O Príncipe Solitário.

4 Capítulo 4 - Desprezo.


Capítulo 4

Desprezo

Voltei naquela tarde para vê-lo, sua melhora era impressionante, nunca vi alguém se recuperar tão rápido e com tanta garra, contudo, Vegeta não fora uma pessoa qualquer, ele sem dúvidas fora o príncipe dos Sayajins. Verifiquei rapidamente a sua frequência cardíaca e observei se estava tomando todos os remédios recomendados pelo médico.

Então, esperei, esperei como fazia todos os dias desde a explosão da câmara de gravidade e prestei atenção no rosto dele enquanto dormia. Vegeta era um “homem” diferente, estranho e muito tosco, porém possuía uma beleza singular, sua expressão sempre estava pesada, ele parecia nunca relaxar, nunca descansar ou simplesmente sorrir espontaneamente.

— Você é um extraterrestre muito curioso, Vegeta – comentei ao me sentar na cadeira ao lado da cama. – Mas devo confessar que você me chamar à atenção de alguma forma.

Ri de mim mesma pelo fato de estar falando praticamente sozinha, logo encostei minha cabeça na mesa na minha frente e quase sem perceber adormeci.

Acordei meio desnorteada, tentando me lembrar onde estava e olhei para o lado, mas a cama encontrava-se vazia. Vegeta havia levantado!

— Onde você foi parar? – sai correndo a sua procura.

Incrivelmente, ele voltara ao treinamento em outra sala de gravidade, aquilo quase me matou do coração. Sem dúvidas ele era um cara muito insano! Por Kami-Sama, por que ainda me importava?

Do laboratório me comuniquei pelo telão com Vegeta.

— O que pensa que está fazendo, Vegeta??? – perguntei revoltada.

— Não é da sua conta! – ele continuou treinando e em uma gravidade altíssima.

— Não fale assim comigo! Eu o ajudei mesmo depois de você tentar se matar naquela explosão!

— Eu não te pedi nada!

— Seu mal-agradecido! Volte agora mesmo para a enfermaria!!! – não pedi, mandei.

— Quem pensa que é? – Vegeta parou o treino e virando-se para mim com ira nos olhos continuou. – Me deixe em paz, mulher! Eu não quero saber de você! Você me irrita demais!!!

Foi um terrível espanto, ele havia gritado comigo da pior maneira possível, senti-me muito mal, lágrimas queriam rolar em meu rosto, entretanto não daria esse gosto ao sayajin odioso que por burrice minha, hospedara em minha própria casa.

— Pois bem... como queira.

E desliguei o telão, desabando sobre uma cadeira. Tentava não chorar, em nenhuma hipótese faria isso por alguém que não se importa nem consigo mesmo.

— Cretino! Príncipe ordinário!

— Está falando sozinha, Bulma?

Papai havia interrompido meus pensamentos ao entrar no laboratório.

— Hã... papai...

— Vegeta voltou ao treino mesmo eu falando que era errado.

— Eu sei disso, acabo de falar com ele, mas agora não quero mais saber desse sayajin idiota!

— O que houve com você? – ele me encarou intrigado, pois me conhecia bem.

— Nada demais, papai... Eu só preciso comer alguma coisa.

— Espere querida!

— Sim?

— Tome cuidado com Vegeta, não brinque com esse sayajin. Ele não é qualquer um, ele pode matá-la num piscar de olhos – papai estava muito preocupado.

— Está tudo bem, papai, Vegeta não me fará mal nenhum. Eu sei que estou fazendo, está bem?! – dei um beijo em sua bochecha e fui para cozinha comer algo.

Uma semana havia se passado e decidi que iria ignorá-lo completamente, eu já não suportava encontrá-lo por minha casa, odiava lembrar que eu lhe oferecera estadia na Corporação Cápsula. Mamãe parecia adorar o fato de termos um hóspede, fazia as melhores comidas para Vegeta, o tratava como um verdadeiro príncipe, como isso era irritante!

Em uma manhã de verão, desci para tomar meu café, por algum motivo não conseguia dormir direito naqueles últimos dias e por tanto, meu humor era um dos piores.

— Bom dia, Bulminha querida! – disse mamãe com o seu típico jeito de “felicidade acima de tudo”. – Gostaria de alguns ovos mexidos, meu bem?

— Sim, pode ser. – desabei na cadeira e comi um pedaço de pão fresco.

— O que aconteceu, meu bem? Está tão abatida, com olheiras.

Mãe era mãe, mesmo sendo meio destrambelhada como a minha.

— É que ando dormindo não tão bem ultimamente.

— Mas por que, meu amor? – ela veio até mim e examinou meus olhos. – Mostre a língua!

— Mamãe, eu estou bem, não tenho nada demais. É só um pouco de insônia.

— Então coma bem hoje para não adoecer.

Ah, eu comeria com certeza, o cheirinho da refeição que mamãe preparava era majestoso, infelizmente eu não herdara os seus dotes culinários, mas herdara a inteligência de papai.

— Fiz aquela torta de maçã que você adora.

— Que ótimo, quero um pedação! – comecei a me animar com a torta.

Porém quando algo nos alegra, sempre haverá outra coisa para nos deixar mais irritado. Enquanto saboreava o meu primeiro pedaço de torta, Vegeta entrou na cozinha para a refeição matinal, nossos olhares se encontrarão e minha irritação voltou.

— Oh bom dia, Vegeta! – disse mamãe com um sorriso que me dava enjôos.

Grosso como sempre, ele somente balançou a cabeça e se sentou na cadeira na minha frente.

Para evitar qualquer tipo de conversa ou olhar desnecessário, peguei uma capsula no bolso e abri meu notebook.

— Bulma tem que trabalhar no meio do café da manhã?

— Não estou trabalhando, mamãe, estou só vendo as notícias do dia.

— Vegeta gostaria de uma fatia de torta de maçã?

— E o que é maçã? – Vegeta perguntou desconfiado.

Não pude conter a gargalhada, quase engasgo com a torta.

— “O que é maçã?” – repeti sem parar de rir um instante.

Ele por sua vez, rangeu os dentes com raiva e bateu na mesa com o punho.

— Do que está rindo, mulher irritante?

— Ora de você! – o encarei altiva e desafiadora.

De repente sua expressão se alterou, tornando-se menos rígida e eu pude notar sua boca se curvando num sorriso torto.

— Eu aceito a torta dessa tal maçã.

— Ah você vai adorar, está uma delícia, é torta favorita da Bulminha – mamãe sem perceber nosso pequeno atrito, o serviu com pedaço bem generoso. – O que acha de um suco de laranja para acompanhar?

— Ele também não sabe o que é laranja! – ri mais um pouco e continuei navegando pela internet, vendo várias notícias do dia.

— Ouh, Bulminha... até parece – acho que mamãe à vezes se esquecia que Vegeta era uma extraterrestre e que por isso não sabia muito sobre nosso planeta. – Está tão graciosa.

Então ela se virou, voltando-se para o fogão e enquanto eu estava lendo, ele não parou de me observar.

— O que foi? Perdeu alguma coisa? – fui ríspida.

— Não mesmo...

Foi naquele momento que ele ergueu o dedo indicador e fez surgir uma pequena bola de energia, para em seguida atingir meu notebook, destruindo-o por completo.

A pequena explosão fez mamãe jogar para o alto a jarra de suco de laranja e me deixou completamente atônita.

— A torta de “maçã” estava uma delícia! – ele bebeu o restante do meu suco e saiu para ir treinar.

Minha respiração estava tão rápida e pesada que não tive reação nenhuma. Vegeta era um filho da mãe ordinário! Definitivamente eu o odiava!

Notas finais
Acho que a parir daqui a história começa a se desenrolar de vez...