva.
"Faz um tempão que você me ignora."
"Eu não ignorei ninguém."
"O que você quer?" Perguntei fechando os olhos e respirando fundo.
"Eu só queria te cumprimentar e-"
"Michael!!! Olha isso!" Zoe falou e ele fez uma careta em minha direção.
"Bom, bom dia para você." Ele falou se levantando e indo até elas.
"Igualmente." Murmurei e desbloqueei a tela do computador. Meu cerebro não aceitava mais as indas e vindas do Michael. Era incrível como um dia ele parecia meu melhor amigo e no outro não eramos conhecidos. No começo foi complicado já que meu cerebro o fantasiou de principe encantado e todas as vezes que ele se aproximava de mim eu achava que ele não faria a mesma coisa. Agora eu descobri que o que doía menos era cortar qualquer relação de amizade que tivessemos. Entrei no Gmail.
Harry Holmes: Oi.
Ri e desliguei o tablet.
*******
Depois da aula de matemática e história encontrei o Harry na frente do bloco A.
"Você não me respondeu." Ele falou tomando minha mão. Fomos andando devagarmente até a bilbióteca.
"Eu iria responder algo como 'oi.' e ficaria estranho."
"Nah." Ele falou olhando para frente. "Agora por que você está assim? Foi o Michael?"
"Não!" Olhei para ele séria. "Eu não me importo mais com o que ele faz. Acho que é só cansaço, a prova que está chegando."
"Se você diz que é isso eu paro de perguntar." Ele falou colocando a mochila dele no chão e se sentando.
"Não se preocupe."
"Agora para um assunto mais sério."
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