O Preço da liberdade livro 2
15 O Desmoronar do Trono de Vidro
O salão brilhava como se as próprias estrelas tivessem descido para celebrar o Inverno. O Rei Adrian e a Rainha Mellyssa dançavam ao centro, um retrato de paz e triunfo que o reino não via há décadas. O Rei Pai Alexander e a Rainha Catarina brindavam com a nobreza, enquanto o povo, nos pátios externos, recebia barris de vinho e comida em nome da princesa.
Tudo estava em perfeita harmonia. A ameaça de Giulia Lâfrer era uma lembrança mofada, enterrada sob oito anos de prosperidade.
As portas do Grande Salão se abriram e um silêncio admirado se espalhou. Diana entrou, radiante em um vestido de veludo azul-profundo que parecia capturar a luz das velas. Ao seu lado, Marcos Delavga — o marido perfeito, o conde herói — segurava sua mão com uma devoção que fazia as damas da corte suspirarem.
— Você está deslumbrante — Marcos sussurrou, puxando-a para a pista de dança.
— É porque estou feliz, Marcos. Finalmente sinto que tudo está onde deveria estar — ela respondeu, correspondendo ao passo da polca com a energia travessa de sempre.
Eles giravam, rindo, enquanto Adrian observava de longe, sentindo um raro momento de satisfação plena. Até que o estrondo veio.
As portas principais foram escancaradas novamente, mas não por um convidado. Giulia Lâfrer atravessou o limiar. Ela não vestia trapos; usava o orgulho como armadura. Adrian largou a mão de Mellyssa, o rosto transformando-se em granito instantaneamente.
— Guardas! — Adrian rugiu, avançando. — Tirem essa mulher daqui antes que eu mesmo a jogue no precipício!
— PARE, ADRIAN! — Giulia gritou, sua voz cortando a música como uma lâmina. — Se você me expulsar, terá que expulsar o sangue que compartilha a mesa com você. Se eu sair, o "Conde" sai comigo. Pois o homem que dorme com a sua filha é Lucca, o meu filho! O herdeiro da vingança que você tentou apagar!
O mundo parou. Diana sentiu a mão de Marcos esfriar na sua. Ela olhou para ele, esperando uma risada, uma negação, qualquer coisa. Mas Lucca — o nome que agora queimava seus ouvidos — estava de cabeça baixa.
— Marcos... do que ela está falando? — Diana perguntou, a voz trêmula, o coração começando a martelar contra as costelas.
— Diana, eu... eu ia te contar — Lucca começou, a voz sufocada pelo arrependimento. — Eu vim para destruir, mas eu me apaixonei! Eu reneguei tudo por você!
A Fúria e a Queda
A revelação caiu como uma bomba. Adrian avançou, mas Diana foi mais rápida. O amor que sentia transmutou-se em um ódio puro e incandescente. Ela desferiu um tapa violento no rosto de Lucca, e outro, e outro, batendo no peito dele com os punhos cerrados.
— MENTIROSO! TRAIDOR! — ela gritava, a voz rasgando o silêncio do salão. — Você me usou! Você profanou o meu amor com a sua sujeira! Guardas, levem esse monstro para as masmorras mais profundas! Que ele nunca mais veja a luz que tentou roubar de mim!
Enquanto os guardas arrastavam Lucca, que não lutava, apenas chorava em silêncio olhando para ela, Diana sentiu o ar sumir. Ela arrancou as flores do cabelo, desfazendo o penteado real com gestos bruscos, e correu.
O Abraço do Rei
Nas cavalariças, o som dos soluços de Diana era mais alto que o barulho da chuva que começava a cair. Ela lutava com a sela de seu cavalo, as mãos sangrando de tanto puxar as fivelas com força excessiva.
— Diana! Pare! — A voz de Adrian era firme, mas carregada de dor.
— DÓI, PAI! — ela gritou, caindo de joelhos no feno, virando-se para ele com o rosto transfigurado. — O meu coração... parece que foi arrancado do meu peito! Ele me enganou em cada beijo, em cada promessa! Como eu vou viver com isso?
Adrian não disse nada. Ele apenas se ajoelhou no chão sujo da estrebaria e a puxou para um abraço desesperado. Diana agarrou-se à túnica dele, chorando as lágrimas de uma vida que fora estraçalhada em segundos.
— Eu vou cuidar disso, minha pequena — Adrian sussurrou, os olhos fixos na entrada da cavalariça, brilhando com uma promessa de morte. — Eu vou fazer cada pedaço dessa dor voltar para eles.
Enquanto a Princesa de Aethelgard desmoronava nos braços do pai, o Rei sabia que a paz morrera naquela noite. A guerra entre os Kane e os Lâfrer não era mais sobre terras ou coroas; era sobre o sangue de uma filha traída. E Adrian Kane não teria misericórdia.
Fale com o autor