Na manhã seguinte, Hydra levantou cedo e desceu seu malão e a gaiola de Lydra para sala, onde os Malfoys se preparavam para partir para a estação King's cross.

— Não estão esquecendo nada? – Perguntou Narcisa.

— Acho que não, aparentemente está tudo aqui – Disse Hydra.

— Odeio como tenho que usar essas roupas de trouxa para ir até a estação – Reclamou Draco que vestia uma calça jeans e uma blusa de manga longa preta. Hydra amava se vestir como trouxa toda vez nesse ano, estava com um vestido vermelho abaixo do joelho e um casaquinho de lã lilas por cima.

— Sim, um absurdo! – Comentou Lúcio friamente.

— Eu gosto... – Disse Hydra, fazendo com que Lúcio a olhasse com imenso desprezo.

Logo, os quatro estavam de partida para a estação dentro do carro que Lúcio mantinha para ocasiões onde não podia aparatar ou viajar por Flu e nem chave de portal, estacionaram no estacionamento da estação e foram em direção a plataforma 9 ¾.

— Você primeiro Draco – Disse Narcisa e Draco foi em direção as plataformas 9 e 10 desaparecendo ao atravessá-la.

— Agora você Hydra – Hydra seguiu o irmão e logo se viu na plataforma 9 ¾ rodeada de bruxos e bruxas, seus pais apareceram logo em seguida.

— Vou continuar mandando coisas gostosas todos os dias – Disse Narcisa se despedindo dos filhos.

— Não vá me envergonhar novamente! – Disse Lúcio para Hydra quando ela disse adeus.

— Jamais ousaria... – Respondeu irônica, dando uma piscadinha e desaparecendo para dentro do trem antes que ele pudesse responder.

Se separou de Draco que sentou em um vagão com seus amigos Crabbe e Goyle e Hydra guardou um vagão vazio para seus amigos, se sentando e olhando para a janela, várias famílias se despediam, mães e pais beijavam seus filhos e os abraçavam, Hydra se sentiu triste, queria muito ter uma família como aquelas, normais, felizes, algo como os Weasleys tinham, um pai que a amasse e protegesse e não a machucasse...

— Hydra, ai está você! – Era a voz de Olívio que parecia cansado e ofegante, Hydra se virou para olhá-lo e sentiu seu coração disparar.

— Oi Olívio, como foram as férias? – Perguntou tentando parecer natural enquanto o rapaz se sentava a sua frente.

— Foram boas — Fez uma pausa e continuou –, eu senti a sua falta – Olívio olhava diretamente em seus olhos, mas Hydra evitava seu olhar, o que ele queria afinal?

— Eu também, Olívio, eu recebi sua carta ontem, mas infelizmente não deu para responder, preferi que nos falássemos pessoalmente.

— Sim, eu queria muito... Hydra, você sentiu a minha falta mesmo? – Perguntou ele com olhos esperançosos.

— Eu senti... poxa Olívio, é claro que eu senti! Eu costumava de te ver todos os dias.

— Eu sei, eu entendo esse sentimento, eu queria falar com você sobre...

Antes que pudesse descobrir o que Olívio queria, foram interrompidos por Angelina e Alicia que chegavam animadas.

— Olívio? – Perguntou Angelina assustada ao ver que ele estava no vagão. – O que você...

— Estava de saída, só vim dizer oi... – Disse, antes que ela pudesse completar a frase e saiu pela porta do vagão depois de cumprimentar as meninas que ainda estavam em pé paradas olhando.

— O que ele estava fazendo aqui? – Perguntou Alicia colocando suas coisas no compartimento superior.

— Ele só veio dizer oi mesmo... – Mentiu, não queria falar sobre Olívio, especialmente com Angelina, que já ficaria cheia de esperanças se soubesse o que ele estava fazendo ali, se bem que, nem mesmo Hydra sabia ao certo o que era.

As meninas se sentaram e ficaram conversando sobre suas férias, logo Fred, Jorge e Lino chegaram se juntando a eles e Hydra sentiu o trem dando partida.

Angelina e Alicia conversavam animadamente sobre quadribol enquanto Jorge, Lino, Hydra e Fred jogavam snaps explosivos.

— Ah, oi pessoal! – Disse a voz que Hydra reconheceu ser de Peter Macmillan antes mesmo de olhar para ver o lindo bruxo sorrindo na porta, Angelina é claro, revirou os olhos mas todos os outros cumprimentaram o rapaz.

— Quer jogar Peter? – Perguntou Fred.

— Ah, é claro, se vocês não se importarem... – Disse ele entrando na cabine.

— Nem um pouco! – Respondeu Hydra abrindo o pouco espaço que tinha no vagão para ele.

Angelina desistiu de encarar Peter com cara feia e voltou a conversa com Alicia depois de um tempo.

— Você recebeu minha carta ontem? – Perguntou Peter, entre uma partida e outra.

— Sim, me desculpe, eu não pude responder em tempo, mas eu amei o livro, de verdade. – Disse Hydra sorrindo.

— Gostou mesmo? Já leu todo? – Perguntou ele surpreso.

— Terminei tudo ontem... — Respondeu ela.

— E o que achou? A heroína do livro não parece com você? – Perguntou Peter.

— Nem um pouco, ela é tão esperta e corajosa, as coisas que ela faz... – Disse Hydra suspirando.

— E você acha que você é como? Você é corajosa e esperta, Hydra. – Peter sorria de um jeito que Hydra notou, até mesmo Alícia suspirava disfarçadamente.

Era difícil saber com quem se coração acelerava mais, só de pensar no beijo que deu em Peter, sua boca enchia de água e sentia calor pelo corpo, mas ver Olívio também a deixava abalada, realmente era muito difícil saber.

O Expresso de Hogwarts rodava numa velocidade constante para o norte e o cenário à janela ia se tornando cada vez mais bravio e escuro enquanto as nuvens, no alto, se avolumavam. Estudantes passavam pela porta da cabine correndo para cima e para baixo.

No meio da tarde a chuva começou a cair e Peter se despediu dizendo que tinha que voltar para sua cabine e se trocar, ele olhava atentamente para Hydra que sorria encabulada, então saiu pelos corredores do trem.

— Eu não sei o que esse menino tinha que fazer aqui! – Disse Angelina irritada.

— Ele é legal – Disse Fred indiferente.

— É que você é team Olívio fanática – Brincou Jorge, deixando Angelina ainda mais irritada.

— Eu só acho que ele é muito abusado e intrometido, só isso!

— Você tem que parar com isso, ele é meu amigo e provavelmente vai andar com a gente esse ano. – Disse Hydra se sentando depois de perder a última partida de Snap explosivo.

— Mal posso esperar... – Disse Angelina irônica.

— Ai, Hydra, se você não namorar esse menino, eu namoro! É sério, ele é lindo e tão simpático e te olha de um jeito... completamente apaixonado! – Brincou Alícia, fingindo que se abanava.

A chuva engrossava à medida que o trem avançava mais para o norte; as janelas agora iam se tornando um cinza sólido e tremeluzente, que gradualmente escureceu até as lanternas se acenderem nos corredores e por cima dos bagageiros. O trem sacolejava, a chuva fustigava e o vento rugia. Hydra decidiu trocar para as vestes escolares, já que parecia que iriam chegar em breve em Hogwarts.

O trem começou a reduzir a velocidade e todos estranharam

— Mas já chegamos? Achei que ainda faltava um tempinho, não? – Disse Hydra espantada tentando ver algo na janela, mas estava escuro demais.

O trem foi rodando cada vez mais lentamente. Quando o ronco dos pistões parou, o barulho do vento e da chuva de encontro às janelas pareceu mais forte que nunca.

Fred e Jorge expionavam o corredor fora da cabine, mas só viram muitas outras cabeças saindo das cabines e procurando curiosas o que podia ter acontecido.

— Não vejo nada! – Reclamou Fred.

O trem parou completamente com um tranco, e baques e pancadas distantes sinalizaram que as malas tinham despencado dos bagageiros. Em seguida, sem aviso, todas as luzes se apagaram e eles mergulharam em total escuridão.

— O que está acontecendo? – Gritou Angelina assustada.

— Eu não sei, está muito escuro!– Disse Hydra também assustada tentando levantar, mas acabou sentando novamente ao pisar no pé de Lino e o menino reclamar de dor.

— O trem deve ter enguiçado, só pode ser isso! – Disse Alicia alto.

Ouviu-se um barulho de pano esfregando no vidro e Hydra tentou ver o que acontecia na janela, mas estava tudo em uma total escuridão até que conseguiu ver uma forma estranha se mexendo.

— Tem alguém lá fora! – Disse ela.

— Quem? – Perguntaram todos assustados.

— Eu não sei, eu não consigo ver. –Disse tentando fazer mais força para reconhecer quem se mexia mas foi interrompida após ouvir um grito.

— Quem foi? O que aconteceu?

— Hydra? Hydra? Você está aí? – Era voz de Draco que parecia estar chorando – O que é isso Hydra?

— Draco? Eu estou aqui – Disse tentando puxar o irmão para perto de si e o abraçando.

A porta da cabine abriu novamente, e Hydra notou muito mal por causa da falta de luz, que havia um vulto de capa que alcançava o teto. Seu rosto estava completamente oculto por um capuz. Havia uma mão saindo da capa e ela brilhava, um brilho cinzento, de aparência viscosa e coberta de feridas, como uma coisa morta que se decompusera na água...

E então a coisa encapuzada, fosse o que fosse, inspirou longa e lentamente, uma inspiração ruidosa, como se estivesse tentando inspirar mais do que o ar à sua volta.

Hydra sentiu um frio intenso a atingir e sua respiração parecia pesada e difícil, sentia como se estivesse se afogando naquele ar gelado, sentiu toda sua alegria desaparecer e só conseguia lembrar de todos os momentos horríveis que já teve, seu pai a trancando no porão, seu pai a atacando na escola, Draco a desapontando, parecia sentir que jamais seria feliz novamente.

Ela não sabia quanto tempo se sentiu desse jeito, mas finalmente a criatura encapuzada saiu e as luzes do trem se acenderam novamente, era como se finalmente aquela tristeza profunda a abandonara, ela olhou ao redor e todos tinham o rosto assustado e pálidos. Draco saiu correndo para fora da cabine quase que imediatamente, sem falar nada com eles.

— O que era aquilo? – Perguntou Angelina, mal conseguindo falar.

Hydra pensou um pouco e finalmente reconheceu a criatura relembrando tudo que aconteceu e disse:

— Dementador – Sua voz também tinha dificuldade de sair de sua garganta.

— O que? Os guardas de Azkaban? – Perguntou Alicia assustada. – O que eles estariam fazendo aqui no trem?

— Eu não sei, mas tudo que aconteceu bate com o que li nos livros sobre dementadores, acredite... – Disse Hydra firme e aos poucos se recuperando do choque.

— Parecia que eu nunca mais ia ser feliz, foi horrível! – Disse Fred ainda em choque se ajeitando na poltrona.

— Eu também me senti assim... – Concordou Jorge e Lino também depois dele.

— Eles fazem exatamente isso, se alimentam das nossas emoções, são horríveis. – Disse Hydra respirando fundo.

O trem finalmente voltou a andar e ninguém no vagão conseguia falar qualquer coisa.

— Hydra, você está bem? – Peter entrara correndo na cabine. Angelina estava em tanto choque que nem lhe deu atenção.

— Sim e você? – Disse Hydra tentando não mostrar o terror que ainda sentia.

— Foi horrível, eu achei que... – Ele procurou as palavras – só queria ver se você estava bem.

Hydra sorriu e logo em seguida outra pessoa apareceu na porta.

— Hydra, você está bem? – Agora era Olívio que parecia nervoso e levou um choque ao ver que Peter também estava ali.

— Que bom que nós somos todos invisíveis, tirando a Hydra, é claro! – Brincou Fred, mostrando que as coisas estavam voltando ao normal.

— Eu quis saber se vocês estão todos bem... – Olívio perguntava sem graça.

— Sim, sim, eu também! — Afirmou Peter.

— Sim, está tudo bem, – Responderam todos ainda observando a situação.

— Bem, eu vou indo então, vejo vocês em Hogwarts... –Disse Olívio olhando feio para Peter e se retirando.

— Eu também vou indo. – Peter saiu atrás de Olívio e todos que restavam no vagão encararam Hydra.

— Calem a boca... – Disse ela se ajeitando no cantinho da janela.

Ninguém falou muito durante o resto da viagem. Por fim, o trem parou na estação de Hogsmeade e houve uma grande correria para desembarcar; corujas piavam, gatos miavam e estava frio demais na minúscula plataforma; a chuva descia em cortinas geladas.

— Alunos do primeiro ano por aqui! – chamou uma voz conhecida. Hydra se virou e deparou com o vulto gigantesco de Hagrid, no outro extremo da plataforma, fazendo sinal para os novos alunos, aterrorizados, se aproximarem para a tradicional travessia do lago, então seguiu seus amigos pela plataforma e desceram para uma trilha enlameada, cheia de altos e baixos, onde no mínimo uns cem coches os aguardavam, cada qual, Hydra só podia supor, puxado por um cavalo invisível, porque os garotos embarcaram em um, fecharam a porta e o veículo saiu andando, aos trancos e balanços, formando um cortejo.

O coche cheirava levemente a mofo e palha mas Hydra não conseguia invejar os alunos do primeiro ano que deveriam atravessar o lago nessa chuva.

Quando o coche foi se aproximando de um magnífico portão de ferro forjado, ladeado por colunas de pedra com javalis alados no alto, Hydra viu mais dois dementadores encapuzados montando guarda dos lados do portão. Uma onda de náusea e frio tornou a invadi-la mas passou logo depois que atravessaram a entrada. O coche ganhou velocidade no caminho longo e inclinado até o castelo;. Por fim, o coche parou balançando, e eles desembarcaram.

Hydra continuou andando e se reuniu aos muitos alunos que enchiam as escadas, cruzavam a soleira das enormes portas de carvalho e penetravam no saguão cavernoso iluminado com tochas ardentes, onde havia uma magnífica escadaria de mármore para os andares superiores. A porta que levava ao Salão Principal, à direita, estava aberta; Hydra seguiu o grande número de alunos que se deslocava naquela direção, o teto estava como sempre, encantado para parecer o tempo lá fora que no momento estava fechado e chuvoso e milhares de velas iluminavam os muitos alunos que se sentavam. Hydra se sentou na mesa da Grifinória e seus amigos sentaram ao seu redor. Fred do seu lado direito e Jorge do esquerdo, Angelina ao lado de Fred, Lino em frente ao Jorge, Katie na frente de Hydra e Alicia em frente ao Fred, na mesa da Corvinal, Peter sorria e acenava e Hydra sorriu e acenou de volta.

Assim como no ano anterior, a seleção dos alunos foi feita, Hydra sentiu até mesmo uma certa saudade, exatamente um ano atrás ela fora escolhida para a Grifinória e conhecera seus novos melhores amigos.

— Oi gente! – Disse Jennifer Macmillan sentando ao lado de Angelina – Vocês souberam o que aconteceu no trem? – Perguntou parecendo animada.

— Sim, Dementadores... – Respondeu Hydra

— Isso também, mas parece que o Harry Potter desmaiou ao ver um deles – Disse e todos se espantaram.

— Desmaiou? O Harry? – Exclamaram Jorge e Fred juntos – Todos sabem que ele não é nenhum covarde nem nada!

— Sim, mas foi o que aconteceu – Afirmou Jeniffer -, está todo mundo falando disso..,

Hydra olhou ao redor da mesa da Grifinória, mas não viu nenhum sinal de Harry.

Depois de um tempo, reparou que Harry e Hermione se aproximaram e sentaram junto a Rony que estava um pouco mais na ponta da mesa e percebeu também que todos cochichavam quando ele passara.

O Prof. Dumbledore, embora muito velho, sempre dava uma impressão de grande energia. Tinha alguns palmos de cabelos e barbas prateados, óculos de meia-lua e um nariz muito torto. Em geral era descrito como o maior bruxo da era atual.

— Sejam bem-vindos! – começou Dumbledore, a luz das velas tremeluzindo em suas barbas. – Sejam bem-vindos para mais um ano em Hogwarts! Tenho algumas coisas a dizer a todos, e uma delas é muito séria. Acho que é melhor tirá-la do caminho antes que vocês fiquem tontos com esse excelente banquete...

O diretor pigarreou e prosseguiu:

— Como vocês todos perceberam, depois da busca que houve no Expresso de Hogwarts, a nossa escola passou a hospedar alguns dementadores de Azkaban, que vieram cumprir ordens do Ministério da Magia.

Ele fez uma pausa parecendo insatisfeito.

— Eles estão postados em cada entrada da propriedade e, enquanto estiverem conosco, é preciso deixar muito claro que ninguém deve sair da escola sem permissão. Os dementadores não se deixam enganar por truques nem disfarces, nem mesmo por capas de invisibilidade – acrescentou ele brandamente. – Não faz parte da natureza deles entender súplicas nem desculpas. Portanto, aviso a todos e a cada um em particular, para não darem a esses guardas razão para lhes fazerem mal. Apelo aos monitores, e ao nosso monitor e monitora-chefes, para que se certifiquem de que nenhum aluno entre em conflito com os dementadores.

Dumbledore fez nova pausa; percorreu o salão com um olhar muito sério mas ninguém se mexeu nem emitiu som algum.

— Agora, falando de coisas mais agradáveis – continuou ele –, tenho o prazer de dar as boas-vindas a dois novos professores este ano. "Primeiro, o Prof. Lupin, que teve a bondade de aceitar ocupar a vaga de professor de Defesa Contra as Artes das Trevas." Ouviram-se algumas palmas dispersas e pouco entusiásticas. O tal professor Lupin parecia particularmente malvestido ao lado dos outros professores que trajavam suas melhores vestes.

— Quanto ao nosso segundo contratado – continuou Dumbledore quando cessavam as palmas mornas para o Prof. Lupin. – Bem, lamento informar que o Prof. Kettleburn, que ensinava Trato das Criaturas Mágicas, aposentouse no fim do ano passado para poder aproveitar melhor os membros que ainda lhe restam. Contudo, tenho o prazer de informar que o seu cargo será preenchido por ninguém menos que Rúbeo Hagrid, que concordou em acrescentar essa responsabilidade docente às suas tarefas de guarda-caça.

Hydra ficou muito alegre com a notícia e bateu palmas entusiasmada, Hagrid no começo do ano anterior não gostava de Hydra, mas depois de conversarem, passaram a ter uma relação bastante harmoniosa, tendo Hagrid inclusive visitado Hydra quando ela ficou na ala hospitalar depois da briga com seu pai. Os aplausos, que foram tumultuosos principalmente à mesa da Grifinória. Hagrid, tinha o rosto vermelho-rubi, os olhos postos nas mãos enormes, e o sorriso largo escondido no emaranhado de sua barba escura.

— Bem, acho que, de importante, é só o que tenho a dizer. Vamos à festa! As travessas e taças de ouro diante das pessoas se encheram inesperadamente de comida e bebida.

— Esse ano eles capricharam – Dizia Fred, enquanto comia verozmente.

— Todos ano que vi eles capricham. – Afirmou Angelina.

Hydra voltou sua atenção para Jeniffer e Rita, que conversavam em cochicho, sentiu uma leve sensação de ciúmes e insegurança ao olhar para a menina ruiva e lembrar que ela estava com Peter no ano anterior.

— Foi mal não ter ido na sua festa, Hydra – Disse Rita, se virando para a menina quando viu que ela olhava.

— Tudo bem, eu entendo. – Respondeu Hydra sorrindo.

— Eu estava viajando, Suécia, já foi? É maravilhoso por lá! – Dizia Rita.

— Nunca, mas deve ser mesmo.

— A Jeniffer no entanto, me disse que se divertiu muito – Rita ria maliciosamente e cutucava a amiga.

— Eu sei, eu vi... — Hydra também ria ao lembrar de Jeniffer dançando com o rapaz moreno em sua festa.

— E você também, né Hydra? Dançou a beça com o meu irmão.

Hydra ficou vermelha e olhou sem graça para Rita, que deu uma risada.

— Hydra, você não está achando que tem algum problema, né?

— Não, é que...

— Eu e Peter só ficamos algumas vezes, não tem nada a ver, além disso, ele é super apaixonado por você e eu não curto ele desse jeito mais.

— Eu sei, ele é uma pessoa maravilhosa – Disse Hydra, ficando cada vez mais vermelha.

— Mas ela ainda está enrolando o pobrezinho... – Disse Jeniffer, em tom de brincadeira.

— Não é enrolando, eu gosto do Peter, é só... é que bem... – Hydra deu uma boa olhada para Olívio, que estava na outra ponta da mesa conversando com seus amigos do sétimo ano. – é que eu amei muito o Olívio, sabe? Ainda estou muito confusa.

— Eu entendo. – disse Rita-, mas não espere muito, o que tem de menina querendo pegar seu lugar...

O banquete foi tão delicioso quanto do ano anterior e o salão inteiro estava alegre e sons de conversa podiam ser ouvidos, assim como o som de talheres batendo nos pratos.

Finalmente, quando os últimos pedaços deliciosos de torta de abóbora tinham desaparecido das travessas de ouro, Dumbledore anunciou que era hora de todos se recolherem

Hydra e os amigos se reuniram aos outros colegas da Grifinória que ocupavam toda a escadaria de mármore e agora, muito cansados, caminharam por mais corredores e mais escadas até a entrada secreta para a Torre da Grifinória. Uma grande pintura a óleo de uma mulher gorda vestida de rosa perguntou-lhes:

— A senha?

— Já estou indo, já estou indo! – gritou Percy lá do fim do ajuntamento. – A nova senha? Fortuna Major!

Depois de atravessar o buraco do retrato e a sala comunal, as garotas e garotos tomaram escadas separadas. Hydra subiu até seu quarto acompanhada de suas colegas, sentiu uma grande emoção ao ver novamente sua cama, parecia que séculos tinham se passado desde que estivera ali a última vez.