O Preço da Volta

36 Capítulo 36 - Desespero...


Notas iniciais
Dia de capítulo!! Muito obrigada J Michele Agron pela recomendação magnífica que você escreveu. Eu já falei o quanto fico feliz em ler essas palavras carinhosas e vou continuar falando. Me faz muito feliz entrar aqui e ler tais coisas. Muito obrigada. ♥ Desculpem-me se houver algum erro e boa leitura. =D

A rodovia não estava movimentada. Afinal de contas, Lima era uma cidade pequena e relativamente calma. O índice de acidentes em estradas era quase nulo.

O carro onde as garotas conversavam sobre assuntos aleatórios se movimentava devagar, sem pressa e a paisagem passava calmamente pelos vidros das janelas.

Karofsky vez ou outra participava da conversa, opinando quando lhe era perguntado alguma coisa. Possuía a expressão suave, mas isso logo mudou quando observou um automóvel atrás de si pelo retrovisor.

A faixa ao seu lado estava vazia, assim como grande parte da rodovia, todavia, o segurança não entendeu o porquê do veículo sempre acompanhar sua velocidade e não ultrapassá-lo. Isso o empertigou.

— Algum problema, Dave? — Rachel indagou, observando o semblante sério do segurança.

— Não. Nenhum. — Sorriu, tentando dissipar sua preocupação.

Quando o carro finalmente migrou para a faixa do lado, Karofsky suspirou aliviado, mas a sensação durou apenas alguns segundos quando seus olhos focaram no veículo aumentando a velocidade consideravelmente até estar novamente na mesma faixa de antes, agora na sua frente.

O segurança não teve tempo de discernir quando o carro virou bruscamente em cento e oitenta graus e parou horizontalmente na estrada. Os olhos de Karofsky se abriram em surpresa e ele rapidamente freou o veículo, quase acertando o outro automóvel.

Quinn e Rachel sentiram seus corpos serem jogados para frente, contudo, o cinto de segurança as impediu de se machucarem.

— Dave, o que... — Quinn se pronunciou, mas fora interrompida pelo segurança.

— Vocês duas fiquem aqui dentro. — Ordenou, observando os quatro homens saírem do outro carro.

Rachel apertou a mão de Quinn fortemente quando percebeu os indivíduos usando máscaras pretas, que deixavam apenas seus olhos e boca visíveis. O medo cortava-lhe a espinha ao passar dos segundos.

A mente de Karofsky trabalhava sem parar enquanto observava o relevo na lateral do corpo dos homens, provavelmente causado pelas armas.

— Abaixem! — Proferiu firme.

O pedido fora prontamente acatado e Quinn não hesitou em se livrar do cinto e envolver os braços ao redor da namorada, apertando-a contra seu corpo. O segurança pisou fundo no acelerador, pegando os homens de surpresa e o carro chocou-se contra o corpo de dois deles, jogando-os para longe e acertando a lateral do veículo dos sujeitos.

Quando Karofsky deu ré e estava pronto para acelerar novamente, um dos indivíduos se jogou dentro do carro pela janela, acertando em cheio o cabo da arma em seu rosto, fazendo-o desmaiar na mesma hora.

Rachel soltou um grito assustado e logo sentiu seus olhos marejarem. Logo a porta ao seu lado foi aberta.

— Como vão, senhoritas? — A voz do homem soou em seus ouvidos e Rachel ergueu a cabeça, fitando os olhos azuis do sujeito, que sorria debochado.

— O que vocês querem? — Quinn tentou manter a voz calma. — Se for dinheiro, eu posso providenciar.

O homem soltou um riso anasalado e maneou a cabeça.

— Dinheiro é sempre bem-vindo, mas já seremos recompensados quando levarmos nossa encomenda especial. — Sacou a arma do cós da sua calça.

Rachel sentiu o desespero tomar conta de si e a única coisa que fez foi agarrar mais firmemente o corpo da loira.

Entretanto, isso durou apenas alguns segundos.

A outra porta traseira foi aberta e a morena sentiu o calor do corpo da namorada dissipar-se quando Quinn fora bruscamente arrancada do carro, sendo segurada pelo homem duas vezes maior do que ela.

— Não! — Rachel gritou, vendo a loira se debater nos braços do sujeito que apertava-lhe cada vez mais. — QUINN!

A morena saiu do veículo e correu em direção à namorada, tentando a todo custo soltá-la, todavia, o homem apenas riu e não moveu um músculo dos seus braços ao redor do tronco da loira.

Rachel virou-se com lágrimas nos olhos para falar com o outro sujeito, mas a única coisa que viu fora o pano branco sendo pressionado contra o seu nariz e um braço envolver sua cintura.

A baixinha lutou e tentou não inalar o cheiro forte, mas seus pulmões começaram a queimar sem oxigênio e bastou inspirar algumas vezes para sentir seu corpo amolecer gradativamente.

— Soltem ela! — Rachel ouviu a voz de Quinn ecoando distante. — Rachel! Rachel!

— Quinn... — Sussurrou fracamente, antes de seus olhos pesarem.

Rachel viu apenas o escuro.

...

— Quinn! — Rachel sentou-se bruscamente, gemendo de dor quando sentiu sua cabeça latejar.

— Rachel, meu amor. — A voz de Shelby ecoou e a mais nova sentiu os braços da mãe rodearem seus ombros.

A baixinha ainda sentia a cabeça girando em confusão. Seus olhos fitaram o branco opaco do lugar e ela constatou que não estava em seu quarto.

— Eu tive um pesadelo... — Começou. — A Quinnie...ela... — Rachel interrompeu a própria fala quando observou a expressão triste da sua mãe. — Não! — Os olhos castanhos encheram de lágrimas quando tudo voltou como um flashback em sua cabeça.

— Eu sinto muito, meu bem. — Shelby envolveu a filha em seus braços, enquanto afagava suas costas.

— Como... — A mais nova soluçava. — Como eu vim parar aqui?

— Foi Karofsky quem informou onde vocês estavam. Ele acordou minutos depois do golpe que levou no rosto e ligou para Frannie. — Explicava calmamente. — Você estava deitada no banco de trás do carro e foi sedada com clorofórmio. Vai sentir enjoo durante o dia mas está bem. Eles não fizeram nada com você. Karofsky também já recebeu os cuidados necessários e está no quarto ao lado.

— Eles... — Rachel tentou controlar o choro, passando as mãos pelo rosto para enxugar as lágrimas que caíam sem controle. — Eles queriam a Quinn. Apenas ela. — Voltou a chorar com força.

— Frannie já contatou toda a ajuda necessária e está agora mesmo conversando com eles. Vai ficar tudo bem, meu amor. Eles querem dinheiro e vão devolver Lucy assim que receberem o que desejam. — Consolou, beijando o topo da cabeça da filha.

— Não, mãe. — Balançou a cabeça em negação. A voz saindo quebrada. — Quando a Q mencionou fornecer dinheiro para eles, um dos sujeitos disse que já seriam bem recompensados pela encomenda especial. — Fungou, sentindo o peito doer em preocupação.

Shelby parou por um momento, tentando processar a informação. Não se tratava apenas de um simples sequestro e isso enviou ondas de desespero para o seu corpo. A mulher temia pela nora e pela filha.

— Vamos falar isso para Frannie e os policiais. Eles precisam saber. — Decretou.

Rachel nada disse, apenas jogou-se nos braços da mais velha enquanto chorava copiosamente.

O caso era mais sério do que pensavam.

...

Quando o capuz fora retirado da sua cabeça os olhos verdes piscaram várias vezes tentando habituar-se com o local iluminado. As mãos estavam amarradas, assim como os pés e uma fita isolante a impedia de falar. Seu rosto suava devido ao tempo que passou sentindo o pano cobrindo sua face.

Seu corpo fora jogado sobre o colchão da cama de solteiro e Quinn passou os olhos por todo o local.

Era tudo muito limpo e arejado e a escada na lateral da parede denunciava que aquele local era o porão. Muito provável.

Mas o que mais a surpreendeu foi como tudo parecia ter sido feito com uma previsão adiantada de que aquilo aconteceria. E quando sua visão focou-se na pequena televisão sobre uma mesinha de centro, Quinn se perguntou quem diabos estaria fazendo algo assim. Um sequestrador convencional com certeza não seria.

O homem que há poucos minutos estava carregando-a aproximou-se com um canivete e cortou as cordas que prendiam-na. Quinn passou as mãos por seus pulsos, vendo-os avermelhados e latejando. Suas mãos migraram para a fita em sua boca, retirando-a lentamente.

— Onde Rachel está? — Foi a primeira coisa que perguntou. — O que vocês fizeram com ela?

O homem sorriu trocista e aproximou-se.

— Infelizmente não está aqui. Eu adoraria brincar com aquela pirralha. — Riu em seguida.

Quinn sentiu o sangue ferver e seu corpo entrar em ebulição. O juízo pareceu abandoná-la e sua mente ignorou o fato do homem ser duas vezes maior em altura e largura e seu punho chocou-se contra o rosto coberto pela máscara.

— Lave a sua boca para falar dela, seu imundo! — A loira esbravejou.

A força fora enorme e juntamente com a surpresa o homem cambaleou para trás, pondo a mão sobre o local acertado.

— Você não deveria ter feito isso. — Maneou a cabeça.

Suas mãos cobertas por luvas fecharam-se em punhos e um único soco fora desferido contra a face de Quinn, fazendo-a cair desacordada contra o colchão. Seu olho arroxeando com o passar dos minutos.

— É melhor assim. — Murmurou, retomando a postura e saindo do porão.

...

O sol já havia se posto há quase uma hora e a noite iniciou-se sem que nenhum dos moradores da mansão pudesse perceber. Passaram horas trancados no escritório.

— Parece que não tem fim, sabe? — Rachel pronunciou-se apática. — Primeiro a Q naquele hospital. Sofrendo, com dores e então ela é sequestrada. — Respirou profundamente. — Ela ainda nem está totalmente bem. — Os olhos castanhos marejaram novamente e Brittany logo puxou a amiga para um abraço.

— Eu juro que quando eu pôr as mãos naquela mulher ela vai pagar por tudo. — Santana disse ao lado de Puck, e logo se arrependeu quando recebeu um olhar mortal de Brittany. — Desculpe, Frannie.

— Não se desculpe. — A Fabray respondeu de imediato. — Eu mesma faria isso com ela se eu tivesse coragem. — Suspirou.

— E se... — Puck começou, atraindo a atenção dos demais. — E se os policiais não acharem nenhuma pista no local em que tudo ocorreu? E se fizerem algo com a Q? — Indagou, sentindo o medo falar mais alto que a esperança.

Rachel sentiu o choro aumentar de intensidade e agarrou-se em Brittany mais fortemente.

— Não diga isso! — Kurt o repreendeu. — Se Judy está tramando alguma coisa ela vai entrar em contato logo. — Ponderou.

O rapaz mal terminou de falar quando a porta do escritório foi aberta e Cassandra passou pela mesma com o semblante sério enquanto segurava um envelope retangular branco em mãos.

— Eu acabei de colocar Kate na cama e quando estava vindo para cá um dos seguranças bateu na porta e informou que um garoto deixou esse pacote com ele e saiu correndo. — Entregou o objeto para a esposa.

Frannie agradeceu antes de rasgar o envelope cuidadosamente e retirar do mesmo dois papéis.

Os olhos azuis marejaram assim que a Fabray observou a única fotografia e Cassandra não evitou levar as mãos até boca quando também viu a imagem.

Esse ato não passou despercebido por ninguém, principalmente por Rachel.

— O que tem aí dentro? — A morena indagou, levantando agoniada.

Frannie sentia o coração martelando contra seu peito e as lágrimas já desciam com intensidade. Seu corpo apoiou-se contra a mesa do escritório para dar sustentação.

— Me responda, Frannie! — Rachel exigiu.

— Rachel... — Cassandra tomou a frente. — Eu acho melhor você se acalmar.

— Eu não quero me acalmar! — Rebateu, e sem perder tempo caminhou até a cunhada, arrancando os papéis da mão dela.

Seu coração parou de bater por um momento e Rachel jurou tê-lo sentido quase atravessando sua garganta. A dor voltou de uma forma descomunal juntamente com o choro desenfreado.

Era Quinn. Quinn desacordada. Quinn com sua face machucada e os pulsos vermelhos. Quinn indefesa e completamente sozinha à mercê de pessoas que desejavam machucá-la.

Rachel sentiu-se imponente mais uma vez. Sentiu a tristeza e o desespero dominando cada partícula do seu corpo. Sentiu também o ódio explodindo em seu interior. Sentia as piores sensações eclodindo dentro de si. Ela só queria fazer aquilo parar. Deus! E como queria. Rachel faria qualquer coisa para ver a namorada bem e viverem em paz finalmente.

Seu estado de torpor fora quebrado quando seus olhos migraram para o outro pedaço de papel que ainda segurava em mãos. Rapidamente a morena desdobrou-o e fitou a letra cursiva e delicada no objeto.

Rachel, querida, vamos direto ao ponto.

Acho que você não quer ver Lucy Quinn morta. Portanto, vamos fazer um acordo. Esteja esperando amanhã ao meio-dia no mesmo ponto da rodovia onde tudo aconteceu hoje mais cedo e certifique-se de estar sozinha, caso contrário eu não hesitarei em acabar com a doce e curta vida da sua namoradinha.

Um passo em falso e tudo acabará quando você menos esperar.

Nos vemos em breve. E lembre-se de que eu sempre estou de olho em tudo.

Judy H.

Rachel finalizou a leitura e devolveu os papéis para Frannie, sentindo o corpo mole e sendo logo amparada pelos braços de Kurt, que sentou-a no sofá de couro do escritório. A morena sentia-se hiperventilando e ao mesmo tempo o choro rasgava sua garganta, fazendo sua cabeça girar em pensamentos.

Shelby logo aproximou-se com um copo de água e enquanto Rachel tentava tomar o líquido transparente, os olhos castanhos fitaram seus amigos lendo a carta e observando a fotografia.

Brittany fora a primeira a se entregar ao choro, agarrando-se em Santana, que também tinha lágrimas escorrendo pela sua face. Puck conversava com Frannie e Cassandra em murmúrios.

Sua mente divagou até Quinn novamente e a morena reforçou sua convicção de que faria qualquer coisa pela namorada.

— Eu vou. — Disse, atraindo a atenção de todos.

— Vai...? — Kurt indagou confuso.

— Vou até a rodovia e esperarei o que Judy quer de mim. Eu farei qualquer coisa pela Quinn. Até mesmo morrer, se for necessário.

Notas finais
Espero que tenham gostado. O desfecho final está próximo, então me digam suas opiniões. Favoritem também. Isso me deixa feliz. Bom final de semana. =D twitter.com/yasagron