Minha cabeça latejava. Minha mente enviava informações rápidas demais e tudo ficava cada vez mais embaraçado e confuso. A escuridão me afligia. Não conseguia enxergar um palmo a minha frente. O silencio era total. Por mais que eu estivesse extremamente concentrada em qualquer sinal de barulho ou presença ali, não havia nada além do barulho agitado da minha própria respiração. Em dado momento o barulho suave e distante da chuva batendo contra o telhado do local podia ser ouvido. O medo lentamente fora se embrenhando em minhas estranhas e prejudicando meu raciocínio. O tempo passava lento e tortuosamente. O cansaço ia e voltava constantemente. As vezes meus olhos sucumbia ao sinais que meu corpo dava e acabava caindo em um sono leve e alerta e, quando acordava deparava-me novamente com o breu do ambiente. Já não tinha mais noção de quantas horas havia passado ali, se era dia ou se ainda era noite.

Constantemente eu tinha que segurar o choro e tentar me controlar. Klaus vai me encontrar...Ele vai me achar! Era a única esperança que tinha! Que Klaus iria me achar...Que a qualquer momento ele entraria pela porta e me resgataria dali. Minha respiração acelerava a medida que o desespero aumentava. Meu corpo inteiro doía, minhas pulsos deviam estar vermelhos pela dor latente que pulsava ali, devido a corda que os envolvia. Meu coração batia em um ritmo completamente acelerado.

Eu apagava e acordava. Apagava e acordava milhares e milhares de vezes. Minha garganta estava seca, meu estomago estava embrulhado. O odor de álcool predominava o lugar e eu sabia que estava sendo dopada. Em dado momento passei a ter pesadelos.

De repente eu estava em um campo vasto e verde. O cheio de flores silvestres invadiam o ambiente e o sol brilhava no céu límpido. Eu caminhava hesitante por entre o campo, olhava em todas as direções como se estivesse esperando que algo fosse acontecer. Meus pés estavam descalços e o contato que a sola do meu pé tinha com a terra abaixo dela, era agradável. O vento esvoaçava meu cabelo, enquanto um sorriso involuntário surgia em meu rosto. De repente uma criança surgia em minha frente. Era uma menininha loira...Extremamente branca, com um sorriso conhecido e olhos extremamente azuis, ela me olhava com ternura e admiração e a medida que ela se aproximava o sorriso em seus lábios aumentava e, antes que ela pudesse me alcançar ela soltava uma gargalhada calma e saia correndo pelo vasto campo verde. De repente uma voz rouca surgia.

"Sweet...Querida...Ei, Care você esta bem?" E então tão rápido quanto a menina havia surgido em minha frente, um Klaus completamente diferente aparecia. Aquele homem parou e ostentou um sorriso arrebatador. Eu reconhecia o meu Klaus nele, entretanto, havia uma enorme diferença entre eles. Este Klaus sorria com sinceridade, seus olhos brilhavam intensamente e não havia preocupação alguma sob ele.

E então rapidamente o vasto campo verde se dissolvia em minha volta e uma sala arejada aparecia. O cheiro de solvente e de tinta predominava pelo local. Eu girava lentamente, olhando tudo atentamente, reconhecendo meu rosto em alguns dos quadros que estavam dispostos ali.

E no centro da sala, lá estava ele novamente. Klaus pincelava tranquilamente um enorme quadro, me aproximei sorrateiramente e ele virou-se um pouco abrindo um sorriso triste.

Lagrimas molharam o meu rosto sem motivo algum, enquanto eu parava atras dele, observando atentamente o quadro.

"Ela era perfeita...Não era?!" A voz rouca e distante dele soou. Meu corpo inteiro estremeceu e algo dentro de mim se quebrou diante da tristeza exposta no seu timbre de voz.

"Ela era!" Mesmo não sabendo ao certo do que ele se referia concordei sem pestanejar.

"Nossa filha...Nossa linda filhinha...Care, eu ainda não entendo porque ela se foi!" E então tudo se desintegra tão rapidamente que nem ao menos tenho tempo de deixar as lagrimas rolarem livremente pelo meu rosto. Desta vez estou em um quarto de bebe. Há um berço de carvalho envernizado, um mobile delicado e vários brinquedos espalhados pelo amplo quarto. Na parede atras do berço há um quadro, um enorme quadro onde o rosto daquela linda garotinha esta estampado. E por algum motivo meu coração dói, e minha respiração falha. Desta vez um menino loiro e muito parecido com Klaus surge em minha frente, o sorriso de canto de lábios esta estampado em seus lábios e, ele senta-se sobre o tapete felpudo que tem ali, delicadamente ele bate no chão ao seu lado indicando-me o lugar. Receosa e confusa eu sento e observo o garotinho. Os olhos são verdes e sua pele e levemente bronzeada, seus cabelos são extremamente loiros e lisos.

"Você precisa salva-lo!" Ele choraminga baixo, com sua voz melodiosa e suave. Pisco confusamente, tentando acordar daquele sonho estranho. "Por favor...Salve-o!"

"Salvar...Salvar quem?" Perguntou confusa. Ele me olha com aqueles olhos brilhantes e triste e suspirar abaixando a cabeça.

"O papai...Ele precisa de você, por favor...Mamãe você precisa salvar o papai!" E em um súbito eu acordo suando frio. A claridade eminente surge por entre uma pequena janela no alto de uma parede. Consigo focalizar com dificuldade o lugar onde estou. E um cubículo quadrado com paredes altas, uma pequena janela envia claridade para o local. Estou amarrada uma cama de solteiro, na parede em frente a cama há uma porta.

Pelo calor que faz ali e pelo sol que entra pela janela já passa do meio dia. Minha garganta esta seca, estou com sede e fome. Minha cabeça lateja mais a cada segundo que passa. Meus pés estão inchados e doloridos, meus pulsos estão vermelhos.

Prendo a respiração quando escuto passos ressoar pelo local. São passos apressados que param subitamente em frente a porta e, antes que eu possa me preparar psicologicamente pelo que pode acontecer a porta e completamente aberta. Fecho os olhos rapidamente, tentando me acostumar com a claridade que os atinge, volto a abri-los segundos depois desconfiada. Meu coração esta batendo acelerado dentro do peito, e antes que eu possa focalizar completamente a pessoa que esta se aproximando ouço sua voz.

"Caroline!" Ele falava aliviado. Um arrepio percorre meu corpo.

"Roger?!" Sussurro confusamente. "O que você esta fazendo aqui?" Resmungo meia zonza. Sinto suas mãos em meus pés.

"Vou te explicar tudo depois, agora preciso te tirar daqui." Ele fala ofegante, assinto rapidamente. Ele solta meus pés e logo depois meus pulsos. Suspiro aliviada por alguns segundos antes da desconfiança me atingir.

Olho o homem a minha frente com atenção.

"Vem, vamos Caroline!" Ele chama, puxando-me para frente. Com um pouco de força consigo levantar e firmo meus pés no chão. Sinto um pouco de tontura mais consigo manter-me em pé.

"Roger o que você esta fazendo aqui? Como eu posso saber que não foi você que me trouxe aqui?!" Pergunto desconfiada, quando me sinto forte o suficiente para soltar sua mão. Ele me olha surpreso e solta um suspiro.

"Fui eu quem te trouxe aqui, Caroline!" Ele responde culpado. Dou um passo para trás rapidamente. "Não é o que você esta pensando...Que droga, agente precisa ir! Preciso te tirar daqui, eu vou te explicar no caminho!"

Neguei rapidamente. Ele bufou. Sem que eu esperasse seus braços circulam minhas pernas e me erguem jogando-me sobre seu ombro. Ele sai rapidamente do local onde estava trancada. E um enorme galpao abandonado na estrada. Ele caminha rapidamente para o carro estacionado do outro lado e assim que chega lá me desce completamente do seu colo, em empurrando para dentro do seu carro.

Sinto meu corpo inteiro formigar e meu estomago se contrair. Estou enjoada. Suspiro. Ele bate a porta, da a volta no carro e entra.

"Será que você pode me explicar que merda esta acontecendo?" Grito alterada quando ele da partida no carro. Minhas mãos doem. Meu corpo inteiro dói.

"Desculpe!" Ele foi sincero. Pude ver culpa em cintilando nos seus olhos. "Apenas segui as ordens do Klaus!" Aquilo foi como um tapa na minha cara. Klaus era um maldito cretino! E neste momento eu o odiava mais do que um dia julguei ser possível.

"Ele precisava te manter em segurança, Caroline!" Ele disse calmo. "Klaus tinha um plano arquitetado contra seu pai, era um plano a prova de falhas...Admito!" Ele suspirou. "Mais alguém o traiu!" Ele me olhou nesse momento. Meu coração batia em uma ritmo acelerado agora.

"O que aconteceu?" Minha voz falhou.

"Eu sei de tudo!" Ele avisou. Franzi o cenho rapidamente. "Do plano que vocês dois estão executando juntos!" Explicou.

FlashBlack.

"Isso e loucura, Klaus!" Choraminguei enquanto tentava fazer com que minhas mãos parassem de soar.

"Caroline...Eu preciso de você querida, por favor. Preciso que você faça isto por mim, por nós!" Ele apelou. Suspirei.

"Não gosto da forma como vamos ter que envolver sua família nisso, Klaus!"

"Eu sei...Acredite também não estou feliz com isto, mais pra este plano funcione eles precisam acreditar realmente, Care!" Balancei a cabeça exasperadamente.

"Não sei se consigo fingir algo assim..." Sussurrei. "E demais pra mim!"

"Não é não! Você consegue, eu sei que sim! Eu preciso que consiga, Care. Eu confio em você!" Ele resmungou.

"Klaus...Eu...Deus...eu não posso!"

"Care, você é a mulher mais forte que já conheci na vida! E independente, prepotente, orgulhosa, fria e bem cruel quando quer...Se tem alguém que pode fazer isto, este alguém e você! Eu sei que é uma mentira que envolve muitas pessoas no percurso...Também sei que todos entenderam quando a verdade aparecer!" Suspirei.

"Tudo bem..."

"Querida, nós vamos pega-lo e ele nunca mais será uma ameaça pra gente, ok?"

"Klaus, eu amo você!" Sussurrei lentamente contento o ímpeto de deixar as lagrimas voltarem a molhar meu rosto.

"Além de nos dois...Apenas mais uma pessoa vai saber, Caroline! No momento certo você vai saber quem é, tudo bem? Eu preciso que você seja forte!"

FalshBlack off

"Eu pensei...que fosse Rebekah." Resmunguei confusa. Ele suspirou.

"Caroline... Klaus é esperto, acredite! Por mais difícil que seja entender agora, ele sabe exatamente o que esta fazendo! Cada parte deste plano foi cronometrado!" Assenti.

"Preciso que mantenha a calma agora, tudo bem?" Ele perguntou serio, enquanto rolava os olhos em minha direção.

"Roger...Fala de uma vez por todas, por favor." Supliquei nervosa com o que estava por vir.

"Klaus foi baleado!" Meu corpo inteiro amoleceu e minha respiração falhou. De repente todo o ar dos meus pulmões desapareceu. As lagrimas romperam pelo meu rosto e a dor em meu peito incomodou. Minha mente travou completamente e nada mais fazia sentido algum pra mim. O plano não tinha mais valor algum pra mim, tudo que eu conseguia pensar era que Klaus estava ferido. Que o homem que eu amava, estava ferido.

De repente aquela voz melodiosa e suave daquele garotinho do meu sonho surgiu "Mamãe...Você precisa salvar o papai!" Minha visão escureceu rapidamente ao meu redor e novamente eu fui jogava em um breu silencioso dentro da minha própria consciência.