O Preço da Volta

28 Capítulo 28 - Uma família de verdade...


Notas iniciais
Dia de capítulo! Eu avisei que tentaria postar quarta-feira, todavia, não foi possível. Me desculpem. Desculpem-me qualquer erro e boa leitura. =D

— Olha só, Q!

A latina aproximou-se marota segurando o cartão retangular branco com as pontas douradas.

— Lucy, estimamos melhoras. Logo mais iremos visitá-la e prestar nossa solidariedade. As portas da nossa casa sempre estarão abertas para você. Desejamos uma rápida e saudável recuperação. — Santana lia enquanto andava pelo quarto sob o olhar da amiga.

— De quem são? — Indagou curiosa.

— São dos seus sogros. — Sorriu em gracejo, colocando o cartão de volta ao ramalhete de flores. — Não completou nem dois dias que você foi transferida para um quarto e isso aqui parece uma floricultura. — Deslizava a ponta dos dedos pelas pétalas das flores. — Puxa-sacos.

— Pare com isso. — Quinn sorriu divertida. — Admita que está com inveja de tudo o que estou recebendo. — Arqueou a sobrancelha.

— Quem deveria estar com inveja é você. — Virou-se, segurando uma caixa redonda de tonalidade escura. — Acho que alguém pensou que era o dia dos namorados e mandou também esses bombons. — Aproximou-se. — Mas você não pode comer então eu farei isso por você, Q. — Piscou o olho enquanto sorria.

— Você é uma idiota. — A loira ralhou, revirando os olhos.

A latina soltou uma risada e pôs um dos bombons na boca, emitindo um barulho de contentamento em seguida.

— Hum, estão deliciosos, Q. — Sorriu marota após mastigar e engolir.

— Por que eu sou sua amiga mesmo? — Passou as mãos no rosto. — Saia daqui. — Empurrou a latina com o pé, que estava sentada na beirada da cama.

Santana quase reagiu, mas o impacto de seu corpo caindo contra o chão foi ouvido e Quinn segurou o riso para não sentir dor.

A latina levantou com a expressão raivosa, massageando o traseiro.

— Quando você sair daqui e estiver bem, voy a matarte, perra. — Apontou o dedo na direção da loira, que sorriu inocente.

— O que houve aqui? — A voz de Rachel ecoou por todo o quarto assim que a baixinha abriu a porta, adentrando o local com Brittany.

— A sua namorada me empurrou com o pé e eu caí no chão. — Acusou.

— Santana estava comendo chocolate na minha frente e me provocando com isso porque não posso comer. Eu só queria fazê-la parar. — A loira fez um biquinho nos lábios finos.

— Oh, meu amor. — A morena correu até a cama, segurando o rosto pálido entre as mãos e depositando inúmeros beijos pelo rosto da namorada. — Quando você puder comer alimentos sólidos novamente eu comprarei quantos chocolates você quiser. — Deu-lhe um selinho demorado. — E você. — Virou-se para encarar a latina. — Pare de irritar a Quinnie ou meu pé vai acertar o local já dolorido.

Santana abriu a boca incrédula, enquanto Quinn sorria e recebia mais beijos de Rachel.

— Britt. — Virou-se para a loirinha. — Me defenda. — Choramingou.

— Sant, a Q acabou de sair da UTI e acordou há apenas poucas horas. Pare de irritá-la. — Revirou os olhos, retirando a caixa de bombons da mão da namorada e entregando-lhe a embalagem de comida. — Trouxe o café da manhã pra você.

A latina fechou a expressão e sussurrou um ''Você me paga'' na direção de Quinn, que apenas piscou o olho enquanto sorria.

...

O pequeno ser puxava a mão de Frannie enquanto andava na direção do quarto cento e vinte e oito, parando apenas para esperar a mãe abrir a porta.

Shelby e Cassandra sorriam enquanto observavam o embrulho quase do tamanho de Kate preso sob seu braço livre.

— Lembra do que nós conversamos, meu amor? — Frannie olhou para a filha, que assentiu com a cabeça freneticamente.

— Tia Lucy está dodói e eu não posso pular em cima dela porque senão ela vai ficar mais dodói. — Respondeu convicta.

— Exatamente. — Cassandra concordou. — Apenas abrace ela levemente, tudo bem?

Kate assentiu novamente e Frannie sorriu, abrindo a porta em seguida.

A pequenina correu para dentro do quarto, mas diminuiu os passos assim que chegou perto da cama alta.

— Tia Lucy! — Chamou animada.

A mais velha desviou seu olhar do de Rachel e encarou a sobrinha sorrindo largamente para si, trajando ainda o uniforme da escola no pequeno corpo.

— Olha isso! Uma princesa veio me ver. — Sorriu docemente, enquanto Frannie aproximava-se e erguia a pequena em seus braços, pondo-a sentada na cama ao lado de Quinn.

Kate hesitou um pouco antes de inclinar-se e abraçar a tia com cuidado, enlaçando seus bracinhos no pescoço pálido.

Quinn sorriu e envolveu o corpo menor, apertando levemente a garotinha.

— Nossa, isso aqui parece uma floricultura. — A irmã comentou observando as flores, variando de rosas até girassóis.

— Eu disse exatamente a mesma coisa mais cedo. — A latina comentou sentada no sofá de dois lugares ao lado de Puck.

— Eu trouxe um presente, tia Lucy. — Kate comentou efusiva, entregando o embrulho colorido para Quinn.

A mais velha sorriu e agradeceu a sobrinha, abrindo a embalagem com cuidado, deparando-se com um cordeiro de pelúcia.

— É lindo, Kate! Muito obrigada. — Quinn passava a mão pelo corpo do animal encantada.

Shelby aproximou-se da cama e beijou a testa de Rachel, que estava sentada na poltrona e em seguida inclinou-se, beijando demoradamente a testa de Quinn.

— Eu fiquei muito aflita quando soube de tudo. — A Corcoran passou a mão pelo rosto de Quinn. — Eu quero que você saiba que é como uma filha pra mim e não importa se Judy a colocou no mundo, eu quero que conte comigo como uma mãe. — Beijou-lhe a mão enquanto sorria.

Quinn sorriu com os olhos marejados e observou o carinho que Shelby transmitia através das palavras. Desviou a atenção para Santana, Puck e Brittany, que estavam sorrindo para si. Observou também a irmã e a cunhada, parando os olhos em Kate, que repousava a cabeça em seu ombro e deslizava a pequena mãozinha pelo cordeiro de pelúcia. Seu olhar fixou-se em Rachel logo depois, que tinha o semblante cheio de amor e sorria largamente.

Quinn não precisava de Judy, porque todos ali eram sua família. Uma família de verdade.

...

A loira conversou durante quase uma hora com Frannie, Cassandra e Shelby, sempre dando atenção quando Kate comentava algo sobre a escola. Era quase fim de tarde quando todos foram embora e sobrou apenas a namorada e os amigos.

— Acho que vou ficar doente e vir para o hospital. Aposto que ganharei muitas flores e posso me aproveitar disso. — Sorriu.

Quinn soltou uma risada contida enquanto observava o amigo lendo os cartões presos nas embalagens.

— Você querendo ganhar flores, Puckerman? Desde quando ficou sentimental? — A latina alfinetou enquanto segurava o controle e zapeava entre os canais da televisão.

Rachel soltou uma gargalhada acompanhada de Brittany e Quinn quase fez o mesmo, mas a mão da morena cobriu-lhe a boca quando a loira fez a menção de concluir o gesto pensado.

— Não force seu corpo, Quinnie. — Ralhou tentando cessar o riso.

Quinn assentiu, puxando a namorada para que ficasse mais perto de si.

— Vocês me dão diabete. — Puck comentou, sentando no braço do sofá. — E respondendo a sua pergunta, Satã, eu quero ganhar flores apenas para conseguir o telefone de algumas garotas. — Respondeu.

— Onde está o seu charme, Puck? — Brittany indagou marota. — Você não precisava ficar doente para ter uma garota diferente com você toda semana. — Sorriu.

— Aqui é diferente. — Coçou a nuca. — Já tentei cair matando em algumas garotas da empresa, mas ainda não tive sucesso.

— Parece que a mudança de país tirou também seu charme. — A latina comentou zombeteira, fazendo o amigo revirar os olhos.

— Espero que você encontre alguém para ter algo sério. — Rachel disse — Você precisa de alguém que faça você sentir amor, além de atração. — Sorriu.

— Eu não quero ficar em uma coleira como vocês quatro. — Fez uma careta. — Não sou desses.

— Quando menos esperamos, alguém pode aparecer, Puck. — Quinn sorriu para o amigo.

A latina selecionou um canal que transmitia um filme qualquer e todos prestaram atenção na televisão, enquanto Rachel repousava a cabeça no ombro da namorada.

...

Os amigos saíram do quarto prometendo voltar no dia seguinte após a enfermeira aparecer alegando que estava anoitecendo e Quinn deveria fazer sua higiene.

O processo fora demorado e um pouco doloroso. A Fabray sentia suas pernas fracas e quase não aguentou seu peso, sendo necessário ter de chamar outra enfermeira para segurá-la enquanto a primeira retirava todos os equipamentos de seu corpo, mantendo apenas a sonda ligada em um balão portátil que acompanhou a loira até o banheiro para se lavar.

O local onde ficava o fígado latejava. Não era uma dor intensa, todavia, incomodava e Quinn desejava voltar para cama enquanto sentia o corpo cansado à medida que os segundos passavam.

Seu rosto praticamente pegou fogo quando as roupas hospitalares foram descartadas do seu corpo. Ela encarava o chão o tempo todo e sentia o olhar de Rachel sobre si a todo momento.

A morena aproximou-se assim que o banho fora iniciado e logo tomou o lugar da segunda enfermeira, alegando que conseguia suportar o peso de Quinn.

E de fato Rachel não teve grandes dificuldades. A loira estava mais magra e um tanto quanto mais leve. Ainda pesava, mas não era impossível segurá-la com o auxílio da enfermeira de meia-idade ao seu lado que sorria gentilmente.

As suas bochechas estavam com uma tonalidade avermelhada, enquanto sentia a mão de Rachel passando delicadamente o sabonete neutro em seu corpo sob a orientação da mulher.

Quando as mãos de Rachel alcançaram suas partes intimas Quinn engasgou levemente, tentando não pensar em coisas impuras naquele momento. Ainda era uma adolescente com hormônios fortes e que não havia tido contato sexual por um tempo considerável no final de tudo.

Rachel não demorou muito naquela região por ela própria estar sentindo o corpo levemente quente, e logo finalizou o banho da namorada, enxugando-a com a ajuda da enfermeira e vestindo-a com uma das cuecas trazidas pelas amigas e uma nova roupa hospitalar por cima.

Quinn agradeceu mentalmente quando suas costas bateram contra o colchão e sua cabeça repousou no travesseiro levemente inclinado, sentindo a dor no tronco dissipando-se gradativamente.

A enfermeira ajustou todos os equipamentos e aplicou o remédio diário em seu soro, retirando-se do quarto quando se certificou de que tudo estava bem.

Rachel logo deitou-se ao seu lado após ela mesma tomar banho e repousou a cabeça em seu ombro, segurando o livro favorito de ambas nas mãos.

— Eu quero muito sair daqui. — Murmurou.

— E você irá. Sei que está louca para deitar na nossa cama. — Sorriu, beijando-lhe a bochecha.

— Também. Mas eu quero muito mesmo é agarrar você para fazermos sexo selvagem. — Respondeu marota.

Rachel afundou o rosto no pescoço de Quinn, enquanto gargalhava de maneira abafada, fazendo a loira sorrir.

— Como você é idiota. — Passou as mãos pelo rosto vermelho por conta do riso.

— O quê? Vai me dizer que não quer fazer sexo selvagem? — Pôs a mão no peito se fingindo de ofendida.

— Quero, mas mais do que isso, quero que você saia logo desse hospital para que possa fazer pra mim aquele chocolate quente que só você sabe fazer. — Passou a língua pelos lábios.

— Nossa, você é muito interesseira, senhorita Berry. — Revirou os olhos.

— Namoramos desde os doze anos, senhorita Fabray. — Aconchegou-se novamente contra o ombro da namorada. — Algo de interesse temos de ter. — Riu sapeca.

— Eu te amo mesmo sendo interesseira. — Sorriu.

— Eu te amo mesmo sendo idiota. — Beijou-lhe o pescoço. — Está pronta para O Pequeno Príncipe? — Indagou animada.

— Com você eu sempre vou estar pronta.

Rachel sentiu o coração saltar levemente e ergueu o rosto, sorrindo para a namorada genuinamente, sendo correspondida na mesma intensidade.

— Para sempre. — A morena sussurrou.

— Para sempre. — Quinn deu-lhe um selinho.

Rachel voltou para a posição anterior e iniciou a leitura.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Comentem, favoritem. Me digam o que acharam. Bom final de semana. =D twitter.com/yasagron