Notas iniciais
Olá queridas princesas. Aqui vai mais um capítulo fresquinho pra vocês. Espero que gostem, se gostarem não custa nada comentar e dar uma favoritar a história né? Seus comentários são o combustível pra essa iniciante aqui... Muito bem, hora de conhecer um pouco a nossa protagonista ♥


Já fazia três semanas que eu estava pensando em como contar aos meus pais. Eu sei que pra eles seria um grande choque quando soubesse que eu tinha me inscrito em uma faculdade tão longe de casa e ainda tinha passado.


— Já contou pra sua mãe sobre Nova York? — perguntou minha amiga Dana. Estávamos no quarto dela, eu estava sentada em sua cama enquanto ela pintava as unhas das mãos, sentada no chão.


Se tem algo que nunca entendi, é a minha amizade com Dana. Ela é três anos mais nova que eu e nos conhecemos quando ela mudou-se pra minha rua há dois anos. Sempre fui muito tímida e ela é mais alegre e extrovertida, somos o oposto uma da outra e mesmo assim éramos amigas.


— Não. E nem sei por onde começar.


— Você tem que falar logo amiga — ela disse olhando para suas unhas. — Quando você tem que se apresentar?


— Em duas semanas — respondi com um suspiro me jogando em sua cama cheia de ursinhos. — Eu tenho medo de deixá-los, mas também sei que não posso ficar e deixar de viver a minha vida.


— Então não pensa duas vezes, vai e não olha pra traz.


Suspiro sem responder.


Decido ir pra casa. Vou andando sentindo o vento gelado acariciando meu rosto. Eu já deveria saber que Dana não seria de grande ajuda nessa situação, sua mente imatura não entende o dilema que estou passando. Seus pais eram diferentes dos meus e ela não se importa de viver o resto dos seus dias nessa cidade.


Eu não posso deixar meu futuro escapar. Sonhei tanto com a faculdade só pra desistir no final? O que eu devo fazer? Demorei tanto tempo para me inscrever em uma faculdade. Eu já tinha 21 anos e ainda tinha a mesma vida que tinha quando estava no colegial. Acordava de manhã e ia trabalhar na loja. Esse era o único lugar para o qual eu saia, enquanto alguns dos meus amigos tinham se mudado e estavam quase terminando os estudos eu ali, empacada naquela cidade.


Apesar de tudo, amo minha família, minha mãe, meu padrasto e minha irmãzinha Zoe.


Ficando eu estaria vivendo a vida deles e por eles, quando sobraria tempo para os meus sonhos e meus desejos? Ninguém deve deixar viver sua vida pelos outros, mesmo que esses outros seja sua família.


...


Cheguei em casa e logo pude sentir o cheiro de comida caseira que só a minha mãe sabia fazer. Entrei na cozinha e a vi de costa, na pia cortando verduras. Minha mãe era o tipo de mulher que se satisfaz em ter uma família pra cuidar, uma autêntica dona de casa, do tipo que eu nunca seria. Mesmo tendo mais de 40 anos minha mãe era uma das mulheres mais bonitas que eu já tinha conhecido. Ela era magra, não muito alta, cabelos castanho escuro que eu sempre achei lindo.


Eu a amava e fiquei feliz quando ela encontrou Erik, que a ama e cuida dela como ela merece.


— Oi mãe.


— Oi Liz. — ela me saúda olhando rapidamente pra mim. — arrume a mesa para o jantar, por favor.


Arrumo a mesa e chamo Zoe e Erik para a mesa. Estamos todos comendo e o único som que se ouve é dos talheres em contato com os pratos. Percebo que se não contar agora perderei a coragem e terei que desistir da universidade. Esse é o momento.


— Eu gostaria de contar algo — disse abaixando meus talheres. Respirei fundo. — Eu fui aceita em uma universidade em Nova York.


Quando não ouço nada olho para cima e vejo minha mãe me olhando. Zoe continua comendo como se nada estivesse acontecendo, admito que invejo o fato de que ela, nos seus cinco anos, é nova demais pra pensar em assuntos tão importantes.


Enfim saindo de seu momento de surpresa, minha mãe questiona:


— Como assim?


Respirei fundo e respondi.


— Eu fui aceita em uma universidade em Nova York, a Universidade Columbia. Me inscrevi no ultimo semestre. Mandaram a minha carta de aceitação. Eu preciso de apresentar em duas semanas ou vou perder a vaga. — quando termino de falar já sinto a adrenalina subir nas veias e meu coração bater acelerado.


— Achei que não quisesse fazer faculdade — disse Erik voltando a comer.


— Filha... — mamãe começa calmamente -... nós não temos como pagar uma faculdade pra você. Pensei que já tivesse percebido que nossa situação não é boa querida. A cada ano as contas ficam maiores e não existe possibilidade de mais um gasto, principalmente agora que tivemos que reformar a loja de ferramentas.


Meu padrasto tem uma loja de ferramentas e é de lá que vem o nosso sustento já que mamãe teve que parar de trabalhar desde que Zoe nasceu.


— Mãe é uma bolsa de estudos. Tudo será pago pela universidade. Não vai sair tão caro.


— Mesmo assim, morar em uma cidade como Nova York não é barato e nós precisamos de você aqui. Para ajudar na loja e em casa, com a Zoe.


— Mas mãe, eu quero estudar — replico angustiada, sentindo meus olhos molhados de lágrimas prestes a serem derramadas. – eu sei que já faz dois anos que eu me formei no colegial. Mas eu quero isso.


— E você vai. A escola técnica é ótima e você poderá ficar em casa, o que é a melhor parte. Sem gastos e sem perigo desnecessário. Nova York é muito grande e você não conhece ninguém lá.


Escola Técnica? Sério? A Escola Técnica funcionava em um prédio horrível caindo aos pedaços. Não passa de um aglomerado de salas que se diz um lugar de ensino, além de o estudo ser de péssima qualidade.


— Mas...


— Sem “mas” — minha mãe fala me olhando nos olhos. Sei o que esse olhar significa, ela não vai mudar de ideia. – Isso não é algo a ser discutido.


Continuo sentada de cabeça baixa. Meu apetite completamente perdido. Como sempre Erik não fala nada, sempre deixou que minha mãe tomasse todas as decisões importantes.


Quando o jantar termina eu vou para o meu quarto, e assim que a porta se fecha sinto lágrimas descendo pelas minhas bochechas. Sem conseguir controlar, escorrego até o chão e fico ali chorando pela minha vida e por tudo que não quero deixar passar.


Entrar em universidade me deixou tão eufórica e feliz, por que eles não podem ver isso? Por que não podem entender que isso é o melhor?


Quando as lágrimas acabaram respirei fundo e levantei-me. Peguei o manual da faculdade e comecei a ver todas as coisas que tinham lá. Laboratórios, uma biblioteca imensa, dormitórios. Aquele lugar era perfeito, tantas possibilidades, tantas coisas a oferecer. E mais do que tudo, me dava a oportunidade de um futuro longe de Fayette.


Meu sangue pulsou mais forte e subitamente senti que eu era capaz. Eu queria realizar meus sonhos, queria a faculdade e tudo o que viria junto com ela. Olhei o céu e, naquela noite, estava especialmente estrelado, como uma mensagem diretamente pra mim. Minha decisão estava tomada, não tinha mais volta. Eu iria pra Nova York, mesmo que para isso tivesse que fazer grandes sacrifícios.

Notas finais
Obrigado por lerem mais esse capítulo.O que acharam da Lizzy? O que será que ela vai fazer pra ir pra Nova York? .Até a próxima meus amores