Prólogo

Coréia, 1953

— Sempre me pergunto o porquê de gostar da noite. Talvez seja o silêncio, a solidão.

— Bem não importa, não agora… mas um dia fará sentindo, um dia terá importância…

— Ainda me lembro do meu pai me falando isso, eu tinha apenas 14 anos, foi alguns meses antes dele morrer: ele me fez prometer que não choraria, mas quando o coração dele parou eu chorei como nunca, meu tio foi me consolar e pediu para honrar a minha promessa. E assim eu fiz, e até hoje eu faço.

— Vocês devem se perguntar porquê estou falando isso. Meu pai morreu com um tiro no fígado e outro alojado entre o pulmão e o coração, ele era de uma “família” poderosa de onde eu morava, resumindo, ele morreu em batalha. Nós estamos indo a uma batalha agora mesmo, e por mais que não gostem do homem ao seu lado, você o protegerá, porquê isso é uma família, estamos em uma família agora, mesmo que não gostem. Não vamos lutar apenas para ajudar a Coreia do Sul, vamos ajudar na luta contra o comunismo.

Estados Unidos, 1957

— Eram as palavras do meu general, e imaginar que seriam as últimas palavras que escutaria dele, o desgraçado morreu na batalha… não é fácil enfrentar um tanque.

Já estava lá há meses e ainda não sei como sobrevivi aquele inferno.

Henry morreu na minha frente, ainda lembro dos gritos de dor dele, lembro de cada grito que escutei, de cada lagrima que escorreu, sorte que no outro dia declaram paz.

Mas essa paz estava longe de ser a minha, me ofereceram trabalho no FBI pelos atos na guerra, eu aceitei e estou aqui até hoje.

— Rick, eu só perguntei como você conseguiu o emprego, não sua historia de guerra. De qualquer modo, me de uma carona até a estação de metro mais próxima, meu carro quebrou e vou encontrar meu primo lá.

— Okay, mas não se acostume com isso — Robbie, é um cara legal, mas um pouco folgado, então tenho que por limites.

Deixei ele onde tinha pedido e fui pra casa, cheguei e fui assistir um jogo dos Redskins. Nem sei como consigo viver nesse lixo, depois que a Ashley me deixou, a vida ficou uma bagunça. Antes sempre saia com minha esposa, para dançar, para assistir um filme ou só jantar mesmo. Mas agora, fico dentro de casa bebendo cerveja assistindo jogos reprisados. E nem é o pior. As lembranças da guerra, das pessoas que matei, dos amigos que perdi, a dor que causei e senti. Essa dor me persegue como se fosse um fantasma.

Vou tomar banho e dormir, algo de importante vai acontecer amanha, não é todo dia que o chefe quer conversar comigo.

— Richard, vamos para Coreia amanha, você está com medo de morrer?

— Não de morrer, mas de não voltar para casa, de não ver minha mãe. Mas fica tranquilo, vamos voltar.

— Assim espero.

— É melhor ir dormir, vamos levantar mais cedo que o normal. Você já sabe quem serão os sortudos que carregaram os suprimentos.

— Verdade, boa noite Rick.

— Boa noite.

Eu acordei suado, e um pouco assustado; não sonho muito com o Henry, ainda mais algo assim. É uma péssima maneira de começar o dia: lembrando dos seus demônios…

Isso não importa agora, tenho que trabalhar, o chefe tem algo para conversar comigo.

Notas finais
Olá, obrigado por ler esta fanfic, ficaria grato se você pudesse avaliar e comentar, tendo respeito a opiniões diferentes da sua. Mais uma vez obrigado e até mais