O Preço do Amor

7 Um Maldito Controlador


A dor intensa em sua cabeça lhe deixava zonza. A claridade que entrava pelas flechas da janela do seu quarto lhe causavam ainda mais dor. Depois de um tempo ela finalmente conseguiu abrir seus olhos sem que a dor fosse tão intensa. Ela fitou o teto reconhecendo o local, suspirou aliviada.

Até que flashes rápidos e confusos inundaram suas memorias. Klaus. Vodca. Bar.

O coração da mulher acelerou-se rapidamente o ar em seus pulmões se tornaram escassos. O que ela tinha feito? Como foi que ela havia perdido totalmente o foco? Ela não podia ficar bêbada com Klaus.

Será que ela tinha dito algo errado? Oh, Deus...

Balançou a cabeça lentamente em negação e arrastou-se pela cama com dificuldade. Sua cabeça girava e seus olhos ardiam, andou com dificuldades até seu banheiro, suspirou derrotada ao ver sua imagem refletida no espelho. Maquiagem borrada manchando todo seu rosto de preto, olhos vermelhos e sem focos, cabelos extremamente bagunçados. Antes que ela percebesse estava debruçada sobre a pia do banheiro colocando todo o alimento consumindo no dia anterior.

Gemeu em frustração e escovou os dentes tentando dissipar o gosto amargo da boca. Lavou o rosto retirando toda maquiagem, suspirou frustrada enquanto caminhava de volta para o quarto.

Ela não conseguia se lembrar de muitas coisa da noite anterior e algo a incomodava fortemente. Como ela havia chego em casa? Como tinha colocado o pijama sozinha? Pelo seu estado deplorável provavelmente ela não conseguiria nem chegar a esquina do Bar.

Girou lentamente pelo quarto tentando encontrar sua resposta e encontrou em cima do criado mudo, havia um bilhete.

"Bom dia, amor.

Espero que a dor de cabeça esteja, suportável. Embora levando em conta a quantidade de bebida que você consumiu ontem... Aposto que não esta muito bem... Tem alguns analgésicos em cima da sua mesa. Tome-os.

A noite com você foi adorável, e por isso, resolvi repetir a dose. Te pego as oito da noite. Esteja pronta.

K. M"

A loira revirou os olhos irritada e bufou enquanto jogava o bilhete em cima da cama. Ela havia sido descuidada, não podia se deixar levar perto de Klaus. Era arriscado demais. Saiu do quarto e entrou na cozinha para preparar seu café. Olhou os remédios em cima da mesa como ele havia dito, suspirou e pegou os mesmo tomando-os, ela faria qualquer coisa para que aquela dor insuportável evaporasse de uma vezes por todas, até mesmo obedecer Klaus.

Assim que a cafeteria apitou anunciando que seu café estava pronto, ela encheu sua xícara e seguiu para sala sentando-se no sofá. Ligou a TV e passou os canais rapidamente, tentando dissipar toda sua irritação com ela mesma. Ela havia sido inconsequente e sua consciência estava lhe perturbando.

Depois de perceber que precisava fazer algo para distrair-se de verdade, pegou o telefone em mãos e ligou para a unica pessoa que poderia confiar.

– Care. — Elena atendeu o telefone animadamente, enquanto um sorriso leve espalhava-se sobre seus lábios. Houve um longo silencio e um suspiro pesado.

– Eu fiz uma besteiras das grandes, Elena. — A loira falou de uma vez, tentando organizar seus pensamentos. A morena suspirou pesadamente, enquanto esperava que ela continuasse. — Dessa vez eu acho que me superei, sabe... Você lembra do Klaus? Do cara bonitinho que conheci no Bar que eu descobrir ser o chefe da Máfia?

– Lembro.

– Então, eu tinha o trabalho de investiga-lo... Você sabe, só que o cara é muito esperto... Nunca deixou nenhum espião chegar perto demais dele! E não deixava rastros, parece um fantasma e então... eu... Eu...

– Oh, Deus o que você fez Caroline? — A voz repreensiva de Elena fez com que a loira encolhesse seus ombros.

– Eu me ofereci para ser espiã... Merda, Elena. Eu fiz merda eu sei... Só que eu queria pega-lo, eu quero prender esse cara. Ele é cruel! — Pausou rapidamente, enquanto tentava controlar sua respiração. — Só que os métodos convencionais simplesmente não funcionam com ele... Nada de escutas, gravadores ou assistência. Eu tenho que oficialmente entrar para Máfia para fazer isso funcionar.

– MEU DEUS, CAROLINE... VOCÊ ENLOUQUECEU? — Elena gritou irritada.

– Eu sei, Elena, eu sei... Fica calma ta? Eu só precisava desabafar com alguém confiável... Não precisa pirar. — Suspirou pesadamente, encostando-se no sofá.

– Tudo bem... Ok, e como você pretende entrar pra Máfia? — Elena controlou suas emoções. Suspirou profundamente esperando que ela respondesse. Dois minutos se passaram e a loira continuava em silencio absoluto e foi quando finalmente Elena entendeu o que o silêncio dela significava. E, então todo o nervosismo voltou rapidamente, fazendo com que ela perdesse o controle. — Você não vai fazer isso... Você ficou maluca? Meu Deus, Caroline você esta ultrapassando todos os limites! Seduzir um homem pra concluir uma missão? Isso é loucura. Irei pegar o primeiro avião para Nova Orleans hoje mesmo. Amanhã estarei ai, esteja com as malas pronta, você volta comigo.

Depois de alguns minutos de Elena surtando e gritando pelo telefone, Caroline pode finalmente fazer com que ela se acalmasse.

– Elena, eu sei o que estou fazendo. Fique tranquila. — Caroline assegurou firmemente enquanto aquecia a macarronada do dia seguinte. O enjoo e a dor de cabeça finalmente havia dissipado e sua fome viera com força total.

– Se sabe, porque se meteu nessa loucura toda, Care. Você se ouviu? Tenho noção do que pretende fazer?

A loira revirou os olhos enquanto tirava o prato do microondas e colocava sobre a pequena mesa, sentou-se na banqueta e enrolou os espaguete no garfo.

– Eu sei o que estou fazendo, Elena. — Respondeu com a boca cheia, Elena bufou irritada do outro lado da linha. A loira sorriu imaginando-a revirar os olhos contrariada.

– Você está claramente atraída por esse cara. Deus, Care você esta fazendo isso simplesmente pra poder se aproximar dele sem se sentir mal com isso. Você achou a desculpa perfeita.

A loira largou o garfo bruscamente e controlou a raiva que se espalhava rapidamente pelo seu corpo.

– Você ficou louca? Não sabe o que diz. Ele é um mafioso cruel, Elena. Eu jamais faria isso... Eu me meti nessa loucura pra conseguir fazê-lo ir pra cadeia, entendeu? Somente por isso...

A morena deu de ombros, enquanto soltava o ar lentamente.

– Se você diz...

– Elena. — Caroline repreendeu rapidamente.

– Ok, desculpe-me. Eu preciso ir buscar o Ian na escolinha... Por favor, se cuide e crie juízo!

– Pode deixar... Mande um beijo pra todos ai, certo? Principalmente no Ian. — A loira sorriu abertamente e suspirou desligando o telefone.

Depois de terminar de almoçar ela lavou os pratos e seguiu para seu quarto para descansar.

{***}

A loira andava de um lado para o outro de forma nervosa. Sua respiração estava acelerada e seus olhos estavam sem foco. Suas mãos suavam e estavam tremulas, enquanto seus pés batiam freneticamente no chão. Meia noite e nem sinal de Klaus.

Suspirou frustrada e lançou a primeira coisa que viu em sua frente na parede, o pequeno vaso que ficava em cima de seu balcão caiu no chão em mil pedaços. Ela puxou o ar com força e segurou as lagrimas.

A raiva e a dor misturavam-se deixando-a atordoada com tantos sentimentos distintos dentro dela. Porque estava tão irritada? Porque ele havia lhe dado o bolo? O que ela fizera na noite passada?

Caroline ainda estava arrumada. Um vestido preto justo em seu busto e largo em sua cintura lhe desenhava o corpo perfeitamente, os saltos pretos ainda estavam em seus pés. Seus cabelos sedosos e escovados estavam desgrenhados de tanto ela passara as mãos nervosamente neles. Seus olhos sem focos rolavam pela sua sala vazia e escura, enquanto seu corpo cansado repousava no sofá.

Ela havia falhado?

Então como resposta de sua pergunta o telefone ascendeu-se rapidamente vibrando em cima da mesa de centro. Sua respiração falhou e ela pegou o mesmo em suas mãos de forma nervosa.

Ela percebeu que em seu identificador de chamadas havia o nome do Klaus. Deu de ombros largando o celular novamente em cima da mesinha e bufou irritadamente, quando ele voltou a apitar insistentemente.

A loira simplesmente recusava-se a atendê-lo. Deu de ombros, suspirando lentamente e se entregando ao cansaço mental que sentia. Quando seus olhos finalmente estavam cedendo ao sono no sofá mesmo, ela ouviu sua campainha tocar.

Caroline sabia que deveria ser Klaus na porta, mais o que ele queria? Ele não havia lhe dado o bolo? Ela já não havia falhado em tudo? Ou talvez ainda tivesse alguma chance?

Seus sentimentos estavam tão confusos que ela nem conhecia entender o que mais lhe deixava irritada. Klaus insistia fielmente na porta, e a loira se viu obrigada a abrir a mesma, antes que seus vizinhos reclamasse.

Então mesmo a contragosto ela levantou do sofá e abriu a porta com uma carranca enorme no rosto. Seu ar ficou escasso ao fitar Klaus.

Seus olhos estavam perigosamente intensos, seus cabelos estavam bagunçados e suas roupas eram desleixadas. Calça jeans, camiseta azul de flanela.

– O que você quer? — Ela perguntou irritadamente, enquanto desviava seus olhos do dele.

Klaus abriu um sorriso irônico e deu de ombros, dando um passo a frente e entrando no apartamento da loira.

– Você.

E antes que ela pudesse dizer ou respirar os lábios de Klaus já estavam sobre os delas de forma faminta e indecente.

Continua...