Liverpool, Londres — P.O.V Nate

Você sabe o que é ter nas suas costas algo que você carrega desde novo? Pois é, você não sabe. Eu sei. Desde os sete anos estou no cinema. Sempre trabalhando, estudando, trabalhando, estudando, trabalhando, estudando... Agora que eu estou na faculdade, as coisas estão um pouco piores. Acabei de levar um pé na bunda da Tiffany Gareel, simplesmente a modelo norte-americana mais linda do mundo. Mas o pior não é o mundo saber que nós terminamos, mas é o mundo saber o porquê. É, é isso mesmo que você está pensando. Ela me traiu! Vai, pode rir. Mas agora não dói tanto como antes, já que o Brendan vive me levando pra bar de strippers. Só de me lembrar me dava vontade de rir, mas eu não podia, pois estava na faculdade fazendo prova. Ao sair do prédio onde eu estudo, ouvi alguém me gritando.

— Nate! — Era o Brendan.


— Que susto cara!


— Desculpa. Aí, recebi uma ligação do Frederick.


— Frederick? — Me espantei. — Ele é amigo do Tom.


— Aquele seu agente que morreu?


— Sim.


— Ah, então, ele disse que ia me trazer um roteiro hoje à noite.


— Sério?


— É cara. E perguntou sobre você.


— Mesmo?


— Acho que ele te quer no filme. — Caramba! Eu nunca vou ter um descanso? Eu acabei de sair de um filme, e vou engrenar em outro? A minha cara era de desanimo.

- Ah, cara. Qual é?


— Qual é o quê?


— Ah, você não pode recusar. Porque se você não for, eu não vou.


— Está me ameaçando? — Disse chegando perto com os punhos fechados. Ele sabia que era de brincadeira.
— Ah, estou — Disse ele me encarando. Eu o abracei, e ofereci carona. Ele aceitou e saímos da garagem do prédio. Logo vimos os paparazzi. Eu não queria nem olhar pra cara deles, já que eu empurrei um deles. Ah, só de lembrar meu sangue ferve. E ele disse que eu bati nele, Ah, desgraçado, filho da...

— Nate. — Disse Brendan colocando a mão no meu ombro. — Tudo bem?


— Tá, tudo bem. — Logo chegamos à casa dele, me despedi dele e só saí de lá quando ele entrou. Liguei meu carro, e os paparazzi atrás de mim. A minha vontade era de parar o carro e ir com tudo pra cima deles, mas eu não podia, já que, graças a um deles, agora eu sou conhecido como agressor de fotógrafos. Chegando em casa e meu irmão estava no telefone.

— Ah, só um instante. Nate é pra você.


— Quem é, estou cansado.


— É o Frederick.


— Ah, ótimo. — Disse pegando no telefone.


— Fala Frederick.


— Oi Nate, meu filho favorito.


— Quem dera se você fosse meu pai. — O ouvi rir do outro lado do telefone.


— Acho que o Brendan já te contou sobre o filme.


— Sim


— Ótimo, queremos você no filme. — A minha expressão era de cansaço, eu não queria fazer filme agora, mas eu não queria decepcionar o Fred. Nada contra ele, ele era melhor amigo do Tom, meu agente falecido. Mas eu estava cansaço. Eu já tinha a resposta na minha mente quando o Frederick me chamou atenção.

— Nate?


— Estou aqui.


— E então, vai aceitar meu convite?

- Me trás o roteiro primeiro. — Disse entre os dentes


— Mas não vai te atrasar nos estudos? — Ah, agora lembram que eu estudo? Que eu sou humano?


— Não. Pode deixar, eu dou um jeito. — Disse fazendo careta para o meu irmão, Ele riu.


— Ok Nate, então eu vou aí amanhã de manhã.


— Tá bom, nos falamos amanhã.


— Ok. Até amanhã. — Disse ele desligando o telefone.

Joguei-me no sofá e bufei. Por que eu não disse não? Por que eu não recusei? Mas, se eu recusasse, Ah, eu não sei, eu não sei de mais nada. Eu estava sentindo algo, dentro de mim, algo bom, sobre esse filme. Algo me diz que eu não vou me arrepender. Mas... Eu não queria, eu estava cansado. Era como se, agora, atuar fosse um fardo pra mim.

— Nate? — Meu irmão chamou minha atenção, sentando no meu lado. Ashton me conhecia bem, e sabia quando eu estava confuso.


— Por que você não disse que não queria fazer o filme?


— E o que eu ia dizer pra ele?


— A verdade. Que você está cansado, que acabou de fazer um filme recentemente, que está ocupado com a faculdade... — Ash tinha razão, eu sou muito burro. Fred iria entender.


— Mas, eu não sei. — Disse me sentando. — Se eu recusasse, eu ia perder alguma coisa.


— Perder o quê?


— Eu não sei, mas tenho uma boa intuição sobre esse filme.


— Eita,virou cigano agora?


— Ah, garoto. Cala essa boca! — Disse tacando a almofada do sofá na cara dele, Ele riu.


— É sério. — Eu disse rindo.

- Você está igualzinho ao papai. — Disse ele aos risos. Aquilo me deu um receio, onde será que ele está agora?


— Sinto falta dele. — Terminou.


— Eu também sinto. — Disse fitando a cortina da sala. — Desde que minha mãe se casou de novo, essa casa tem sido um inferno.


— Ah Nate, que isso. O Jonh não é tão ruim.


— Pra você. — Disse o fitando sério. — Porque você é o caçula, é o mais quieto. Só porque eu sou famoso que ele fica me provocando, dizendo que gente famosa é gente sem estudo, é gente que só sabe fazer sacanagem no cinema. — Senti uma lágrima descendo no meu rosto, rapidamente sequei para que o Ash não visse. Mas não deu certo.

— Calma irmão. — Disse ele me abraçando.


— Ah, agora estou calmo. — Disse dando um sorriso. Ele riu e tacou a almofada do sofá na minha cara. Ficamos brincando de guerra de almofadas até minha mãe chegar.

— Parem garotos. — Gritou. — Vocês não vão crescer nunca?


— Não. — Disse Ash.


— Ashton. — Disse Jonh entrando na MINHA casa. — Não fala assim com a sua mãe, vai ficar igual ao seu irmão.


— Desde quando eu virei o assunto da conversa? — Disse me levantando. Ele se calou, mas minha mãe quis me repreender.


— Fala direito com o Jonh. – Disse.


— Por quê? Ele não é meu pai!


— Nathan! — Minha mãe gritou e o sonso do Jonh rindo atrás dela. Ah, que vontade de dá uma surra nele.


— Não mãe! — Gritei de volta. — Você não percebe que esse cara está estragando nossa família.


— Estragando filho? Ele está...


— Melhorando? — perguntei sarcasticamente. — Como melhorando? Mãe todo mundo sabe que ele era seu amante. — Jonh ficou estático, parado, olhando pra mim, assim como minha mãe e Ashton. Tadinho ele não sabia de nada

- Ficou maluco garoto? — Disse Jonh se aproximando de mim.


— Eu sei de tudo seu babaca! — Disse o empurrando. — Eu sei de tudo! — Gritei pra minha mãe, que estava chorando.


— Ashton, não acredita em nada no que o Nate está falando. — Ashton estava triste, olhando para a minha mãe como se ele não a reconhecesse mais.


— Fala Nate. Eu quero saber! — Disse ele olhando pra minha mãe.


— Mãe, você acha que eu não ia saber? Mãe, seu filho é famoso, a imprensa fica em cima de mim, querendo saber da minha família. — Lágrimas e mais lágrimas saíram do meu rosto.


— Ash, não acredita nele. Não vê que ele é ator? Ele está interpretando! — Disse o canalha do Jonh por meu irmão, mais ele não ia consegui envenená-lo, pois eu tinha uma prova.

— Eu estou interpretando, seu filho da puta? — Disse jogando a revista The Famous na cara dele e, logo na capa estava uma foto da minha mãe e dele se beijando na porta de um motel. E ele não tinha como fingir.

— Ah, — Disse ele sem graça. — Essa foto...


— Essa foto é de dois anos atrás. Eu estava em NI e minha mãe ainda estava casada com o meu pai. — O rosto de Jonh de da minha... Ah, não consigo mais chamá-la de mãe, os dois estavam sem reação, meu irmão chorava. Eu continuei

— Por conta dessa humilhação pública, meu pai foi embora. Ou você acha que ele iria continuar aqui? Feliz Jonh? Graças a você, meu pai sumiu! — Eu gritei, e a Dona Tess não parava de chorar.


— Filho, me perdoa. — Ela veio na minha direção, mas eu dei de ombros.

— Eu não vou mais ficar aqui. — Disse subindo as escadas. Ouvi minha mãe gritar pelo meu nome, e também pelo nome do Ashton, já que ele também tinha subido.

Entrei no meu quarto, praticamente marchando. Peguei minhas malas e as arrumei de qualquer jeito. Quando terminei, liguei pra primeira pessoa que veio a minha cabeça, Frederick.

— Alô?


— Fred? — Eu não aguentei o choro.


— O que houve Nate? Alguém morreu? — Fred parecia preocupado.


— Não, ainda não. Mas se eu continuar aqui, eu acho que vou...


— Brigou com o Jonh de novo?


— E mais, o desmascarei na frente do Ash.


— Meu Deus Nate! O pequeno Ash?


— Ah Fred, ele já tem 15 anos, não é mais uma criança.


— Tá bom, e o que você vai fazer? — Aquela pergunta me fez ficar em silêncio no telefone. Ele percebeu o recado.


— Ok. Pode ficar aqui, sabe que eu te considero como um sobrinho.


— Sobrinho?


— Sim, sobrinho. Pois quem te considerava com filho era o Tom. Lembra? — Eu ri. Mas Fred estava certo, Tom era meu segundo pai. Como eu sinto falta dele.

Eu nem tinha notado que meu irmão estava na porta do meu quarto, e, também de malas prontas. Eu o fitei sério, mas ele fez vez um sinal com as mãos como se fosse rezar.

— Por favor — Sussurrou.


— Fred?


— Diga?


— É... Tem lugar pra dois aí? — Fred riu do outro lado da linha


— Claro.


— Tem certeza que não tem problema?


— Claro que não. Eu moro sozinho mesmo, então não tem problema. — Fiz um sinal positivo pro meu irmão. Despedi-me do telefone, peguei minhas malas e assenti pro Ash para que ele fosse comigo.

— Vamos pelos fundos. — Ash implorou.


— Tá bom. — Disse.

Descemos as escadas devagar. Minha mãe e Jonh estavam sentados no sofá. Ela nos fitou triste, Jonh continuou olhando para a televisão desligada. Ela tentou chegar perto de nós, mas Ash deu de ombros e saiu pela porta dos fundos. O mesmo fez eu.

Para minha sorte, os paparazzi não estavam na minha porta, e nem na esquina. entramos na garagem, eu e Ash. E fomos para casa do Frederick. Chegando lá, Fred nos abraçou e nos ajudou a carregar as malas. Eu só ia ficar lá até comprar um apartamento pra mim. Quando cheguei lembrei do filme.

— Nate.


— Diga Fred


— Eu estava pensado. — Ele se sentou. — Com esse acontecimento, você está mal, então, eu acho melhor...


— Eu vou fazer o filme! — Disse cortando-o


— Nate...


— Eu tenho certeza Fred. — Disse cortando-o novamente. — Agora, mais do que nunca eu quero fazer esse filme. Cadê o roteiro?


— Eu vou buscar. — Disse ele se levantando. — Ash sentou do meu lado com um saco de bolachas.


— Agora você quer fazer o filme?


— Sim, eu tenho que fazer alguma coisa pra eu me acalmar. E atuar é o melhor remédio.


— Também é o melhor remédio curtir com seu irmão né? — Disse sarcasticamente


— Também. Agora que você vai morar comigo, vai poder ir à Première. Que tal? — Disse fazendo cosquinha nele.


— Ah, Nate pare. — Disse aos risos, e eu parei.


— Nate...


— Fala tampinha.


— Você é o melhor irmão do mundo, não importa o que o Jonh ou que os Repórteres dizem. Você é o meu ídolo. — Eu o abracei com todas as minhas forças. Meu irmão, a única coisa de valor que eu tenho, me acha o melhor do mundo. E nenhum dinheiro ou fama me fazia me sentir melhor do que aquilo que Ashton acabara de me dizer. Frederick chegou com o roteiro e sentou do nosso lado.

— Eu ouvi o que o Ash disse. — Disse mexendo no cabelo dele. — Foi muito legal.


— Ele é legal. — Disse Ash me abraçando


— Você também é legal carinha. — Disse bagunçando seu cabelo.


— Toma Nate, o roteiro. — Ele disse me dando. Eu comecei a ler, passei horas e horas e horas... Até que terminei de ler. Sinceramente era o melhor roteiro que eu já tinha lido, acho que bem melhor que o último filme que eu fiz.

- E então? — Fred me perguntou ansioso.


— Ah... — Tentei fazer suspense.


— Fala Nate! — Ash me chacoalhou


— Eu adorei! — Disse aos risos.


— Sério? — Fred estava surpreso


— Sério, a história é bem simples, realista, e o personagens chamam a atenção. Gostei muito o Jason e o Damian, são personagens bem realistas.


— Ah, que bom que você gostou! — Disse Fred me abraçando


— E então, quando é a reunião com o elenco?


— Quarta — Feira.


— Que horas? — Perguntei preocupado, pois tinha faculdade pela manhã.


— A tarde é claro. Até porque eu convidei uma convidada super especial para me ajudar com a produção e ela vem de longe. — Disse ele envergonhado.


— Frederick, Frederick, Frederick. É por acaso uma das suas namoradas? — Disse dando meu sorriso malicioso


— Tio Fred tá namorando... — Ash cantarolou.


— Que isso meninos, me respeitem. Ela é uma amiga de muitos anos, e além do mais, é viúva.


— Viúva? — Perguntei desconfiado


— Ela é viúva do Thomaz. — Por alguma razão, eu fiquei feliz com a notícia.


— Sério? Nossa, tomara que ela seja tão legal quanto ele.


— Ela é. — Disse num suspiro, mas logo voltou a si quando meu irmão riu. — E ela vai trazer a filha.


-Hey! Filha?! — Perguntei maliciosamente.


— Sim, mas ela é muito nova pra você. — Disse me fitando sério


— É irmão, cortou o teu barato. — Disse Ash, eu fiz beicinho e ele riu. Fred balançou a cabeça.


— Ah Nathan, você não toma jeito.


— Ah Fred, agora que eu estou solteiro, não há problema nenhum. – Eu sorri


— Será que a minha futura cunhada é bonita? — Perguntou o sonhador Ash.


— Ela é sim. Afinal, as garotas latinas são mais bonitas que as americanas. — Disse piscando pra mim.


— Latina? — Eu sorri


— De Porto Rico. — Disse Fred


— UOU! — Disse ao delírio. – Ela pode me ensinar a falar espanhol, que tal? ! – Eu disse maliciosamente e gargalhei. Meu riso contagiou Fred e Ash. Ele precisava de uns sorrisos depois do que aconteceu.

- Mas, Nate, quando ela chegar aqui, por favor, seja gentil. Por favor.


— Ok Srº Waldorf. — Disse fazendo um sinal de sentido. Depois pegamos as malas e ficamos no quarto de hóspedes. Eu e Ash dividimos o quarto. Ash pegou logo no sono, e eu fiquei pensando na reunião que vai acontecer na Quarta. Será que a esposa do Tom é legal? Ou melhor, como será a filha dela? Pensei. Imaginei-a de várias formas: Loira, morena, ruiva, alta, baixa, se usava óculos ou não, era gordinha ou magrinha? Ah, pra mim não importava. Eu estava com sono e queria dormir.