O Prometido
21 Pescando um pedido estranho
Notas iniciais
23 de setembro, 10 horas e 45 minutos da manhã.
– Bom dia Hal. – Art me acordou com um beijo. Que despertador bom!
– Hã? Ah! Bom dia Lua e Estrelas. Quando você chegou?
– Faz 15 minutos. Fiquei conversando com seu pai um pouco. Ele vai trabalhar com a Annabeth no Olimpo por uns dois meses.
Abri um enorme sorriso – Sério? Vai fazer o que?
– Vão construir um templo pra mim. Pra nós – corrigiu.
– Ma... Mas eu nem sou um deus... – gaguejei, mas nem terminei de falar.
Ela jogou um travesseiro na minha cara rindo. Eu joguei o travesseiro pro lado e ela se deitou do meu lado pousando a cabeça no meu peito.
– Que peitoral gostoso... – Ela falou com um ar de fome passando a mão delicadamente no meu peito nu.
Eu miei com o toque quente da sua mão. Tirei sua mão com carinho e rolei para cima dela, apertando-a contra a cama com meu corpo. – Não faz isso, eu me perco.
Ela mordeu meu queixo me provocando. – Eu sei. Eu quero que você se perca mesmo.
Alguém pigarreou na porta. – Se segurem.
Saí de cima dela com um gemido de protesto. – Ah, papai! Dez minutos.
– Nem dez segundos senhor peitoral gostoso. Se vista e desça pra tomar café. Hoje a gente vai pescar. – papai disse e saiu assoviando.
Voltei-me pra ela, que deu de ombros. Pulei do seu lado e a abracei. Seu cabelo cheirava a verbena. Estava inebriante, melhor que flor de lótus. Comecei a distribuir beijos pelo seu ombro exposto pela regata branca e em seu pescoço branco como leite. Ela me empurrou miando um “Agora não” muito contrariado.
Me vesti sob os olhares selvagens e esfomeados da deusa. Como que para torturá-la, saí do banheiro só vestindo uma boxer justa preta.
Vesti uma camisa vermelha muito justa, um jeans preto e um All Star também preto. Desci de mãos dadas com minha deusa e, juntos, nos sentamos lado a lado para tomar café.
Erika e Apolo também estavam comendo. Apolo abria um sorriso branco no rosto toda vez que olhava para Erika, que corava e retribuía o sorriso.
Depois de uns quinze minutos, todos nós entramos no carro e fomos para o parque, as tralhas de pesca no porta-malas. Art e eu ficamos no banco de trás muito juntinhos. Erika ficou no banco de trás junto conosco, lia Os contos de Beedle, o bardo com uma cara amarrada. Apolo ia na frente cantarolando junto com papai.
Ron Pope começou a cantar. Erika e eu éramos os únicos que sabíamos cantar, portanto demos um pequeno show no carro.
– A drop in the ocean, a change in the weather… – Erika me beliscou por ter desafinado. – Ei! Isso doeu!
Quase 4 minutos depois...
– ‘Cause you are my heaven! – Terminei apontando para minha deusa, que tinha ficado vermelha de vergonha ao ver Apolo rindo da sua cara.
Papai estacionou o carro na entrada do parque e olhou para mim. – Nunca mais cante assim!
Todos nós rimos e descemos do carro.
O único peixe que eu peguei acabou pulando da minha mão pra minha cara. Art rolou de rir. Graças aos deuses ninguém mais viu.
Uma meia hora depois eu me sentei ao lado da minha deusa, totalmente derrotado, suado e faminto. Tinha uma lata de Pepsi Diet na mão. Ártemis sorriu quando viu a lata.
– Baco aprovaria seu gosto. – ela disse.
Passei o braço livre em seus ombros – Que bom. Quatro deuses do meu lado.
– Bobo. – ela me beijou.
– Peguei um! Peguei um! Apolo olha que bicho feio! – Erika gritou atrás de mim. Ainda duvidava do seu parentesco. Também duvidava do papai.
– É mais feio que o Hal! – Apolo exclamou.
– Ei! Eu sou quase um deus de tão lindo tá! – mostrei a língua pra ele.
– Hal, amassa sua deusa aí! Eu amasso o meu e ninguém se atenta. Eu acho – Erika apaziguou as coisas, ou tentou.
Olhei para a pista de Cooper atrás da gente. Papai estava beijando uma ruiva alta. Estonteante.
– Papai teve essa ideia também... – disse.
Todos olharam para onde eu apontava e nós rimos.
Apolo e Erika foram para a beira do lago, andavam de mãos juntas conversando e rindo.
Abri uma lata de Coca e beberiquei um gole. Me sentei do lado de Di e segurei sua mão sob a minha.
Uma hora e 13 minutos depois...
Papai se largou da ruiva e preparou as tralhas. O peixe de Erika estava embrulhado em papel alumínio dentro do cooler de gelo. Estava abraçado com Di (eu, não o bagre), Apolo abraçando Erika.
Papai deu a partida no carro e nós entramos. Dessa vez todos foram atrás enquanto o cooler estava no banco do passageiro. Papai dirigia com maestria através do trânsito caótico da auto-estrada em direção ao nosso condomínio.
Cerca de quinze minutos depois, papai estacionou em frente a casa dos gêmeos. Um homem de cabelos loiros curtos e barba por fazer estava sentado na varanda lendo um romance. Uma mulher jovem e bonita em um vestido branco estava bordando uma toalha branca, o desenho semelhante a um pavão.
– Papai e nossa madrasta – Apolo apontou para o casal na varanda. O homem levantou os olhos do livro e acenou para papai.
– Zeus e Hera? – Erika perguntou meio emburrada.
Os gêmeos assentiram.
– Como dois dos deuses mais importantes do Olimpo não estão no Olimpo? – perguntei confuso.
– Porque nós dois fizemos as cabeças deles para podermos estudar no mundo mortal sem precisar tomar um elevador apertado com músicas horríveis todo dia de manhã e descer seiscentos andares. – Apolo pontuou.
Eles desceram do carro e entraram em casa. Ártemis deu um beijo em Hera[N/A:/Vadia (tira esse pavão daqui!)] e um abraço em Zeus [N/A: /Fabulosa, papai]. Ela deu um aceno para nós e papai deu a partida no carro. Apolo apenas sorriu secamente para o bordado da deusa, como se planejando queimá-lo. Papai acelerou e virou para a direita, a imagem de Apolo correndo com Juno nos seus calcanhares agitando os braços foi nossa última visão dos deuses.
– Acho que ele queimou o bordado – falei.
– Talvez – Erika murmurou com a cabeça encostada no vidro.
– Ei, o que houve? – perguntei em tom doce.
Erika desgrudou a testa do vidro e me abraçou. Ela chorava. Papai deve ter visto a cena, pois ligou o rádio em uma música mais animada.
– Erika, o que aconteceu? Me conta – insisti.
Ela respirou relutante, se endireitou no meu ombro e afrouxou o abraço. Limpou as lágrimas e murmurou:
– Ele me pediu em casamento.
Notas finais
Beijões minhas amoras.
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