O Principio Do Fim
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Estava muito escuro naquele lugar, apenas alguns pontos de luz
relativamente insignificantes brilhavam. Eu não sabia onde estava, não conhecia
o lugar, mas comecei a andar tateando à procura de algo, uma pista que me
indicasse onde eu poderia estar. Por muito tempo não encontrei nada e durante o
meu avanço na escuridão a pouca luz existente fora reduzida a nada.
Sem uma noção de onde me encontrava comecei a ficar apreensiva
sobre o que se estava a passar naquele lugar, eu sabia que o que estava a
acontecer não era nada remotamente natural.
De repente luz explodiu cegando-me completamente como se
tivessem acendido um interruptor. Quando consegui habituar-me à inesperada
claridade vi-me em uma sala sem janelas e apenas com uma porta espessa quase
intransponível. Mas eu não estava só, juntos duma das extremidades da sala de
frente para a porta encontravam-se dois homens sentados no chão, pareciam
feridos e inconscientes. No momento eu que tentei chegar a eles a porta daquela
sala foi aberta com um estrondo e por ela passou um ser de um outro mundo que
não a Terra.
Era horripilante e aterrorizador de se olhar, com o rosto
manchado de sangue seco e no contorno da boca cheio de um vermelho do mais vivo
possível que lhe escorria pelo pescoço e acumulava-se numa mancha grande na
camisa esburacada e suja que vestia.
Era a única peça de roupa que vestia o seu corpo, não era mais
que um horrível esqueleto ambulante, os ossos ou carne ou o que fosse eram de
um preto profundo e a sua face era igual, com exceção dos aterrorizadores olhos
vivos cor de sangue que tinha. Ao entrar na sala dirigiu-se para os dois
homens.
No momento em que a criatura entrou na sala, o mais alto dos
homens acordou e ao encarar aquele ser começou a chamar pelo outro.
- Damien acorda! – Exclamou com urgência mas em contradição
encontrava-se calmo como se aquela situação não lhe fosse desconhecida
- Damien!- Voltou a chamar com um tom mais alto como se fosse
um aviso – ACORDA AGORA! – gritou ao perceber aquele ser cada vez mais próximo
deles
E inesperadamente Damien despertou ao ouvir aquele grito,
olhou à volta desorientado sem ver bem a situação como um todo, sem perceber as
particularidades de onde e com quem se encontrava e encarou quem o chamara.
- Sean o que foi? Onde estamos? – perguntou desorientado
- Nós estamos enrascados. Olha ali! – e apontou para onde a
criatura avançava lentamente em direção a eles.
O que quer que fosse aquele ser, ao notar que eles acordaram,
de repente deu um salto e atacou-os.
*************
Sentei-me num salto ao acordar daquele
terrível sonho, porém não achava que, aquele não era meramente um sonho comum.
Após a morte dos meus pais, “sonhos” como aquele já eram um pouco como parte da
minha realidade.
Lembrando-me de tudo mesmo que
algumas partes fossem mais confusas, levantei-me tentando concentrar-me em
lembrar tudo e perceber as particularidades daquele sonho, andei pelo quarto, o
meu refúgio e passei os olhos pela cama ao lado da minha que se encontrava
vazia. Aquele facto já não era novidade para mim. Raphael raramente dormia ali,
mas sentia falta de o ver na outra cama atento a mim, principalmente depois de
ter um dos meus “sonhos” e quando não os conseguia entender e agora é uma dessas
ocasiões, suspirando balancei a cabeça e esquecendo-me momentaneamente de Raphael.
Tinha coisas mais importantes para fazer. E com isso apressou-me a mudar de
roupa e a ir buscar a minha sempre pronta mala de viagens.
Corri até ao meu carro preferido
um pequeno mas poderoso Audi A4 preto, que tinha sido uma prenda do meu pai
antes de partir, abri o porta-malas e fui como de costume conferir, se tinha
tudo que eventualmente poderia precisar e deixei a minha mala. Abri a porta do
condutor, liguei o carro, destranquei o avançado sistema de segurança e o carro foi elevando elegantemente para a superfície de uma aparente vazia garagem industrial, abri o portão e sai para a rua deserta e escurecida pela falta de
postes de iluminação e pela escuridão cerrada da noite, devido à completa
ausência da luz da lua que parecia não conseguir passar pelas espessas nuvens que havia no céu.
- Parece que não é uma boa noite para eu sair. – pensei ao deparar-me com o quase total abandono da luz, apenas os faróis do carro brilhavam na noite como um farol no meio do oceano – Mas eu não tenho escolha. Eu preciso impedir que aqueles homens morram. Não sei porquê mas eles não podem morrer. Eu não vou deixar.
Ao correm-me estes pensamentos apertei ferozmente o volante até que os nós dos meus dedos ficaram de um branco pálido e ao reparar obrigou-me a relaxar o aperto que exercia.
Porém eu estava com medo, poderia não chegar a tempo e nem sabia se aquele “sonho” iria realmente acontecer, mas com a experiencia que já tinha nessas coisas o mais provável é que fosse mesmo acontecer e eu não estava a gostar disso. Eu sabia quem eram Sean e Damien Hill e a sua completa história por isso não podia deixar o que eu tinha quase certeza que estava para acontecer, acontecer. Eles já sofreram demais, já perderam demais para acabarem assim.
E com esse pensamento pisei ainda mais fundo o acelerador e começando a deslizar pelas ruas, olhei para o conta-quilómetros e reparei que ia quase a 170km. Nunca tinha chegado aquela velocidade, era um perigo eu sabia mas não podia abrandar. Apercebi-me que as ruas cheias de casa há muito que tinham ficado para trás e agora a única paisagem que via eram árvores de uma enorme floresta que a estrada contornava.
Ao percorrer a estrada uma grande inquietação tomou conta de mim, eu não era dali, não era daquele estado, nem daquele pais e muito menos daquele continente e então comecei a ganhar um temor de que me iria perder, eu não conhecia nada do caminho que estava a percorrer.
Após algum tempo com um medo crescente reparei que já percorrido este caminho antes, já tinha passado por esta estranha árvore curvada e aquele caminho não me parecia mais tão desconhecido e neste momento eu comecei a entrar em pânico sem saber o que fazer. Parei o carro na berma da estrada, consultei o mapa, mas não sabia exatamente onde me encontrava, o pânico fazia com que o meu estômago ficasse estranhamente apertado e a vontade de vomitar era cada vez maior. Fechei os olhos e encostei a cabeça no banco do carro e comecei a respirar o mais calmamente possível e então de forma desesperada eu pedi:
- Deus por favor, por favor faça com que alguém apareça e me ajude, não sei onde estou, nem que caminho seguir e eu não posso perder tempo. Por favor meu Deus me ajude.
Quando eu estava mesmo à beira das lágrimas vi pelo espelho retrovisor um par de luzes brilhantes aparecerem no horizonte e passarem por o meu carro e nesse momento o meu estomago afundou como uma pedra atirada ao oceano.
- Oh Deus por favor não me deixe aqui.
As lágrimas já desciam soltas pelos meus olhos com a possibilidade de eu não conseguir concretizar o objetivo daquela viagem no meio da noite, mas parece que deus me ouviu e resolveu me ajudar porque o carro parou não muito a frente do meu e um homem alto saiu dele e veio em direção a mim.
Quando chegou ao meu carro baixou-se e perguntou:
- A senhora está bem?
- Eu estou perdida. Eu preciso ir para Shawville e não consigo achar o caminho. – disse e limpei as lágrimas que tinham escorrido pelo meu rosto.
- Ah é fácil! A senhora para ter voltado até aqui, provavelmente no cruzamento em vez de ter virado à direita para Shawville virou à esquerda e depois outra vez à esquerda e veio aqui ter novamente. – disse o senhor de meia idade muito solicito
- Obrigado senhor, eu teria aqui ficado muito tempo para descobrir o caminho ou então à espera que alguém parasse.
- De nada. Eu gosto de ajudar. – disse o senhor com o sorriso no rosto
- De novo obrigado.
E parti agora no rumo certo mas com medo ainda de já ser tarde demais.
Após horas enormes começou a haver uma mudança na paisagem, primeiro vi um sinal a indicar a minha chegada a Shawville, Quebec, depois as árvores começaram a desaparecer e o amanhecer começou a chegar mas agora eu sabia que estava no caminho que deveria percorrer.
Ao chegar à pequena e remota
cidade de Shawville eu fui procurar pelo que eu sabia ser o único motel que existia e tentar achar Sean e Damien Hill, mas saia que não iria ser uma tarefa fácil e nem provavelmente tranquila porque eles obviamente com a vida que levavam utilizariam no decorrer dos dias inúmeros nomes falsos o que
dificultaria a minha procura.
- Mas… — pensei – Eu conhecia as
suas caras e talvez se eu me mantivesse atenta eu ira conseguir vê-los e talvez
impedir que ele tivessem aquele terrível fim.
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