O Príncipe Solitário.
14 Capítulo 14 - Eu te amo!
Notas iniciais
Capítulo 14
Eu te amo!
Quando suas mãos deslizavam suavemente pelo meu rosto, ele parecia não se importar com mais nada, a não ser com “nós” dois — Trunks e eu. Aos poucos meu coração se convencia de que Vegeta de fato gostava de mim, do seu próprio jeito, mas ainda gostava, eu podia sentir isso quando estava em seus braços, quando nos olhávamos profundamente. E isso me deixava mais tranquila, eu precisava entender melhor aquele sayajin, pois ele não fora uma pessoa como as outras.
Desde o incidente do sequestro, Vegeta passou a me fazer visitas todas as noites em meu quarto, com a proximidade de Trunks nascer eu já não podia caminhar muito ou me esforçar com meus projetos, então a única coisa que pude fazer – era esperar o momento chegar.
Naquela manhã chuvosa, enquanto assistia um filme qualquer deitada no divã em meu quarto, voltei a sentir meu Trunks chutar da mesma forma agressiva que chutara na enfermaria no dia do sequestro, causando-me um desconforto muito grande.
– Hã... acalme-se Trunks, por favor!
Mudei muitas vezes de posição, no entanto nada o deixava quieto, afinal porque ele estava tão agitado?
– Por favor, não me chute assim!... Ai!! – a dor só aumentava.
Dessa maneira meio apavorada, peguei o telerrádio para chamar alguém.
– Mamãe!!
– O que foi Bulma? – foi papai que atendeu.
– Por favor, papai, chame a médica! Eu acho que chegou a hora.
As contrações aumentavam a cada minuto passado e de repente olhei para baixo, minha bolsa havia estourado.
– Agora tenho certeza... a minha bolsa estourou!!! – falei quase aos berros.
– Está bem, está bem!
– Nossa... você é impaciente como seu pai! – disse para meu filho segurando minha barriga enorme.
Uma hora e meia depois das primeiras contrações, eu ainda não havia conseguido dá a luz, mesmo a médica tentando vários métodos e nada havia funcionado, parecia que Trunks desistira de nascer.
– Vamos, Bulma, força!! – falava a médica. – Esse menino tem que nascer!
– Ahhhhhhh!!!... – eu respirava com rapidez e suava muito.
Já não estava aguentando aquilo, não imaginava como era difícil ter um bebê, mas não desistiria tão fácil, afinal eu já amava tanto aquele ser em meu ventre. Mesmo naquele momento, fiquei pensando onde se encontrava Vegeta, queria que estivesse ao meu lado, porém sabia que seria algo impossível.
– Vamos Bulma! Força!
– Ahhhhh!!!.... Eu estou fazendo forçaaaaaa!!! – segurei com força na cabeceira da cama e tentei outra vez. – Ahhhhh!!!
– Estão aqui as toalhas que pediu, Dra – mamãe entrou no quarto e continuava como se nada estivesse acontecendo.
– Agora eu sei por que a senhora só teve uma filha, mamãe! – e mais uma vez tentei. – É muito difícil dá a luuuuuuuz!!
– Ah imagina Bulminha, eu dei a luz a você em dez minutos- ela sorriu e ainda cantarolou como se fosse um dia qualquer.
Com aquela resposta gemi de raiva por não ser tão fácil assim comigo, por outro lado pensei que talvez tivesse haver com o fato de meu filho ser mestiço, ou seja, não era totalmente humano e por isso a dificuldade fora grande.
– Eu não compreendo seu bebê já deveria ter nascido, há passagem para isso, mas ele parece que tem vontade própria – a médica estava pasma.
– É teimoso como o paiiiiiii!!!
– Se ele não nascer logo, você pode correr risco de vida, Bulma!
– E meu bebê? – perguntei com medo e dor.
– Ele é muito forte, acredito que possa sobreviver, mas sua vida corre perigo!
– Óh não... minha Bulma vai morrer!!! – mamãe ficou em pânico e começo a andar de um lado para o outro.
Foi que papai entrou em meu quarto e acalmou mamãe e a convenceu a sair junto com ele.
– Acho que foi uma hora péssima para você ter escolhido um parto normal e em sua casa – disse a doutora com preocupação.
– Achei que não teria complicações.
– Entendo, mas sugiro que decida logo o que deseja fazer. Se quer continuar tentando ou quer ir para o hospital.
- Eu quero continuar, Dra... quero continuar... eu sei que posso conseguir... – o cansaço me golpeou bruscamente, mas não desistiria.
– Então, força! Força!
– Ahhhhh!!!!
Abruptamente Vegeta entrou no quarto e seus olhos procuraram os meus de imediato, ele estava nitidamente apreensivo.
– O que está fazendo aqui, senhor? É melhor que saia.
– Cale-se!
Então ele veio até meu lado e segurou minha mão com força e sorri comovida.
– Vegeta... – arfava enquanto falava e sentia o suor molhar meus cabelos.
– Você consegue fazer isso! – ele sussurrou em meu ouvido. – Então faça! – ordenou.
– Ahhhhhhhhh!!! Ahhhhhhhhh!!! – tentei e tentei.
– Isso... você está conseguindo, Bulma! – a médica me instigava enquanto observava entre minhas pernas.
– Ahhhhhhhhh!!!!! – naquela última tentativa fiz tanta força que apertei a mão de Vegeta e joguei meu corpo para frente e logo deitei.
Assim, pude ouvir o choro de meu filho e devagar fechei os olhos e apaguei.
– Bulma, acorde! – alguém me chamava e mexia em meus cabelos.
– Hã... – abri os olhos meio desnorteada e procurei pela voz.
– Bulma, acorde... “meu amor”! – ele sussurrou novamente em meu ouvido.
– Vegeta... – focalizei seu rosto e vislumbrei sua beleza mácula. – Você está aqui.
– Sim... seu pai pediu que eu viesse e vou continuar aqui.
– Obrigada, gosto que esteja ao meu lado – sorri, mas senti meu corpo exausto.
A porta se abriu e a médica entrou com o nosso filho já limpinho nos braços e senti uma felicidade imensa inundar meu coração.
– Conheça seu filho, Bulma.
Naquele instante, Vegeta se afastou um pouco de mim, ficando ao lado da janela, eu já sabia que ele jamais gostara de demonstrações de afeto, principalmente em público, por isso não me chateei.
– Meu Trunks – o recebi em meu colo e beijei sua face pequenina.
Trunks era lindo, havia herdado os cabelos prateados de papai e meus olhos azuis, mas parecia muito com Vegeta, a semelhança era incontestável.
– Você é lindo!
– Vou deixar vocês a sós, com licença! – a doutora se retirou do quarto por sua vez.
– Você não quer conhecer seu filho, Vegeta?
– É melhor eu voltar mais tarde, quando você estiver mais disposta!
E ele saiu pela janela sem mais nada dizer, eu sabia em meu íntimo que Vegeta não conseguiria mais partir, havia algo muito forte que nos unia e que não fora exatamente nosso filho, e sim um sentimento profundo e genuíno.
O Poderoso Príncipe dos Sayajins agora possuía uma família.
Era madrugada quando Vegeta foi até meu quarto, entrando pela janela e me procurou na cama, mas eu não estava lá, pois amamentava nosso filho na cadeira de embalo ao lado do berço.
– Estamos aqui – falei baixo para não acordar Trunks que dormia tranquilamente.
Ele se aproximou de nós e nos fitou de maneira incomum, haviam sentimentos em seu olhar.
– Ele é tão... pequeno.
– Ele é um bebê, querido – sorri com sua a falta de jeito.
– Acho que depois do meu irmão, ele é o primeiro bebê que vejo de perto.
– Não sabia que tinha um irmão? – fiquei surpresa.
– Tarble... mas faz muito tempo que não o vejo – se abaixou ao nosso lado e observou atentamente nosso bebê. – Nosso pai o mandou para um país remoto, pois ele não era um sayajin poderoso e nunca mais o vi.
– Você é uma caixa de surpresa... – abri um sorriso ao ver como Vegeta observava Trunks com cautela e vaidade. — Trunks é muito parecido com você.
– Ele lembra muito um sayajin de raça pura.
Levantei e coloquei o bebê em seu berço de modo que não o despertasse e sentei de volta na cadeira.
– Acho que será assim com nós dois a partir de agora não é? – peguei suas mãos entre as minhas.
– Assim?
– Nossa relação... Não me importa que não sejamos um casal convencional, ou que nunca casemos, mas gostaria de estar sempre ao seu lado, Vegeta.
– Bulma...
Vegeta fitou meus olhos intensamente e então soube que havia capturado o coração daquele sayajin tosco e cruel.
– Sim, querido?
– Eu te amo!
E beijou meus lábios de modo cálido e amoroso. Vegeta nunca mais seria aquele “Príncipe Solitário” outra vez, pois eu o amava e o faria feliz pelo resto de nossos dias.
Notas finais
Em breve nos encontramos com mais uma fic!
Fale com o autor