Notas iniciais
Amigos a história está seguindo um pouco lenta porém estou me esforçando para que vocês gostem. Um abraço.

Capitulo oito

Jessica passou toda a manhã no colégio em meio a comentários sobre a possível guerra, o tempo de aula quase não foi usado com as matérias dos livros e sim com assuntos estratégicos por parte dos professores cada um a seu jeito traçando sua linha de raciocínio e a forma como repercutiria no resto do mundo, até a professora de Ensino Religioso dera seu pitaco se referindo a isso tudo como o Apocalipse. Ela, porém já estava cansada de tanto ficar em pé e já estava dando graças a Deus por já ser quase 19:00 horas e o Mercado já está próximo de fechar e ela então voltar para sua casa, em meio a um cliente ou outro fixava os olhos na tela da televisão onde a todo estante apareciam chamadas sobre o agora ataque devastador dos Estados Unidos a Coréia do Norte, as poucas imagens que eram mostradas revelavam os aviões dando voos rasantes, muita fumaça, fogo e destruição. Em outra noticiava que a China havia se juntado a Coreia do Norte e comandado novos ataque a Coreia do Sul e ao Japão, o clima era de muita incerteza por parte de todo as pessoas, por fim agradeceu a Deus novamente por morar bem longe disso tudo.

Já passara um pouco do horário de fechar o mercado quando Jessica saiu de lá, geralmente as sextas feiras demorava em média cinquenta minutos a mais, pois esperava o dono do mercado fechar, e pagar todos os funcionários que recebiam semanalmente, para só depois lhe pagar pelos serviços prestados na semana, o dinheiro era tão pouco que mais da metade se perdia no próprio mercado de onde ela levava alguns biscoitos, leite, pão, alguns produtos de higiene pessoal e cremes de cabelo. Ao menos parecia um pouco mais feliz quando recebia podia ter alguma coisa das muitas que tinha quando sua mãe era viva, comprou um aparelho de barbear descartável e um creme para seu pai, pois já fazia tempo que não se barbeava, como andava constantemente bêbado já não ligava muito pra isso, mas ela ia pedir e esperava que ele a atendesse, pois na rua já começam a confundi-lo com um mendigo e foi embora, iria andar muito até chegar em casa.

Assim que chegou na cerca que margeava o quintal, percebeu alguns dos materiais recicláveis que o pai catava jogados pelo quintal e imaginou que ele havia bebido outra vez, foi entrando de vagar pelo terreno passando em meio a bagunça quando chegou a porta parou observou que lá dentro não estava muito diferente do quintal e baixo chamou pelo pai que não respondeu, ela então entrou e assim que passou da porta sentiu a força de uma mão acertando um bofetada em sua nuca que a fez cair e espalhar as coisas que estavam dentro da sacola plástica e as moedas e o resto do dinheiro que estava em sua mão, se virou do chão e pode ver o pai em um estado lastimável sujo e completamente bêbado.

— O que você fez com ela naquele dia? Você deve ter feito algo com ela. Ela deve ter corrido atrás de você, por isso foi atropelada e você não sofreu nada. Gritou o pai com ela.

— Eu não fiz nada pai. Eu não lembro muito bem pai, desculpa. Respondia a essa altura com lagrimas nos olhos.

— Lembra sim sua infeliz e hoje você vai me contar por bem ou por mal. E deferiu outra pancada em Jessica.

— Não pai pelo amor de Deus não me bate eu não fiz nada. Olha pai eu comprei, comprei pra você. Disse pegando no chão as coisas que havia comprado pra ele.

— Eu não quero saber. Disse batendo nela de novamente. Ela não tinha de vir a pé, ela tinha o dinheiro da passagem, foi culpa sua deve ter gastado o dinheiro com você, por isso ela morreu a culpa é sua.

— Não pai, não pai eu não pedi nada pai, eu não me lembro de ter pedido pai. Jessica respondeu ficando de pé.

Ele parou e ficou ali olhando para a filha chorando e reparou o quanto ela era parecida com a mãe, os cabelos, os olhos, o corpo, e sua visão aos poucos foi ficando turva e a imagem da filha foi se confundindo em sua mente com as lembranças da mãe e sem perceber tirou a correia que prendia sua calça.

Jessica o viu fazer isto chorou com mais força e começou a gritar.

— Não pai de correia não. Por favor, pai de correia não. E tentou correr para porta e ao passar ao lado do pai ele a pegou pelo braço com uma das mãos e com a outra agarrou o seu pescoço juntamente com a correia como se tudo fosse uma coisa só e a jogou no chão novamente. Ela caída ficou olhando o pai se aproximar e sem entender quando o viu tirando a calça.

— Pai, por favor, o que você vai fazer pai não me machuca, por favor.

Ele sem parecer estar ouvindo os gritos e lamurio da filha deitou por cima dela a dominando com o peso do seu corpo e a chamando pelo nome da mãe.

- Clara, ah Maria Clara eu senti tanta saudades.

Ela por sua vez ficou sem ação sentindo o cheiro fétido de suor misturado com bebida que exalava do pai e sem conseguir se mover apesar de toda força que fazia chorando e completamente assustada pedia para o pai parar dizendo.

-Não pai minha mãe morreu, eu não sou ela, pai para, por favor. Quando de repente sentiu uma dor maior do que todas as dores que havia sentido em tão pouco tempo de vida, pareceu lhe que tudo nela tinha se arrebentado o seu grito soou o mais alto que pode emitir suas cordas vocais naquele instante, instante esse que seu pai a penetrava fazendo os mais bruscos movimentos enquanto a violentava, suas forças foram aos poucos indo embora ficando como que desfalecida porem consciente de tudo que o pai fazia com ela. Quando enfim terminou ele rolou para o lado satisfeito com seu ato sem tomar conhecimento ainda do que fez a própria filha.

Jessica ainda atordoada sentia tudo arder e doer na sua área genital tremendo muito criou coragem e passou a mão pelo local e sentiu a sua mão úmida e quando a viu ensopada de sangue, ficou mais desesperada do que já estava, passou as mãos pela bagunça do local até que encontrou a faca que usava para cortar os alimentos, uma enorme faca de cabo branco a segurou sem pensar pela própria lamina e com um único movimento levou com toda sua força em um único golpe enterrando-a no peito do pai que descansava bêbado, soltou a mão da lamina e viu que um corte profundo tinha sido aberto na palma da sua mão por ter deferido um golpe segurando a faca pela lamina, o sangue jorrava tanto da sua mão quanto do peito do seu pai que com os olhos abertos agonizava, soluçando e se afogando no vomito e sangue que saiam da sua boca. Ela levantou do chão e correndo foi até a cozinha e pegou um pano de prato branco que estava dobrado em cima da mesa e como uma atadura começou a enrolar na mão machucada amarrando com uma tira de plástico retirada de uma sacola, passou correndo por cima do pai que a essa hora já não se mexia mais e correu para a porta passando como um foguete em direção a rua tomando a estrada em seguida sem se importar se o pai estava vivo ou morto. Seu pensamento era único, queria sumir e continuou correndo pela noite fria e deserta até que seu vulto desapareceu na escuridão.