O Primeiro Compromisso
2 Parte II
Notas iniciais
Dois dias depois...
A família Incrível estava à disposição. Beto, vulgo sr. Incrível, estava jogando bola com o Flecha, que estava estreando a sua velocidade, enquanto o pequeno Zezé estava empilhando bloquinhos coloridos. Já Helena, vulgo Mulher-Elástica, estava chegando do supermercado com a Violeta. Beto parou a partida e foi tascar um beijo na esposa, que saía do carro.
– Oh, Beto. — disse ela. — Jogando partidas com o Flecha?
– É claro, amor. — falou ele. — Afinal, não temos preocupação em esconder os superpoderes.
– Lembre-se que temos a identidade secreta. — Helena lhe deu sermões. — Todo super-herói precisa de identidade secreta.
– Ah, é mesmo. — Beto se lembrou. — Mas valeu o sermão.
E se beijaram. Lá do quintal, Flecha batia o pé.
– Pai, e a partida?
– Ah — ele se lembrou. — Jogaremos mais tarde. Agora tenho que ajudar a sua mãe a levar as coisa para dentro.
Flecha fechou a cara, depois deixou as coisas rolarem. Violeta saía do carro carregando o pacote de compras. Ao entrar, ela ralhou com o irmão:
– Não fique aí parado, Flecha. Vem ajudar.
– Já estou indo. — disse, sem jeito.
Depois de ajudar a carregar os pacotes para dentro de casa, Violeta se lembrou de uma coisa: o seu primeiro compromisso. Justo com o colírio mais cobiçado pelas garotas da escola.
– Xi, mãe, lembre do meu compromisso com o... — ela iria completar a frase, se não fosse pelo Flecha.
– O Toninho Rodrigues! — tirou satisfação.
– Não amola, Flecha! — reclamou Violeta.
– Flecha! — Helena ralhou com o filho. Depois se virou para a Violeta. — É claro que eu estou lembrando, Vi. Mas ainda é cedo. A que horas começa o filme?
Violeta coçou a cabeça, pensativa.
– Ainda não decidimos. Mas o nosso encontro vai ser à noite, a partir das seis horas.
– E que horas são? — Helena perguntou.
– Dez para as cinco da tarde! — gritou Beto.
– Então, ainda é cedo. A partir das vinte para as seis, você já começa a se arrumar.
– Ok. — a morena assentiu.
Enquanto ia para o seu quarto, Helena perguntou:
– Você não vai comer?
– Estou sem fome. Obrigada.
E assim, fechou a porta do seu quarto. Pegou um exemplar de O Hobbit e começou a ler na cama.
"No dia seguinte à batalha com as aranhas, Bilbo e os anões fizeram um último e desesperado esforço para encontrar uma saída antes que morressem de fome e de sede."
•••
Vinte para as seis. Violeta correu para se arrumar. Do armário, retirou uma camisa xadrez vermelha e vinho, uma calça jeans, um ankleboots preto e um cardigã marrom. Penteou os cabelos e pôs uma tiara vinho. A partir da longa desventura que teve, quando teve que enfrentar o Omnidróid com a sua família, no centro financeiro de Metrosville, ela passou a colecionar as tiaras. A primeira, ela a encontrou no fundo da bolsa da mãe, depois que ela partiu para salvar o seu pai, que estava nas mãos do Síndrome.
Depois, seguiu direto para a sala de jantar, quando a família estava reunida ao redor da mesa comendo. Sua mãe estava papando o pequeno Zezé, fazendo caretinhas. Flecha reclamou:
– Mãe, está fazendo careta outra vez.
Helena tratou de responder ao filho, enquanto dava de papar o Zezé.
– Humm... Não estou, não.
Mas Beto interveio, lendo um jornal na mesa, enquanto come.
– Está fazendo sim, querida.
E a mulher virou o rosto, com uma das sobrancelhas arqueadas, como se fosse óbvio.
– Você tem que ler na mesa, Beto?
Ele assentiu, balançando de leve a cabeça. E Helena se virou para a filha.
– Já está pronta, Vi?
– Claro. — ela assentiu com um sorrisinho. — Ele deve chegar aqui às seis em ponto.
Helena concordou, esbanjando um sorriso cerrado. Mas Flecha sussurrou, tomando um gole de água.
– Ela e o Toninho deveriam casar, se ela o ama.
Isso encheu a cabeça da morena! Ela enrugou o cenho.
– Cala a boca, Flecha! — ela arquejou.
– Vão se casar! — Flecha caiu na gargalhada.
– Seu mala sem alça! — ela revidou.
– Ela vai sim!
Mas Helena deu um basta nisso.
– Crianças, não gritem na mesa, vocês dois! — e depois olhou para o marido, que lia ininterruptamente o jornal. — Amor!
– Crianças, obedeçam à mamãe. — falou, indiferente ao fato. Helena ficou cheia disso.
Minutos depois, ouviu-se o som da campainha. É ele, pensou a morena. Mas, na hora em que ela ia abrir a porta, o Flecha, com a sua velocidade, abriu a porta. Era o Toninho propriamente dito.
– Ah, o futuro noivo da Violeta!
– Flecha! — Violeta gritou. — Ah, não ligue para o mala do meu irmão. Ele só abre a boca para dizer asneiras.
– Não tem problema, Vi. — disse ele, pegando leve. — Já me acostumei com os boatos.
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