O Preço da liberdade livro 2
18 O Silêncio do Desprezo
O ar na masmorra parecia ter ficado ainda mais pesado, carregado com o cheiro de fumaça que Adrian trazia em suas vestes — o rastro do incêndio emocional que Diana acabara de causar em seus aposentos. O Rei parou diante da cela de Lucca, suas mãos cruzadas nas costas, observando o homem que um dia chamou de filho por escolha.
Lucca não se levantou desta vez. Ele continuou sentado no chão úmido, as costas apoiadas na parede fria, os olhos fixos em um ponto invisível na escuridão. O barulho das chaves no cinto do guarda lá fora era o único som que competia com o gotejar incessante do teto.
— Eu falei com ela — Adrian disse, sua voz ecoando de forma cavernosa. — Eu vi o que restou do amor que ela sentia por você.
Lucca finalmente ergueu o olhar, uma centelha de dor atravessando seu rosto pálido. — Ela está bem?
— Ela está destruindo tudo — Adrian respondeu com uma frieza cortante. — Queimando cada carta, cada presente, cada lembrança do homem que ela achava que você era. O veredicto dela foi curto, Lucca. Ela não quer o seu sangue, nem o seu exílio. Ela quer o seu esquecimento. Ela ordenou que você apodreça aqui, no escuro, ouvindo apenas o silêncio do desprezo dela para o resto da sua vida.
Houve um momento de silêncio absoluto. Então, um som baixo e rouco escapou da garganta de Lucca. Ele começou a rir — uma risada seca, sem um pingo de humor, que parecia mais um soluço sufocado.
— Ela sempre foi decidida — Lucca murmurou, balançando a cabeça lentamente enquanto a risada morria em seus lábios secos. — Eu sabia que ela faria isso. Diana não faz nada pela metade. Se ela ama, ela se entrega por inteiro; se ela odeia... ela apaga a existência do culpado.
Ele se ajeitou contra a pedra áspera, fechando os olhos por um segundo como se estivesse sentindo o peso da sentença.
— Estou preparado para isso, Majestade — ele continuou, a voz agora estranhamente calma. — Estou preparado para passar o resto dos meus dias entre estas paredes de pedra. É um preço justo por ter tido o privilégio de ser amado por ela, mesmo que sob uma mentira.
Lucca olhou para as próprias mãos, as mesmas mãos que Diana beijara dias antes.
— Deixe-me aqui. Deixe que o mofo me consuma enquanto ela brilha lá fora. O meu inferno não é esta cela, Adrian. O meu inferno é saber que a mulher que é a minha vida está lá em cima, respirando o mesmo ar que eu, mas me odiando com a mesma intensidade com que me fez sentir vivo.
Adrian observou o sacrifício silencioso daquele homem. Ele vira a fúria de Diana e agora via a resignação de Lucca. O Rei sentiu uma pontada de algo que beirava a piedade, mas a honra dos Kane falava mais alto.
— Você escolheu o seu destino no momento em que permitiu que Giulia escrevesse o seu roteiro, Lucca Lâfrer — Adrian sentenciou, virando as costas. — Aproveite a sua eternidade. Diana nunca mais pronunciará o seu nome.
Enquanto os passos do Rei se afastavam, Lucca encostou a cabeça na parede e sussurrou para o vazio:
— Ela não precisa dizer meu nome. Eu o gravarei nas pedras desta prisão, assim como ela o gravou no meu peito.
A porta de ferro da masmorra se fechou com um estrondo final, selando o destino do homem que amou demais a própria mentira, condenado a viver no túmulo de um amor que o ódio não permitia morrer.
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