Notas iniciais
Capítulo 2

Na casa do Sr. Muller, um raio de sol entrava pela janela, fechada nas venezianas. Ele acordara no mesmo instante. Olhou para seu relógio velho que nunca tirava do pulso e este mostrava exatamente 07h00min.


Aquela cidade ainda estava em construção no século 19 e muitas pessoas trabalhavam duro para conseguir construir casas, portões entre outras coisas. James era um e desses homens. Estava com os olhos cansados,mas não deixou de se levantar e colocar a mesmaroupa de ontem, agora um pouco mais limpa. O trabalho dele era duro carregava pedras para construções. Naquela quarta-feira eles terminariam de construir aprefeitura, faltando apenas algumas pedras gigantescas.


Depois, saiu do quarto e foi em direção ao banheiro, que ficavabem na frente do cômodo em que estava. Ele escovouos dentes e urinou. Depois perambulou pelo corredor até a cozinha. Lá pegou uma maça e deu uma grande bocada.


Pegando a chave de uma prateleira e acabando de comer a maçã, ele passou pela mesa, que ficavapróxima a uma geladeira e abriu a porta. No exato momento emquepôdeolhar para fora ficou boquiaberto. A polícia havia fechado a rua e também isolado o local onde Billie ficou durante a noite. A polícia chegara às 6 horas e já recolhera o corpo, o enterrando no cemitério.


James saiu de casa e foi falar com os homens. Eles estavam tão assustados quanto o ele.


– O que houve aqui? –


– Você mora aqui, não é? – perguntou o policial, nem se importando com a pergunta do homem. Aquele oficial estava vestido com roupas tradicionais da polícia na época e enquanto falava seu bigode se mexia bisonhamente.


–Sim, sim, eu moro naquela casa – disse o Sr. Muller apontando para moradia, tingida por um verde claro e com janelas castanhas, por causa da madeira.


– Então você virá com a gente, agora mesmo! – disse o policial, colocando as algemas que recebera hoje.


– Mas… por quê? – e mais dois policiais imobilizaram o homem, que não teve o que fazer.Eles entraram em um carro que era movido a vapor. O carro da polícia na cidade, embora em alguns outros lugares os carros já eram um pouco mais modernos.


O homem foi calado o tempo inteiro, com dois enormes seres do sexo masculino ao seu lado. Eles seguravam seusbraços, para não ter como fugir. Então chegaram ao local, quando desembarcaram, o Sr. Muller viu um relógio parecido com o dele, no pulso do agente da esquerda e disse:


– Ei, eu preciso trabalhar! – o policial do bigode bisonho virou-se para ele e falou rindo-se.


– Caro senhor, a revolução industrial já chegou por aqui. Tenho certeza que você é um dos que constrói as casas, certo? Então, não precisa se preocupar, hoje mesmo muitas máquinas, como umas que carregam pedras. Você não tem mais trabalho! – e continuaram a andar para a delegacia. Tinha sido tudo tão rápido. Depois de alguns segundos, James entrava no local e passava por corredores, onde trabalhavam vários homens. As mulheres ainda brigavam pelos seus direitos. Estava uma bagunça aquele mundo. As paredes eram brancas e nas portas fechadas, dava para ver os nomes de quem trabalhava ali e o que faziam


Depois de dar vários passos, James foi puxado violentamentepara a esquerda, onde entrou em uma sala, escura. A porta foi fechada com um baque e uma luz acendeu-se, mostrando um rosto assustador. Aquele homem tinha um nariz deformado e olhos saltados para fora. A boca era pequena e tinha dentes muito brancos.


– Veja isso! – e fez com que a lâmpada no teto iluminasse o jornal, para que o outro, sentado e nervoso lesse.


A manchete assustou um pouco James, mas ele já estava acostumado com a violência da cidade. Ele releu-a em voz baixa, esfregando um pouco os olhos, pois era um acontecimento bem forte e violento.


– \"Garoto morre em uma rua próxima ao bairro principal\"


James continuou a ler o artigo.Ele não falava nada do crime horroroso que havia sido feito.


– O jornal não fala nada do que realmente aconteceu, apenas da morte desse garoto. Você quer saber o que houve… Sr. Muller? – disse ele, com uma voz de desafio. Mesmoque o outro dissesse não, o delegado iria falar.


– Diga-me! – exclamou James, excitado.


– Ogaroto foi brutalmente assassinado. Quem o matou não se contentou apenas em tirar a vida do garoto, cujo nome eufiquei sabendo que era Billie. Ele simplesmente levou artérias do garoto e também alguns órgãos. Vou te dar exemplos. Parte do intestino não está mais lá, nem um pedaço do pulmão, sem dizer o braço do garoto! –


O Sr. Muller deuum salto para trás coma cadeira. O delegado estava com o rosto próximo ao dele, berrando igual um louco. Às vezes, cuspia sem querer nele e então levantou-se. Com um tapa, o outro que gritava fez com James senta-se novamente.


– Fique aí! –


O silêncio apoderou-se da sala escura. Já não davapara ver o homem além de James. Havia se sentado na escuridão. Ele queria que o Sr. Muller dissessealgo, como: \"–Fui eu! –\" mas até parece que um assassino, maníaco iria entregar-se tão facilmente assim.


– Você acha que fui eu? –perguntou Muller, quebrando o silêncio e cruzando os braços com fúria em seus olhos. Ele queria ver o rosto do outro homem, mas não conseguia.


– Me diga tudo que sabe! – falou ele ainda exaltado.


Sr. Muller ficou um pouco indeciso, mas se não falasse nada riria preso. Então, pensando muito bem nas palavras etentando ser o mais exato possível, começou a falar. Contou toda a parte de seu trabalho e avolta para casa.Tudo muito detalhadamente. E então, com uma cara d e desaprovação o delegado voltou a mostrar seu rosto.


– Você irápreso até provar que não foi você que matou aquele jovem! – dois policiais surgiram do nada, agarrando James com força. Então eles saíram e começaram a descer escadas ao lado da sala. Muller estava suando muito, com um medo enorme.


Para a tristeza do Sr. Muller, a políciaem Hangleon era extremamente corrupta.Ao saber que um assassino estava à solta, elesprocuraramqualquer um para prender e dizer que haviam conseguido. Mas também, todos os dias, pelo menos um bandido era solto e pagava propina para poder sair sem que os policiais o prendessem novamente. Era uma corrupção gigantesca.


O homem foi levado a uma sala, onde uma pessoa, com um capaz e roupa branca fizesse algo. Os olhos de James se arregalaram ao ver um ferro sendo posto em brasas muito quentes. A ponta d o ferro, onde havia um símbolo fora retirada e estava vermelha.


– Toma seu desgraçado! – e com tremenda violência, oferro foi posto nas costas nuas do homem. Eles haviam retirado a camisa e logo colocaram, ao queimar a marca.Ele urrava de dor.


– Levem-no até a sala... –


E o homem, choramingando de dor foi sendo arrastado por um corredor. Estava tudo escuro, a não ser por alguns lampiões pendurados no alto das paredes.


– Fique aí, verme! – e jogaram-no para dentro de umaporta, que foi aberta por um dos homens. Logo após verem que o homem estava lá dentro, fecharam-na.


Estava tudo escuro. Dava paraouvir barulhos de animais, insetos nojentos, como baratas e até escorpiões...


O delegado Stilt saiu de sua sala e entrou na do lado. Ele encontrou três homens escrevendo em papéis sobre algo que não dava paraver.


– Senhor Magnover, continue aqui, o resto vá embora! – gritou ele, esbugalhando os olhos, como fez antes. Continuava exaltado, enfurecido. O homem que restara o fitou por alguns instantes. Reparou em sua roupa e bigode perguntou seco:


– O que quer? –


– Mande aos jornais que capturamos o assassino. Mande agora! – disse um pouco mais calmo, mas ainda exaltado.

Notas finais
Final do Capítulo 2