O Que Deveira Ser Dito
1 Completamente Apaixonada
Acordei com a luz do sol espiando pelas cortinas do meu quarto. Olhei em volta para todas as prateleiras cheias de ursinhos de pelúcia e trofeus de música. Minha atenção voltou do passado para meu telefone começou a tocar. Sorri a ler o nome e desbloqueei o celular que exibia a mensagem diária:
"Eu te acordei?"
Me ajeitei encostando minhas costas na cabeceira e respondi:
"Já me adaptei à hora que você me manda mensagens estúpidas."
Coloquei o telefone de lado, troquei de roupa, abri a janela revelando o sol, me dirigi ao banheiro para pentear meu cabelo castanho em um coque e lavar meu rosto. Me apoiei na pia e olhei para o espelho que refletia o dia nublado lá fora. Suspirei e me recordei do dia que eu entrei na escola. Estava nublado também.
Eu entrei na sala e comecei a roer as unhas nervosamente. Uma menina com as pontas do cabelo loiro sentou-se do meu lado.
"Qual o seu nome?"
"Catherine?" Falei mais como uma pergunta e ela assentiu. A observei tirar um livro da bolsa e começar a o ler.
"Hum... Qual o tí- título?"
Ela levantou a cabeça e pareceu confusa por um instante, depois do meu olhar se voltar para o livro ela me mostrou a capa.
"O Extraordinário" Ela respondeu rapidamente.
Deslizei meu dedo pela mesa de madeira na minha frente e decedi continuar com a conversa.
"Eu não achei o final muito impressionante."
Ela não pareceu dar muito valor ao meu comentário e sem falar mais nada voltou a ler. A medida que mais alunos entravam na classe meu pânico aumentava. Cada um conversava sobre um assunto diferente e as meninas se sentaram todas juntas em um grupo. A menina sentada do meu lado, que foi chamada de Jasmim se levantou e foi sentar com elas me deixando sozinha numa fileira inteira. Suspirei.
–Mais díficil do que eu pensava-
Sacudi a cabeça e prendi meus cabelos em um rabo de cavalo. O celular vibrou novamente desta vez caindo no chão encarpetado. Corri até o aparelho e li a nova mensagem:
"Cadê você?"
Joguei o celular dentro da mochila, abri a porta da varanda e me apoiei no guarda-corpo. Tentei olhar por entre os galhos da árvore enorme em frente da varanda e encontrei o menino de cabelos cacheados olhando para a minha varanda. Ele sorriu ao encontrar meus olhos e eu pulei da varanda para o tronco da árvore. Desci e o cumprimentei com um abraço. Ele beijou minha testa e sorriu.
"Bom dia, Potter." Falei e ele revirou os olhos.
"Bom dia, nuvem." Ele respondeu olhando para os meus olhos da mesma cor que a das nuvens.
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