O Príncipe Lobo
1 Prólogo
Durante uma noite sem luar, uma pessoa olha para o muro do castelo e pensa.- Nunca foi tão fácil entrar em um castelo como este.- Pulando o muro e atravessando o jardim, ele chega ao castelo. A moradia do rei era bem situada, no final de um grande morro, e este possuía grandes lustres, tapetes estendidos no chão, talheres de prata, e uma grande escada que subia para o próximo andar a qual era feita de mármore. Mas esse ladrão, não queria fortuna, nem fama, muito menos um reino. Não ele queria o bem mais valioso que uma pessoa como o rei poderia amar, sua própria vida.
Após perambular pelo castelo uma coisa estranha aconteceu com o assassino, ele acabou por esbarrar naquele no qual ele queria tomar a vida.
–Oh, o que trazes o senhor aqui, pequeno ladrão? Deseja levar algo de valor que possuo? Se quiser, pode levar, mas só lhe peço, leve o que desejar, mas deixe que todos do castelo vivam. Não posso viver, se alguém desta moradia cair.- Disse-lhe o rei de Clabem.
Espantado o ladrão olha ao redor, mas ele não queria nada que o rei possuía.
–Peço perdão a Vossa Majestade, mas não vim aqui para levar nenhum bem que possues...- Após ouvir isso o rei ficou triste, pois parecia que queria que o ladrão levasse algo, mas a expressão logo desaparecera sem deixar rastros, deixando-o confuso.
–Que alívio. Mas se não viestes roubar nenhum bem em ouro ou prata, vieste pegar o trono? Se lhe for de agrado, saio sem deixar rastro algum e nenhum de meus herdeiros virá para lhe tirar do trono, pois este seria entregue de bom grado, já não aguento mais sentar naquele trono.- Por mais que fosse tentadora a proposta, o ladrão ficara em dúvida se o rei sabia sobre o que ele fora fazer ali.
–Meu rei, lhe pergunto, como soubera que eu estava a sua procura?
–Não sabia, mas em um sonho veio uma voz e me disse para não vir aqui durante a noite, porém fiquei muito curioso e acabei vindo para este lugar. Meu caro, agora, gostaria de saber, se não queres bens materiais, vieres então atrás de uma vida do meu castelo, só espero que não seja de algum empregado, pois não desejo a morte deles.
–Majestade.- Disse o ladrão com um sorriso brincalhão no rosto.- O senhor acertara o ponto, mas também lhe errara. Mas, sim, vim atrás de uma vida e ela não é de nenhum de seus empregados. A vida de que estou atrás é a sua.-Disse, retirando uma faca do cinto.
–Agora sim.- Disse abrindo um sorriso que não chegava aos olhos.- Mas antes de assassinar seu rei, quero lhe fazer uma última pergunta. Quem lhe contratara?
–Oh, mesmo que seja a Vossa Majestade, não posso responder essa pergunta, porém saiba de uma coisa, foi uma pessoa muito próxima ao senhor. Mas seu reino estará seguro, sei que possues um filho, e ele será um ótimo rei.
–Já me deu uma ótima ideia de quem fora o contratante, só desejo que eu volte a vida, e me vingue dele.-Disse com ira em seus olhos.- Sim, ele será. E lhe tenho dois últimos pedidos como rei desta terra. Leve um pouco do ouro do meu cofre, pois penso que sua família viverá melhor assim, e também quero que roube meu filho, pois minha mulher o irá matá-lo tão logo saiba de minha morte.- Ao dizer estas palavras o rei abriu os braços na espera da facada.
–Meu caro mandante, se esses são os pedidos de Vossa Senhoria, aceito com todo prazer, pois assim poderei sair desta vida de crimes. Adeus, meu bom rei, pena que nos conhecemos em um momento não muito bom para nós dois.- Após isso, o ladrão caminha em direção ao rei que estava com os braços firmemente abertos demonstrando claramente, que abraçava a morte como uma amiga muito antiga. E que agora a veria novamente. O golpe fora preparado, porém este fora esquecido por um momento, pois o ladrão olhou para os olhos do rei e viu quem o rei era.
Ele era seu velho amigo, Mufasa. O ladrão desistira do golpe, para dar um abraço no seu amigo. Ele sussurrara ao ouvido do rei.
–Mufasa, queres morrer com um golpe pelas costas ou com um no coração?
Com um sorriso, que era todo dentes no rosto o rei sussurrou para o ladrão.
–Jafar, quero morrer como um nobre cavalheiro, com um golpe direto no coração, e de preferência, no peito.
Concordando com a cabeça, Jafar o olha uma última vez, e golpeia seu antigo amigo, que agora era rei, em seu coração. Seguindo o desejo de seu amigo, ele pegara seu filho, que por algum motivo, sorrirá para ele, e algumas moedas no cofre real para sustentar sua família, e saíra por outro caminho, pois um ladrão, nunca deve voltar a cena do crime.
Após fugir do castelo, Jafar estava voltando para sua casa, com um bebê, e uma boa quantidade de ouro, mas antes de ir para casa, ele percebeu algo, ele nunca poderia criar a criança que dormia em seu colo, pois sabia que a pessoa que o contratara iria vir a sua procura, portanto decidira que iria deixar o filho de seu antigo amigo em um lugar seguro, porém este, teria que sobreviver por conta própria. Mas um bebê recém-nascido não sobreviveria na floresta Lua De Sangue sozinho.
Mas o que fazer? Provavelmente, iria ser procurado em todo o reino pelo sequestro do príncipe do reino. Ele tem duas escolhas para fazer; fugir com a família, ou deixar a criança na floresta.
Ele decide pela mais difícil de se seguir, ele decide deixar o bebê em um de seus esconderijos na floresta, no qual ele pudesse vigiá-lo. E ele não poderia informar a sua família sobre a criança, pois alguém dentro dela poderia contar sobre ele aos moradores, que poderiam informar a rainha sobre o príncipe, portanto, ele teria que cria-lo sozinho. Um pequeno desafio que seu rei amigo lhe deixara ao morrer.
–Você, sempre pensando nos outros, por isso creio que um ladrão pode ser amigo de um rei. Mufasa, meu amigo, cuidarei do seu filho, não importando das circunstâncias, creio que foi para isso que deixara eu roubar de você uma boa quantia de moedas. Muito obrigado, nunca esquecerei de você, muito menos deste pequenino aqui.-Disse Jafar para a estrela da noite, aquela que possuía o brilho mais forte de todos.
Enquanto andava, percebia que estava sendo seguido pois sentia olhos em suas costas, mas sempre que olhava, nada via, nenhum olho, nenhum brilho, nenhum vulto, nada, só tinha a certeza de que não estava só com o príncipe. Em sua cabana ele olhou para o bebê mais atentamente e se surpreendeu por uma coisa, os olhos da criança eram diferentes de todos os outros que já tinha visto. Olhos tão vermelhos que no mesmo instante o lembrara do nome da floresta em que o escondera.
–O nome da floresta combina perfeitamente com você, não é, meu pequeno?- Passou a mão pelo cabelo da criança, pois sentia, de algum modo, já estava ligado ao recém-nascido.- Agora tenho que voltar para a cidade, deixarei um pouco do dinheiro aqui, já que não posso aparecer com todo ele de uma vez, se cuide, meu pequeno rei.- Um beijo na testa, marcara uma despedida e a promessa de um encontro, que talvez nunca volte a acontecer.
Assim que saiu da floresta, ele sentiu que estava mais feliz e triste do que o normal, estava feliz por ter um filho novamente, mas estava triste por ter matado seu melhor amigo.- É melhor não pensar sobre isso Jafar.- Ele reprendeu-se. E foi em direção a sua casa na cidade.
Na manhã seguinte, houve um grande tumulto em todo o castelo, pois alguns guardas, após algumas rondas, encontraram o rei morto num sala que estava coberta pelo sangue real, e o mais estranha era que o rei estava sorrindo, como se conhecesse o assassino. Todo o castelo estava em estado de choque, exceto por uma pessoa, a Rainha estava muito feliz pelo acontecido ter saído do jeito que queria. Sim, ela era a pessoa que estava por trás do assassinato do rei, pois ela estava se encontrando secretamente com o rei do reino mais próximo e esperava que este logo cumprisse a parte do plano que eles tinham formados. Mas ainda faltava uma peça para ela tirar do tabuleiro, como rainha, ela ainda tinha que eliminar o próximo na sucessão do trono, agora ela teria que sujar suas mãos para dar um fim em seu filho. Aquele que era nunca amara.
Preocupada com o estado do seu filho, ela corre até o quarto deste, pois ela queria ver se o ladrão terminara o serviço que ela lhe dera. Porém ao chegar lá, ela não encontrou nenhum traço da morte, somente um fato estava claro no lugar, seu filho fora raptado pelo ladrão.- Isso não pode ser perdoado.- Ela pensa, pois assim, quando seu filho crescer ele poderia vir falar que o trono fora roubado pela sua mãe e o rei de outro reino.
Não, isso Liandel nunca deixaria acontecer, o reino agora era dela, portanto, ela espalharia a noticia do sequestro do príncipe com uma recompensa para quem o trazer para ela. Assim seu plano estaria perfeitamente nos eixos.
–GUARDAS!!!- Chamou a rainha. Não se passara nem 1 minuto para que muitos guardas em empregados aparecessem no quarto do pequeno príncipe.- Meu esposo fora morto, e o meu filho, vosso pequeno príncipe, fora levado pelo ladrão que aqui entrara!- O espanto era óbvio no rosto de todos, pois ninguém esperava que o príncipe fora levado.- Quero que organizem tudo para que possam encontrar meu filho amado, creio que a mesma pessoa que matara o rei, fugira com meu filho. Todos vocês, encontrem meu filho o mais rápido possível!- Ao terminar a frase, todo o mutirão saíra atrás de informações sobre o filho da rainha.
–Hum, como são idiotas, nem perceberam que eu estava mentindo, já que agora minha ordem é absoluta, serei a Rainha deste reino.- Saindo do quarto do filho, decidira que mandaria a notícia do assassinato ao rei que mantinha contato. Chamando um dos seus empregados de confiança, mandara que ele levara a carta para o porto e ordenara que fosse entregar a carta para o rei de Siria, o rei do reino mais próximo.- Diga ao Rei Ascalon, que este assunto é urgente. E que ele me mande resposta o mais rápido possível. Agora vá. Parta imediatamente.
Em algumas semanas o rei de Siria chegara ao reino de Clabem. O rei Ascalon estava feliz por rever a rainha Liandel, porém as notícias que ela lhe entregara não eram muito satisfatórias.
–Tem um jeito mais fácil de acabar com tudo isso.- Dissera Ascalon.- Apenas mate toda a família do ladrão que contratou para matar o rei Mufasa.
–Isso é algo muito fora do meu alcance, pois meu empregado não viu o rosto dele, nem nome, nem nada. Isso não foi perdoado por mim, é claro. Se já tivesse algo, teria o matado a muito tempo.- Retrucou Liandel.
–Bom tem um jeito simples de se fazer isso, pense comigo, ele não deixaria seu filho com ele, pois sabemos muito bem que seu príncipe possui olhos vermelhos, e logo ele seria identificado, vamos ver o homem que mais saiu para a floresta nesta semana, provavelmente ele será aquele que fora contratado para matar o rei.
–Por que eu não tinha pensado nisto, verei imediatamente.- Após algumas horas de espera, foi possível identificar quem mais saíra da cidade, era um homem chamado Jafar.
Jafar fora acorrentado e levado ao castelo, e ele sabia que ia ser morto, pois sabia que a rainha o tinha identificado, porém decidiu proteger sua nova criança, mesmo que ele tenha que morrer para isso.
–Bem, plebeu, parece que você pegou algo que não lhe pertence, quero o meu filho de volta.-Dissera a rainha com uma raiva na voz.
–Me desculpe Vossa Majestade, não sei do que falas, sou um humilde trabalhador, só tenho que sustentar minha família. Não tenho nenhuma criança que tenha as mesma qualidades de seu filho em minha casa, esta já fora visitada e revirada pelos seus homens atrás dele, e nada foi encontrado.- Respondera Jafar com sua mentira.
–Oh, creio que fora um engano, mas todo mentiroso peca em um momento, e o seu, nós sabemos qual foi, sabemos qual é seu trabalho, e ele não envolve cortar lenha...-Disse a rainha com olhos em fúria.- Cortem-lhe a cabeça, e de sua família também, para que aprendam a não mentir para a rainha.
Jafar fora pego, mas não iria trair seu amigo, preferia morrer do que manchar a sua promessa com o rei, seria triste ele não poder cuidar do menino do rei, mas ele morreria como nenhum outro assassino morreu, protegendo o filho de uma vítima dele mesmo.
–Minha família não ontem nada haver com isso, e eu não cometi nenhum crime do qual estou sendo acusado.
–Cale-se, me diga onde está meu filho, AGORA!!!-Ordenou a rainha.
–Minha rainha, se este seu servo soubesse, lhe entregava, mas como não sei, espero que seu filho esteja bem.- Respondera Jafar com todo cuidado, pois sua família também estava envolvida no jogo.- Mas assim que souber de algo, posso vir e entregar a Vossa Majestade, toda informação que quiser.
–Não ouçam o traidor.- Disse Ascalon ao abrir a porta da sala do trono.- Este reino não é mais só da rainha Liandel, a partir de hoje, nossos reinos se unirão em um só. Como o rei antigo está morto, também podemos entender que a criança foi roubada para ser morta em outro lugar. Portanto peço que parem as buscas por ele. Majestade, seu filho não poderá mais ser encontrado. Minha rainha, hoje, na frente de todos lhe peço em casamento para que os reinos se unam em um só.
–Eu aceito, rei Ascalon. Assim poderemos cuidar melhor de seres inferiores, tal qual esse plebeu. Agora que ele não nos é mais útil, cortem-lhe a cabeça. Mas tenho um pedido ao soldados antes, quero que matem a família dele antes, por se recusar a ajudar a rainha de seu reino.
Na frente da praça, a guilhotina fora preparada, e estava pronta para descer na família de Jafar, aquele que assassinara seu amigo, agora seria morto, e agora, ele só tinha um último desejo, que a criança do rei sobrevivesse e que fosse cuidada por alguém após a sua morte.
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