Estava encharcado da cabeça aos pés. A chuva não parava durante um único segundo. Seguia aquele homem, o manipulador do fogo, no meio da floresta fechada. Constantemente, era obrigado a escalar barrancos, pular sobre troncos ocos e remover galhos de seu caminho. Escorregou várias vezes em rochas úmidas e cheias de musgos. A escuridão não ajudava em nada. Eu poderia fugir a qualquer momento.

– Não se perca de mim! – Disse o jovem do fogo, que se chamava Dowell. Estava vários passos a frente de Danker e segurava uma tocha em sua mão direita, e carregava o cajado com a esquerda. Também estava totalmente ensopado.

O fogo de sua tocha... Ele não apaga com a chuva.

– Por que precisamos ir pela floresta fechada? Há um caminho a oeste.

– Você não sabe para onde estamos indo. – Respondeu grosseiramente Dowell.

– Pode pelo menos me dizer?

– Não. Fique calado.

Se fugisse para Veronna, colocaria em risco Edron e sua mãe, Melysa, além de todo o vilarejo. Lembrava-se claramente das palavras de Dowell, logo após se afastarem do carvalho.

– Não importa se fugir, não importa se for para outro lugar e se esconder. Acabarei lhe encontrando novamente. E se não encontrasse, outros piores do que eu poderiam lhe capturar. Há pessoas te procurando, e você não sabe o risco que está correndo.

Me procurando? Quem eu sou? Refletia o jovem. Não se considerava importante, porém não descartou a possibilidade de realmente ser antes de perder a memória. Se é que realmente perdi a memória. Aquilo tudo o deixava muito confuso.

Chegaram a uma caverna rochosa. A entrada era cercada por vários arbustos e era uma pequena descida, e a água escorria por ela, deixava o chão do interior da caverna cheio de lama, isso não limitou Dowell.

– Ajude-me a carregar essa rocha. – Pediu. Era uma rocha retangular e grossa. Colocaram dentro da caverna e Dowell despejou vários galhos em cima dela. Em seguida, usou seu cajado e formou uma fogueira. Sem a rocha, não seria possível haver fogo por causa da lama úmida.

– Por que precisa dela? Seu fogo não apaga com água.

– Eu estou cansado. Minha estamina está esgotando. – A essas alturas, a tocha já havia sido silenciada.

Estamina? Danker não sabia o que era estamina, mas não perguntou. Dowell percebeu que o garoto não compreendeu.

– É poder mágico, tolo! Vejo que nada aprendeu nesses longos seis meses. – Respondeu o mago. Retirou sua capa vermelha, despejou ao chão em um lugar mais seco e deitou. Não impediu que se sujasse um pouco.

– Aprendi muitas coisas! – Retrucou Danker. – Mas por algum motivo, não gostavam de me falar sobre magia...

– Entendo. – Dowell deitado, pegou um pequeno galho com dois dedos e passou a movimentá-lo no ar. Fogo surgiu em sua ponta, como uma vela. – Eles ainda estão traumatizados com o Genocídio da Magia.

Genocídio da Magia?

– O que aconteceu?

– Bem... – Dowell não demonstrava vontade alguma em falar, mas mesmo assim, prosseguiu. – Primeiramente, sente-se. Vai ficar a noite inteira em pé, como uma estátua? Não lhe ensinaram a deitar, garoto árvore?

Danker cedeu e sentou-se em uma pequena rocha, com as costas escoradas na parede dura da caverna.

– Vou resumir... Estou com sono. – Bocejou. – Imagine você dentro de uma casa, com cinco pessoas. – Começou a falar sem olhar para Danker. Seus olhos estavam bem concentrados no fogo que dançava na ponta daquele galho. – Em um momento inesperado, a casa é invadida e todos vocês morrem. Toda sua família, todas as pessoas que você amou. Você é obrigado a ver todos eles sendo torturados cruelmente, enfeitados em sangue como uma melancia estourada.

Danker nada disse, apenas continuou escutando.

– É o que aconteceu com todas as pessoas que utilizavam magia, ou com a família destas, mesmo os que não eram usuários. Você não utiliza magia, porém, seu pai sim. Sua família inteira era brutalmente massacrada pelas forças do império. Nenhum mago sobreviveu naquela época, bom, é o que dizem... Eu estou aqui, a sua frente. O que tem a dizer?

– Mas... Por quê?

– Não sei como lhe explicar, apenas deite e durma, estou cansado. – Dowell virou-se para o outro lado e fez o fogo do galho apagar.

Não é possível. Eu não me lembro de nada disso.

Danker não se deitaria no chão molhado, apesar de também estar todo encharcado. Se retirou da caverna em busca de folhas grandes. Devo fugir agora? No lugar de folhas, encontrou uma grande e grossa casca de madeira, seria melhor do que folhas. Era de alguma árvore bem grande. Arrastou para dentro da caverna e se deitou. Estava frio, não conseguiu dormir cedo, ficou pensando na forma que deixara Edron. Nem tive oportunidade de me despedir da Sra. Melysa... Mas eu vou voltar para eles, e tudo vai ser como era antes.

Ao amanhecer, a chuva já havia cessado.

– Levante-se logo! – Dowell deu leves chutes em Denker.

– Me deixa... – Resmungou sonolento.

– Temos que ir agora! Vamos! – Os chutes tornaram-se mais fortes.

– Droga!

Danker estava ensopado. Retirou sua camisa verde e a torceu para retirar toda a água. A pendurou no ombro e voltou a seguir Dowell. Este estava com as mesmas roupas do dia anterior, inclusive a capa, todas as peças secas. Esse maldito acordou cedo, colocou as roupas para secar e me deixou molhado.

O dia não estava nada ensolarado. Nuvens carregadas ainda se encontravam no céu, impedindo que os raios solares chegassem ao solo. Também ventava.

– Fico feliz que não tenha tentando fugir. – Disse Dowell enquanto caminhava sobre o chão irregular.

– Ao contrário de você, não estou nada feliz. Por que não me diz onde estamos indo e com que objetivo? – Danker estava apenas a alguns passos atrás dele.

– Não quero que faça qualquer besteira enquanto caminhamos até lá

O que eu posso fazer?

– De qualquer forma.

– Apenas continue me seguindo e em breve saberá de tudo. Não me dê dor de cabeça ou serei obrigado a visitar Veronna.

Danker passou a duvidar que ele realmente fizesse essas coisas que dizia. Talvez ele não tenha coragem. Talvez sejam apenas ameaças para tornar seu trabalho mais fácil... Talvez eu possa pegá-lo desprevenido enquanto dorme... A ideia chegou tarde a sua mente, visto que uma noite já se passara, mas agora, teria o dia inteiro para decidir o que fazer com a chegada da lua.

Enfim, chegaram a uma estreita estrada de barro. Havia muita lama por conta da chuva, mas só o fato de andar em lugar aberto compensava. Caminharam por algumas horas sem dizer uma única palavra, até chegarem a um alojamento bem grande.

– Ótimo! Vamos comer! – Disse Dowell, antes de abrir a porta do lugar. Era uma casa feita de madeira de olmo, cercada pela floresta fechada, bem alta, com três andares, e vários quartos em cada um. Também guardou seu cajado em suas costas e a capa, não deixaria escancarado para as pessoas que era um mago, poderia ter alguém indesejável lá dentro.

Mas não. Havia um velho flautista tomando uma xícara de café e comento rosquinhas em uma mesa próxima ao balcão. Um homem grande e forte, com trajes grossos e cinzentos e um capuz de lã, estava sentado mais ao fundo, e este, portava uma pequena faca, que deixou bem exposta na mesa. Será que pretende algo? Mas ele a utilizou para limpar o dente logo após morder uma enorme coxa de frango.

– Olá jovenzinho. – Disse uma mulher gorda de cabelos encaracolados ruivos atrás do balcão. Era Tanya, a dona do alojamento.

– Estamos com fome. Traga comida também para meu novo amigo aqui. – Dowell se sentou em um dos bancos do balcão e mandou Danker sentar-se também. – Agora me diga, onde está Elys? Aquela fresca já está pronta?

– Vou chama-la, um momentinho. – Danker acreditou que Tanya subiria os degraus e chamaria essa tal Elys silenciosamente, mas não foi o que fez. Deu um berro que quase o deixou surdo.

– Sempre silenciosa Tanya. – Disse Dowell.

Em meio a risadinhas e despejando café em duas xícaras, ela respondeu com uma pergunta.

– O que seu amiguinho gosta de comer?

– Qualquer coisa serve... – Respondeu Danker. Notara que seu estômago estava roncando. A última vez que comeu foi antes de visitar a feira de Veronna com Edron. Poderia estar com ele essas horas. Poderíamos pescar hoje ou poderia ajudar a Sra. Melysa a fazer bolinhos de chuva, já que é bem provável que hoje chova...

A gorda Tanya depositou um prato em sua frente cheio de bolachas e um pão recheado com mel. Dowell optou por alguns queijos e frutas. Ambos beberam café.

– Mas que droga! – Gritou uma voz feminina, bem alta, e parecia não estar nada feliz. – Você está adiantado, seu merdinha! – Disse gritando. Uma garota aproximou-se de ambos.

– É bom te ver também, Elys.

– Não é bom te ver! – Ela não vai parar de gritar?

– Veja. Eu o encontrei sozinho. Quem vai ficar com todo o mérito? – Dowell desafiou a garota enquanto comia. Ela possuía longos cabelos loiros e lisos, soltos no momento. Vestia-se com uma camiseta branca, azul fraca nas mangas, um extenso cinto escuro em sua cintura, que ligava a camiseta a uma curta saia, também branca, que não chegava aos seus joelhos. Do lado direito de sua cintura, fixo no cinto, pendia o punho negro de uma espada, deixando o gume prateado paralelo a suas pernas. Era uma arma fina e cortante. Do outro lado, ficava uma pequena bolsa para carregar coisas pequenas, como moedas.

– Ora! Cale-se! Vim com você a maior parte do caminho! Maldito! – Sempre gritando. Danker já estava se sentindo incomodado. Ela se retirou. Sentou-se em uma mesa bem longe deles.

– Preguiçosa. – Começou Dowell a falar para Danker, enquanto comia. – Eu sabia que estávamos chegando a você, mas ela teimou que queria dormir... Não tinha escurecido ainda, mas não. “Eu vou dormir, se quiser ir, que vá sozinho”, disse ela. – Gargalhou. – Tola. O orgulhou falou mais alto. Continuei sozinho e acabou que não precisei da ajuda de ninguém para te encontrar.

– Ela poderia não falar muito alto. – Ela poderia não gritar, aliás, ela poderia não abrir a boca! Nada de útil sai de dentro dela.

– Acostume-se. – Dowell então se levantou e foi em direção até um painel, próximo a uma janela. Lá encontraria várias notícias. Danker não o seguiu.

O flautista presente no alojamento começou a tocar. Um som agradável e relaxante. Observou Dowell. Ele estava parado em frente ao painel cheio de anúncios, cartazes de procurados, notícias e até comerciais. Não saberia dizer o que interessava o mago de fogo. O som da flauta tornava-se cada vez mais grave, a ponto de se tornar indesejável.

Notara que Dowell também estava se sentindo incomodado. Tanya encarou o velho flautista e fez um gesto para que cessasse um pouco aquela música, sendo completamente ignorada.

– Alguém tire essa flauta de merda desse velho surdo! – Gritou Elys, levantando-se lá da mesa em que se encontrava. Não foi o suficiente. O velho prosseguiu com aquela flauta, tornando-se mais irritante a cada segundo. Era um som sujo e agonizante. Não! Isso não pode ser normal! Danker tampou os ouvidos.

O homem com roupas escuras do outro lado do alojamento se levantou e correu em direção do velho, com a sua faca na mão. Derrubou várias cadeiras e mesas até chegar bem próximo dele, colocando a faca em sua garganta. O velho não parou. Algo enorme saiu de baixo do chão do lugar, quebrando a madeira, atrás do homem da faca.

– O que é...? – Antes que pudesse terminar, a criatura o agarrou por trás. O formato era de um humano, com duas vezes o tamanho e quatro braços. Nada havia abaixo de sua cintura a não ser a terra de onde ele viera, e era disso que o monstro era, de barro. Não apresentava olhos nem nariz, apenas uma boca demoníaca e assustadora que gritava junto com a flauta. Era marrom escuro, todo de barro e grama. Em menos de segundos, o monstro fez quebrar as costas do pobre homem e o jogou bem longe, próximo ao painel onde se encontrava Dowell.

Isso é... Magia?

Elys já havia agarrado sua espada com uma mão, e alinhava seus olhos ao gume da arma. Do outro lado do lugar, Dowell já portava seu cajado de cabeça de dragão. Por um momento, o velho flautista cessou. Foi um alívio. Ele era calvo e de olhos escuros e sem vida. Trajava um manto cinza de tecido grosso que caía até o chão e as mangas eram maiores que seus braços. Havia um capuz em suas costas.

– Quem é você? – Perguntou Dowell.

O velho nada respondeu. A criatura invocada deu um grito que durou mais de dez segundos, um grito irritante e agonizante, mas após terminar, voltou para a terra e desapareceu. Ressurgiu bem a frente de Danker. Não... O monstro usou seus dois braços da esquerda e inseriu dois socos no pobre garoto, um no rosto, e outro na cintura, derrubando-o ao chão.

Tanya escondeu-se embaixo do balcão. Dowell se aproximou correndo e rodopiou o cajado, criando um anel de fogo semelhante ao anterior, porém, em uma área menor, cercando apenas a criatura inimiga.

O flautista iniciou novamente sua música e uma segunda criatura surgiu, semelhante a anterior. Esta voltou ao chão e ressurgiu bem ao lado de Dowell, que conseguiu desviar do primeiro golpe se jogando ao chão. Não resistiria a um segundo, mas Elys correu até ele e com uma agilidade incrível, cortou ao meio a segunda invocação do velho. A primeira já estava em chamas e Danker se esforçava para levantar. Ele me salvou. Sangue escorria de seu nariz.

Dowell e Elys encararam o flautista. O velho estava sentado, calmo e tranquilo, nem movimentava seus olhos, a expressão em seu rosto era pálida e melancólica. Então, passou a tocar uma música mais triste, como aquelas em que pessoas morrem. As duas criaturas derrotadas anteriormente levantaram-se de súbito da terra novamente, agora com seis braços cada e com várias bocas implantadas em seus ombros.

São demônios.

Elys cortou rapidamente os braços de um deles. Podiam ser grandes, mas não eram nada resistentes, já que o barro estava molhado por causa da chuva. As bocas começaram a gritar como se sentissem dor, mas o que mais doía eram os ouvidos das pessoas ali presentes.

Dowell apontou a cabeça do dragão para a segunda criatura e labaredas o queimaram mais uma vez. Fez o mesmo com a criatura sem braços que Elys cortou. Antes que pudessem descansar, o flautista invocou outros quatro monstros.

– Droga! O que faremos? – Perguntou Dowell. Estavam agora cercados, os três, Dowell, Elys e Danker. As bocas dos ombros das criaturas se abriram e gritaram ao mesmo tempo, um grito tão agonizante que fez quebrar todo o vidro presente no alojamento, isso incluía copos, taças, garrafas e janelas.

Danker estava de joelhos tampando os ouvidos, mas não era o suficiente. Conseguia ouvir o barulho ensurdecedor que lhe doía sua alma, mas foi um alívio quando todo o barulho parou. O velho flautista jazia morto na cadeira, com uma faca espetada em seu coração. Foi o mesmo homem que tentou esfaqueá-lo anteriormente. Ele se arrastou pelo chão lentamente, mesmo com as costas seriamente danificadas, usou todas as suas forças para levantar e acabar com toda a tortura sonora. Mas não foi isso que chamou a atenção de Dowell e Elys. As quatro criaturas invocadas morreram antes de seu invocador. Enormes estacas de madeira surgiram do chão, esfaqueando e deixando em pedaços aqueles seres demoníacos, estacas que atingiram o teto e o chão do andar superior. Eram semelhantes a facas, pontudas e cortantes.

– Foi Danker quem fez isso. – Disse Dowell.

Elys olhou para aquelas enormes estacas e voltou a olhar para Danker, ainda ajoelhado no chão.

– Isso é incrível! Você é realmente o Filho da Natureza! – Mesmo não gritando, a voz dela parecia ser alta e grossa naturalmente. – Você o encontrou, Dowell!

– Eu lhe disse antes...

– Eu não esperava que um retardado como você conseguisse! Esperava que estivesse enganado, você sempre foi um fracassado, mas você o encontrou, e sozinho! – Dessa vez, ela apenas abraçou Dowell.

Filho da Natureza? Danker nada compreendia.

– Não sei por que está tão feliz... Direi que você não... – Antes que pudesse terminar, Elys lhe deu um soco no rosto, o suficiente para fazer com que caísse ao chão. Sua personalidade era bem instável.

– Seu maldito! Eu o ajudei sim! E você vai dizer isso, entendeu? – Voltou a gritar e começou a pisar nele com um dos pés, brutalmente.

Danker olhou para aquelas estacas que surgiram do solo. Eu fiz isso? Como? Eu posso utilizar magia?

Tanya auxiliou o homem a se deitar em uma mesa. Dowell, Elys e Danker cercaram-no.

– Você nos ajudou. Mesmo com as criaturas invocadas derrotadas por Danker, ele certamente invocaria mais. – Disse Dowell. – Quem é você?

Utilizando algum esforço, ele falou:

– Sou Keandrus... – Parou um pouco por conta da dor que sentia. – De Tarph.

– Tarph é o reino mais próximo daqui, mas ainda sim, é bem longe. O que faz tão longe de casa? – Perguntou Dowell.

– Está me interrogando? – O homem não parecia disposto a falar tudo sobre si.

– Não estou te interrogando... Podemos ajudar você a... – Não terminou de falar. Foi interrompido por Keandrus.

– Gente como vocês... Magos... Vocês devem morrer! Todos vocês! – Disse grosseiramente.

– Ora seu mal edu... – Elys estava prestes a começar a gritar quando foi interrompida por Dowell.

– Deixe-o. Tanya, você pode cuidar dele até que fique bom o suficiente para voltar a andar?

– Sim eu posso. Como pagamento, ele vai ter que me ajudar a organizar essa bagunça. Veja só essas janelas. E meus copos? Olhe só para esse chão...

Então Dowell e Elys se afastaram. Foram até o painel. Danker continuou próximo a Keandrus.

– Você... Filho da Natureza... – Olhou para o jovem. – Tome cuidado. Não confie em ninguém. Você pode não saber, mas é uma arma mortal... Pode ser utilizada por qualquer pessoa! Tome... Tome muito cuidado.

Danker não sabia o que responder, apenas assentiu com a cabeça e se afastou.

Dowell pegara a flauta do velho e a quebrou no meio.

– É um mago. Certamente estava atrás de Danker... Outros virão, estou certo disso. Temos que enterrá-lo. Elys? Você não me ajudou a encontrar Danker, então... – Recebeu de resposta um soco da garota enfurecida.

– Faça você! – E se afastou irritada.

Lá fora estava garoando. Danker foi até a porta e se perguntou onde estava. Estaria em perigo? Adoraria estar em casa agora, com Edron e Melysa, brincando com Leera ou conversando enquanto esperava a chuva passar. Perguntava-se se estavam ambos bem, e o que teria o povo do vilarejo achado do desaparecimento dele. Será mesmo, que um dia voltarei para casa?