O Príncipe E A Plebeia.
11 Medo
Notas iniciais
Aproveitem! *-*
Ele não sabia o que pensar a respeito de Diana, ela poderia ser tão encantadora quanto quieta e resguardada, parecia sempre que ela estava se escondendo de algo, seu passado talvez? Bruce não saberia explicar, ele queria apenas que ela não fosse indiferente ao sentimento que ele nutria por ela.
Ele se encostou novamente na cadeira e se lembrou do último beijo que ambos selaram no dia de seu casamento.
Era fim de tarde, havia uma brisa tranquila que deixava o clima mais refrescante, no céu, o sol se punha deixando um mesclado de azul, laranja e rosa. Estava tudo perfeito.
Ele estava nervoso, haviam pouquíssimas pessoas ali, no máximo 15, e aquilo deixava o ambiente menos pesado. Bruce não parava de andar de um lado para outro, com John ao seu lado dizendo que era normal a noiva se atrasar.
Diana chegou na igreja com pouco menos de uma hora de atraso, o nervosismo estampado em seu rosto, com as bochechas vermelhas e os olhos marejados.
– Não sei se irei conseguir! – Disse ela para Wally, seu irmão que iria entrar com ela na igreja.
– Então não é isso o que você quer? –Ele perguntou.
– Claro que sim, mas, não sei... Eu não estou me sentindo bem, olhe como estou Wally! – Disse ela segurando o vestido em seus dedos.
O vestido era branco, simples e tomara que caia, com um decote exageradamente perfeito, os cabelos estavam presos num coque com algumas mechas soltas, em seu rosto havia tons de branco e prata e nos lábios vermelho, em suas mãos havia apenas uma rosa.
– Eu estou ridícula Wally! – Ela estava muito nervosa.
– Na verdade eu ia dizer deslumbrante... Você está deslumbrante Diana. – Disse ele tocando seu braço delicadamente. – Eu tenho certeza que você fará Bruce e o filho dele os homens mais felizes da face da terra, você não precisa ter medo, tudo vai ficar bem.
Ele viu que ela já estava ficando mais calma.
– Agora se me permite – Disse ele passando o braço da morena ao seu.
Assim que eles estraram na igreja, as portas se abriram, e foi quando ela viu Bruce Wayne incrivelmente sexy e elegante usando um smoking preto com um sorriso nervoso nos lábios, todo o medo que Diana estava sentindo se dissipou na hora.
Sentiu-se orgulhosa ao ver como ele a olhava, maravilhado. Caminhava lentamente, seguindo o ritmo da musica, acompanhando com o olhar as pessoas no caminho.
Ela sorriu para sua irmã que tinha os olhos marejados, Alfred com o pequeno Alex a olhavam enconrajando-a, chegando ao altar, entregou sua flor para Ana, sua antiga amiga que havia trabalhando com ela no café, e então ela se virou para Bruce.
"Cuide dela, Bruce" – Disse Wally sorrindo, colocando a mão de Diana nas de Bruce. Ela se sentia estranhamente feliz e nervosa, ao mesmo tempo.
Seus olhos encontraram os de Bruce, e tudo fez sentido. Permaneceu ali, enquanto o padre iniciava a cerimônia.
As palavras ali eram mecânicas entre ambos, ‘’sim’’, ‘’aceito’’. Suas mãos entrelaçadas, seus olhos fixos um no outro, o sorriso, aquele sorriso nunca saia dos lábios de ambos, as alianças haviam sido trocadas e agora era a hora do beijo.
Ela ia falar algo. Mas Bruce não deixou, o contato ainda estava ali, deixando seus lábios a milímetros dos dela. Ele podia sentir a respiração dela. Colou os lábios brevemente, para depois separá-los e deixá-los quase colados, como antes. Os olhos dela brilhavam.
Então ele colou novamente os lábios. O contato físico entre eles se resumia ao beijo. Lento, retraído. Um toque de lábios quase inocente. Até que ele passou a língua pelos lábios dela, fazendo-os abrirem-se para ele. Bruce fechou os olhos tão logo a viu fechar os dela. E sentiu a língua dela encontrar a sua no toque mais suave possível. O mais lento. O toque que fez o coração dela bater tão rápido como o dele. Era o toque mais intenso que ela experimentara na vida.
– Você está bem? – Ela perguntou sorrindo, enquanto desciam as escadas para encontrar seus familiares.
– Claro que sim – Disse ele.
– Ei... Você está bem?- Ela estava abraçando Martha agora.
– Sr. Bruce...Hey! Bruce, você está bem?
Ele havia esquecido onde estava, debruçado na cadeira, lembrando-se do dia que em finalmente havia se casado com Diana Prince.
– Desculpe Sr. Bruce, o senhor estava resmungando algo. – Disse Charlotte, sua secretária de meia idade, que era seu braço direito nas industrias.
– Acho que peguei no sono, me desculpe. – Disse ele incomodado. – O que temos aqui? Mais papeis para assinar? – Disse ele se referindo a uma enorme pasta que estava nas mãos de Charlotte.
– Ah sim, estão todos conferidos – Disse ela colocando na mesa de Bruce. – Com licença Sr. – Disse ela se afastando.
– Charlotte, espere um momento.
– Pois não? – Disse a senhora com o sorriso bondoso.
– Eu... Bom...
– Sim patrão Bruce, o senhor fez uma ótima escolha ao desposar a Srª Diana, ela é uma moça maravilhosa, que cuida muito bem do filho do senhor, e vejo que ela também te faz muito feliz... Se me permite dizer, peço que o senhor nunca a machuque ou a faça chorar, pois ela ama muito o senhor.
– Mas...
– Como eu sei? Sou casada a 35 anos, acho que sei um pouquinho sobre o amor — Disse Charlotte sorrindo e se caminhando para a porta.
Talvez Charlotte estivesse certa, desde o momento em que o juiz deu a guarda de Alexander para Bruce, Diana o pegou nos braços e não o largou mais.
Mas era tão difícil jantar todos os dias ao seu lado, compartilhar momentos do dia a dia com ela e saber que daí a pouco tempo ela iria embora para bem longe.
***
Alexander era um bebê maravilhoso, ainda tinha os cabelos ralos, mas os olhos eram inegavelmente azuis cristalinos, para um bebê de apenas três meses ele era muito inteligente, sempre virando a cabecinha ao ouvir a voz da nova ‘’mamãe’’ Diana, soltava gritinhos de felicidades e risos, era o colírio dos olhos dos pais.
Era sábado à tarde e Diana estava no pátio com o pequeno no colo, que estava vestidinho com um macacãozinho de marinheiro azul e branco e ria das palhaçadas que Diana fazia, o tempo estava quente e a brisa do fim da tarde era refrescante e permitia Diana usar um shorts branco curto e uma regatinha vermelha.
A mansão de Bruce era imensa e mesmo morando lá há alguns meses, havia lugares dos quais ela nunca havia visto antes, como aquele em que ela estava, um jardim, maravilhoso, com flores rosas, azuis, amarelas, lilás e vermelha nascendo em todos os lugares, o local ficava atrás da mansão e o quarto de Alexander ficava bem de frente com aquele lindo jardim que havia sido construído para Bruce por seus pais e agora pertenciam ao pequeno.
Ainda havia alguns homens trabalhando ali, e Bruce estava na empresa, o bebê choramingou um pouco e ela o pegou no colo, e então, uma sensação de estar sendo observada lhe lançou nas costas, e ela se virou para procurar quem estava a encarando. Não encontrou ninguém, por mais que aquela sensação de perigo estivesse forte em sua cabeça e o medo começou a afetar um pouco a sua visão.
– O que foi bebê? – Diana tentou acalmar um pouco Alexander, que choramingava.
Ainda haviam alguns senhores trabalhando no jardim, mas eles pareciam um pouco alheio a Diana e ao bebê ali, ela estava segura, não estava, ninguém faria mal a ela ou ao seu filho ali, bem no meio de três homens, ela tentou se acalmar um pouco, e conseguiu fazer Alexander se acalmar também, quando pegou seu boneco do Mickey e o entregou para a criança que começou a colocar na boca e balançar os bracinhos. Passados alguns minutos, ela levantou um pouco a cabeça e avistou Bruce olhando para eles e acenou para ele, se levantou com o bebê nos braços e se encaminhou para as escadas a fim de se encontrar com Bruce no topo desta.
Ela não esperava pelo o que viria, cerca de 10 metros para o lado, um senhor, que aparentava ter, em média, uns 50 anos a estava olhando fixamente, usava um boné para esconder um pouco o rosto, mas os olhos, eram inegavelmente iguais, assim que ela passou, ainda como se tudo estivesse em câmera lenta, ele sorriu para ela e ela pode ver que sua pele se repuxava um pouco em cima da boca.
– Ah meu Deus, é ele! – Disse ela num sussurro, indo em direção a Bruce.
– Boa tarde Diana. – Disse ele sorrindo e pegando o filho dos braços moles de Diana. – Esta tudo bem com você? – Disse ele no momento em que Diana levantou os olhos para ele, aquelas duas esferas azuis, só mostrava pânico, medo, incerteza, ele só quis abraçá-la.
– Diana! O que está acontecendo?! – Perguntou ele mais uma vez, ele ainda segurava seu filho, e ela ainda estava a sua frente, fria como gelo, branca como papel.
– Bruce, ele está aqui... – Disse ela num fio de voz, antes de demaiar.
***
Desespero. Tudo se resumia em desespero, aquele homem ali, infiltrado em meio a onda de felicidade de Diana e Bruce. Medo. Medo de que tudo voltasse à tona, medo de perder tudo o que Diana havia conseguido conquistar até agora, sua independência, sua alegria, sua juventude.
Aquilo não podia estar acontecendo novamente, aquele homem não poderia estar ali, não! Ele tinha que estar bem longe, sua mãe havia conseguido afastá-lo dela, aquilo só poderia ser um sonho ruim...
***
– Bruce? – Perguntou Diana tentando se levantar da cama.
– Desculpe senhora – Disse Alfred. – Ele está no quarto do pequeno Alexander o fazendo dormir... A senhora deseja alguma coisa?
Ela estava deitada na enorme cama do quarto de Bruce, coberta e confortavelmente e usando sua camisola favorita, não se lembrava de quem a havia trocado, ou de quem a colocou na cama, mas não importava, ela estava mais calma agora.
– Não, Alfred, muito obrigada.
– Senhora, se me permite, o médico receitou que tomasse esses dois comprimidos quando acordasse. – Disse ele estendendo duas pílulas azuis, com um copo de água.
Ela ainda não havia percebido, mais estava com muito dor de cabeça.
– Oh, certo! Obrigada – Disse ela com um pequeno sorriso envergonhado enquanto ele colocava um copo com água e os dois comprimidos em sua mão.
Foi só o tempo de Diana tomar os comprimidos e sua pálpebras fecharem novamente.
***
Ela não saberia dizer por quanto tempo dormiu, mas quando abriu os olhos novamente todo o quarto estava na mais completa penumbra, ela tentou se levantar, e se assutou com a voz que veio do fundo do quarto.
– Diana, você poderia me explicar o que está acontecendo?
Era tarde demais, era agora ou nunca...
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