(Após aquela leitura desastrosa por insegurança, Helena baixa a cabeça temendo ao que o professor pudesse dizer. Mas logo tem uma surpresa)

Augusto Rafael – bem… estiveste nervosa, a tua oralidade foi péssima, a tua postura foi uma vergonha… (Helena põe-se triste por completo) … mas fizeste o que nunca nenhum aluno conseguiu fazer… arrancaste-me um sorriso e só por isso tens o meu perdão! Agora, senta-te!

(Helena senta-se, ainda de cabeça baixa, ela sorri, afinal, conseguiu um elogio no primeiro dia. A aula chega ao fim e está na hora de ir embora, ao levantar-se, sem querer, Helena deixa cair os livros e uns papéis que tinha dentro do carno que espalharam-se pelo chão da sala. Enquanto pegava, todos iam saindo até que só ficou ela e o professor, mas Helena nem se deu conta, levantou-se para sair mas quando se virou, esbarrou com Augusto. Ouvir musica: 《Ghost》saxophone. Augusto, para não a deixar cair, segurou-a nos seus braços como um príncipe quando salva a sua donzela da morte. Paralisados pelo momento, olhavam-se com desejo, e sentiam-se leves… como se não existisse mais nada para além deles os dois. O amor reinava naquele ambiente, mas era um amor proibido entre aluna e professor. Augusto estava hipnotizado com os olhos de Helena, e ela… bem, ela derretia-se naqueles braços fortes e quentes que a seguravam como se estivesse à beira dum precipício)

Augusto Rafael (volta a lucidez e solta-a) – bem… tu devias tomar atenção por onde andas…

Helena (desconcertada) – peço imensa desculpa, senhor professor. Eu não tive a intenção.

Augusto Rafael (estonteado com aquele encanto) – bem… sim, esquece lá isto. Bom, vai-te embora que já é tarde e vê lá se tomas mais atenção porque és muito dispersada.

Helena (olha-o com humildade nos olhos) – como desejar, meu professor. (retira-se)

(Augusto mantem-se firme por fora, mas por dentro sente-se fraco e desejoso. Observa-a ir embora como um leão observa o seu antílope. Os seus olhos brilham e as suas pupilas dilatam-se, o seu olhar acompanha o caminhar de Helena. O que estava a sentir, não sabia explicar)

Augusto Rafael – caramba… é bonita! (sorri)

(encostada à parede, Helena suspira e recorda aquele momento que mais pareceu um conto de fadas, desta vez sem madrasta, sem sapos, sem espelhos, sem lobos, sem sereias… apenas um romance que surgia na sua imaginação. Fecha os olhos e sente-o junto à sua pele, quente e doce. Augusto acaba de mexer com o seu coração)

Helena- meu Deus, que me está a passar? Que me está a passar?

Augusto Rafael – meu Deus… o se está a passar comigo? Que se está a passar?