O Preço da Volta

34 Capítulo 34 - Laços desatados...


Notas iniciais
Dia de capítulo!! Bom, vamos esclarecer algumas coisas. Eu sei que peguei todos vocês de surpresa com o capítulo passado, todavia, a primeira fase dessa fanfic está chegando ao fim. Eu não possuo mais plots para escrever nessa fase que não fossem monótonos. Tudo o que estou imaginando para essa história está ligado à segunda fase, que será a fase adulta. É algo que eu sempre quis escrever. E terá momentos ótimos. Confiem em mim com esse desfecho final que está chegando. Tudo o que estou escrevendo é necessário. Não desanimem pois há muita coisa emocionante. =D Desculpem-me se houver algum erro e boa leitura.

O carro adentrou os enormes portões de ferro após a autorização dos seguranças ao constatarem quem era e Rachel respirou fundo pela quinta, talvez sexta vez naquele fim de tarde.

— Você tem certeza disso, querida? — Shelby tocou sua mão gentilmente.

A mais nova apenas assentiu com a cabeça, observando Puck estacionar o veículo em frente à mansão imponente dos Berry. Rachel respirou profundamente outra vez, não com medo ou receio, mas sim para conter o ódio e repulsa que estava instalado dentro de si.

Kurt foi o primeiro a sair do carro. Diferente de Rachel, ele estava com medo. Medo da reação de Hiram e Leroy ao saber que o plano fora contado. Todavia, ele não se arrependia. Talvez fosse a única coisa em sua vida de que ele não sentia vontade de voltar atrás.

Observou a irmã sair do veículo e caminhou lentamente até a mais nova.

— Você vai me perdoar um dia? — Indagou receoso.

Rachel ergueu os olhos frios para fitar os do mais alto e suspirou longamente.

— Você era cúmplice de um plano para matar alguém. Não só alguém, mas a pessoa que eu amo e me fazer casar com Finn. Você sabe o quão isso é desumano, Kurt? — A morena maneou a cabeça em negação. — Você contou tudo e eu sei que se arrepende, eu sei. Mas vamos com calma. É muita coisa para assimilar.

— Eu sinto muito, Rachel. Eu achei que você iria tomar meu lugar em tudo e por um momento minha ambição dominou meu caráter. Mas saiba que eu não vou desistir de conseguir o perdão de todos vocês.

— Estrelinha! — A voz de Hiram ecoou em seus ouvidos e Rachel virou-se, encarando o homem de óculos sorrindo para si.

A morena apenas forçou-se a sorrir, observando o pai se aproximar e fechar a expressão ao fitar Shelby.

— O que vieram fazer aqui? E como está Lucy? — Questionou.

Rachel sentiu o estômago embrulhar ao ouvir a pergunta. Como alguém conseguia ser tão dissimulado ainda era uma pergunta não respondida em sua cabeça. O nojo apenas aumentava.

— Ela está ótima. Mais viva do que nunca e continuará assim por um bom tempo. — Respondeu, forçando a voz para não sair como um rosnado.

— Rachel, meu bem, aqui não. — Shelby sussurrou em seu ouvido.

— Vamos entrar, sim? — Kurt foi o primeiro a andar em direção à porta de entrada, subindo os poucos degraus.

Rachel passou por Hiram, que olhava-a com a expressão confusa.

— Rach? — Leroy apareceu em seu campo de visão assim que adentrou o hall da mansão. — Veio nos visitar? — Sorriu, aproximando-se e beijando a cabeça da filha.

Rachel afastou-se no mesmo segundo, deixando Leroy com a expressão interrogativa e logo o encarou.

— Eu quero saber o porquê. — Pediu, fechando as mãos em punhos.

— Do que está falando, estrelinha? — Hiram indagou.

— NÃO ME CHAME ASSIM! — Gritou enfurecida, desvencilhando-se do toque de Shelby, que tentou acalmar a filha. — Por que armaram um plano para matar a Quinn? Por que são tão cruéis? — A morena sentia as lágrimas descendo pelo seu rosto, mas logo enxugou-as com a mão rapidamente. Ela não choraria.

— Nós não estamos entendendo, Rach. — Leroy tentou manter a respiração tranquila. — Se acalme.

— Não adianta dissimular. Eu contei tudo. — Kurt proferiu, atraindo os olhares dos pais adotivos.

— Você...você contou? — Hiram indagou, sentindo o sangue gelar aos poucos.

— Ele nos contou tudo. — Puck se pronunciou pela primeira vez.

— Você não tinha o direito de contar! — Leroy esbravejou, se aproximando do rapaz de traços delicados, erguendo a mão.

— Você está maluco? — Rachel empurrou Leroy antes que ele acertasse Kurt. — Vai bater em Kurt porque ele nos contou o quão monstruosos vocês são? Eu estou com tanto nojo de vocês.

— Estrelinha. — Hiram chamou, sentindo os olhos marejados. — Judy armou tudo. E nos coagiu a aceitar. Estávamos fora de si e aceitamos no calor do momento. — Tentou se aproximar, mas Rachel esquivou.

— Vocês são patéticos. — A morena riu em desdém. — Acham mesmo que eu vou acreditar nisso? Vocês armaram para matar uma pessoa inocente. A minha namorada. A pessoa que eu amo. Isso não é um caso simples. É planejar um assassinato. Eu sinto ódio e repulsa ao mesmo tempo. Eu vim aqui apenas para olhar nos olhos de cada um e dizer o quão desprezíveis vocês são. — Engoliu o nó na garganta, se aproximando em seguida e apontando o dedo para Hiram e Leroy respectivamente. — Vocês se merecem. Deus! Como eu gostaria de acabar com vocês. E são meus pais. — Riu novamente em um tom amargo. — Os homens que procuraram por mim durante dezesseis anos. Ou será que tudo não passa de uma mentira?

— Não é mentira, Rach. — Leroy respondeu rapidamente. — Nós procuramos você por todos esses anos e nós te amamos, nós...

— Vocês me amam? — Sorriu irônicamente. — Amor? Vocês realmente querem falar de amor comigo? O que vocês sentem não chega perto do amor de verdade. Se me amassem ficariam felizes em me ver com alguém como a Quinn. Alguém leal, doce, gentil, bondosa. Alguém que vocês nunca serão. E então armam para fazer com que eu me case com o babaca do Finn depois de matar minha namorada? — Passou as mãos pelos rosto. — Vocês acharam mesmo, por um momento, que eu me casaria com ele se algo acontecesse com a Q? — Arqueou as sobrancelhas. Recebeu apenas o silêncio como resposta. — Vocês são mais patéticos do que eu imaginei.

— Nos respeite, Rachel! — Leroy ordenou. — Ainda somos seus pais, apesar de tudo.

— Meus pais? Vocês não são nada pra mim. Nada. São apenas dois monstros sem coração e que nunca mais me verão na vida. — Caminhou até estar cara a cara com os dois. — Não ousem chegar perto de mim, da Quinn e de ninguém que mora na mansão Fabray, porque eu não vou cogitar acabar com vocês se aprontarem qualquer mínima coisa. E avisem à Judy que ela terá o que merece. — Cuspiu as palavras, afastando-se em seguida.

— Rach... — Hiram sentia o gosto salgado das lágrimas que escorriam de seus olhos. — Estrelinha, por favor me perdoe. Seu pai e eu agimos errado mas nós sentimos muito. — Segurou os braços da filha. — Nós amamos você. Isso é a mais pura verdade.

Rachel encarou o pai por longos segundos, sem proferir nada, e o mais velho pôde ver os olhos da filha banhados em decepção e tristeza. Hiram sentiu o coração quebrar-se dolorosamente.

— Eu sempre sonhei em conhecer meus pais, sabe? — Rachel sentiu a visão turva por conta das lágrimas acumuladas. — E quando eu vi vocês pela primeira vez achei que seriam aqueles pais corujas e cheios de amor que fariam de tudo pela minha plena felicidade. Que seriam ótimos sogros para a Quinn. Que tivessem um coração dentro do peito. — Maneou a cabeça em negação, afastando-se do toque de Hiram. — Espero que tenha valido a pena se aliarem ao plano de Judy, porque eu odeio vocês, papais. — Respirou fundo.

Hiram chorava sem se conter. O peito apertava consideravelmente e ele sentiu o próprio veneno adentrar seu corpo. Doía e como doía receber o ódio e decepção da única filha. A filha que procurou por dezesseis anos, e que ao invés de amá-la e aproveitar o tempo que passaram separados, concentrou-se apenas na própria maldade e em armar um plano doentio contra Quinn.

Leroy não estava diferente do marido, todavia, o arrependimento que acometia-lhes aos poucos de nada adiantava. Rachel sentia um ódio e um desprezo inenarráveis dentro do peito.

E isso não poderia ser revertido.

A morena caminhou até Kurt, lutando contra o choro que permanecia preso em sua garganta.

— Você vai ficar aqui? — Indagou com a voz fraca.

— Eu vou conversar com eles. E em seguida irei morar no apartamento que aluguei recentemente quando tomei a decisão de contar tudo a vocês. — Abriu um sorriso pequeno.

— Tome cuidado. — Rachel murmurou.

— Eu tomarei. — Assentiu, tomando coragem e envolvendo Rachel em um abraço.

A morena não se afastou, apenas apertou os braços ao redor dos ombros de Kurt, fechando os olhos em seguida.

— Me ligue se precisar de alguma coisa. — Proferiu assim que se afastaram. — Qualquer coisa. Eu irei correndo ajudar. — Beijou a testa da menor. — E diga à Lucy que seja forte. Judy não fará algo.

— Ela com certeza não fará. Ela vai pagar caro, Kurt. — Afirmou convicta. — Se cuide, até breve. — Sorriu fracamente, saindo pela porta de entrada em seguida.

Rachel manteve o rosto impassível até adentrar o veículo, e apenas quando sentiu os braços de Shelby ao redor de seu corpo, a morena se permitiu chorar, enquanto o carro dava partida para a mansão Fabray.

— Você foi forte, meu amor. Eu estou orgulhosa de você. — A mais velha sussurrou, beijando o topo da cabeça da filha incontáveis vezes.

Rachel nada disse, apenas assentiu enquanto desabava no colo da mãe.

...

Quinn penteava os cabelos lentamente, sentindo as cerdas macias contra os fios curtos. Encarava o próprio reflexo com a expressão apática, sentindo-se parcialmente mais leve depois que decidiu ir para o próprio quarto e tomar um banho para tentar organizar os pensamentos. As lágrimas haviam se esgotado e apenas a tristeza permanecia.

Deitou calmamente sobre a cama, sentindo o dorso latejar minimamente pelo esforço durante o banho. Rachel com certeza sofreria uma síncope quando soubesse que havia feito tal coisa sem sua ajuda.

Fechou os olhos apenas por alguns minutos, ouvindo logo em seguida a porta sendo aberta e o colchão afundar ao seu lado segundos depois. Sentiu o calor de um corpo próximo a si e em seguida um beijo sendo plantado em sua cabeça demoradamente. Sorriu com isso.

Abriu os olhos apenas para encarar os azuis brilhantes da garotinha deitada de frente para si. Kate sorriu, mostrando os dentes incompletos, antes de segurar seu braço e o erguer, aconchegando-se contra seu corpo e apoiando a cabeça em seu peito.

Quinn sentiu o coração esquentar com o ato e apertou a sobrinha, beijando-lhe o topo da cabeça, inalando o cheiro de morango do shampoo infantil da pequenina.

— Tia Lucy. — Chamou sussurrando.

— Sim? — A voz saiu mais rouca do que Quinn esperava.

— Mamãe disse que você 'tá' dodói. 'Ta' doendo, tia Lucy? — Ergueu o rosto, fitando os olhos da mais velha.

Quinn arrastou o corpo com a sobrinha sobre si até se sentar na cama e apoiar as costas contra a cabeceira.

— Está doendo sim, meu amor. Mas vai passar logo logo. — Sorriu fracamente para a mais nova.

— Eu não gosto de te ver doente, tia Lucy. Você tem que ficar forte e cuidar da tia Rach. Você é a super-heroína dela. — Espalmou as mãos pequenas no rosto de Quinn.

A mais velha segurou as mãos da sobrinha e as mordeu levemente, fazendo Kate soltar uma risada e automaticamente fazendo um sorriso surgir em seus próprios lábios.

— Na verdade é sua tia Rach que é minha super-heroína, Kate. Sem ela eu não viveria. Ela sempre cuidou de mim. — Beijou as mãos da sobrinha.

— Não, tia Lucy. — Maneou a cabeça em negação. — Você tem que cuidar dela. Eu ouvi a mamãe e a mama conversando e a tia Rach também não 'tá' bem.

Aquela declaração foi como um banho frio em Quinn. Ela se sentiu mal após as palavras de Kate. Se sentiu egoísta por estar preferindo ser reclusa e se remoer da própria dor do que compartilhá-la com Rachel e sentir as dela também. Afinal de contas, Hiram e Leroy estavam participando do plano patológico e eram pais de Rachel. A morena também estava sofrendo e Quinn quis se bater por um momento quando não ouviu os chamados da namorada ao sair do escritório horas mais cedo.

— Kate, você pode me fazer um favor? — Pediu.

— Posso, tia Lucy. — Sorriu enquanto assentia.

— Pode chamar sua tia Rach e pedir para ela vir aqui com urgência?

A sobrinha assentiu novamente e fez menção de sair, mas Quinn a segurou.

A mais velha beijou-lhe as bochechas e a ponta do nariz, sorrindo em seguida.

— Obrigada, Kate. Eu amo você.

— Eu também te amo, tia Lucy. — Repetiu o gesto da tia, levantando-se e saindo correndo em seguida.

A loira observou a pequenina sair correndo e suspirou, se perdendo em pensamentos por um momento. Quinn não poderia ser fraca. Não agora. Sua dor não poderia sobressair as de Rachel. Ambas sofriam e deveriam se unir ainda mais para partilhar da dor. Quinn definitivamente precisava de Rachel e Rachel precisava dela igualmente. Quinn não ficaria sozinha se torturando.

Sua vida nunca fora fácil. Os insultos do orfanato. Jesse, Madre Abbigail. O período em que passou dormindo em motéis baratos com Rachel e as amigas quando fugiram do Strawberry Field. Os furtos realizados para conseguir comer. Os olhares de repulsa que recebia quando pessoas de classes sociais elevadas olhavam-na com trajes velhos. Quinn não viveu uma vida de conforto e sempre fora forte para si e para Rachel. Ela não fraquejaria novamente. Ela seria forte.

Seu estado de torpor foi quebrado quando a porta fora aberta e Quinn pôde observar a namorada com a expressão chorosa, olhando para si preocupadamente.

Bastou a loira abrir os braços para Rachel jogar a bolsa de ombro sobre a poltrona e retirar o par de sapatos, correndo e pulando sobre a cama, abraçando o corpo de Quinn delicadamente.

A morena inalou o cheiro do sabonete da pele alva e apertou as mãos contra o tecido da blusa de algodão da namorada, enquanto sentia os braços longos ao redor de si.

— Você tomou banho. — Murmurou. — Deveria ter me esperado. Não deveria ter feito esforço. Sua idiota. — Disse. A voz irritadiça, mas não fez menção de se afastar.

— Pare com isso. — Pediu, alisando as costas da namorada. — Eu não estou sentindo dor. Não se preocupe. — Beijou-lhe o topo da cabeça. — Me desculpe por ter me trancado no quarto de hóspedes. Eu estava em um estado de torpor. Você também está sofrendo e eu fui egoísta.

— Você está sofrendo muito mais do que eu, Quinnie. — Rachel ergueu a cabeça, encarando o rosto da namorada. — Mais do que qualquer outra pessoa. Judy é sua mãe e você tem todo o direito de desabar. — Passou os dedos pelo rosto alvo. — Eu te amo e sempre estarei aqui com você.

— Eu não vou desabar, Rach. — Beijou a mão da namorada. — Judy não é minha mãe. Ela apenas me colocou no mundo. Minha mãe foi a Madre Aurora e agora está sendo Shelby. Eu não preciso e nunca precisarei de Judy. Eu tenho meus amigos. Minha irmã. Minha sobrinha. — Sorriu amorosamente. — E eu tenho você, principalmente. Eu não preciso de mais ninguém. — Beijou-lhe a testa.

A morena sentiu os olhos marejarem. Os lábios fartos curvaram-se, formando um sorriso cheio de amor e ela inclinou-se, beijando Quinn lentamente.

— Eu tenho orgulho de você. Da pessoa maravilhosa que você é. Tenho sorte de ser sua namorada. — Distribuiu beijos sobre a face de Quinn, que sorriu sentindo o coração bater mais rápido.

— Eu que tenho sorte de ter você na minha vida, Rach. — Segurou o rosto da morena. — Vamos passar por isso juntas.

— E vamos dar um jeito em Judy. — A morena afirmou.

— Vamos dar um jeito em Judy. — Quinn assentiu. — E vamos seguir em frente. Porque somos fortes e não vamos deixar que alguém destrua nossa felicidade. — Sorriu.

— Eu te amo tanto. — A menor encheu a boca da namorada de selinhos, e Quinn sorriu mais largamente enquanto retribuía.

— Eu te amo muito mais, Rach.

...

O som do telefone tocando ecoou pelo apartamento e Judy caminhou apressadamente até a sala.

— Judy Fabray. — Pronunciou assim que atendeu.

Sou eu. Hiram. — A voz do homem era fraca e levemente rouca.

— O que houve, Hiram? Por que está com essa voz? — Judy indagou confusa.

Kurt contou tudo à Rachel. Sobre o plano inicial. — O homem soluçou. — E agora Rach nos odeia com todas as suas forças.

— Ei! Acalme-se, tudo bem? — A loira sentou-se no sofá. — Eu sempre soube que Kurt era um fraco inútil, mas agora os planos mudaram e não precisa se preocupar. Logo logo Rachel irá se casar com Finn.

Você não entendeu o que eu disse?! — O homem esbravejou do outro lado da linha. — Rachel nos odeia e Leroy e eu estamos arrependidos do que fizemos. Foi doentio, Judy. Lucy é sua filha e isso saiu do controle.

— Hiram, não surte. — Pediu calmamente. — Você e Leroy podem fingir arrependimento e conquistar a confiança de Rachel novamente. Tudo ficará bem e...

Mas nós estamos arrependidos! — O quase gritou. — Nós deixamos nossa ambição subir à cabeça e perdemos nossa única filha e Kurt foi embora de casa. Hoje nossa ficha caiu e percebemos que agimos como monstros. Estamos sozinhos. Leroy e eu estamos fora desse plano e esperamos que você se arrependa disso. Ainda há tempo, Judy.

—Tempo de quê? — A mulher se irritou. — De fingir ser uma boa mãe e aceitar aquela anormal na minha vida? Eu nunca a quis. Eu sempre imaginei um filho perfeito e eu tenho um. Finn está do meu lado. — Passou a mão pelo rosto.

Lucy é uma boa garota e eu estou sofrendo pelo arrependimento. Eu não consigo imaginar que você também não sinta remorso ao deitar para dormir. — Hiram retorquiu em tom inconformado.

— A única coisa que eu sinto é a vontade de me vingar daquela garota. Ela deveria ter nascido normal. No mínimo uma garota com órgãos genitais femininos e não um pênis entre as pernas. — Respondeu friamente.

Você fez inúmeros exames para engravidar, Judy. Tomou incontáveis medicamentos. Lucy sofreu uma condição por conta dos remédios. Deus! Como eu pude ser tão monstruoso? Eu deixei me guiar pela maldade e ignorância e quase matei alguém. Eu não sou assim. — Murmurou a última frase mais para si do que para a mulher do outro lado da linha.

— Então é isso? — A mulher ignorou o argumento de Hiram. — Você e Leroy estão fora?

Estamos fora. Nós nos deixamos ser envenenados por você e quase cometemos um crime. Por favor, Judy, volte a si e pelo menos pare com essa ideia doentia. Não precisa aceitar Lucy, apenas pare de cogitar sua morte. Pela nossa amizade. — Suplicou.

— Nós não temos mais uma amizade desde que vocês decidiram ser inúteis como Kurt e pular fora. Eu não cogito nada, Hiram. Eu faço! E se você e Leroy não estão comigo, estão contra mim, e eu vou destruir vocês dois. — Finalizou entredentes.

Então tente, Judy. — A voz firme de Leroy adentrou seus ouvidos. — Hiram e eu somos donos de uma grife mundialmente famosa e você e Finn não possuem mais nenhuma quantia alta em suas contas. Vamos ver quem vai destruir quem aqui. Você não vai fazer mal a alguém. Não mais. Já chega de maldades.

— Vocês definitivamente não sabem com quem estão lidando. — Eu ainda sou uma Harper. E os Harper possuem mais contatos do que vocês podem imaginar. Estejam atentos, meus queridos. — Não esperou uma resposta e desligou o telefone. — Fracos, inúteis! — Jogou o objeto contra a parede.

— O que houve? — Finn adentrou a sala assustado. — Eu escutei parte da conversa e agora você joga o telefone longe. O que aconteceu?

— Hiram e Leroy estão fora. Kurt contou tudo para Rachel e aquela corja. — Suspirou. — Esteja em pé amanhã bem cedo. Vamos iniciar nosso plano. Iremos acabar com isso de uma vez por todas. — Marchou em direção ao corredor, adentrando seu quarto sem esperar uma resposta de Finn.

Notas finais
Para quem ficou em dúvida ou esqueceu, Harper é o sobrenome de solteira da Judy. Ele fora citado quando Shelby chega em Ohio. No capítulo 14. =D Ah, e me desculpem pelo capítulo longo novamente. Os próximos serão assim, creio eu. O desfecho final da primeira fase está muito próximo e como citei nas notas iniciais, confiem em mim. Comentem o que acharam, exponham suas opiniões, críticas, qualquer coisa. É tudo muito bem-vindo. =D Bom final de semana. twitter.com/yasagron