O Quarto Dos Segredos
4 \"Passado\"
Notas iniciais
Pensei que teria que quebrar alguma parede para aumentar o espaço do quarto. Acabou que pus algumas prateleiras a mais e tudo está resolvido. Pelo menos até o fim deste ano. Eu não havia saído no ultimo fim de semana.
Tive de trabalhar o dobro para resolver as contas do escritório. O carro estragou e estava na oficina. Acabou que perdi a colheita de dois dias e precisava recuperar isso.
Estava pronto para sair quando a campainha soou pela casa. Arqueei uma sobrancelha e caminhei até a porta. Não podia ser a policia de novo.
E não era.
Quando abri a porta uma figura baixa se encontrava ali. Cabelos esbranquiçados e o rosto marcado por rugas. Em uma das mãos uma mochila média. Estava vestida com um vestido simples floreado. Um sorriso tomava conta de seu rosto.
- O que faz aqui? – Franzi o cenho.
A Senhora me empurrou de lado e entrou. Olhou a casa com uma certa cara de nojo. Se virou para me encarar mais uma vez. Eu ainda estava parado na porta, completamente atordoado.
- É assim que trata a sua mãe, Nathan? – Ela deixou a mochila sobre o sofá.
- O que a trás aqui? – Fechei a porta e cruzei os braços sobre o peito.
- Vim visitar o meu filho. – Ela sorriu.
- Eu estava de saída. – Disse lhe encarando.
- Muito bem. Estava. – Se dirigiu ao sofá e sentou.
Parei atrás do sofá e ela me encarou. Olhou para a mochila e em direção das escadas superiores.
- Leve para o quarto de hospedes. – Ela disse.
- Não tenho quarto de hospedes. – Disse.
- Como não? Você pretendia se casar com Kathy, teriam filhos, tinha que ter um quarto a mais. – Ela cruzou as pernas.
O nome de Kathy fez com que um fervor subisse pelo meu corpo. A raiva me consumiu. Cerrei os punhos e caminhei até a cozinha. Peguei um copo d’água e tomei em um único gole
Minha mãe permanecia imóvel no sofá. Olhando a casa com certo receio.
- Se acha aqui nojento demais, vá para um hotel. – Apontei a porta.
- O que há com você, Nathan? – Ela se levantou e parou a minha frente. – Não era assim.
- Bem, nos últimos oito anos na qual não me visitou eu mudei. Sabe. Ficar sozinho. – Sentia o sangue correndo rápido em minhas veias.
- Pois vou ficar, e vou dar um jeito neste lugar. – Ela olhou ao redor mais uma vez.
- Por que está aqui afinal? – Respirei fundo.
- Queria ver meu filho, saber como estava. – Ela passou a mão pelo meu rosto.
- Ótimo, pode ficar no sofá.
- Nathan, acho melhor você ficar no sofá e eu com sua cama. – Ela sorriu.
- Pois eu não acho. – Subi as escadas com passos pesados.
Fui até meu quarto e peguei um travesseiro e uma coberta. Desci mais uma vez e pus ambos no sofá. Segui para a cozinha e servi um café. Voltei a sala e ela estava atônita me encarando.
- Vou dormir, meu quarto é a segunda porta. – Apontei o topo das escadas. – Caso precise de algo, estarei lá.
Subi para o quarto e soquei a parede. Duas semanas sem nenhum acréscimo. Isso era ruim, terrível. Péssimo. Minha cabeça latejava. Cerrei os punhos mais uma vez e as juntas ficaram esbranquiçadas. O que me restava era dormir e esperar que no dia seguinte ela fosse embora.
O dia seguinte chegou e minha mãe continuou em minha casa. Assim como no dia seguinte àquele. Eu havia saído na segunda para trabalhar e quando cheguei estava tudo arrumado. O sofá estava limpo. O chão estava polido. Não havia pó sobre os moveis.
Quando cheguei ao andar superior encontrei minha mãe em meu quarto. Usava um avental branco sujo. Tinha um pano em mãos. O quarto estava mais limpo do que nunca. Não me lembrava se um dia tivesse o visto neste estado.
O que me preocupou com toda essa faxina foi se minha mãe havia encontrado minha caderneta, ou até mesmo a chave do quarto ao fim do corredor. Mas parece que não.
Eu ainda não entendia o que a visita repentina dela significava. Faziam mais de oito anos que eu não havia, até pensei que estivesse morta. Quando me viu ela pareceu surpresa. Larguei a maleta de trabalho em cima da cama e lhe encarei.
- Por que limpou tudo? – Perguntei.
- Como consegue viver aqui, sua casa...
- Exato, minha casa. – Lhe interrompi. – Não quero ela limpa, gosto dela assim.
- Deixe de ser teimoso, Nathan. – Ela largou o pano e tirou o avental.
- Apenas me diga por que está aqui.- Elevei a voz.
Ela parecia nervosa.
- Sua vizinha me contou que a policia bateu à sua porta. Fiquei preocupada. – Ela tinha olhos piedosos.
- Argh. Por que essa gente não cuida da própria vida? – Virei irritado e saí do quarto.
Fui até o banheiro e lavei o rosto. A água gelada fez com que a quentura de meu rosto pela raiva diminuísse. Olhei-me ao espelho. Eu estava com os olhos inchados e cansados.
Desci as escadas e abri a porta. Peguei a chave do carro e fui até o bar mais próximo. Quando cheguei, sentei ao balcão. Pedi uma dose de Whisky e então olhei o recinto.
Naquele momento eu sabia que havia algo mais que minha mãe escondera. E eu estava olhando para ela. Os mesmos cabelos, os mesmos olhos. Só não sabia exatamente o que queria aqui. Na minha cidade.
Seu olhar se fixou em mim e seus olhos se arregalaram. Fechei os punhos e estreitei os olhos. Dessa vez não era nenhum engano. Aquela era Kathy. Estava a menos de dez passos de mim. Completamente assustada.
Notas finais
Mas é isso aí.
Acho que não vão haver muitos capítulos depois desse. Talvez até mais um, só.
Mereço reviews?
xoxo'
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