O Príncipe e A Plebéia
25 Capítulo 25
Notas iniciais
- Mãe? — Eu estava chocada. — Não fale isso nem brincando.
- Sim querida, estou dizendo a verdade...
- Mas por quê? — Perguntou Lola exaltada. Eu fiz um sinal de silêncio.
- Mas, por quê? — Fiz a mesma pergunta com o mesmo tom de exaltação. Lola me reprovou com os olhos, mas eu não dei importância.
- Com toda a confusão de aconteceu, acho que o Nate não vai estar emocionalmente pronto pra continuar, com tanta pressão em cima dele e também aquela Sasha dando problemas...
- Você perguntou à ele para saber o que ele acha? — Eu disse.
- Alex, não tenho o que perguntar, já está deci...
- Não mãe! — Gritei. — Não pode ser assim, já está decidido! Precisam esperar o clima ficar mais leve para conversar com todo o elenco. Não pode ser assim, afinal, ele é um adulto, e os outros também...
Parei de falar quando percebi o tom que estava falando com a minha mãe, ela me fitou de baixo pra cima, com aquele olhar de reprovação que ela sempre me dá quando eu faço algo de errado, ou seja, sempre.
- Querida, por ora, essa é a decisão. Estamos atrasados, e ainda não passamos da metade das gravações. Além disso, tivemos problemas com a Sasha novamente.
- Aquela garota tem cara de problemática, logo vi. — Lola disse entre dentes. Minha mãe a encarou séria.
- E você mocinha, vamos ao médico agora.
Eu fiquei em choque.
- Por que?
- Porque sim. — Disse minha mãe, encerrando a conversa e indo em direção a porta. Antes de abrir, ela nos encarou com aquele olhar de novo e fomos com ela.
Chegando no hospital, Lola pediu que fosse ao consultório sozinha para ficar mais à vontade com a médica enquanto eu e minha mãe estávamos esperando no corredor.
- E você? — Minha mãe me encarou, eu ruborizei.
- Eu? O quê?
Ela continuou me encarando.
- Mãe, tem certeza que vão cancelar o filme?
Ela respirou fundo, mas não me respondeu.
- É sério, se vão adiar as gravações, nós vamos ter que voltar pra Porto Rico, e, eu não quero voltar, quero dizer, estou começado a me adaptar, claro, ainda não entrei para a universidade mas, já estou me preparando e...
- Filha, acalme-se. — Ela envolveu seu braço na minha cintura. — Isso não significa que vamos voltar, podemos ficar aqui e construir uma vida nova, você e eu.
- Sério?
-Sim querida. Não viemos aqui apenas por causa do filme, viemos para mudar a nossa vida.
E então, ela me abraçou, tão forte que senti todos os ossos do meu corpo sendo estalados.
- Cadê ela? — Fomos surpreendidas pelos grito de Brendan, que chegou ao hospital correndo.
- Brendan, mas...o... quê...? — Minha mãe gaguejou.
- Lola me mandou uma mensagem dizendo que estava aqui.
- Falando no capeta... — Disse encarando a própria e vinha em nossa direção dando passos lentos e abraçou Brendan, seguido de um beijo.
- E aí? — Disse minha mãe, de braços cruzados.
- Mãe, por favor. — Tentei acalmá-la.
- Meu amor, o que aconteceu? — Perguntou Brendan. Achei tão bonito a maneira que ele disse "meu amor".
- A Senhora Elaine Martinéz acha que eu estou grávida. — Disse ela sarcasticamente. Seu semblante logo mudou com o famoso olhar reprovador da minha mãe, que a fitou de cima abaixo.
- O quê? — Brendan ficou chocado.
- E, você está, Senhorita Lola Felipinas? — Perguntou minha mãe, retribuindo o sarcasmo.
- Não, eu não estou.
Todos suspiraram de alívio, até Brendan. Eu não aguentei o riso, não que eu ache que um bebê seja uma coisa boa, mas, na hora certa, entende?
- Nossa, que bom! Sério. Olha, não me leve a mal, não quero que pense mal de mim, mas, eu iria ficar apavorado de você estivesse grávida. Claro que, em questão de sustentar a criança não seria o problema, mas, somos muito jovens para sermos pais de uma criança...
- Sim Brendan, eu entendi. – Lola sorriu e o beijou.
Eu achei aquilo tão bonito e maduro da parte dele, se mostrar tão preocupado em relação a Lola. Até minha mãe concordou comigo.
- Ah, Senhora Martinéz...
- Por favor, é Elaine.
- Tudo bem, Elaine. Nate quer falar com a senhora e o Frederick.
- Acho que ele já sabe. – Sussurrei.
- Ok, quando?
- Amanhã de manhã, na sua casa.
- Tudo bem, peça pra ele me ligar. – Disse minha mãe.
As horas passaram, eu só pensava no filme. Como meu pai conseguia lidar com isso com tanta paciência? E minha mãe, que é especialista nessa área, como ela consegue ter esse pulso firme? Se eles cancelarem a gravação, o que vai acontecer?
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Chegando o dia da reunião — que seria na minha casa, minha mãe estava terminando de se arrumar. Com toda aquela confusão que aconteceu eu havia me esquecido de falar com ela em relação ao Frederick. Mas meus pensamentos foram interrompidos quando a campainha tocou.
- Olá Senhora Martinéz...
- Por favor, me chame de Elaine. — Vi que um homem de cabelos grisalhos entrou pela porta. Ele era alto, pele corada, parecia ter cerca de uns 50 anos e estava ao lado do Nate. Por isso, logo deduzi que era seu pai.
- Eu sou Evan, pai do Nathan.
- Ah, sim, eu me lembro de você. Está mudado, bem melhor do que antes !
- Ah... — Ele hesitou em dizer obrigado, pois ficou sem jeito com o elogio da minha mãe.
- Eu vim conhecer a garota de roubou o coração do meu filho.
O quê ? Me conhecer ? Ah... Meu Deus, e agora ?
- Oi. — Eu disse surgindo da cozinha. Estava usando minha calça de moletom preta e minha blusa azul de manga. Por sorte, meu cabelo estava amarrado pra trás e eu tinha acabado de limpar o rosto com alguns produtos que a Lola havia trazido. E ele estava lá, seus cabelos avermelhados estavam mais curtos e a barba estava crescendo, o que fez ele parecer mais velho. Ele hesitou em vir até a mim por causa da minha mãe, mas ele sorriu e acenou pra mim, e eu não pude deixar de sorrir também.
- Olá Alex. — Disse Evan. Seu aperto de mão era bem forte.
- Olá. — Eu sorri e ele sorriu de volta. Nate envolveu seu grande braço em volta da minha cintura.
- Você é do jeito que meu filho disse.
- Espero que ele tenha falado bem de mim. — Sorri.
- Ah, só disso o necessário. — Nate piscou pra mim.
- Ele disse que você era linda, que você faz ele sorrir que nem um idiota...
- Pai !
Eu ri.
- Mas, Nathan, é a verdade. — Disse ele sarcasticamente.
- Ok pai, chega. — Nate tentou esconder o riso virando o rosto.
- Mas, falando sério agora, a última vez que eu o vi sorrir desse jeito foi quando ele tinha 14 anos, eu tinha dado a ele uma máquina de escrever no natal. Ele sempre gostou de coisas meio retrô.
Eu não pude deixar de sorrir, estava fazendo-o feliz, e isso também me deixa feliz.
- Você está fazendo meu filho feliz, no dia em que nos reencontramos, ele logo começou a falar de você. Eu nunca o vi tão entusiasmado com alguém como eu o vejo com você. — Ele olhou para o filho, que estava falando no telefone. Eu o encarei junto com ele e sorri.
- Eu digo isso porque... — Ele abaixou o tom de voz. — Ele sofreu muito com o antigo relacionamento. Ele parece outra pessoa depois que conheceu você.
- Ah... — Eu fiquei sem palavras. — Obrigada senhor, mas, eu não fiz nada.
- Falando muito de mim. — Disse Nate me abraçando e beijando meu rosto. Minha mãe me olhou e sorriu.
- Um pouco. — Eu disse.
- Bom, eu já vou indo. Foi um prazer te conhecer Alex, e sua mãe também. — Ele se virou e beijou a mão da minha mãe, que ruborizou.
- Ela é muito bonita.
- Pena que é comprometida. — Cuspi as palavras sem pensar. Minha mãe não mudou sua expressão, nem me olhou. Aquilo me assustou ainda mais.
A campainha tocou mais uma vez, era Frederick.
- Oi pessoal.
- Até que enfim. — Disse Nate. — Cadê o resto do pessoal?
- Estão lá fora.
Nate foi com o pai até a porta, que se despediu de todos nós. Minha mãe estava sorridente e fez algo que me surpreendeu: Beijou o Frederick.
- Oi querido. — Ela disse.
- Bom, acho melhor eu subir para o meu quarto. — Eu disse virando-me e subindo as escadas. Mas logo parei e me escondi.
- Você já contou à ela?
- Não, mas ela já sabe.
Engoli seco, minha mãe não é nenhuma boba, ela me conhecia muito bem e sabia que eu iria descobrir logo.
E então, todos entram na minha casa, Nate, Brendan e George. Faltava a Sasha, mas parecia que ninguém sentia falta dela. George cumprimentou minha mãe e Frederick, e elogiou a casa — o que achei estranho.
- Ok, podemos começar? — Nate disse.
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