O Primeiro Forasteiro

9 Capítulos 15 e 16


Notas iniciais
Oi lindinhas, mais capítulos. Beijossss

Capítulo Quinze

A ruiva era atraente, ele tinha que admitir. Era verdade que a roupa era um pouco vulgar, mas ele não procurava uma freira. Queria apenas relaxar. E o que era melhor que sexo?
Estava em um bar há mais ou menos cento e cinquenta milhas de Hierápolis. A esta altura deveria estar muito mais longe, mas não conseguira se afastar mais que isso.
Precisava beber para esquecer que naquele momento Bella e Jasper... não queria nem pensar. Pegou a cerveja e levou próximo aos lábios, no entanto se lembrou do que aconteceu quando bebeu e dirigiu pela última vez. Largou a garrafa sobre a mesa.
Olhou novamente para mulher sentada a alguns metros dele. Não era feia, e estava se insinuando pra ele há algum tempo. Já que não podia beber para esquecer deveria comer a mulher no banheiro imundo que deveria ter nos fundos do estabelecimento. Como ele sabia? Já tinha feito isso outras vezes. Contudo olhando para mulher não tinha a mínima vontade de transar com ela e a culpa disso era dela... daquela... da linda garota que estava nos braços de Jasper naquele momento.
Ódio e ciúme ferviam dentro de si. No fundo tinha que reconhecer, não conseguiria se afastar. Precisava ver Bella, nem que fosse uma última vez, de longe mesmo.
Se saísse naquele momento ainda pegaria o Pub aberto. Chegando lá, imploraria, se fosse o caso, para que Alice dissesse onde Bella e Jasper estavam.
Pagou o que consumiu e seguiu para a saída ignorando os olhos da mulher que flertara com ele desde que chegara ao local.
Fez a motocicleta veloz correr mais do que antes. Não sabia a sensação que sentia, mas parecia que precisava chegar o mais rápido possível à cidade.
Duas horas depois estacionava a frente do local em que trabalhara. Parecia que o expediente havia acabado cedo aquela noite, pois o local encontrava-se às escuras. Andou pela frente procurando algum sinal de que alguém ainda estivesse no interior do ambiente, mas encontrou somente silêncio e escuridão.
Desanimado, o forasteiro não sabia o que fazer. Não tinha o número do telefone de Emmett ou de Alice. Muito menos sabia onde eles moravam, pois sempre tentou manter certa distância dos amigos. Agora pagava o preço por ser tão reservado.
Resolveu andar pela praia para espairecer. Estava uma noite bem bonita com a lua cheia e muitas estrelas, além disso, fazia calor.
A praia não estava deserta, como era esperado. Vários casais passeavam ou namoravam. Era um hábito na região. A baixa criminalidade fazia do local um ponto de encontro, principalmente em noites como aquela.
Com as mãos nos bolsos da bermuda Edward andava alheio ao clima de romance ao seu redor. Estava concentrado em seus pensamentos em um mundo apenas seu. Tentando a todo custo não pensar no que estaria acontecendo em um algum lugar de Charleston entre Bella e Jasper, ou até já teria acontecido... sabia que não podia deixar a raiva que sentia ao pensar nisso dominá-lo afinal ela merecia ser feliz. Mesmo assim era quase impossível controlar.
Seu olhar foi mais adiante e perto das dunas sentada no chão viu uma garota. Talvez sua mente perturbada lhe quisesse pregar uma peça, mas... parecia...
Eram os mesmos cabelos longos e dourados que à luz da lua se tornava quase um manto prateado. Era o mesmo short jeans rasgado que deixava as coxas perfeitas à mostra. Sim! Era ela!
Uma felicidade inexplicável tomou conta dele. Tudo o que mais queria ela vê-la mais uma vez e ali estava seu desejo sendo realizado. Em anos não sabia o que era felicidade, mas apenas o fato de ver aquela garota o tornava um homem feliz, e quem sabe um homem melhor. Era isso! Por ela poderia se torna alguém melhor.
Quando conseguiu racionar com coerência se perguntou: o que ela fazia ali? Não deveria estar em Charleston?
A luz do luar refletiu sobre o belo rosto de Bella e foi então que ele percebeu que ela chorava.
Sem se conter, com passadas rápidas se aproximou dela.
— O que aconteceu? — inquiriu sem disfarçar a raiva mal controlada. — Por que está chorando?
Os olhos de Bella evidenciavam seu espanto por vê-lo ali.
— Edward...? O que está fazendo aqui? Você não tinha ido embora?
— Sim, eu tinha, mas voltei — respondeu. — Não fuja da pergunta, Bella. O que houve? Ele te machucou?
— O quê?! — ela perguntou se levantando e limpando a areia das pernas.
Ainda havia traços de lágrimas em seus olhos o que enfurecia o forasteiro.
— Você estava chorando... se Jasper a machucou... eu acabo com ele — disse com a voz alterada.
— Para com isso! — Bella também se alterou — é claro que Jasper não me machucou. Que ideia!
— Então por que estava chorando? Por que está aqui?
— Não é da sua conta — disse ríspida.
Ela começou a andar na direção contrária a que ele tinha vindo. Edward teve que acelerar o passo para conseguir segui-la.
— Bella...
— Me deixa em paz, Edward! — falou andando ainda mais rápido.
O forasteiro conseguiu segurar o braço dela a fazendo olhar para ele.
— Qual é o seu problema?! — ela gritou. — Por que não foi embora como disse que faria?
— Por que sou apaixonado por você — confessou.
O que revelou a fez ficar sem palavras. Até mesmo ele se surpreendeu por falar daquela maneira, não havia programado ou ensaiado. Foi espontâneo, natural assim como era sempre que estava ao lado daquela mulher.
— Até parece — ela disse e voltou a caminhar.
Ficou magoado pelo tom de descrença que ela usou.
— Você não acredita em mim? — voltou a segui-la.
— Não é questão de acreditar ou não acreditar a questão é se daqui a meia hora você não vai mudar de ideia.
— Nunca disse que não gostava de você e sim que não poderíamos ficar juntos.
Ela parou a caminhada e se virou fitando-o.
— Olhe, Edward, isso pra mim não faz diferença. É como se fosse a mesma coisa.
— Mas não é.
Os dois se encararam.
— Me diz por que estava chorando? — pediu.
Ela permaneceu calada.
— Se você não disser nada vou assumir que Jasper a machucou e você não está querendo me contar.
— Não... não foi ele que me machucou e sim eu que o magoei... Por isso eu estava chorando.
— Como assim? — perguntou confuso.
— Quer saber? Não tenho mais nada a perder mesmo. Meu orgulho já está no chão de qualquer forma. Eu magoei Jasper por que dei a entender que poderíamos ter algo sério... iria me entregar, mas não consegui por que não é por ele que sou apaixonada. Droga! Tudo isso é sua culpa — disse com raiva voltando a chorar — Agora vê se me deixa em paz.
Bella não tinha transado com Jasper! A sensação de felicidade por saber disso foi indescritível.
Ela tentou sair, mas ele a segurou.
— Não... Bella...
— Por favor, Edward, eu não aguento mais...
Sem esboçar reação ela se permitiu ser abraçada por ele.
— Bella, eu... eu sou um idiota.
— Jura? Nem tinha percebido — ela retrucou ainda com a voz chorosa.
Edward teve que rir. Não sabia dizer se a preferia tímida e doce, ou com raiva e sarcástica. Na verdade amava todas as nuances da personalidade dela.
Colocou uma das mãos no rosto dela, limpando as lágrimas, fitando-a apaixonado.
— Me escute. Quero uma chance de fazer o certo. Não tem mais como fugir do que você significa para mim, e, eu não quero mais fugir...
— O que isso tudo quer dizer?
— Quer dizer que quero ficar com você, se me der uma chance.
— E toda aquela historia de não ser o homem certo para mim — inquiriu desconfiada.
Ela tinha razão de estar desconfiada depois de todas as vezes que ele a rejeitou.
— Ainda continuo achando que você merece um homem melhor e espero o dia que vai perceber isso, mas... eu não consigo mais ficar longe de você.
Percebia a duvida nos olhos dela.
— Então, você não vai mais embora?
Ele balançou a cabeça negativamente.
— Se você me der uma chance, eu não vou.
— Eu não sei, Edward... você me magoou.
— Eu sei, eu sei e peço perdão por isso. Como eu disse fui um idiota.
Ela limpou o rosto de afastando um pouco dele.
— Não pode pedir que eu esqueça tudo.
— Você tem razão, estou pedindo apenas uma chance.
— Preciso de tempo, para acreditar em você. Acreditar que não vai mudar de ideia... de novo.
— Tudo bem. Tome o tempo que quiser, não vou mudar de ideia.

***

Por mais que se fizesse de durona, o que mais Bella queria naquele momento era se jogar nos braços daquele forasteiro bipolar, mas sua consciência lhe avisou que dessa vez deveria ir com calma.
Já tivera vários momentos em que jurou que ele a queria e depois o que? Ele a rejeitou, não foram uma nem duas vezes. Então agora o melhor era agir com precaução, na intenção de pelo menos tentar poupar seu frágil coração de mais uma desilusão.
— Eu acompanho você até sua casa — ele disse a retirando de suas divagações.
— Não precisa.
— Sem discussão, eu vou com você.
Os dois seguiram lado a lado. Quando chegaram a rua principal Bella não se conteve:
— Qual é essa agora de ser todo gentil?
— Eu sou gentil.
Ela olhou de soslaio para ele, que percebeu e começou a rir. Ela também. Uma leveza parecia começar a dominar relacionamento entre eles que sempre esteve carregado de tensão.
— Tudo bem, nem sempre sou gentil.
— Você é sim. Não era apenas quando me dispensava — ela disse com um suspiro.
Não demorou muito e estava em frente a casa simples com a pintura começando a descascar.
— Chegamos — Bella anunciou. — Viu? Não moro longe, não correria risco nenhum se viesse sozinha.
— Casa simpática — ele disse olhando a construção.
— Ah sim! Diz isso o cara que mora em uma mansão — ela disse num tom brincalhão.
— A casa é alugada...
— Que seja. Então, eu... convidaria você pra entrar, mas papai...
Ele riu do jeito encabulado dela.
— Tudo bem. Tenho que voltar até o pub, minhas coisas ainda estão na moto.
— Então, você foi mesmo embora?
— Sim. Não me afastei muito. Parei em um bar e não consegui ir mais longe.
— E o que pretende fazer agora?
— Além de reconquistar você? — piscou matreiro.
Ela enrubesceu e pensou consigo: não precisa me reconquistar já que nunca me perdeu.
— Vou falar com Emmett amanhã. Quero meu emprego de volta.
— Não é como se precisasse. Você não precisa daquele emprego.
Queria entender porque ele trabalhava no pub visto que nitidamente não precisava. Tinha grana. Observou que havia muitas coisas que ela queria descobrir sobre o misterioso forasteiro.
— Você tem razão. Não preciso do emprego. Antes eu o queria por que era uma forma de me distrair agora quero por que desejo ficar perto de você.
OMG! Ele não podia ficar falando aquelas coisas todo o tempo para ela? Assim sua resolução de ir com calma não iria durar.
— Er... eu vou entrar...
— Deixei você envergonhada?
— Não... é só que... não estou acostumada com você dizendo essas coisas para mim. Geralmente você está sempre me afastando.
Edward se aproximou dela fazendo que a respiração da jovem se alterasse.
— Isso mudou, Bella. O que mais quero agora é estar com você. Beijar você...
Bella quase fechou os olhos à espera que ele cumprisse as palavras que dizia, mas então ele se afastou.
— Mas antes disso você precisa confiar em mim. É por isso que quero levá-la em um encontro amanhã.
— Amanhã?! — a surpresa por ele convidá-la para um encontro nítido em sua voz. — Eu... nós trabalhamos amanhã, caso Emmett o aceite de volta — completou sorrindo.
— Eu falo com ele.
Ficou sem graça ao lembrar que o amigo a havia liberado naquela noite para um encontro com Jasper e que na próxima ele a liberaria para um encontro com Edward. Mas que se dane! Pensou. Depois explicaria a situação a ele.
— Eu aceito. Aceito ir a um encontro com você.
O sorriso do forasteiro foi radiante.
— Ótimo. Pego você as sete.
— Tudo bem.
— Boa noite, Bella.
— Boa noite, Edward.


Capítulo Dezesseis

Assim que Emmett o viu entrar no Pub abriu um imenso sorriso.
— Eu jurava que nunca mais iria ver essa sua cara feia — disse divertido. — Mas fico feliz em vê-lo. Vendi menos drinques depois que saiu. As meninas só queria saber “onde está o forasteiro?” — fez uma imitação grotesca de voz feminina. — Então, espero que sua aparição aqui seja para implorar pelo emprego de volta.
Edward riu.
— Preciso implorar?
— Porra! Claro que não Brother! — riu. — Seja bem vindo de volta. Hoje à noite você poderia cantar uma daquelas canções que faz quase todas as garotas jogarem as calcinhas em cima de você. Sabe que quando se apresenta me faz ganhar uma boa grana quando elas vão para o bar onde o forasteiro as atende.
— Eu gostaria de ajudá-lo, mas não esta noite. Quero voltar a trabalhar, mas não hoje e queria que liberasse Bella também...
Emmett apenas olhou para Edward sem nada dizer.
— Vamos sair esta noite — acrescentou.
— Acho que perdi algo. Bella não estava saindo com Jasper que vem a ser seu amigo?
Foi a vez de Edward permanecer em silêncio.
— Cara! Eu sempre achei que você era a fim dela. Finalmente resolveu tomar uma atitude. Bom pra você. Bella é demais!
— Sim, ela é.
— Cara isso está me cheirando a paixão.
E por que negar? Pensou Edward, estava apaixonado mesmo. Resolvera se dar uma chance de tentar ser feliz.
— É paixão sim, Emmett, — assumiu — assim como é a sua pela Alice.
— Ei! Não vem misturar as coisas. Eu e Alice... eu e ela... somos...
O forasteiro riu do quanto Emmett tentava negar seus sentimentos pela baixinha de cabelos curtos.
— Não é nada disso... é complicado — o dono do bar tentou explicar.
Enquanto voltava para casa o forasteiro se sentiu leve como há muito não se sentia. Estava animado para o encontro de logo mais a noite. Já havia saído pela manhã e organizado tudo, esperava que Bella gostasse do que ele preparou.
Concentrado, não percebeu a grande caminhonete estacionada em frente a casa em que residia. Apenas quando estacionou foi que viu Jasper escorado junto ao carro.
Desceu da moto e pegou as compras que tinha feito antes de ir falar com Emmett.
— Jasper.
— Olá, Anto... Edward. Será que podemos conversar?
O forasteiro percebeu o jeito sério do amigo. O assunto com certeza era Bella.
— É claro. Vamos entrar.
O advogado o seguiu. Edward colocou as compras em cima do balcão da cozinha.
— Quer beber algo? Eu não tenho cerveja...
Jasper levantou a mão o impedido de falar.
— Não... estou bem... Eu vou pegar a estrada agora.
— Está indo embora.
— Sim... é natural já que... — o rapaz hesitou. — Bom, você já deve saber que eu e Bella...
Edward assentiu.
— Porque não confessa que é apaixonado por ela? — Jasper perguntou com a voz severa. — Sabia que eu jamais me intrometeria entre vocês se soubesse que existia algo.
— Eu sei.
— Espero que saiba a chance que está em suas mãos e não a desperdice. Ela... ela é apaixonada por você.
— Não vou desperdiçar — o forasteiro disse seguro.
Não iria mesmo. Faria o possível para ser digno dessa nova chance.
— Não vou me colocar no caminho. Estou indo embora e espero realmente que a faça feliz e que seja também feliz.
No momento em que Jasper se preparava para sair disse algo que fez a felicidade e esperança que Edward estava sentido nas últimas horas enfraquecer:
— Bella merece a verdade, Antony. Vou embora, mas não vou sumir. Ou diz a ela quem você é na verdade ou eu volto e digo eu.
E sem mais palavras saiu deixando o forasteiro com o peso de seu discurso.
***
Deveria ser a milésima vez que ela se olhava no espelho da sala. Estava nervosa. Não ajudava em nada que usasse o mesmo vestido da noite anterior, no encontro com Emmett. Não tinha encontros e por isso não tinha nenhuma roupa que pudesse usar para a ocasião além daquele vestido azul.
Na noite anterior não ficara tão preocupada com a aparência, mas agora era diferente. Era Edward! Somente em estar na presença dele um fogo se instalava em seu estômago.
Não sabia para onde ele a levaria, apenas sabia que ficariam juntos por algumas horas e isso fazia a respiração da garota acelerar.
— Que tanto você se olha no espelho, filha? Está linda. — Charlie perguntou quando a viu mais uma vez ir da janela para ver se Edward chegara para o espelho onde se via refletia naquele momento. — Jasper vai achar você adorável, como sempre.
Ela corou. Havia apresentado o pai a Jasper logo que começaram a sair, mas não havia contado sobre o rompimento.
— Não... não é com Jasper que vou sair.
A cara do pai foi impagável e Bella quase riu.
— Er... — Charlie coçou o bigode. — Você não estava saindo com ele?
— Sim — respondeu envergonhada. — Bom, mas vi que não daria certo.
— Ele parecia um bom garoto.
— E é. Eu só não gosto dele do jeito que ele esperava.
— Certo. E você pode dizer a seu velho pai com que irá sair esta noite?
— Com o forasteiro.
— Humm...
— O quê? Por que esse humm?
Bella prestou atenção no pai que coçou a cabeça querendo dizer a ela algo.
— Desembucha, pai.
— O rapaz parece ser do bem, mas não sei... há algo nele...
— Achei que simpatizasse com ele. Eu vi vocês dois bem amigáveis, conversado no píer, lembra?
— Sim. Como falei ele parece bacana, mas quando vai sair com sua filha... as coisas mudam.
Ela riu indo para perto da cadeira de rodas e lhe beijando a testa.
— Deve ser apenas preocupação paterna. Além disso, eu... eu gosto dele — confessou encabulada.
— Tudo bem, eu vou dar uma chance ao garoto.
— Obrigada, papai, não esperava menos de você.
Naquele momento um rugido alto se fez. Era o som da moto de Edward.
— Ele veio buscar você em uma motocicleta?!
A garota revirou os olhos sem que o pai visse.
— Você prometeu, seja bonzinho, pai.
— Isso não quer dizer que eu queira ver minha filha na garupa de um motoqueiro!
As batidas na porta interrompeu o diálogo entre pai e filha. Bella se encaminhou para a porta, porém antes deu ao pai um olhar de advertência.
Assim que abriu a porta sentiu seu coração bater acelerado ao receber um lindo sorriso de Edward.
— Oi.
— Oi, Edward.
O rapaz não disfarçou o olhar apreciativo que dirigia a ela.
— Você está linda.
Ligeiramente encabulada, sorriu.
— Obrigada.
Um pigarro fez os jovens olharem para o homem carrancudo na cadeira de rodas.
— Como vai senhor Swan? — o forasteiro o cumprimentou.
— Vou bem, ficarei melhor se você me garantir que não pretende levar a minha menina na garupa da sua motocicleta.
— Pai!
— Tudo bem, Bella. — Respondeu Edward. — Minha intenção era pedir que fôssemos no seu carro.
— É claro — assentiu — tchau, pai. Comporte-se.
— Era eu que deveria dizer isso mocinha.
Após escutarem as recomendações de Charlie, saíram segurando o riso. Edward parou ao lado da picape dela estendendo a mão.
— O quê?
— As chaves.
— Quer dirigir meu carro? Quem disse que eu permito? — brincou.
— Estou levando você em um encontro, é esperado que eu dirigisse — devolveu a brincadeira.
— Que coisa mais machista, Edward — retrucou, mas entregou a chave a ele e deu a volta para entrar no lado do carona.
— Primeiro, você não sabe para onde estamos indo — ele disse girando a chave e fazendo o velho motor da Ford 1982 ganhar vida. — E segundo, eu não sou machista.
— Tudo bem. Agora confesse que você não pensava nem por um minuto em pegar minha picape. Disse aquilo apenas para agradar meu pai não foi?
Ele não respondeu, apenas sorriu quando entrou na rua principal. Bella teve sua confirmação mesmo sem a resposta dele.
Enquanto seguiam pelas ruas calmas de Hierápolis, ela aproveitou para olhar melhor para ele. Não se cansava de apreciar a beleza máscula daquele homem. Era totalmente diferente da beleza quase pura de Jasper. E isso era o que mais a impressionava. Sempre foi ligada no tipo de homem com uma beleza clássica. Nada agressiva. Como sempre fora uma garota ajuizada sempre se manteve longe dos bad boys. Não que Edward fosse um, mas todo aquele ar de mistério que exalava dele o fazia ser alguém em que se deveria pensar duas vezes antes de se entregar. Deveria ser justamente por perceber esse jeito enigmático do forasteiro que Charlie se preocupava.
Afastou esse pensamento e perguntou:
— Onde está me levando?
— É uma surpresa. — Ele respondeu concentrado na direção.
— Hum... ok. Como foi sua conversa com Emmett? Ele vai aceitá-lo de volta no Pub?
Perguntou mais por brincadeira, tinha certeza que o amigo o aceitaria imediatamente.
— Sim — respondeu.
A garota ficou a espera do que mais ele diria, mas apenas obteve silêncio.
— Só isso. Não vai contar o que conversaram?
— Pode ser depois. Eu não gosto de conversar enquanto dirijo.
— Uau! Que homem responsável! Sendo assim você jamais vai se envolver em acidente.
No momento que as palavras saíram de sua boca sentiu a tensão no ar. Edward apertou o volante com uma das mãos com força já que a mão machucada ainda estava com a tala.
Bella assistiu abismada a mudança dele. De um homem simpático e divertido para tenso e sombrio. A jovem se xingou internamente por mudar o clima que estava tão bom.
— Edward me desculpe se eu falei algo que...
— Não!... está tudo bem, Bella — disse tentando tranquilizá-la.
E foi isso que a garota percebeu, ele disse aquilo apenas para tranquilizá-la.
A noite prometia ser ótima e agora ela temia pelo que viria pela frente.