O Príncipe e Eu
4 Capítulo 3
Notas iniciais
Depois de quase dois dias de viagem finalmente eu estava chegando em Nova York. A viagem de ônibus tinha sido mais lenta do que eu pensei que seria. Tenho que admitir que quando avistei a cidade não pude evitar me sentir assustada, principalmente pelo corre-corre que percebi já na rodoviária.
Sai do ônibus com o coração acelerado. Finalmente tinha chegado aqui e, por um momento, senti o pânico tomar conta de mim ao ver as pessoas andando rapidamente para todos os lados, algumas até me empurrando sem pedir perdão. Eu não estava acostumada com toda aquela agitação.
Segurei minha mochila na frente do corpo e fui em direção a saída. Depois de quase 20 minutos tentando pegar um táxi finalmente consegui. Encostei minha cabeça no estofado do carro e respirei fundo tentando me acalmar. Eu sabia que Nova York era uma loucura, mas não achei que fosse tanto.
O taxista teve que parar um quarteirão antes da faculdade pois a rua estava abarrotada de estudantes retirando malas e caixas de porta-malas, prontos para começar a vida universitária.
Depois de pedir ajuda a algumas pessoas finalmente consegui chegar a sala da coordenação. O lugar estava abarrotado de gente, entrando e saindo. Depois de esperar por vários minutos finalmente uma mulher ruiva vestida de amarelo dos pés a cabeça me atendeu. Depois de receber meus documentos, me fez responder um questionário interminável que determinava se eu merecia a bolsa ou não.
Finalmente recebi um mapa do campus, um regulamento para estudantes bolsistas de 37 páginas, meu horário de aulas e um documento que me dizia qual meu dormitório.
Quando cheguei ao dormitório numero 10 vi que o quarto tinha duas camas de solteiro, duas escrivaninhas, um banheiro e um armário. Tudo muito simples, mas bem melhor do que eu esperava. Deixei minha mochila na cama que deduzi ser minha, sendo que a outra estava com uma mala e varias caixas em cima, pelo visto minha colega de quarto tinha chegado primeiro.
A porta do banheiro se abriu e uma garota, provavelmente da minha idade, de cabelos loiros e alta apareceu.
— Oi. Meu nome é Jessica. — disse estendendo a mão para mim.
— Oi. Eu sou a Lizzy. — respondi tímida.
— Nós vamos ser colegas de quarto. Isso é tão legal — ela disse abrindo um imenso sorriso.
Logo Jessica começou a desarrumar suas coisas e eu fiz a mesma coisa. Fiquei intimidada por conta de ela ter trago duas malas grandes e mais um monte de caixas enquanto eu tinha uma mochila média. Ela percebeu que a mochila era minha única bagagem, mas não comentou nada e eu a agradeci intimamente por isso.
Ela começou a falar de sua família e amigos e de como estava contente de estar finalmente na faculdade. Ela era tão divertida, que não pude evitar sorrir varias vezes ao ouvi-la falar sem parar.
Enquanto desarrumava minhas coisas vi um envelope branco que não reconheci. Dentro havia cerca de 500 dólares, acompanhado de um bilhete.
"Eu poderia ter te entregado pessoalmente, mas sei como é orgulhosa. Então considere como um empréstimo.
Com carinho, Dana
S.: Pegue muitos gatinhos nova-iorquinos e beije muito na boca."
Quando li aquele bilhete meu coração se apertou em uma bola e tive vontade de chorar. A saudade já estava quase insuportável, mas eu não poderia voltar atrás. Agora eu tinha que focar no meu futuro e nas novas experiências que eu iria ter. Não seria fácil, mas não iria desistir. Eu não tinha passado os últimos dias na corda-bamba para desistir.
1 Ano Depois
Corri em disparada pelo corredor central. Mais um atraso não seria tolerado pelo Sr. Perry. Quando sentei na cadeira o horário bateu. Respirei aliviada por ter conseguido chegar a tempo. As luzes foram desligadas e um filme começou.
Já fazia um ano que Nova York tinha se tornado a minha casa. Já não era a garota bobinha do interior. Agora tinha minha faculdade e meu emprego na lanchonete do John, e era grata por tudo que tinha conquistado. Nova York já não era tão assustadora e eu acabei me acostumando com o corre-corre e até mesmo vivendo desse jeito.
Jess acabou se tornando minha melhor amiga. Me ajudou muito quando comecei a estudar e sempre me coloca para cima quando alguma coisa dava errado. Ela era divertida e acabava me divertindo também.
Quanto a minha família, acabei por ligar apenas uma vez a minha mãe. E foi uma a minha pior decisão. Basicamente falamos coisas que não queríamos e serviu apenas para magoar a nós duas. Eu era covarde demais para se quer ouvir a voz da minha mãe uma segunda vez. Era capaz que seu choro me comovesse e, se ela me pedisse, eu iria correndo de volta para casa. Não podia correr esse risco. Pensava neles todos os dias, mas não podia voltar não depois de ter vindo embora.
Minha faculdade era minha prioridade e eu amava a vida que tinha construído aqui. Nada podia me atrapalhar.
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