O Preço da Volta

22 Capítulo 22 - Alicerce...


Notas iniciais
Dia de capítulo!! =D Não há nenhum aviso que eu queira dar, então eu apenas agradeço aos comentários e pelo carinho para com essa história. De verdade, é gratificante e me enche de alegria. Obrigada. Desculpem qualquer erro e boa leitura.

Finn mal teve tempo de discernir nada quando as mãos de Quinn seguraram os dois lados de seu blazer, jogando-o com toda sua força sobre a enorme mesa, fazendo os objetos caírem no chão.

A loira enxergava vermelho e em sua cabeça a imagem do rapaz beijando Rachel repetia-se como um loop infinito fazendo o ódio transbordar de seu corpo.

A mão alva fechou-se em punho novamente e atingiu em cheio o nariz do rapaz.

— Eu vou matar você. — A loira rosnou, desferindo outro soco no rosto de Finn. — Seu nojento.

O rapaz cuspiu o sangue de sua boca no chão e sorriu em seguida.

— Você acha que a Rachel vai ficar com você pelo resto da sua vida? — Riu em desdém, mostrando a fileira de dentes avermelhados. — Ela merece mais do que uma anormal.

O corpo pálido tremia levemente consumido pelo ódio e Quinn novamente avançou sobre o mais alto, empurrando-o sobre a mesa e subindo sobre o corpo de Finn.

A mão da loira chocou-se outra vez contra o rosto do rapaz. O impacto fez Quinn sentir uma dor aguda, mas ela não importou-se, continuou socando cada vez mais forte.

O rosto do mais alto estava banhado em sangue. Cortes e hematomas iam formando-se à medida em que o punho da loira chocava-se cada vez com mais agressividade contra sua face.

Finn sentia a dor dos socos e suas mãos agarraram a gola da blusa cinza de Quinn, empurrando-a e fazendo a loira cair no chão, do outro lado da mesa.

O rapaz caiu sobre o corpo da mais baixa.

— Você é uma aberração! — Finn rosnou. — Não deveria ter voltado. Eu seria o herdeiro disso tudo.

A mão grande apertou-se em volta do pescoço pálido e a outra abriu a gaveta da mesa dos homens Berry, retirando um objeto que Quinn não soube identificar.

— Você... — A loira chocou as mãos contra o peito do rapaz, tentando tirá-lo de cima de si. — É só um babaca mimado e adotado. — Puxou o ar dos pulmões, sentindo o aperto em seu pescoço. — E nunca foi amado por alguém.

Os olhos do rapaz dilataram-se e logo o objeto foi levado até sua boca, onde seus dentes retiraram a tampa de proteção, revelando um canivete médio. Os olhos verdes de Quinn arregalaram-se.

— Pelo amor de Deus! — Rachel gritava, atraindo a atenção de todos. — Onde estão os seguranças?

A baixinha ouvia o barulho de coisas quebrando-se e o desespero tomava conta de cada célula de seu corpo.

— Senhorita Berry. — Uma voz grossa soou em seus ouvidos. — Saia de perto da porta. Por favor. — Pediu.

A morena assentiu nervosamente e afastou-se, observando o homem negro extremamente alto chutar a porta com força, abrindo-a no mesmo segundo.

Rachel não perdeu tempo e adentrou a sala. O local estava uma bagunça. Finn mantinha o blazer sobre o nariz, mas o que chamou sua atenção foram baixos gemidos de dor, proferidos sofregamente por Quinn.

A baixinha correu até o outro lado da mesa e o ar fugiu de seus pulmões quando os olhos castanhos observaram aquela imagem dolorosa.

Vermelho. Rachel via o vermelho do sangue que saía sem controle da barriga de Quinn. As mãos pálidas estavam apertadas sobre o local, ambas completamente encharcadas do líquido escarlate.

— Oh, meu Deus. — A morena não perdeu tempo e ajoelhou-se ao lado da namorada, sem se importar com o sangue que sujava seu vestido. — Quinnie... — As mãos pequenas seguraram delicadamente a cabeça da loira, pondo-a sobre seu colo.

— Rach? — A voz de Brittany ecoou na sala.

— Britt! — Rachel chamou a amiga. — Chame uma ambulância. Agora. — Pediu nervosa.

— Céus! — A loirinha pôs a mão na boca ao aparecer no campo de visão de Rachel. — Como isso foi acontecer? — Indagou em choque, fisgando o celular de sua bolsa e discando algumas teclas.

— Eu não sei o que houve. — As lágrimas já desciam pelo rosto moreno. — Quinnie. — Sussurrou. — Meu amor, fale comigo. — Pediu, observando o rosto mais pálido que o normal.

— Rach... — O nome saiu quebrado pelos lábios quase sem cor. — Me...me desculpe. — Pediu, tentando respirar.

— Deus, não me peça desculpas. — Rachel chorava copiosamente. — Apenas mantenha os olhos abertos. Por favor.

— Não...não chore. — Suplicou, sentindo os olhos pesarem.

— Não feche os olhos. — As mãos morenas seguravam firmemente os dois lados do rosto pálido.

— Eu...você...sempre... — Os lábios agora brancos curvaram-se em um mínimo sorriso, antes dos olhos opacos fecharem-se completamente.

— Quinn! — Rachel gritou, sentindo a dor lasciva do seu peito aumentar. — Quinn, abra os olhos! — A morena chorava como uma criança, abraçando os ombros da maior.

Rachel não soube dizer quanto tempo ficou naquela posição. Chorando e murmurando súplicas para Quinn acordar, quando sentiu uma mão gentil tocando seu ombro.

— Rach... — Brittany chamou docemente. — A ambulância está aí. Você precisa se afastar.

A morena ergueu o rosto apenas para observar os dois paramédicos segurando uma maca perto de si.

— Tudo bem. — Assentiu lentamente.

Os braços alvos de Brittany rodearam o corpo moreno e Rachel afastou-se vagarosamente, depositando delicadamente a cabeça da loira sobre o chão sujo de sangue.

A morena abraçou a amiga com força, enquanto o choro retomava com intensidade. O corpo de Quinn foi depositado sobre a maca com cuidado e a máscara de oxigênio fora posta no rosto quase sem vida.

— A senhorita vai acompanhá-la? — O homem de cabelos grisalhos indagou.

— Claro que sim. — A menor assentiu freneticamente.

O homem maneou a cabeça em concordância e logo a maca era levada para fora da sala.

Rachel separou-se do abraço e antes de sair do local, seu olhar pousou em Finn, que era amparado por uma paramédica.

— Eu juro em nome de tudo o que é mais sagrado que você vai pagar caro por isso! — Falou entredentes, apontando o dedo sujo de sangue seco para o rapaz. — Muito caro! — Reforçou a promessa, saindo da sala e seguindo a maca sob os olhares dos funcionários.

...

O rosto estava enterrado nas mãos, enquanto sentia o afago suave em suas costas. O choro havia dado um tempo e apenas restava a sensação de vazio, de perca e de dor. Seu coração tinha sido arrancado de seu peito desde que a namorada havia sumido pelo corredor extenso do hospital.

— Tudo vai ficar bem. — Brittany sussurrou mais para si do que para a amiga. As lágrimas escorrendo silenciosamente.

— Tanto sangue, Britt. — Rachel sussurrou dolorosamente.

— Onde ela está? — A voz de Frannie ecoou da recepção, mas logo sua atenção fora voltada para a sala de espera.

A Fabray mais velha andou apressadamente até a cunhada, sendo seguida por Cassandra e Santana.

— Onde ela está? — Frannie repetiu a pergunta, aproximando-se para abraçar Rachel.

— Ela está em cirurgia. — Brittany respondeu pela amiga.

— O que realmente aconteceu? — Cassandra indagou preocupada.

— Finn... — Rachel murmurou. — Ele... — A morena voltou a chorar segundos depois. A cena passando-se novamente em sua cabeça.

— Finn fez isso? — Frannie questionou em total surpresa após afastar-se do abraço.

A morena apenas assentiu enquanto tentava conter as lágrimas.

— Eu vou matá-lo. — Santana fechou as mãos em punhos. — Eu juro que vou matá-lo.

— Eu irei com você. — Frannie murmurou. — Eu vou torturá-lo dolorosamente.

— Certo, isso não é hora para ficarem falando tais coisas. Temos apenas que nos apoiarmos. — Cassandra proferiu.

Frannie apenas assentiu e sentou-se em uma das cadeiras desconfortáveis, afundando a cabeça nas mãos.

Cassandra acomodou-se ao lado da esposa e abraçou o corpo alvo, despejando palavras de conforto.

— Eu não posso perdê-la. — Rachel sussurrou, sentada entre as amigas. — Se eu perdê-la, eu... — O nó na garganta impediu que a frase fosse concluída.

— Você não vai perdê-la. — Santana assegurou. — Nós não iremos perdê-la. Aquela loira idiota não pode nos deixar. — Abraçou a baixinha, sentindo as próprias lágrimas escorrerem por seu rosto.

...

— Eu não consigo entender. — Hiram murmurou. — Finn sempre foi um garoto tão bom. Como ele pôde fazer isso?

— Nós nos enganamos com as pessoas. É a lei natural da vida. — Kurt sussurrou, passando as mãos pelas têmporas.

— Onde ele está? — Leroy indagou ao lado do marido.

— Com Judy. O rosto dele estava em um estado pouco crítico. — O rapaz de traços delicados respondeu.

— Espero que ele não cruze minha vista. — Puck murmurou ao lado de Rachel. — Além de agarrar a Rach, ainda tentou matar a Q.

— Matar é uma palavra muito forte. — Leroy retrucou. — Ele também saiu machucado. Não sabemos o que houve realmente.

— Por Deus! — A voz de Shelby ecoou pela sala de espera. — O Finn esfaqueou a namorada da filha de vocês e ainda insistem em uma desculpa? — A mulher maneou a cabeça. — Lucy é uma mulher, mesmo sendo intersexual. Nunca deixou de ser uma mulher e Finn nunca poderia ter feito tal coisa. É um crime! — Levantou-se. — Rachel também foi uma vítima e se não fosse por Lucy, Deus sabe o que ele teria feito naquela sala. — Aproximou-se da filha, que mantinha a cabeça baixa.

— Eu jamais deveria ter saído daquela sala. — Brittany apertou-se nos braços da namorada.

— Não foi sua culpa. — A voz de Rachel saiu rouca e embargada. — Ele disse que Santana estava esperando você na entrada da empresa. — Fungou, sentindo os braços de Shelby ao redor de si.

— Você está totalmente suja de sangue, filha. — A mais velha sussurrou. — Não quer se trocar? Eu trouxe algumas roupas quando Frannie me ligou avisando sobre a situação.

— Eu só quero a Quinn. — Murmurou quebrada. — Quero encarar aqueles olhos brilhantes, que me fazem querer me afogar naquele mar verde e profundo. — Voltou a chorar novamente.

Todos mantiveram-se em silêncio depois disso, apenas respeitando a dor que emanava de cada palavra da baixinha. Cada um com seu próprio sofrimento.

Frannie não poderia perder Quinn. Sua irmã caçula. Sua amiga e mesmo estando há pouco tempo em sua companhia constante, não poderia nem sonhar em perder outra pessoa tão importante em sua vida. O jeito simples de Quinn. O modo como seu rosto torna-se corado ao receber elogios em demasiado. O sorriso sem jeito e os olhos verdes que lembravam o patriarca. Frannie não poderia passar por outra perda.

Os olhos da latina encaravam o chão e sua mente tentava assimilar o medo que estava sentindo em perder Quinn. Ela fora sua primeira amiga. A garotinha loira a consolou quando a latina adentrou o orfanato após a morte de Maribel e Juan Lopez em um acidente de carro. Quinn foi seu alicerce. Seu porto seguro. Deus! Eram amigas desde os seis anos de idade. A primeira encrenca em que se meteram juntas enquanto aprontavam com as freiras do orfanato. A latina sentia o desespero correndo em seu interior ao imaginar nunca mais olhar no rosto de sua melhor amiga. A sensação de pânico era desesperadora. Santana só desejava sair correndo em busca de notícias sobre ela.

E então um ano depois Brittany entrou no orfanato aos sete anos, sofrendo pela morte de Whitney e Owen Pierce, que foram baleados em um assalto enquanto estavam no banco. Quinn e Santana foram as únicas que conseguiram entender a dor da loirinha e apoiá-la com sua dor. Quinn novamente foi um alicerce juntamente com Santana. A loirinha não estava em um estado catatônico, como todos ali. Ela chorava. Os olhos azuis estavam sem brilho e o rosto vermelho pelo choro. Brittany demonstrava seus sentimentos como um livro aberto e perder Quinn seria como perder novamente seus pais. E a dor era horrível.

Um novo ano logo iniciou-se e junto a ele veio também um garotinho problemático para o orfanato. O jovem Noah Puckerman era impossível e ninguém conseguia segurá-lo. Vivia sozinho e recluso desde que seu pai matou sua mãe e acabou suicidando-se logo depois. Ninguém desejava ser amigo do garotinho mais hiperativo daquele lugar. E quando Puck ouviu da boca da Madre Abbigail que seria como seu pai, quem o achou isolado sob uma árvore nos fundos do orfanato fora Quinn. Ela foi o seu alicerce naquele momento e uma amizade iniciou-se ali. O rapaz não chorava constantemente, mas seu coração parecia afundar-se a cada vez que o ponteiro do relógio passava com uma demora dolorosa. Puck apenas queria olhar para o sorriso de Quinn e passar horas irritando Santana com piadas idiotas ao lado da amiga.

E Rachel...Rachel não saberia dizer em que momento sentiu que Quinn era seu alicerce. Talvez no dia em que se conheceram. Quando a loira fora tão cavalheira e amável com ela. Talvez naquele momento a morena soube que não importava o que houvesse, Quinn seria o seu apoio e o seu escudo repleto de amor e proteção.

Ninguém deseja amar sozinha, e Rachel não amou. Rachel sentiu todas as sensações possíveis e impossíveis ao lado da loira. Sempre com a reciprocidade. O primeiro salto que seu coração deu ao ver o sorriso de Quinn. O primeiro frio na barriga. O primeiro formigamento ao sentir o toque de Quinn em sua pele. O primeiro beijo. A primeira excitação. A primeira mão boba. A primeira vez fazendo sexo. A primeira sensação de ter e pertencer a alguém. O primeiro eu te amo. A primeira briga. O primeiro ciúme. A primeira reconciliação. A primeira dor emocional e a primeira felicidade genuína.

O primeiro amor.

Sentada, ali, brincando com a aliança de Quinn, dada para si quando ainda estava na ambulância, observando aquele objeto que não custou mais de cem dólares, Rachel soube o que já sabia há anos: que não poderia viver sem Quinn. Porque o buraco em seu peito era apenas um eufemismo e nenhum poeta acharia uma epígrafe adequada para nomear tal sensação.

A sensação da perda, do vazio constante e da sofreguidão que fazia o peito doer de um modo magistralmente doloroso. E aquele material dourado estava manchado pelo sangue. O sangue de Quinn.

Ninguém sabe a sensação de perder um amor. De como metade de si vai embora com aquela alma que se foi. E não importa quantos anos passe, a dor continua. Mais enraizada, mais cicatrizada, porém, não menos dolorosa e com certeza não suportável.

Rachel definitivamente não queria sentir tal coisa. Quinn era seu alicerce e sem Quinn não havia Rachel. Sem Quinn e Rachel não havia amor. E sem amor não haveria nada.

Notas finais
Eu quis apenas mostrar como todos se sentiam nesse capítulo. No próximo, veremos como Finn está e o que ele pensou ao fazer tal coisa contra a Quinn. Comentem e digam-me se o andamento do enredo está agradando. Favoritem e exponham suas opiniões. Bom início de semana. =D twitter.com/yasagron