O Preço da Volta

2 Capítulo 2 - Trabalho novo...


Notas iniciais
Gente, muito obrigada pelos comentários, pelos favoritos, pelo acompanhamento do primeiro capítulo. Eu agradeço de coração e eu realmente estou feliz por estarem gostando desse início. Leiam as notas finais e desculpem qualquer erro. Boa leitura. =D

O final de tarde em Londres era exuberante. Principalmente no alto da colina do parque onde Quinn e Rachel sempre iam desde pequenas, quando escapavam do orfanato sem serem vistas.

Era ali onde passavam horas conversando e observando a imensidão verde daquele lugar. Corriam e agiam como duas crianças aparentemente felizes, o que de fato eram por terem o amor compartilhado há anos.

As mãos cobertas por um par de luvas escuras adentrou o próprio casaco e retirou o objeto vermelho.

— Vamos ver se a corrida valeu a pena. — Brincou a loira com um sorriso maroto.

— Não acredito que conseguiu fugir com essa bolsa. — A menor ria negando com a cabeça.

— Eu não iria sair de lá de mãos vazias. Com certeza Santana me xingaria. — Respondeu abrindo o zíper dourado e retirando os objetos.

— Jessica McAddams. — A baixinha lia as informações impressas na identidade guardada dentro da carteira retangular branca e dourada. — Dezessete anos. — Observava atentamente as palavras escritas.

— Ela é bonita. — Comentou a maior após inclinar-se e analisar a foto do documento. — Não pude prestar atenção quando a vi porque tive que correr, mas ela é bonita. — Sorriu, observando Rachel fechar a expressão de imediato.

— Vá para o inferno! Idiota! — Ralhou enquanto empurrava os ombros da loira que agora segurava o riso. — Quando quiser brincar a noite, sonhe com ela e se satisfaça. — Decretou enquanto jogava a carteira na maior, que não aguentou prender a risada e gargalhou alto. — Não ria, Quinn! — Apontou o dedo coberto pela luva branca no rosto da namorada.

— Ou o quê? — Arqueou a sobrancelha loira.

— Ou... — A menor não pôde concluir a frase porque no segundo seguinte a loira a beijava sem pudor.

Tentar dizer que Rachel resistiu era mentira, porque a baixinha simplesmente não conseguia. De repente o frio de Londres pareceu evaporar e um calor subiu no corpo moreno quando as línguas encontraram-se como as velhas conhecidas que eram.

Beijaram-se por alguns minutos quando o contato quebrou-se por parte da loira que sentiu a famosa sensação de excitação formar-se no meio de suas pernas e aquilo certamente incomodaria se prosseguisse com o beijo.

— Certo...é... — A loira coçou a nuca. — Vamos ver o que mais temos aqui. — Falou um pouco aérea.

— Está excitada? — Perguntou deitando a cabeça no ombro da namorada.

— Você sabe que estou. — Respondeu um pouco corada.

— Nos conhecemos há anos, namoramos há anos, transamos há quase dois anos e você ainda fica corada. — O sorriso da morena era amoroso. — Eu amo você. — Beijou a bochecha avermelhada.

— Eu amo você. — Respondeu sorrindo mais relaxada.

Quinn observou todos os cartões premium que estavam dentro da carteira e guardou-os no mesmo lugar.

— Realmente hoje é nosso dia de sorte. — Afirmou a loira quando observou o compartimento de dinheiro. — Quinhentas libras. — O sorriso era imenso.

— Oh, minha nossa! — Rachel levou as mãos à boca. — Vamos administrar bem esse dinheiro para não acabar logo e gastá-lo apenas com coisas essenciais. — Afirmou firme e contente.

Quinn assentiu e guardou as notas no mesmo lugar em seguida, sem tirar o sorriso no rosto.

— Olhe! — Apontou para dentro da bolsa. — Um celular. — Fisgou o aparelho, analisando-o em seguida.

— Ele é bem caro. — Afirmou a maior. — Deve render algum dinheiro se vendermos para Puck junto com a bolsa. Já temos um para falar com as meninas e esse chamaria muita atenção.

— Ele com certeza adoraria essa agenda telefônica. — A menor ria lembrando do amigo cafajeste do orfanato que agora já era maior de idade e trabalhava com um ''comércio'' em Londres, enquanto deslizava para baixo na tela de contatos.

— Batom, rímel, sombras e blush. — Quinn disse enquanto olhava os produtos de maquiagem dentro da bolsa.

— Pelo menos eu saí ganhando dessa vez. — Rachel sorriu.

— Sabe que Brittany e Santana vão brigar com você por essas maquiagens, não sabe? — Indagou risonha.

— Vou escondê-las. — Respondeu enquanto voltava sua atenção para o aparelho.

Quinn olhava tudo e aparentemente a bolsa já estava vazia, quando notou um bolso na lateral da forragem do objeto, abrindo-o e sorrindo marota em seguida.

— Imagine a reação dos pais dela se soubessem que a filha guarda isso na bolsa. — A maior retirou os cinco pacotes de camisinhas do compartimento. — Ela deve ser bem ativa pra ter essa quantidade de preservativos aqui. — Completou rindo em seguida e sendo acompanhada pela namorada que gargalhou alto.

— Por Deus! Ela de certo é uma garota com muitos hormônios. — Deu de ombros cessando o riso e segurando os preservativos. — Como nós.

— Mas não fazemos nada há duas semanas. — A maior bufou em frustração.

— Nossas camisinhas haviam acabado e não tínhamos dinheiro sobrando para poder gastar com isso. — Explicou aquilo pela décima sexta vez. — Pare de reclamar, agora temos cinco de graça. — Completou mostrando os pacotes sorridente.

— Então podemos sair daqui e gastar as cinco em três horas? — Perguntou sugestiva.

— Podemos gastar uma porque eu sei que amanhã você vai reclamar novamente se acabarmos com tudo. — Respondeu revirando os olhos. — Torça para Santana e Brittany não chegarem cedo.

— Espero que consigam encontrar um lugar que tenha vagas para trabalho. — Comentou pensativa.

— Eu também. — Deu um selinho na mais alta. — Agora vamos. Está escurecendo e é uma longa viagem caminhando até East End. — Levantou-se e passou as mãos no casaco, vendo a loira guardar tudo na bolsa e recolocando o objeto dentro do próprio casaco.

As duas deram as mãos e saíram do belo lugar, observando a paisagem verde transformar-se nos edifícios velhos e lugares precários do bairro onde moravam com as amigas.

Poderiam sim estar no orfanato, mas era deprimente observar a maior parte das freiras tratarem os orfãos como pedaços de lixos que foram jogados fora, principalmente Quinn que era tratada como uma aberração naquele lugar.

A senhora que alugou o pequeno cubículo por um preço baixíssimo mudou-se para Hong Kong e presenteou as quatro jovens deixando-as como donas do pequeno espaço, o que foi gratificante.

Moravam em um dos piores bairros de Londres, mas pelo menos possuíam um lugar só delas para morarem.

Depois de duas horas e meia, a noite fria já dava sinais de vida e Quinn agradeceu por chegarem. Seus pés doíam e estava faminta. Segurava as duas caixas grandes de pizza que compraram com o dinheiro furtado e ambas salivavam sempre que sentiam o cheiro vindo da embalagem.

O antigo restaurante chinês da senhora Wu permanecia fechado, tornando o local mais escuro.

Pararam em frente à grade que separava a estreita escada de concreto que levava ao pequeno cubículo da calçada e Rachel cuidadosamente retirou as chaves do bolso da calça e a abriu, entrando com a namorada e a trancando em seguida.

Subiram e a morena destrancou a velha porta enferrujada corrediça e com um pouco de força, conseguiu deslizá-la para o lado.

As garotas entraram no pequeno espaço que era o lar das quatro desde os quinze anos e colocaram as caixas de pizza na pequena mesa de centro.

Agradeceram mais uma vez pelo lugar já possuir móveis e dois quartos pequenos com camas de casal.

Uma cortina floral separava o que seria a sala da cozinha, onde uma pia de inox velha servia para lavar as roupas de todas, resultado da máquina de lavar quebrada.

Após deixarem a comida na mesa de centro, partiram para o quarto pouco espaçoso onde a cama residia no centro e um pequeno armário de madeira antiga e escura permanecia na lateral esquerda.

Eram gratas pelo armário possuir duas gavetas que abrigavam suas roupas íntimas e ter espaço suficiente para guardarem as poucas peças de roupas que tinham.

Quinn retirou a bolsa e deixou-a na cama, enquanto retirava peça por peça das camadas de roupas enquanto Rachel fazia o mesmo.

Após retirar o top branco e ficar somente de cueca da mesma cor, sentiu os braços morenos rodearem sua cintura por trás.

A baixinha deslizou a ponta do nariz pelas costas delicadas e alvas da namorada e aspirou o cheiro próprio e delicioso da loira.

O cheiro que fazia Rachel esquecer o próprio nome.

Quinn esboçou um sorriso, enquanto sentia as unhas médias da morena arranharem o abdome liso.

— Devo pegar os preservativos? — Perguntou com a voz maliciosa.

— Só depois que comermos. — Respondeu, depositando beijos nas costas da maior. — Agora vamos tomar banho. — Deu lhe um pequeno aperto no pênis semi-ereto, arracando um gemido rouco da namorada e correu saindo do quarto e indo para o banheiro com um sorriso sapeca.

— Você me paga, Rachel! — Exclamou bufando em frustração e correndo atrás da morena que agora gargalhava.

...

Depois de um banho provocativo e rápido por conta da água fria, o casal agora comia com devoção a vultosa pizza.

A loira sentava relaxada no sofá de dois lugares com as pernas para cima, enquanto observava a namorada aconchegada no meio delas, que eram cobertas pela calça de moletom grande.

A televisão de catorze polegadas transmitia um filme de ação e mostrava a cidade de Nova York e os olhos castanhos brilhavam e mal piscavam enquanto comia sua fatia.

— Um dia iremos ter uma casa maior? — Perguntou sem desgrudar os olhos da tela.

— Você me faz essa pergunta desde os treze anos. — Respondeu soltando uma risada.

— Eu tento convencer a mim mesma que um dia iremos sair dessa vida. — Soltou um suspiro e bebeu um pouco do suco de caixa.

— E iremos. — A loira garantiu. — Se ao menos eu vendesse aquele colar nós...

— Não, Quinn! — Rachel interrompeu virando-se para olhar a namorada. — É a única lembrança dos seus pais. A única coisa que liga você a eles.

— E do que adianta, Rachel? — Perguntou suspirando. — Eu nunca os verei e nem sei meu sobrenome. Só há uma maldita letra que eu não sei o que significa, além do mais, já sei o porquê de terem me deixado naquele orfanato. — A loira levantou bufando e fechando a caixa de pizza, recolheu os copos vazios e andou em passos pesados até a pia.

— Será que eu preciso bater em você até que entenda que você é normal?! — Exclamou irritadiça seguindo a namorada. — Eu também fui deixada lá. Santana e Brittany também foram deixadas lá. — A morena gesticulava nervosa.

— Os pais delas morreram, Rachel, e você...

— Eu era um bebê como você, Quinn! — A morena aproximou-se da loira e agarrou na barra da camisa de flanela entreaberta da maior. — Eu olho aquela foto que foi deixada comigo quando me largaram e não entendo como aqueles dois homens jovens e sorridentes puderam me abandonar, e eu tento entender todos os dias e por mais que seja difícil acreditar, eu não tenho raiva deles. — Negou com a cabeça. Os olhos castanhos brilhavam tentando segurar as lágrimas. — Eu sinto a felicidade deles através da fotografia e eles tiveram seus motivos e eu não conheceria Santana e Brittany se isso não acontecesse, e... — A menor respirou fundo. — Eu não conheceria você, Quinn. A minha Quinnie! — Segurou o queixo fino entre os dedos. — Eu amo você mais do que qualquer coisa. Por Deus! Amo muito! E se você pensar novamente que é uma aberração, eu juro que a transformo em uma, mas de tanto bater em você. — Completou encostando a cabeça contra o peito de Quinn.

A loira deu uma risadinha abafada pelas lágrimas que já caíam dos olhos verdes e abraçou a namorada pela cintura, transmitindo o amor e proteção que sentia no momento. Seu coração batia rápido demais preenchido por alegria.

Beijou-lhe o topo da cabeça aspirando o cheiro do xampu de frutas.

— Eu prometo que um dia teremos uma casa enorme com dois andares e um jardim com tulipas, gardênias, rosas, violetas e muitas outras flores. — Falava enquanto afagava as costas da menor. — Teremos também balanços e um escorregador para os nossos filhos. — Completou sorrindo.

— Você não pode me prometer isso. — Resmungou agarrada na loira.

— Eu posso. Eu farei de tudo para isso acontecer. — Respondeu separando os corpos para olhar nos olhos castanhos. — Eu prometo. — Assegurou-lhe enquanto beijava a testa da morena.

— Eu amo você. — Beijou os lábios finos amorosamente.

— Eu amo você. — Respondeu a loira entre o beijo. — Sempre.

O beijo calmo ganhou urgência e as línguas encontraram-se. A loira moveu as mãos pálidas e os dedos longos apertaram as nádegas da morena com devoção, enquanto já sentia as mãos pequenas desabotoarem o resto dos botões de sua camisa, quando uma voz conhecida fez-se presente.

— Meu Deus! Pizza! — Santana gritou da sala.

As jovens quebraram o contato frustradas e Quinn abotoou a camisa novamente antes de atravessarem a cortina e verem a latina com a boca cheia de queijo derretido.

Ao contrário da namorada, Brittany comia educadamente e ria da expressão de Santana sempre que mastigava um pedaço.

— Q, Rach. — A loirinha de olhos azuis saudou feliz. — De onde tiraram dinheiro para comprar essas pizzas? — Perguntou enquanto comia.

— Quinn furtou uma bolsa caríssima de uma garota na London Eye e dentro haviam quinhentas libras. — Rachel respondeu enquanto sentava-se no sofá.

— Mandou bem, entregadora delivery. — A latina sorriu marota após engolir o que mastigava.

— Do que está falando? — A loira arqueou a sobrancelha.

— Consegui um trabalho em um Sushi Bar e seremos as entregadoras delivery. — Respondeu bebendo o suco direto da caixa. — Amanhã à noite começamos e o melhor é que nem precisamos apresentar documentos. — Completou sorrindo orgulhosa.

— A senhora Chang acabou de abrir o local e não pode pagar muito, mas o salário é razoável e ela não se opôs por sermos menores de idade. — Brittany completou animada.

— Isso é realmente bom. — Rachel entrou na conversa. — As identidades falsas que Puck fez não são tão boas e às vezes tenho medo de usá-la.

— Você é a melhor. — Quinn levantou-se e bateu um high five com a melhor amiga. — Mas apenas nós duas iremos trabalhar?

— Não. — A latina negou com a cabeça. — Britt-Britt também irá. Ela e Rach irão ser garçonetes. — Santana explicava. — Como nós duas... — Apontou para Quinn e para si mesma. — Conhecemos a cidade melhor, entregaremos as comidas. O Sushi Bar é vinte e quatro horas, o que é melhor porque o movimento da noite é mais tranquilo. — A latina terminava sua fatia.

— Eu sinceramente não gostei dessa parte. Há lugares perigosos aqui e à noite fica pior para vocês irem entregar os pedidos. — Brittany fechou a expressão enquanto falava.

— Isso é verdade. — Rachel murmurou baixinho. Nada era cem por cento bom.

— Não se preocupem. — Quinn confortou enquanto passava o braço pelos ombros da namorada. — Santana e eu sabemos nos cuidar.

— É isso aí. — A latina confirmou assentindo com a cabeça. — É em Brixton Road e não é tão longe daqui.

Rachel afundou o rosto no peito da loira, enquanto ouvia os planos para o trabalho novo. O dinheiro seria bem-vindo, com certeza, mas a preocupação com a namorada permaneceria.

Notas finais
Qualquer dúvida sobre a história, podem perguntar. =D Comentem, exponham suas opiniões e me digam o que estão achando do desenvolvimento desse início. Por enquanto, estou mostrando a situação de vida que elas estão passando, porque irá mudar drasticamente para melhor, todavia virão as consequências.