O Primeiro Forasteiro
3 Capítulos 3 e 4
Capítulo Três
Com a porta do depósito aberta ela tinha uma boa visão do balcão onde o forasteiro atendia os clientes do pub naquele momento.
Mesmo ainda irritada, ou seria furiosa, pelo que ele fizera mais cedo quando se encontraram na praia, Bella não podia deixar de notar que o homem era simplesmente lindo.
Como não havia percebido isso antes? Bem, ela estava com raiva e sempre que isso acontecia, era comum ela não prestar muita atenção aos detalhes a sua volta. Mesmo assim. Aquele homem não era algo a passar despercebido por uma mulher.
Muito alto, com músculos salientes e bem distribuídos ele era, como diria sua amiga Alice, quente como o inferno. Sorriu consigo mesma pelos seus pensamentos. Observou o rosto dele. Cabelos curtos em um castanho claro, a mandíbula marcante e os olhos castanhos eram muito sexy. E o sorriso então.
— Espiando o Edward, Bella?— Alice perguntou ao seu lado. Ela nem tinha percebido a aproximação de sua amiga.
A morena se assustou por ser pega em flagrante analisando o forasteiro.
— Não dessa forma que está pensando — se defendeu.
— Eu nem disse sobre o que estou pensando.
Bella se virou voltando para o trabalho que estava fazendo.
— Ele é algo bom em se olhar, não é? — Alice indagou.
— É sim, mas não sei. Acho que ele tem problemas.
— E quem não tem problemas hoje em dia, amiga?
— Ele jogou minha câmera no mar! Não é algo que uma pessoa normal faça.
— Ah, ele deve ter alguma explicação.
Bella encarou a amiga.
— Não era você mesma que falou hoje quando eu contei sobre o acorrido, que o cara poderia sem um bandido?
— Isso foi antes de saber que era o Edward.
— Mudou de ideia tão fácil? Está interessada nele? — Bella perguntou não entendendo por que aquilo a incomodava.
— Ele é lindo, mas infelizmente você sabe que eu gosto de outra pessoa.
A morena assentiu. Alice tinha uma paixão desde a adolescência por Emmett que não percebia e ainda por cima a tratava quase como irmã.
— Eu sei. Desculpe. Ainda acho que devia fazer algo em relação a isso.
Bella se preocupava pelo sofrimento de sua melhor amiga com aquela paixão não correspondida.
— Não. Deixe assim mesmo. Se ele sentisse qualquer coisa por mim, já teria feito um movimento.
A fotógrafa não se conformava em ver sua amiga se anular daquela forma. Tinha muita vontade de se intrometer, mas como havia prometido que jamais diria algo nada não poderia revelar nada a Emmett por mais que desejasse isso.
A noite foi avançando e o pub enchendo de pessoas que vinham em busca de uma boa bebida. Ela, então, acabou ao lado de Edward no atendimento ao balcão.
Com toda sua força de vontade tentou ignorar o rapaz. Ele também não fazia qualquer movimento em direção a ela. Os dois trabalhavam lado a lado no atendimento sem trocarem uma palavra.
Bella percebeu que mesmo sem experiência ele estava dando conta do serviço. Em quase nada ela poderia reclamar sobre o trabalho dele. Então, um cliente pediu uma bebida especial e ele se atrapalhou com a máquina. Bufando Bella foi ao auxilio dele.
— Você está fazendo errado — ela parou ao lado dele. — Me dê isso aqui — pegou o copo da mão dele. — Tem todo um método para servir — explicou percebendo que ele prestava bastante atenção. — Primeiro, assim que abrir a mangueira o primeiro jato é jogado fora — mostrou a ele como se fazia. — O copo deve estar num ângulo de 45º e segure sempre pela base, nunca no meio. Quando faltar dois dedos, levante na vertical levemente. A espessura ideal do colarinho é de dois dedos. Retire o excesso com a espátula e pronto.
Os olhos dos dois se prenderam um ao outro e Bella não conseguiu explicar o que sentiu. Algo intenso crepitou entre eles fazendo-a quase ofegar.
— Obrigado — ele disse olhando de forma intensa.
Ela voltou a si e ficou com muita raiva.
— Espero que tenha aprendido. Não vou poder salvar sua bunda sempre que precisar — falou grosseiramente e voltou para o lado do balcão que estava atendendo.
Ela continuou atendendo do lado dele. Ele, por sua vez, do outro lado. Cada um em seu espaço. Por vezes Bella se pegava olhando na direção oposta para ver se ele estava fazendo tudo correto. Intimamente torcia para que ele fizesse algo errado e ela pudesse descarregar a irritação que a acometia. E o pior de tudo era que ela nem mesmo sabia por que estava com raiva.
Talvez sua irritação ainda fosse o acontecera naquela manhã na praia. Mas havia algo mais que se acentuou depois daquela troca de olhares, no entanto ela ainda não sabia o que era.
***
O forasteiro nunca poderia imaginar o quão sexy poderia ser uma garota o ensinando a servir uma bebida. Porém desde que Bella o ajudara ele não parava de pensar nela.
Tentou ignorar aquela morena estonteante atendendo ao seu lado, no bar a noite toda, porém aquilo era quase impossível.
Não fosse a aparência dela, a sua personalidade original, ainda tinha o timbre da voz um pouco mais rouco do que as garotas tinham habitualmente, e, por fim, a desenvoltura com que ela atendia os clientes.
Ela sabia flertar na medida certa. Sabia o que cada cliente precisava. Parecia até adivinhar a bebida de cada um que pisou no pub naquela noite.
Portanto, por mais que quisesse não conseguia se desligar da garota ao seu lado. O short jeans curto que ela usava mostrando suas belas pernas, a regata colada contornando seus seios também o fazia olhar. Ele era um cara afinal.
— Perdeu algo aqui? — Bella indagou.
Ele não tinha percebido que estava encarando-a.
— Não... me desculpe.
Ela lhe deu um olhar duro e voltou a atender o cliente a sua frente.
É serio isso Edward? Vai corar como uma menina só por que uma garota o pegou olhando? Ele balançou a cabeça por conta dos próprios pensamentos.
Naquele momento, Emmett se aproximou de Bella e os dois riram de algo. O forasteiro lembrou que eles eram um casal e decidiu tentar controlar seu olhar na direção da morena. Além disso, mesmo se ela fosse livre não era como se ele quisesse se envolver com alguém. Relacionamentos estavam fora de sua lista.
Passava pouco da meia noite quando Bella e Alice se despediram e foram para casa. O pub ainda continuou com movimento até perto das duas da manhã quando ele e Emmett fecharam tudo.
— Que tal uma bebida antes de irmos? — Emmett sugeriu.
Ele se retesou. Não havia parado totalmente de beber, mas evitava. E cada vez que bebia se lembrava daquela maldita noite.
— Se é o chefe quem está pagando por que não? — o forasteiro brincou tentando esquecer seus tormentos. Não era como se fosse se embebedar.
Emmett serviu dois shots¹ de vodka com licor de café e os dois viraram juntos.
— Uau! Eu precisava disso — o cara que mais parecia um surfista, mas era seu chefe, brincou.
— Foi uma noite agitada — Edward comentou.
— Sim, foi. — concordou. — Você e Bella... tudo tranquilo?
— Bem, parece que estou inteiro, então, acho que sim.
Emmett riu, e o forasteiro não conseguiu segurar a curiosidade.
— Então? Quanto tempo faz... que vocês estão juntos? — perguntou sem jeito.
O dono do pub o olhou parecendo sem entender a pergunta.
— Juntos?
— É, você e Bella? São um casal não são?
— Eu e Bella? Claro que não! — respondeu Emmett.
Dessa vez foi Edward que ficou confuso.
— Mas você a chama de “minha garota”.
— Sim. Faço isso desde o colegial — explicou. — Eu não era desse porte quando era pequeno e tinha um colega de classe que me perseguia. Archer era o nome dele. Foi então que um dia Bella surgiu do nada e chutou o garoto nas bolas quando ele me importunava. O garoto era vinte centímetros maior que ela, mas pensa se ela se acovardou? Desde lá nos tornamos amigos. E eu passei a chamá-la de minha garota. Aqui no bar faço isso para protegê-la. Como você viu ela é um arraso e muito caras não sabem o seu lugar, então, isso os afasta.
— Entendi.
Não entendeu por que ficou satisfeito em saber que eles não eram namorados.
— Está a fim dela?
— Não! — disse rápido, rápido demais. — Foi apenas curiosidade.
Edward se surpreendeu, não esperava por aquela pergunta. Não estava a fim dela. Bella era linda e sexy isso não podia negar e a personalidade era algo a se destacar, mas era só. Não queria nada com ela, não mesmo. E mesmo se quisesse não poderia.
— Olha, se você estiver a fim dela tudo bem — Emmett não pareceu acreditar na resposta dele. — Só quero que saiba que ela é como uma irmã para mim e que eu vou ficar de olho. Eu vou sempre cuidar dela.
— Acho bacana isso, cara, mas não se preocupe nada vai rolar entre mim e ela. Além do mais ela não gosta muito de mim.
— Por falar nisso aquela sua oferta de comprar uma nova câmera para ela era real?
Ele assentiu positivamente.
— Bella é teimosa e vai recusar. E eu tenho medo dela desistir da fotografia. Ela foi criticada em um concurso que participou na semana passada, e então você apareceu e jogou a câmera dela no mar...
O forasteiro se sentiu mal mais uma vez por ter feito o que fez.
— Eu acho que se você quer fazer o certo, deveria comprar sem que ela saiba. Depois que já estiver comprada, por mais que ela esperneie não vai poder devolver não é?
— Sim. Eu sinto muito pelo que fiz. Vou comprar a câmera amanhã mesmo.
O chefe que estava se tornando um amigo sorriu satisfeito.
— Ótimo. Isso merece uma comemoração. Outro shot?
— É claro!
No dia seguinte, depois de sua corrida matinal, o forasteiro seguiu para Charleston. O coração estava acelerado, pois não gostava de ir a cidades grandes. Tinha medo de ser reconhecido. Mesmo que estivesse bem diferente de seis anos atrás. Contudo precisava ir aquela cidade já que após suas pesquisas descobriu que só conseguiria uma câmera profissional ali.
Poderia ter pedido ao seu advogado que providenciasse, ou comprar pela internet, no entanto quanto menos rastros deixasse para aqueles que estavam a sua procura melhor.
Também aproveitaria sua ida aquela cidade e compraria um celular descartável. Precisava falar com sua irmã, a única pessoa da família com quem ainda matinha contato. Precisava saber como “ele” estava.
Desceu de sua moto kawasaki Vulcan 900. Não tinha mais o hábito de esbanjar, todavia havia gastado uma pequena fortuna na compra daquela moto poucos meses atrás. A única coisa que se permitiu nos últimos anos.
Na loja, a vendedora foi muito receptiva. Não poderia ser por causa dele, Edward pensou, pois ele havia caprichado no disfarce. Usava boné e óculos escuros. Deveria ser por conta do valor que ele gastaria com a compra da câmera profissional. Escolheu o que de melhor tinha na loja. Era o mínimo que podia fazer por Bella.
Saindo da loja parou perto de uma praça. Em seguida, pegou o celular pré-pago e discou o número de seu advogado Billy Burton.
— Billy, sou eu — disse firme. — Informe este número a ela para que me ligue em 30 minutos. Diga a ela para não esquecer as regras.
— Olá, para você também. Eu vou bem, obrigado. Como vai você? — o advogado ironizou.
Mesmo tenso pela situação, sempre se sentia assim quando precisava sair de seu esconderijo atual, ele teve rir. Seu advogado era quase uma cópia de Saul Goodman¹.
— Estou bem, Billy.
— Precisamos conversar. Temos muitas coisas a acertar sobre seus investimentos.
— Agora não.
— Você nunca quer falar sobre isso — Billy reclamou.
— Estou ficando pobre ou algo do gênero? — o forasteiro perguntou.
— Claro que não!
— Então está tudo certo. Confio em você.
— É difícil tomar decisões quando envolve o dinheiro dos outros sabia?
— Mas é justamente por isso que pago a você o que pago.
— Certo. Vou avisá-la.
— Obrigado, Billy. Ligo para você em breve.
Assim que encerrou a ligação sentou-se em um banco e ficou olhando para a cidade em que se encontrava. Gostava muito dali. Se pudesse ter uma vida normal gostaria de viver ali.
Em outro banco próximo percebeu uma garota com longos cabelos escuros olhando para ele. Como sempre acontecia seu primeiro pensamento era que poderia estar sendo reconhecido, no entanto logo sua duvida foi sanada, pois a mulher lhe sorriu flertando.
Mesmo não querendo encorajar a mulher ele sorriu também, pois ficou aliviado que o interesse dela fosse nele, e não sobre quem ele era. Ou melhor, sobre quem ele foi.
Introspectivo, enquanto esperava pela ligação da irmã, o forasteiro percebeu que fazia algum tempo que não esteve intimamente com uma mulher. Ele era homem, e claro, tinha necessidades. Fazia quase dois meses desde a última vez que transou e notou que estava precisando de um pouco de diversão, contudo ao olhar para a mulher que o encarava naquele momento não sentiu vontade de seguir adiante.
Não pôde deixar de lembrar em como era diferente no passado. Muitas mulheres fazia parte de sua rotina. Ele não precisava fazer nenhum esforço para ter a garota que quisesse. Mas tudo mudara. Ele também mudara. Suas necessidades mudaram.
O telefone tocou trazendo-o de volta ao presente.
— Anne? — atendeu ansioso.
— Antony? — ouviu a voz da irmã.
— Por favor, será que você não pode me chamar de Edward? — perguntou irritado.
Não queria mais ser chamado por aquele nome. Antony Masen havia morrido seis anos atrás.
— Me desculpe, irmão, eu esqueço. Estou com saudade de você — ela disse com a voz triste.
— Eu também — assumiu também tristemente. — Como você está?
— Estou bem. Eu e Robert estamos morando juntos, a loja está indo bem. Tudo certo. A não ser pela falta que sinto dos meus dois irmãos.
Ela tocara no ponto que ele queria.
— Como ele está? Você o viu?
— Eu fui visitá-lo faz uns 15 dias. Ele está bem, Anto... Edward, é serio, pode acreditar.
— É difícil acreditar que alguém esteja bem naquele lugar — falou com desgosto.
— Isso é por que você não o viu. Não falou com ele. Nosso irmão mudou e mudou para melhor. É até estranho dizer isso, mas aquele lugar fez bem para ele.
— Você só pode estar louca! Daqui a pouco vai me dizer que o que nossos pais fizeram foi para o bem de todos.
— Não seja injusto Antony! Sabe que eu não concordo com nada do que fizeram. E é por isso que estou ao seu lado por todos esses anos. Mas você precisa ver as coisas diferentes, meu irmão. Parar de se culpar tanto. Ryan não o culpa.
— Não consigo, Anne — confessou.
— Tem que tentar. Ryan disse que você precisa seguir a sua vida. Vive-la. Quem sabe voltar a fazer o que você gostava. Atuar.
— Nunca! Isso seria mostrar a nossos pais que eles estavam certos. E não estavam. Então, se Ryan tem que pagar, eu também tenho e nossos pais também. Cada com sua cruz.
— Sabe que não concordo, mas te apoio. Você viu o papai esta semana na TV?
— Sim. Infelizmente eu vi sim.
— Eles continuam da mesma forma. Não mudaram nada.
Ela parecia chateada por revelar aquilo a ele. Não era como se fosse uma surpresa. Ele sabia muito como era o caráter dos pais. E tinha certeza que jamais mudariam.
— Eles nunca vão mudar, Anne, perca a esperança.
— Eu prefiro acreditar nas pessoas, Edward. — disse convicta. — Como você está? Eu sei que não pode dizer-me onde está, mas gostaria de saber como está sua vida. Se, está bem? Se, tem namorada? Você sabe que pode ter uma vida normal.
Ele quase riu das palavras de sua irmã. Uma vida normal era tudo que ele não poderia ter.
— Estou bem. Estou trabalhando.
— Sério?! — Anne gritou animada. — Em quê?
— É melhor deixar assim, Anne.
— Ah, não seja tão paranoico. Eu comprei um celular descartável vou destruir assim que terminarmos essa ligação e você provavelmente vai fazer o mesmo, então não tem por que você não me contar um pouco mais sobre sua vida.
Ele pensou no que ela disse. Talvez fosse paranoico mesmo. Os detetives, contratados por seus pais, que estavam a sua procura não era assim tão espertos.
— Tudo bem. Numa pequena cidade. Atendente em um bar.
— Uau! Legal... só... e quanto as bebidas? — a tensão na voz dela era nítida.
— Estou limpo, Anne. Não faço mais burradas. Acho que aprendi a lição.
— Certo. E quanto a uma namorada?
Ele respirou fundo. Lá vinha ela com aquela conversa novamente, pensou.
— Sem namoradas.
— Por que isso, Edward? Não precisa se isolar assim. Uma companhia é bom de vez em quando.
— Para ser claro com você, querida irmã, eu transo de vez em quando não precisa se preocupar com minha vida sexual.
— Ah seu nojento! Eu não estava falando disso! — disse fingindo irritação, mas acabou rindo. — Sinto sua falta.
— Eu também, Anne, eu também.
Fazia muitos anos que não via a irmã.
— Ryan deve sair em breve. Então poderemos nos ver não é?
— Sim. Esse é o plano.
Mas a irmã não sabia que assim que o irmão de ambos ficasse livre, sua ideia era que os dois fossem viajar pelo mundo. Em busca de um lugar que pudessem recomeçar bem longe da influência negativa de seus pais.
Capítulo Quatro
Bella retirou as compras do carro levando para dentro de casa. Logo que entrou gritou pelo pai.
— Comprou o supermercado inteiro? — Charlie brincou quando surgiu na cozinha onde ela guardava os mantimentos.
— Muito engraçado, pai. Você sabe a gente precisa comer outras coisas que não seja peixe.
Como seu pai não respondeu com outra gracinha, ela o encarou.
— O que foi?
— A assessora da sua mãe ligou. Queria saber se você estava precisando de algo? Dinheiro.
— O que ela está querendo agora? Depois de tantos anos.
— Eu não sei, filha, só sei que não quero o dinheiro daquela mulher.
— Nem eu.
— Bella...
— Não vamos discutir sobre isso novamente. Você sabe qual minha opinião.
— Eu sei, querida, mas mal ou bem ela é sua mãe.
— Eu não quero o dinheiro sujo dela. Não quero nada que venha daquela mulher. Ela não pensou que tinha uma filha, que tinha filhos quando se mandou nos deixando, então, eu estou pouco me lixando.
O assunto foi encerrado. Nenhum dos dois queria falar sobre a mulher que havia magoado ambos e que desejavam deixar no passado as lembranças que por acaso tivessem.
De volta ao pub, Bella prendeu os longos cabelos castanhos, para que não atrapalhasse. Ligou as caixas de som pegando o controle para escolher uma musica que a animasse. Gostava de limpar o Pub escutando musicas, e essas tinham que fazer seu corpo vibrar.
A musica sensual Love Me Harder de Ariana Grande fez o corpo da garota balançar. Ela programou para repetir a musica e pegou o balde começando a limpeza.
Animada e envolvida pela musica a jovem contava e rebolava limpando as mesas.
“E se nesse momento eu morder meu lábio
Baby, então você saberá
Que isso é algo maior que nós dois e vai além do êxtase
Me dê uma razão para acreditar
Porque se quiser continuar comigo
Você tem, tem, tem, tem que me amar mais
E se você realmente precisa de mim
Você tem, tem, tem, tem que me amar mais”
Ainda cantando alucinada estacou quando se virou e viu o forasteiro parado perto da entrada. Assim como na noite anterior, os olhos dos dois se prenderam um ao outro e um fogo latente era visto nos olhos dos jovens.
Bella se sentiu exposta tanto pelo olhar que o rapaz lhe dirigia quanto pela situação. Estava suada, provavelmente descabelada e pela primeira vez na vida excitada.
Desde a noite anterior se policiou para não pensar no que as reações que estava começando a sentir cada vez que ficava próxima daquele homem, queria significar.
Então novamente sentia algo intenso ao estar na presença dele e isso a deixava muito irritada.
— O que você quer? Não tinha que estar aqui somente às seis? — perguntou aborrecida conferindo o relógio ao fundo percebendo que era pouco mais das três da tarde.
— Sim... eu... — ele limpou a garganta. — Eu sabia que estaria aqui e queria te dar isso.
Só então ela notou o pacote que ele segurava. Uma caixa de tamanho médio quadrada.
— O que é isso?
— Sua câmera. Quer dizer, uma nova câmera.
Na mesma hora ela o olhou, indignada.
— Eu disse que não queria nada de você!
— Sei disso, mas eu fiz o que achei que era certo.
— Pelo jeito você não leva em consideração o que as pessoas querem não é? Primeiro joga minha câmera sem mais nem menos no mar e agora compra essa câmera sendo que eu deixei claro que não aceitaria.
— Olhe, Bella, eu sei que começamos de um forma errada...
— Não diga — ela não resistiu em ser sarcástica.
Ele ignorou o comentário.
— Aqui está a câmera.
Ele colocou sobre uma das mesas.
— Eu não aceito — disse firme.
— Bem, ela é sua. Vai ficar aqui. Faça o que quiser com ela.
— Em qual loja você comprou? Eu vou devolver...
Ela assistiu um lento e sexy sorriso aparecer nos lábios dele.
— Não tem como devolver.
— Como não...
— Bella... Chega, ok? É sua. Se não a quer pode jogá-la no mar como a outra.
Ela cruzou os braços, decidida a não desistir.
— Pois é o que vou fazer!
— Tudo bem — o forasteiro começou a se afastar. — Volto às seis. — Já quase na porta ele a encarou — e a propósito você é muito sexy dançando.
Ela fechou os olhos. Tinha esperança de que ele nada falasse sobre seu desempenho solitário.
Assim que se viu sozinha olhou para aquela caixa. Estava decidida, tentaria de todas as formas devolver. Mas ao mesmo tempo uma curiosidade a dominava. Qual seria a câmera que ele comprara?
***
Edward respirou ofegante após o prazer com sua autossatisfação perpassar seu corpo. Há anos era assim que ele lidava com seu corpo quando sentia desejo. O problema agora é que não era apenas desejo de um corpo necessitado. Era desejo por uma mulher especifica.
Desde que entrara no pub e vira Bella dançando, ondulando o corpo de forma sensual, rebolando, sua mente, seu corpo foi envolvido em uma nuvem de desejo que ele não estava mais acostumado.
Sempre que sentia necessidade acabava indo em algum bar aleatório onde encontrava uma mulher disposta a algumas horas de sexo sem compromisso. Jamais se envolvia com qualquer mulher da cidade que estivesse morando. E isso não iria acontecer justamente com a garota que era sua colega de trabalho. De jeito nenhum!
***
Mesmo sem desejar os olhos do forasteiro iam para onde ela estava. O pub estava começando a encher. Naquele dia, muito jovens da cidade vizinha tinham se dirigido para o pub.
A musica tocava alta e algumas garotas dançavam no espaço improvisado entre as mesas.
A morena que andava povoando seus pensamentos eróticos usava mais uma vez, um short jeans curto mostrando suas belas pernas e uma blusa que deixava sua barriga plana a mostra e insinuava seus seios fartos.
Do seu lado do balcão observou Bella atendendo um rapaz que parecia um pouco empolgado demais. O cara até tinha boa aparência e parecia inofensivo, no entanto ele a tocava constantemente e mesmo Edward dizendo a si mesmo que aquilo não era da sua conta não conseguia deixar de sentir uma raiva incomum.
Emmett parou a sua frente depois de atender varias mesas. Ele parecia empolgado.
— Hoje a noite está fervendo — comentou.
— Sim.
Edward respondeu sem retirar os olhos de Bella.
— Qual o problema? — o rapaz seguiu o olhar dele.
— Esse cara que Bella está atendendo me parece um pouco animado. Sei lá, será que ela não precisa de ajuda?
Emmett o olhou desconfiado.
— Cara, você está a fim dela?
— Claro que não! Apenas preocupado.
Será que estava tão na cara assim que aquela garota mexia com ele?
— Não esquenta, Edward, se esse cara se engraçar Bella coloca ele no lugar dele rapidinho — Emmett o tranquilizou.
***
— Está interessada no loirinho universitário? — Alice perguntou a Bella.
— Não. Por quê? — ela estranhou a pergunta da amiga
— Bem, você deu uma atenção especial a ele, que por sua vez não tira os olhos de você.
A garota olhou para o rapaz que flertara com ela por quase toda a noite. O nome dele era Tony e era realmente bonito, mas não acendeu nela aquilo que ela esperava sentir por um homem quando se interessasse.
— Não estou a fim de ninguém, Alice.
— Fico me perguntando quando um cara vai fazer você perder a cabeça, amiga. A não ser por alguns flertes, nunca a vi se envolver seriamente. Se apaixonar, essas coisas. Está esperando o príncipe encantado?
— Por favor, Alice! É só que eu... eu não sinto nada por esses caras. Você me conhece. É legal flertar, dar alguns beijos e amassos, mas quanto a algo mais sério... eu preciso sentir que há mais.
Seu olhar passou rapidamente na direção de Edward. No mesmo momento ela se recriminou por aquilo.
— Se continuar com esse pensamento vai continuar virgem por muito tempo — Alice declarou.
— Fala baixo! — Bella ralhou. — Ninguém precisa saber disso. E não é como se isso estivesse fazendo falta.
— Ah, fala sério, amiga. Você deve sentir falta. Sexo é bom. Até quando não é bom, é bom.
A morena revirou os olhos e voltou a atender clientes no balcão. Foi então que percebeu o forasteiro a encarando.
— O que foi forasteiro? Por que está me olhando? — perguntou colocando as mãos nos quadris.
Apenas um olhar dele a deixava em brasas, e igualmente irritada.
— Você é algo bonito de se olhar, Bella — ele disse dando a ela um olhar de cobiça que a fez se arrepiar. — Porém, antes que pense que estou dando em cima de você, eu apenas queria saber se você gostou da câmera?
— Eu não abri. Vou devolver a você — respondeu, insistindo em sua teimosia.
— Não sei como fará isso — ele respondeu debochado.
— Por que você é tão irritante? — ela indagou se aproximando dele.
— Por que você é tão teimosa? — ele devolveu ficando quase cara a cara com ela.
Os dois se encararam por um tempo. Novamente as chamas invisíveis que parecia ligá-los sempre que estavam próximos se fez presente.
— Algum problema aqui? — Emmett perguntou com as sobrancelhas levantadas.
Bella se afastou rapidamente.
— Nenhum, Emmett — ela respondeu.
— Tudo ótimo, cara — ele confirmou voltando ao seu lugar.
— Será que você poderia servir as mesas, Edward? Estou a fim de dar um tempo aqui.
— Claro — ele passou por Bella e seguiu para o salão.
— O que estava rolando aqui?
Seu amigo era esperto demais para não notar que algo se passava entre ela e o forasteiro.
— Ele me deu uma câmera nova, pode? Eu disse a ele que quero devolver, mas esse idiota... — bufou — ele não aceita.
— Fui eu que disse a ele para seguir com a ideia.
— Emmett...
— Escute, Bella. Pense comigo. Você está arrumando um jeito de desistir da fotografia depois do que aconteceu, depois das criticas.
— Não é isso.
— É isso sim. E para ajudar houve o lance de Edward jogar sua câmera no mar. Ele agiu errado e quer concertar. Deixe-o fazer isso. Talvez signifique que você deva continuar com seu sonho.
Ela escutou o que amigo de anos lhe dissera. E no fim resolveu aceitar.
Edward havia voltado para o balcão. O pub começava a esvaziar e em breve ela iria para casa, porém antes queria falar com ele.
— Edward? Pode me ajudar com algo no depósito? — perguntou.
— É claro.
Ela sentia os passos dele atrás de si, e mais uma vez seu corpo parecia eletrificado.
O ambiente do depósito consistia em varias caixas de bebidas empilhadas, não havia muita luz. Tudo aquilo deixou a garota ainda mais nervosa por estar ali com aquele homem intrigante que a fazia sentir coisas estranhas.
Ela se virou para ele assim que estavam no meio do lugar.
— Eu queria dizer que mudei de ideia. Vou ficar com câmera.
Um belo sorriso apareceu no rosto bonito dele.
— Ótimo.
— Mas eu queria pagar a você...
— Sem chance.
— Por que não? — indagou emburrada.
— Por que eu fiz algo errado e devo arcar com as consequências disso — ele explicou.
— Que seria me comprar uma câmera nova? — indagou.
— No mínimo.
Ela bufou.
— Tudo bem. Mas não quero que você me dê mais nada ouviu?
— Entendido.
Os olhos dele estavam nela de um jeito intenso, atraente. Algo estava acontecendo. Principalmente com ela que não conseguia pensar com coerência quando estava perto daquele homem.
— Pode ir agora — ela disse um pouco rude demais. — Eu só queria falar isso com você.
Assim que o viu sair ela se encostou a uma das caixas de bebidas fechou os olhos e respirou fundo. Mas que diabos estava acontecendo com ela?
Mais tarde, em seu quarto, pronta para dormir a morena olhou pela milésima vez para a caixa. Ainda não havia aberto. Resolveu acabar com a curiosidade de uma vez, afinal ela já tinha aceitado o presente.
Abriu o pacote com agilidade e soltou um suspiro quando viu uma das melhores câmeras profissionais que poderia pensar em comprar. Era uma Canon 5D Mark III.
— Ah meu Deus!
Olhou para a máquina totalmente impressionada, imaginando as fotos que poderia fazer com ela. Além disso, Edward havia comprado lentes especiais.
Maravilhada, Bella mal podia se conter. Precisava agradecer a ele, agradecer ao forasteiro.
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