O Problema É Que Ela É Linda
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Espero que gostem!
Boa Leitura ♥
— Mano, ela passou e eu pirei. Tá ligado naquelas mina que te deixa fora de si, pira o cabeção? Ela é disso pra pior. Meche com o meu psicológico, com a minha moral e com o físico. Vendia a minha alma pro diabo pra ter ela só pra mim.
- Cara, desencana. – Esse foi o único conselho que Rod conseguiu dar para o amigo. Rod sabia que Bruno estava apaixonado por aquela mulher e sabia, muito mais do que Bruno, que ela não valia nada.
- Ela é obra divina. Um dia essa mina vai ser só minha. – Profetizou Bruno, mas no fundo, nem ele mesmo acreditava nas próprias palavras, mas queria acreditar e era o que importava.
Renata era daquelas que humilhava, esculachava e passava por cima de qualquer um que se aproximasse, principalmente se esse “qualquer um” não satisfizesse os seus interesses pessoais. Bruno sabia disso e se ele pudesse jamais escolheria ter se apaixonar perdidamente por ela, mas o foda é que ela era linda.
E Bruno era o Zé-Ninguém. Não era o mais legal, não era o mais bonito, não era o mais popular e muito menos o mais rico. E ele se odiava por isso. Ele estenderia um tapete para ela passar, mas ela nem olhava pra ele quando passava.
Rod e Bruno estavam com a sua turma, era quase meia-noite em uma pista de skate. Renata também estava lá com o cara que estava pegando na época, um mauricinho que só andava com naquela turma por que era rico e patrocinava os rolês. Bruno também não estava sozinho, estava acompanhado por uma tal de Cyntia, bonitinha e tal, mas não era ela, não era o suficiente pra tirar Renata do pensamento, ninguém era.
Bruno não tirava os olhos de Renata, mesmo ela estando no colo daquele mauricinho ele não conseguia desviar o olhar e Cyntia fingia que não via pra não ter que começar uma discussão que não iria a lugar nenhum mesmo.
Lá pelas tantas Bruno resolveu ir fazer suas necessidades, pra isso foi num matinho lá pra trás da pista. Já estava fechando o zíper quando:
-Vai uma tragada? – Era ela, Renata. Com a mão estendida segurava um beck de maconha, seus olhos negros brilhavam a luz da lua.
-Passa. – Bruno pegou o cigarro e deu uma tragada. Não curtia maconha, mas não era louco de dispensar a única chance que teria, provavelmente, na vida inteira, de falar com Renata. Devolveu o baseado a ela.
-Qual é teu nome mesmo? Não to lembrando... – Bruno sabia perfeitamente que ela não fazia ideia de qual era o nome dele, provavelmente ela nunca nem tinha “visto” ele, mesmo sendo que todo fim de semana eles saiam no mesmo grupo.
-Bruno. – Ele não perguntou o nome dela. Ela dispensava apresentação e os dois sabiam muito bem disso.
-Melancólico. – Ela disse mais para si mesma do que para ele que mesmo assim perguntou:
-O que?
-Bruno significa melancólico, infeliz. – Disse ela, voltando em si.
-Não sabia.
-E eu acertei?
-O que?
-Tu é infeliz?
Ele não respondeu, não precisou, seu olhar disse tudo, e ela entendeu.
-E Renata, significa o que? – Indagou ele.
-Nascida de novo.
-E tu é?
-Muitas vezes.
Os dois ficaram em silêncio, sentados na grama úmida olhando o céu, por vários minutos, até terminarem o baseado.
-Quer ver uma coisa? – Perguntou ela com um sorriso malicioso nos lábios vermelhos.
-O que?
-Quer ou não? – Sem hesitar Bruno respondeu:
-Quero.
Renata se virou de costas para este e tirou a blusa. Ao puxar os cabelos negros para o lado Bruno viu. O seu olhar o fulminava. Uma fênix. Ocupava toda as costas da garota. A penugem em vermelho sangue, o olhar dourado fulminava, parecia conseguir enxergar a alma de quem olhava.
Bruno não conseguiu conter o impulso e correu a mão por toda a ave, a garota não se mexeu.
-Uma fênix. Nascida de novo? – Perguntou ele fazendo a ligação.
-Combina, não é?
-É perfeita.
Renata se virou para Bruno, sem camisa, sem mascaras e sem cinismo perguntou:
-A tatuagem ou eu?
-As duas. – Falou colocando a mão na face da garota e aproximando o seu rosto do dela. Antes de beijá-la fixou o seu olhar no dela, as duas almas pareciam se ver. Eram feitos um para o outro.
O beijo tomou conta dos dois, suas línguas dançavam em perfeita sintonia. As mãos dos dois passeavam pelo outro, explorando, acariciando, puxando para mais perto e arrancando as peças de roupa. Logo estavam os dois, sem nenhuma camada de tecido entre eles, rolando pela grama, se amando de uma maneira que nenhum deles já havia experimentado, aliás de maneira que poucos seres-humanos no mundo já tiveram o prazer de experimentar, quando o corpo e a alma trabalham em perfeita sintonia, o prazer e o sentimento lado a lado.
Nenhum queria que acabasse, podia durar uma eternidade ou mais, eles nunca enjoariam, mas terminou, e foi mais extasiante ainda. Conheceram o paraíso por alguns segundos ou um pouco mais.
Deitaram lado a lado enquanto recuperavam o folego e a calma, enquanto seus corações voltavam ao ritmo normal. Antes que Bruno pudesse ter pensado sobre aquilo que acabara de acontecer Renata já começava a colocar as suas roupas. Bruno sentado observava a Fênix nas costas da menina. Aquele olhar que ele nunca esqueceria, juntamente com todos os sentimentos e prazeres carnais daquela noite.
Já vestida a garota se aproximou dele e murmurou, com uma voz semelhante a um ronrono, em seu ouvido:
-Amanhã isso nunca aconteceu. – Deu um beijo na bochecha dele e se foi em direção a pista, ao mundo real.
Para Bruno aquilo doeu mais do que nunca ter falado com ela. Ele não sabia o que pensar muito menos o que sentir. Ele fora ao paraíso por um milésimo de tempo e agora recebia a noticia de que nunca mais poderia voltar. Era como se tivessem arrancado um pedaço dele.
Sem saber o que fazer, para aonde seguir e a quem recorrer, deixou-se deitar na grama e ali adormeceu, desejando nunca mais acordar.
Notas finais
Quer que vire uma fanfic de vários capítulos? Comente.
Bjs ♥
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