O Preço da Volta
32 Capítulo 32 - Flashback: ''Seja minha namorada...''
Notas iniciais
Quinn rabiscava algo no caderno aberto sobre sua mesa, enquanto ouvia a voz da Madre Helena explicando algo sobre a história da monarquia da Inglaterra e em como a igreja católica sempre esteve presente na vida da realeza.
Estava finalizando o desenho quando o caderno fora retirado de sua mesa bruscamente.
— De novo?! — A voz de Santana ecoou como um sussurro. — Você sabe que não é boa com desenhos, e esse aí deixou a Hobbit mais feia do que ela realmente é.
— Pare de falar isso! — Ralhou, mantendo a voz baixa e retirando o caderno das mãos da amiga. — Rach não é feia e eu gosto de desenhá-la. Somos amigas. — Deu de ombros.
— Britt, Puck e eu somos seus amigos muito antes da anã chegar e você nunca nos desenhou. — Retorquiu. — Admita que gosta da Rachel. — Sorriu convencida.
— Eu não gosto da Rach. — Bufou irritadiça. — Não do jeito que você gosta da Britt.
A verdade é que Santana havia adquirido um sentimento a mais por Brittany. Ela não saberia explicar como ou quando começou. Talvez quando o garoto cadeirante, Artie, passou a entregar-lhe bilhetes durante as aulas ou quando viu a loirinha beijando a bochecha do mesmo enquanto conversavam. A sensação de ciúmes fora a pior que já sentira, juntamente com o estômago revirando. Como se não bastasse isso, a latina não conseguia abraçar Brittany sem sentir seu coração bater descompassado ou até mesmo observar-lhe sorrir docemente e sentir-se na obrigação de sorrir também. Tudo havia aflorado e Santana não sabia o que fazer.
Então de repente a latina passou a observar como Quinn também havia ganhado sentimentos extras para com Rachel há algum tempo e desde então não parava de tentar convencer a amiga de que seus sentimentos pela baixinha não eram apenas de amizade.
— Eu tenho um terceiro olho, Q. Sou latina e isso faz de mim quase feiticeira então não me engane. — Sorriu marota. — Eu sei como você fica quando a Hobbit te abraça ou quando beija sua bochecha. Sei também como você se sentia quando o panaca do Jesse aproximava-se dela, e agradeço todos os dias por ele não estar mais aqui. — Concluiu.
Quinn apenas encarou o caderno perdida após as palavras da amiga. Ainda sentia-se mal pelas frases que havia ouvido de Jesse quando o garoto descobriu sobre sua intersexualidade. Tofas ainda atormentavam-na durante o sono.
''É por isso que seus pais não quiseram você! Porque é uma anormal.''
''Aberração! É isso o que você é!''
''A Rachel não merece uma esquisita como amiga.''
Fechou os olhos com força, lembrando de como passou dias isolada em um estado de tristeza profunda que se resumia em chorar e se sentir machucada, e lembrou-se principalmente que Rachel apenas saiu do seu lado quando tinha de fazer seus deveres obrigatórios, sempre dormindo consigo na mesma cama enquanto lhe contava histórias.
Santana e Puck encarregaram-se da vingança, levando Jesse à força até o jardim e o prendendo na árvore, deixando por conta das outras crianças darem-lhe o castigo merecido por todas as vezes que o garoto destruiu seus brinquedos ou xingou-lhes de nomes feios.
Jesse saiu machucado e foi transferido para outro orfanato para não causar mais problemas. As crianças do Strawberry Field não eram ingênuas. Não passavam de almas tentando encontrar uma família disposta a darem-lhe amor e um lar, e além de conviver com o trauma da falta dos pais, ter que lidar com um garoto que deixava seus dias piores não ajudava em nada.
E assim como a amiga, Quinn via-se sempre suspirando quando observava Rachel de longe, lendo com a expressão concentrada ou brincando e soltando gargalhadas que faziam o coração de Quinn bombear com mais intensidade dentro do peito. Os abraços eram a melhor hora do seu dia. O corpo pequeno encaixado no seu fazia uma onda de sentimentos explodirem em cada lugar dentro de si.
Abriu os olhos novamente e encarou o desenho levemente mal feito, todavia era possível reconhecer a morena nele.
— Eu não posso gostar dela. — Sussurrou. — Ela nunca gostaria de mim desse jeito.
— E por que não? — A latina irritou-se. — Você é incrível. É uma pessoa maravilhosa, e bondosa, até demais às vezes. Pare de se por pra baixo. Faça alguma coisa. — Revirou os olhos.
— Então faça também! — Retorquiu, desviando o olhar para observar a Madre, que escrevia algo no quadro, olhando a amiga novamente em seguida. — Britt pode acabar gostando do Artie. Ele é um garoto legal.
— Eu sou mais legal do que ele! — Apertou a mão em punho. — Eu já sei o que devemos fazer.
Quinn franziu as sobrancelhas e passou a escutar a latina com atenção.
...
— Vocês estão malucas! — O garoto de moicano passou as mãos pelo rosto.
— Não estamos malucas. — Santana cruzou os braços. — Gostamos delas.
— Vocês têm apenas doze anos. Não sabem o que é gostar. Deve ser algo apenas passageiro. — Puck retorquiu, sentando na beira da cama.
— Não é passageiro. — Quinn pronunciou-se. — Eu sinto coisas pela Rach já faz algum tempo. — Murmurou a última parte, sentindo o rosto esquentar. — Sant também sente pela Britt.
— Tudo bem. — O mais velho suspirou. — E elas sentem a mesma coisa? — Arqueou as sobrancelhas.
Quinn encarou a amiga, buscando uma resposta com o olhar, mas Santana apenas deu de ombros.
— Não sabemos. — A latina passou a mão pelos cabelos escuros.
— Então vocês pretendem pedi-las em namoro sem saber se elas gostam de vocês desse jeito? — Revirou os olhos. — E se elas não aceitarem? Como a amizade de vocês irá ficar?
— Não pensamos nisso. — A loira sussurrou para a amiga, sentindo a esperança esvair de seu corpo.
— Ei! Nós vamos conseguir. — Santana segurou os ombros de Quinn. — Se elas não aceitarem, nós superaremos juntas. — Assegurou.
— Eu não quero perder a amizade da Rach. — Quinn murmurou triste. — Eu não conseguiria...
— Você não vai. — Santana cortou a fala da amiga. — Eu também não quero perder a Britt, mas não podemos ficar sentindo essas coisas em segredo. Vamos conseguir. — Sorriu.
— Vamos conseguir. — Quinn sussurrou ainda um pouco incerta.
— Isso mesmo. — A latina piscou o olho, virando-se para Puck em seguida. — Você vai nos ajudar ou não?
— Certo. — Suspirou resignado. — Vou ajudar. Do que precisam?
A latina sorriu marota e sentou-se de frente para o garoto juntamente com a loira, passando a contar o que pretendiam fazer.
Quinn por outro lado apenas pensava em Rachel. Estava correndo um risco imensurável em fazer isso. Se a morena a recusasse, Quinn não conseguiria mais olhar para ela sem sentir-se profundamente envergonhada, além da tristeza que sentiria em não ser correspondida.
Rachel tinha que aceitar. Quinn esperava isso do fundo do coração.
...
A loira observou o sol diminuir de intensidade e o frio aumentar gradativamente enquanto o fim de tarde marcava presença lentamente.
Aumentou os passos, quando fora parada por uma voz feminina.
— Quinn! — A garota de cabelos cacheados avermelhados aproximou-se sorrindo.
— Oi, Brooke. — Saudou, sorrindo gentil.
— Você tem a trilogia de O Senhor dos Anéis, não é? — Indagou com os olhos brilhando.
— Sim, eu tenho. — Assentiu. — Por quê?
— Você poderia me emprestar? — Juntou as mãos uma na outra. — Por favor, Quinn. — Choramingou.
— Eu não sei se posso. — Comprimiu os lábios. — Santana e Puck também são os donos. — Coçou a nuca.
— Eu prometo que devolvo sem nenhum arranhão. — Aproximou-se mais da loira, segurando-lhe as mãos. — Eu estou louca pra ler, Quinn. Não seja má. — Suplicou com os olhos pidões.
Quinn suspirou e assentiu. Por que ela nunca conseguia negar nada à ninguém?
— Você pode passar depois no meu quarto. Eu empresto, mas prometa que vai cuidar bem deles. — Pediu.
— Eu prometo. — A ruiva sorriu largamente. — Muito obrigada, Quinn. — Beijou-lhe as bochechas demoradamente, fazendo o rosto da loira ganhar uma coloração avermelhada.
Quinn apenas assentiu e observou a garota sair saltitante até adentrar o prédio principal.
A loira coçou a nuca novamente e adentrou no local logo atrás, subindo até o corredor de quartos e logo adentrando o de numero quarenta e quatro.
— Oi, Rach. — Sorriu involuntariamente ao observar a baixinha de costas, olhando pela janela.
— Oi, Quinn. — Respondeu secamente, fazendo a maior franzir as sobrancelhas. Rachel nunca a chamou assim.
— O que houve? — Aproximou-se. — Você está bem? — Tocou o ombro da morena.
— Eu estou ótima. — Virou-se de supetão, fazendo a mão da loira sair de seu ombro. — E você deve estar melhor ainda, já que ganhou beijos na bochecha da Brooke. — Riu em desdém.
Quinn contorceu o rosto em confusão e engoliu em seco.
As pupilas de Rachel estavam dilatadas e ela respirava profundamente. O ciúmes tomava conta de cada partícula de si, e a morena não sabia como agir. Era tudo novo demais, e a sensação era desagradável.
— Você coçou a nuca! — Apontou o dedo na face da maior. — Você sempre coça a nuca quando está nervosa. Você gosta dela, Quinn? Ela vai ser sua namorada? — Indagou irada.
— Não, Rach. — A loira negou com a cabeça, dando um passo pra trás e vendo a menor andar um pra frente. — Ela veio me pedir emprestado a trilogia de O Senhor dos Anéis. Só isso. — Respondeu tentando assimilar as coisas.
— E por que ela tinha que beijar seu rosto? Ou se aproximar demais? — Aproximou-se da maior, gesticulando enquanto falava. — Aposto que daqui a algum tempo você vai estar flertando com ela assim como Puck flerta com as outras garotas daqui. Você não presta, Quinn! — Rosnou, desferindo tapas pelos braços da loira.
— Rach, para com isso. — Segurou os pulsos da menor. — Eu não gosto da Brooke. E não vou flertar com ela. — Comprimiu os lábios. — Você está com ciúme?
— Eu... — A morena puxou os braços para longe do aperto de Quinn e cruzou os braços. — Nós somos melhores amigas e eu acho que tenho o direito de cuidar de você. A Brooke não é uma garota que te mereça. — Finalizou, engolindo o nó na garganta.
— Mas a Booke não é má pessoa. — Coçou a nuca. — Ela é legal, Rach. Se você conversasse com ela saberia.
A morena trincou o maxilar e sentiu o corpo esquentar de raiva. Passou por Quinn batendo seu ombro no da loira, fazendo-a cambalear.
— Fique com ela, então. — Proferiu e pôs a mão na maçaneta. — Ela será uma ótima namorada pra você no futuro. Sua idiota! — Saiu em seguida, batendo a porta com força.
Quinn continuou estática no meio do quarto, tentando entender o que havia acabado de acontecer. Sua mente ainda estava assimilando tudo o que Rachel havia falado.
A porta fora aberta de repente e a loira rapidamente migrou os olhos para a entrada, achando ser a morena, todavia Santana adentrou o quarto com a expressão confusa.
— O que aconteceu? Eu vi a Hobbit sair voando daqui e ela nem se deu ao trabalho de responder quando eu falei com ela. — A latina aproximou-se curiosa.
— Bom...Nem eu sei o que aconteceu na verdade. — Sentou-se na beirada da cama. — Rach viu a Brooke beijando minha bochecha e explodiu sem motivo. — Suspirou.
— Então a anã estava com ciúmes! — Proferiu efusiva. — Isso é perfeito. Ela sente algo por você. — Sentou-se ao lado da loira.
— E se for ciúme de amiga? — Indagou tristonha.
— Não existe ciúme de amiga só porque uma garota beijou sua bochecha. — Revirou os olhos. — Ela gosta de você. Agora vamos nos encontrar com Puck porque já está anoitecendo.
Quinn apenas assentiu e suspirou, levantando-se e saindo do quarto. Ela realmente não conseguia convencer-se de que Rachel aceitaria namorar consigo. Na sua cabeça era uma realidade utópica ter a morena como sua namorada, todavia ela não voltaria atrás. Não agora.
...
— Eu não quero mais fazer isso. — Quinn sussurrou enquanto subia as escadas. — A Rach não falou comigo o resto do dia e ela não vai aceitar.
— Não me venha com essa agora. — A latina ralhou sussurrando. — Já está tudo pronto.
— Você pode ir. Britt com certeza vai aceitar. Não quero quebrar o momento de vocês quando a Rach disser não. — Suspirou.
— Eu vou jogar você dessa escada se não calar essa boca, rubia! — Esbravejou. — Talvez assim você entenda de uma vez por todas que a Hobbit vai aceitar namorar com você.
— Mas...
— Mas nada, Q. — Cortou a loira. — Vamos logo. — Puxou a amiga pela mão, adentrando o quarto de ambas.
Quinn ainda hesitou alguns segundos antes de caminhar até a cama de Rachel e balançar a baixinha delicadamente, até acordá-la aos poucos.
— Hmm...Quinnie? — Murmurou sonolenta. — O que houve? Você está bem? — Indagou coçando os olhos.
— Eu estou bem, Rach. — Sorriu docemente. — Você pode vir comigo?
— Ir com você pra onde? — Questionou erguendo as sobrancelhas. De repente a raiva voltando. — Não quero ir.
— Por favor, Rach. — Suplicou. — É importante. — Olhou para a cama ao lado, onde a latina falava com Brittany.
— Rach, vamos. — Brittany pronunciou-se. — Eu sei que você vai ficar curiosa e deve ser importante.
A morena suspirou e olhou para Quinn, que encarava-lhe com os olhos pidões. Rachel sentiu o coração amolecer e assentiu, levantando-se e vestindo o casaco por cima do pijama de mangas longas.
— Ahn...vocês vão ter que usar isso. — A latina mostrou o objeto.
...
— Nós podemos olhar agora? — Brittany indagou, sentindo a venda tampar-lhe os olhos.
— Estamos quase lá. — Santana respondeu, guiando-a com o braço em torno da sua cintura.
Quinn andava segurando Rachel pela base das costas delicadamente, parando segundos depois e movendo-se até estar de frente para a menor.
— Pronto. — A loira tentou sorrir, mas seu corpo suava de ansiedade, mesmo com o frio da noite.
A mão pálida foi de encontro a venda e retirou-a do rosto de Rachel ao mesmo tempo que a latina tirou a de Brittany.
Ambas piscaram algumas vezes para enxergar com mais nitidez e a loirinha logo levou as mãos à boca quando viu o lugar decorado simples, mas não perdia sua beleza.
As velas estavam dentro de copos para não apagarem, espalhadas em volta do banco de madeira, assim como as flores diversas, que faziam contraste com suas cores vibrantes sobre a camada leve de neve branca.
— Nós...hm... trouxemos vocês aqui porque queremos falar umas coisas. — Quinn segurou delicadamente os braços de Rachel, que mantinha-se estática, guiando-a até o banco e a sentando no mesmo, ao lado de Brittany, que já havia sentado com a ajuda de Santana.
— Eu...eu não sei o que falar. — A loirinha murmurou ainda surpresa.
— Apenas escute, Britt-Britt. — Santana sorriu amorosamente.
— Eu deveria ter escrito alguma coisa. — Quinn sussurrou para a latina. — Eu estou suando.
— Você não é a única. — Santana sussurrou de volta. — Fale o que vier no coração.
— Eu gosto de você, Rach. — Quinn murmurou de repente e talvez rápido demais, tomando uma respiração longa em seguida e aproximando-se da morena. — Eu gosto de você já faz algum tempo. Eu...eu não sei como aconteceu, mas eu sinto coisas diferentes e eu...gosto realmente de você. — Sentiu o rosto esquentar gradativamente.
— Eu também gosto de você, Britt. — A latina pronunciou-se, olhando para a loirinha de olhos azuis. — Eu acho que gosto de você desde os dez anos, mas recentemente eu estou gostando mais e isso só aumenta. Eu não sei como agir com tudo isso. Nós somos novas, mas eu não posso ter só a sua amizade. — Santana respirou fundo.
— Nós...nós não temos pais, mas não estamos sozinhas...eu nunca deixaria você sozinha. — Quinn encarava os olhos marejados de Rachel. — Eu vou ficar com você pra sempre. Mesmo que você me mande embora ou que briguemos. Eu sempre vou estar aqui quando você precisar e desejar. Como sua família. E...sua namorada. — Sorriu nervosamente. — Seja minha namorada, Rach. — Pediu, sentindo todo o ar sumir de seus pulmões.
— Eu quero estar com você em todos os momentos da sua vida, Britt. E quero ser a pessoa que vai fazer você sorrir mesmo quando o mundo estiver triste. Eu não sei se você sente a mesma coisa, mas eu quero que você namore comigo. Você quer, Britt? — A latina encarou profundamente os olhos azuis avermelhados.
Brittany já chorava, e não demorou nem dez segundos para a loirinha levantar-se e pular sobre Santana, derrubando-a sobre a neve e beijando-lhe os lábios um pouco desajeitada.
A latina sentiu o corpo explodir em felicidade e retribuiu, beijando pela primeira vez, e beijando quem ela realmente gostava. Os lábios apenas conheciam-se e exploravam-se com o sentimento que as rodeava.
Rachel também chorava, e Quinn sentia-se suando a cada segundo. O nervosismo presente em cada célula de seu corpo. A morena não respondia nada e isso estava torturando-a mais e mais.
De repente os lábios fartos abriram-se em um sorriso tão iluminado quanto a lua que brilhava imponentemente no céu, mesmo com o frio da noite.
E o coração de Quinn saltou em antecipação.
— Eu também gosto de você. — A morena levantou-se, aproximando-se e enlaçando seus braços no pescoço pálido, colando seu corpo no de Quinn.
A loira sentiu todo o peso sair de seu corpo ao ouvir aquilo e rodeou os braços na cintura da morena, apertando-a contra si.
— Eu aceito namorar com você, Quinnie. — Murmurou, encarando os olhos verdes brilhantes. Não muito diferente dos castanhos.
— Você...você realmente aceita ser minha namorada? — Perguntou ainda sem ter certeza. Seu cérebro processava cada palavra proferida pela baixinha. — Você não está se sentindo pressionada, está? Você não está com pena de recusar e só por isso aceitou, ou está? — Disparou ainda insegura.
Rachel negou com a cabeça repetidas vezes, antes de segurar o rosto da maior entre as mãos firmemente.
— Eu gosto de você desde o mês passado. Eu achei que você não sentia o mesmo e ver você hoje com Brooke me fez sentir ciúmes, e é horrível. Me desculpe se agi como louca. Eu gosto de você, Quinnie. Eu nunca recusaria ser sua namorada. — Pincelou seu nariz no da loira, sentindo-os gelados pela temperatura baixa do ambiente.
— Eu...posso te beijar? — Questionou sorrindo bobamente.
— Você já deveria ter feito isso. — Sorriu genuinamente.
Quinn retribuiu o sorriso, antes de aproximar-se vagarosamente e selar seus lábios nos da menor.
Descrever o que ambas sentiram talvez fosse impossível, mas a famosa frase de fogos de artifício talvez se igualasse com a sensação de finalmente beijar os lábios de quem desejava há muito tempo. Tudo parecia estar em câmara lenta, como se o mundo houvesse parado apenas para contemplar algo divino acontecendo. Talvez duas almas que selavam-se em um pacto silencioso de cumplicidade pelo resto da vida.
Os lábios grossos de Rachel tinham o melhor gosto do mundo. Não havia língua. Apenas as bocas explorando-se ainda timidamente. Era intenso e delicado. Rachel sentia o coração batendo como um louco, e talvez pudesse ter uma parada cardíaca a qualquer momento. Mas ela não se importaria em morrer naquele instante. Ela sentia uma felicidade inigualável.
Quinn não estava diferente, e quando separaram-se, a loira colou sua testa na de Rachel, fechando os olhos e aspirando o cheiro suave que emanava da namorada.
Namorada.
Rachel era sua namorada.
Sorriu com o pensamento e abriu os olhos, encarando os castanhos brilhantes de felicidade.
— Você é minha namorada. — Sorriu largamente.
— Eu sou sua namorada, Quinnie. — Deu-lhe um selinho tímido. — E você é minha namorada. — Afundou o rosto no peito da maior, apertando-se contra a loira como um coala.
Quinn desviou os olhos para as amigas, que trocavam carinhos sentadas no banco. Seus olhos encontraram os de Santana e a latina piscou para si com um sorriso que não cabia no rosto. A loira retribuiu sentindo-se no mesmo estado de felicidade.
— Pra sempre, Rach. — Quinn sorriu, beijando-lhe o topo da cabeça.
— Pra sempre, Quinnie. — A morena murmurou sorrindo.
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