O Preço da Volta
19 Capítulo 19 - A fúria de Rachel Berry...
Notas iniciais
Os olhos verdes arregalaram-se assim que observaram a figura baixinha praticamente espumando de ódio.
Quinn puxou a própria mão do seio da mulher como se estivesse contaminado e não teve tempo de discernir nada quando a bolsa preta foi jogada em cima de si e Rachel literalmente avançou na mulher indiana.
O punho da menor fechou-se e acertou em cheio o nariz da mulher, que apoiou-se sobre a mesa para não cair e pôs a mão no local acertado. O sangue escorria livremente.
— Você é louca? — Janna gritou perplexa. — Meu nariz está quebrado, sua maluca.
A mulher mantinha as mãos sobre o nariz quando Rachel avançou sobre si mais uma vez. Os cabelos lisos foram segurados com força e Janna fora arremessada no chão.
Rachel sentou-se sobre seus quadris e Quinn apenas ouviu o ruído da mão da namorada sobre a face da mais alta.
— Lave a sua boca antes de falar de mim, sua oferecida! — Outro tapa. — Nojenta! — Mais um.
A indiana mal tinha tempo de raciocinar. Rachel era rápida e sua mão pesada. A face de Janna ardia como o inferno e um filete de sangue escorria de sua boca.
A loira que observava tudo ainda em choque largou a bolsa da namorada sobre a mesa e correu até as duas mulheres. Os braços pálidos circularam a cintura da baixinha e puxaram-na para sair de cima da mais alta.
— Rach, Rach, já chega. — Quinn suspendeu a morena em seus braços, que debatia-se com força.
— Me larga! Eu ainda não terminei com ela! — Rachel gritava, enquanto tentava se soltar dos braços da namorada, todavia, a loira possuía mais força.
Janna mantinha-se no chão soltando alguns gemidos de dor quando a porta fora novamente aberta por Frannie, que assustou-se assim que viu a cena.
— O que aconteceu? — A Fabray mais velha indagou, abaixando-se e ajudando a indiana.
Santana adentrou o local ao lado de Mercedes e rapidamente a porta foi fechada.
— Todos os funcionários estão assustados com os gritos. — A mulher negra se pronunciou.
Rachel respirava pesadamente ainda suspensa nos braços da namorada.
— Essa nojenta estava dando em cima da Quinn! — A baixinha falou entredentes. — E ainda pôs a mão dela nesses peitos horríveis! — Esbravejou, voltando novamente a debater-se.
— Certo. — Frannie respirou fundo. — Merdeces, leve Janna para se limpar e providencie um carro da empresa para levá-la ao hospital. O nariz dela está horrível. — Pediu educada.
— Pode deixar. — A mulher assentiu, pondo o braço da indiana sobre seus ombros.
Janna agarrou-se à Mercedes, e antes de sair olhou para trás, encontrando o rosto irado de Rachel.
— Você deveria ter visto como Lucy olhou para o meu decote mais cedo. — As palavras saíram com puro veneno e logo a indiana saiu da sala cambaleando.
O rosto de Rachel ganhou uma coloração vermelha na mesma hora.
— Me põe no chão, Lucy Quinn Fabray. — Ordenou com a voz carregada de ira.
A loira sentiu seu corpo arrepiar-se com o tom usado pela namorada.
Desde que descobrira, Rachel jamais a chamava pelo seu nome completo. Definitivamente a situação não era nada boa.
O pedido foi acatado e logo Rachel foi solta pela loira.
A menor virou-se, encarando os olhos verdes. As orbes de Rachel estavam dilatadas de raiva.
— Você fez o quê? — Aproximou-se da loira, que recuou dois passos para trás.
— Foi coisa de momento, Rach. Eu até disse depois que foram por poucos segundos. — Quinn tentava manter a calma.
— Enquanto eu estava em uma clínica, preocupada com nossa vida íntima, tentando proporcionar o melhor para nós duas, você estava olhando o decote de outra mulher! — A morena aproximou-se ainda mais.
A loira engoliu pesadamente diante do olhar da namorada.
Frannie observava tudo ao lado de Santana. As duas prendiam o riso.
— Se deu mal, Q. — A latina soltou o riso.
— Você também olhou para o decote dela. — Quinn apontou para a amiga. — E Frannie também.
— Vocês olharam? — O rosto de Rachel novamente retraiu-se em raiva.
O riso de Santana morreu no mesmo minuto e Frannie entrou em pânico.
— Foi coisa do momento, como Lucy disse. — A Fabray mais velha desesperou-se.
— Você disse que olhar não fazia mal algum. — A caçula rebateu.
— Vocês. — Apontou para a cunhada e para a amiga. — Estão ferradas. — Caminhou até a mesa, fisgando sua bolsa. — Brittany e Cassandra adorarão ouvir o que houve, e você... — Apontou para Quinn. — Conversaremos em casa. — Passou as mãos nos cabelos, arrumando-os e dirigiu-se até a porta, saindo da sala em seguida.
— Que merda, Q! — Santana aproximou-se raivosa. — Por que diabos falou aquilo? — Empurrou a amiga.
— Porque eu não iria me ferrar sozinha. — Empurrou de volta.
— Eu estou ferrada. — Frannie encostou-se na mesa, pondo as mãos no rosto.
— Talvez a Hobbit não conte se nós pedirmos. Me dá o seu celular. — Pediu para a loira mais nova.
— Você acha que a Rach vai ficar quieta? — Quinn cruzou os braços.
— Merda. — Santana enfim deu-se conta da situação e andava enquanto gesticulava. — Podemos propor um acordo.
— Não adianta. Já era. Eu estou morta. — Frannie suspirou sofregamente.
A porta da sala fora aberta e Mercedes adentrou pela mesma, balançando a cabeça negativamente enquanto observava as três.
— Janna foi levada ao hospital. — Pronunciou-se. — Rachel fez um belo trabalho.
— Ela não deveria ter agido com violência. — Quinn suspirou.
— Ela fez o que qualquer um faria em um estopim de raiva. Eu não gostei da pose daquela advogada. — Aproximou-se. — Não temos mais nenhuma reunião hoje. Se eu fosse vocês iria para casa. Eu vi bem o olhar de vocês no decote dela e conhecendo Cassandra como conheco, é melhor você correr. — Olhou para Frannie.
A Fabray mais velha contorceu o rosto em medo e maneou a cabeça em afirmação.
— Vamos para casa. — Determinou.
...
As três entreolharam-se e olharam a grande porta de madeira.
— Você abre. — Santana sussurrou.
— Por que eu? — Frannie sussurrou de volta.
— Porque você é a adulta aqui. — Quinn manifestou-se sussurrando.
— Por que estamos sussurrando? — A mais velha indagou.
— Porque elas podem estar em qualquer lugar. — Santana olhou para os lados. — Esperando para atacar todas nós e nos matar.
Frannie tomou uma longa respiração e pôs a mão na maçaneta, girando-a.
Todas adentraram o hall da mansão e depararam-se com o completo silêncio.
— Mau sinal. — Santana murmurou apreensiva.
— Mamãe! — Um pequeno ser apareceu em seu campo de visão no topo da escada com sua mochila nas costas.
Kate desceu todos os degraus e pulou no colo da mãe, que a pegou instantaneamente.
— Oi, minha princesa linda. — Beijou-lhe as bochechas e a ponta do nariz. — Como foi na escola?
— Foi muito legal! — A voz saía carregada de animação. — Eu fiz vários desenhos e quero mostrar para a senhora, mas mama Cassie disse que agora eu não posso. — Fez um biquinho ao terminar de falar.
— E por que agora você não pode? — Frannie questionou.
— Porque ela disse que vocês vão conversar e eu vou passar a tarde na casa da Amber. — Respondeu animando-se.
— Na casa da Amber, hun? — A mãe tentou não parecer assustada.
— Sim, e nós vamos nos divertir muito. — Levantou as mãos em comemoração.
Frannie beijou-lhe a testa e observou Olívia adentrar o hall.
— Sarah acabou de interfonar e ela e Amber estão esperando. — Avisou sorrindo.
— Certo. — Frannie assentiu. — Divirta-se. — Beijou-lhe as bochechas e o nariz.
Kate assentiu e repetiu o gesto da mãe.
— Tchau, mamãe. Eu te amo. — Sorriu.
— Tchau, meu amor. Mamãe ama você. — Sorriu com amor e beijou-lhe o topo da cabeça, pondo a filha no chão em seguida.
A loirinha despediu-se da tia e de Santana e logo saiu com Olivia atrás de si.
— Cassandra planejou isso. — Frannie virou-se com o rosto assustado.
— Pode ter sido uma coincidência. — Quinn retrucou.
— Não. — Maneou a cabeça em negação. — Eu conheço ela e eu estou ferrada, ferrada, ferrada... — Repetia como um mantra.
— Ei! — A caçula aproximou-se, segurando os ombros da irmã. — Estamos todas ferradas.
— Onde elas estão, afinal? — Santana questionou confusa.
— Devem estar lá em cima. Vamos subir.
Frannie assentiu e as três passaram a subir os degraus da longa escada.
Quinn sentia o corpo em alerta a cada passo dado, não muito diferente da irmã e da amiga.
— Não podemos sair daqui e só voltar amanhã? — Santana questionou.
— Não. — Quinn maneou a cabeça em negação. — Vamos enfrentar elas. Não podemos ter tando medo assim. Elas vão achar que somos medrosas.
— Mas nós somos medrosas. — Frannie retrucou.
— Elas não precisam saber disso. — Respondeu.
Cada uma parou em frente à porta de seus quartos e respiraram fundo.
— Eu...eu não quero entrar. — A latina murmurou.
— Vamos no três. — Quinn murmurou de volta.
— Um... — Frannie começou.
— Dois... — A latina respirou fundo.
— Três. — Quinn girou a maçaneta e adentrou o quarto.
O local estava extremamente silencioso...e vazio.
Quinn franziu o cenho e observou a cama perfeitamente forrada e varreu os olhos pelo cômodo. Nada de Rachel.
— Chegou cedo. — A voz ecoou atrás de si e a loira sobressaltou-se, virando rapidamente e encarando a namorada trajando uma calça jeans e camiseta de algodão. — Achei que iria demorar mais.
— Eu quis vir o mais rápido possível. — Quinn tentou sorrir, todavia, o medo predominava.
— E qual o motivo de tanta pressa? — Aproximou-se. — Achei que quisesse ficar mais tempo na empresa. Talvez haja mais decotes para olhar.
— Rach... — Quinn suspirou. — Eu não olhei de propósito. Janna virou-se e a blusa dela estava mostrando. Foi coisa do momento...eu só...só me desculpe por isso. — Os olhos verdes estavam suplicantes.
— Não mencione o nome daquela dela aqui! — Rachel apontou o dedo na face pálida. — Você é uma idiota! — Ralhou, empurrando a maior, que sentou-se na cama.
— Eu sou idiota, mas eu olhei por alguns segundos e logo desviei. — Levantou-se, aproximando-se da menor.
— Não interessa. Você olhou, e você é uma imbecil. — A mão pequena desferiu uma tapa no ombro da loira.
— Rach, me desculpe. — Quinn segurou os pulsos da morena. — Como foi a consulta? — Tentou mudar de assunto.
— Agora você quer saber? — Empurrou a loira novamente para longe de si. — Pois eu não vou falar. Você está de castigo, Lucy Quinn Fabray, e ele começa agora.
— Castigo? — A maior engoliu em seco.
— Sim, castigo. — Rachel assentiu. — Nada de sexo por tempo indeterminado e você não dormirá aqui. — Cruzou os braços.
— O que?! — A loira quase gritou. — Rach, eu não olhei porque eu quis. Foi automático. E como quando olhamos algo porque nossos olhos se movem sozinhos. Eu não olhei por mais de três segundos.
— Eu não quero saber, Quinn! — A morena falava raivosa. — Você está de castigo.
— E onde eu vou dormir? — A loira possuía a expressão triste, e Rachel quase cedeu.
Quase.
— Você é quem decide. Eu não me importo. — Proferiu, saindo do quarto em seguida.
Quinn suspirou tristemente. A fúria de Rachel Berry estava só começando.
...
A loira jogou-se na cama do quarto de hóspedes e respirou fundo. Já era noite e Rachel não trocou sequer uma palavra consigo. Quinn tentou, e como tentou, mas apenas recebeu palavras duras e grossas. Não comunicou-se com Frannie e Santana. Mas sabia que as coisas para elas também não estavam boas.
Os cabelos curtos ainda estavam úmidos do banho após o jantar, este que fora feito em silêncio total e a loira já trajava seu pijama. Estava pronta para ressonar quando a porta fora aberta e a irmã adentrou o local também com trajes para dormir.
— Não acredito que Cassandra expulsou você do quarto. — Quinn sentou-se na cama.
— Ela também disse que não iremos ter contato íntimo por tempo indeterminado. — A mais velha acomodou-se ao lado da irmã.
— Rach também. — A menor suspirou.
Novamente a porta foi aberta e dessa vez Santana entrou vestindo roupas semelhante às duas. A expressão da latina estava triste.
— Você também? — Frannie questionou surpresa.
— Aposto que elas combinaram tudo isso. — Santana caminhou até a cama, sentando do outro lado de Quinn.
— E o que faremos agora? — A Fabray mais velha indagou.
— Iremos conter a fúria delas. — A latina respondeu.
— Como faremos isso? — Foi a vez de Quinn questionar.
— Temos a noite toda para pensar. Vamos conseguir, certo?
Quinn assentiu e suspirou.
— Certo.
As duas olharam para Frannie, que caiu de costas no colchão macio.
— Vamos acabar com a fúria das três.
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